Eu bem que quis voltar aqui durante a semana para postar algum dos inúmeros post que estão pendentes, mas, como vocês viram, não consegui. Quando é assim, eu pelo menos não sumo, eu volto todas as segundas-feiras para um compromisso sério, que eu mesma criei, que me dá trabalho, sim, mas que eu adoro, o Pergunte ao Pediatra.O Dr. José Martins é tão, mas tão legal que, mesmo quando a doida aqui, cheia de eslovenices na cabeça, esquece de mandar as perguntas num prazo aceitável, as responde no mesmo dia, sem reclamar. Ele é tão responsável e ético, que se preocupa verdadeiramente com vocês, me pergunta dos retornos, comenta as perguntas. Enfim, é um exemplo como médico, como pediatra e, principalmente, como ser humano.
Se um dia ele for fazer uma palestra na sua cidade, recomendo que vá. É impossível não se encantar com este médico que tem 45 anos de prática e continua aprendendo com seus pacientes. Se não puder ir à palestra, leia um de seus livros.
Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?".
Para ter sua pergunta respondida por ele, basta enviar para o email pergunteaoped@gmail.com ou mesmo deixá-la registrada num comentário aqui que ela entrará numa lista de espera e logo será publicada nesta seção. Para ver as perguntas e respostas anteriores, clique na seção Pergunte ao Pediatra, no menu superior deste blog.
Vamos às perguntas da semana.
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AMAMENTAÇÃO
1) Doutor, meu filho está com quase 10 meses, se alimenta muito bem de frutas, verduras, legumes, cereais, hortaliças e carnes e ainda mama umas 5 vezes por dia. Eu trabalho em tempo integral, mas consigo almoçar em casa. Vou começar o processo para retirar a mamada noturna e a mamada antes de dormir, mas sinto que mamar ainda é algo muito importante para ele (assim que me vê ele chora para mamar, por mais que tenha acabado de comer, e não adianta tentar distraí-lo). Entretanto, no meu trabalho existem viagens ocasionais. Desde que voltei de licença maternidade (de 6 meses + férias), já tive que viajar duas vezes. Em ambas as vezes, levei meu filho, marido, berço, carrinho, bebe conforto, etc, o que é bastante desgastante. Receio que possam surgir viagens nas quais eu não possa levá-lo e isso me deixa bastante preocupada e angustiada. Será que preciso desmamá-lo? Será que consigo passar alguns poucos dias fora (eventualmente) e manter a amamentação assim que retornar? Em qual processo ele sofreria menos? Obrigada pela atenção.
JMF - Parabéns pela sua atitude de levar o bebê com você! É realmente a melhor opção e por isso você está conseguindo manter essa amamentação até 10 meses, trabalhando dessa maneira, inclusive viajando. Eu levaria o bebê enquanto fosse possível e tentaria, se possível, evitar viagens em que isso não possa acontecer, pelo menos até 1 ano e meio, no mínimo. Sei que não é fácil.
Outra solução é conseguir estocar seu leite em freezer e começar umas duas semanas antes da viagem, calculando de acordo com o tempo que você ficaria fora. E ainda a pessoa que vai cuidar do bebê deve ter experiência em dar no copo ou na garrafinha própria, para não mudar a sucção do bebê com mamadeira. A útlima coisa a fazer é desmamar, principalmente com leite artificial.
2) Olá Dr. Assisti recentemente uma entrevista da atriz Claudia Raia no programa Altas Horas onde ela dizia que seus dois filhos foram amamentados exclusivamente no peito sem tomar nem mesmo água até os onze meses, e são extremamente saudáveis, felizes e etc. Nunca ouvi dizer isso! Fiquei surpreendida e cheia de dúvidas. Isto realmente é possível? A nutrição é suficiente? Qual a sua opinião? Obrigada!
JMF - Nós incentivamos as mães a fazerem amamentação exclusiva ao peito sem água ou sem qualquer outro alimento até os 6 meses e depois começamos a introdução de papinhas, frutas e sucos. Existem alguns países e grupos que acham que dá para ir mais longe, mas eu não acho uma boa prática, porque a partir dos 6 meses a criança já começa a sentir necessidade de mastigação e de sentir alimentos na boca. Mas enquanto está exclusivo no seio não precisa de qualquer outro alimento, nem água; a mãe é que deve se alimentar bem e estar sempre bem hidratada.
PREMATURIDADE E CABEÇA ACHATADA
3) Meu filho nasceu prematuro, com baixo peso para a idade gestacional (34 semanas) e passou 20 dias na UTI. Desde que ele voltou pra casa, percebi algumas regiões da cabecinha achatadas. Conforme ele foi crescendo, a cabecinha foi ficando cada vez mais assimétrica, interferindo na posição das orelhas, testa e olhos. Só é possível perceber com um olhar bem atento, minucioso. Agora ele está com 6 meses.
Na dúvida, procurei ajuda especializada e ele foi diagnosticado com Plagiocefalia Posicional.
Iniciei o tratamento, que consiste em usar uma órtese para moldar o crescimento craniano. Acontece que ele fica muito irritado, tenta tirar a órtese, fica batendo com as mãos na cabeça, parece outro bebê, não sorri ou consegue brincar normalmente. Ele já teve algumas lesões na pele e alergias devido ao suor.
O pediatra dele alega que a cabecinha vai ficando mais redonda conforme o bebê passa a ficar mais tempo sentado. Já o especialista defende a necessidade do tratamento para que esses problemas que eu citei não se agravem ou possam interferir no campo visual ou mastigação.
Não quero ter um filho perfeito, apenas quero assegurar que ele se desenvolva normalmente e que não venha a necessitar no futuro de uma intervenção cirúrgica, ou até mesmo que vire alvo de piada dos coleguinhas na infância.
Peço uma terceira opinião pois esse tratamento é muito novo e desconhecido.
Pra mim, como mãe, está difícil conviver com algo que sei que incomoda/machuca meu filho e que não tenho uma garantia médica de que irá funcionar.
Tenho medo de perder sua fofurice e alegria durante o tratamento- justo agora que eu e o pai dele já havíamos superado a fase mais difícil relativa ao tempo de UTI e sua prematuridade. E ele só vai ser bebê uma vez.
Obrigada pela ajuda, sei que a decisão caberá a nós, que somos pais, mas eu realmente não sei o que fazer. Se insisto no tratamento, e vivo mais uma fase de sofrimento, ou desisto e aceito os "riscos".
JMF - Você esqueceu de me dar o peso e a estatura de nascimento e o peso e a estatura atual, isso é importante.
Realmente, alguns bebês tem essas alterações. Eu tenho 45 anos de prática pediátrica e na imensa maioria das vezes tenho visto esses casos regredirem espontaneamente, sem necessidade de pressões, aparelhagem e, principalmente, sofrimento.. Qual é o especialista que propôs a intervenção? Você poderia me mandar uma foto da cabeça do seu bebê para que eu possa opinar um pouco mais munido de exame? Até lá eu não faria a criança sofrer.





















