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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Hora de falar sobre sexo?

Esta eu já postei no Facebook, correndo, mas achei que merecia vir pra cá também. Ontem à noite eu e Bernardo estávamos escolhendo a mala que ele levaria numa viagem. Escolhemos uma de tamanho médio e a abrimos. Na mesma hora, a Ciça entrou na mala para brincar - ela sempre faz isso, adora. Uns minutos depois, ela sai da mala com uma camisinha (embalada) na mão:

- O que é isso, mamãe? É de aguto (adulto)?

Eu disse que sim, peguei a camisinha e guardei. Achei que ainda não era hora de explicar para ela de onde NÃO vêm os bebês.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Foi o chão!

A culpa é minha, eu ponho em quem eu quiser
A gente passou o fim de semana na piscina, dado o calor absurdo que tem feito em Brasília nos últimos dias. Em determinado momento, a Ciça cismou que queria os meus óculos escuros e eu não deixei ela tirar do meu rosto (sou fotofóbica e tenho astigmatismo, simplesmente não aguento claridade).

-Por que, mamãe?
- Porque eu não posso ficar sem eles, Ciça.
- Eu também não posso.
- Ah, é, então por que você quebrou os seus óculos?
- Não fui eu, mamãe, foi o chão que quebô!

Ela atira propositalmente e repetidas vezes os óculos escuros (dela) no chão, eles quebram e a culpa é de quem? Do chão, é claro!

Festa em casa
No sábado à noite, demos uma festinha em casa. Como ela tinha dormido bastante à tarde, relaxei e não a mandei para a cama, para que ela pudesse curtir um pouco também. Ela adora quando tem gente em casa.

Como sempre acontece, ela escolhe uma pessoa para grudar. Geralmente é um homem. No caso, foi o amigo de um amigo nosso, que tem filho em São Paulo e, portanto, estava morrendo de saudade de ter crianças por perto. Menos mal, porque a Ciça quando gruda, gruda mesmo.

Tinha um bebê na festa e, em determinada hora, eu fui pegar um chocalho no quarto da Ciça para entretê-lo. Ela tinha ido mostrar os brinquedos para o tio e, quando me viu, falou:

- Não, mamãe, aqui não. Sai!

Quando ela está encantada com alguém, não gosta que a gente fique por perto. Já aconteceu em outros lugares, com outras pessoas. Nestas horas, ela quer curtir as pessoas e não gosta que a gente "atrapalhe" com a nossa presença. Vê se pode?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Aprendiz de Niemeyer

Little Niemeyer
Na quarta-feira, fomos a um restaurante para comemorar o meu novo emprego (falo mais dele abaixo). Ao chegarmos lá, a primeira coisa que a Ciça falou, entusiasmada, foi:

- Olha, mamãe, a taquedal!

- Não, Ciça, aqui não é a Catedral.

- Mas ela tá na mesa, olha aqui! (mostrando embaixo da mesa)

Quando eu olho para baixo, vejo que as pernas da mesa tinham o formato da catedral, só que invertido. Fiquei tão orgulhosa de ela ter percebido algo que, para mim, passaria batido. Vai ser arquiteta, a minha pequena!
(Viu, Thaís, quem sabe uma aluna? Não tirei foto da mesa, mas ainda volto lá para fazer isso.)

As investidas do Leo
Na escola da Ciça, a maioria das crianças não é de Brasília, como ela. E a gente tem conhecido os pais e as suas histórias. Na festa da família, há um tempo atrás, conhecemos o pai do Leo, um colega da Ciça, curitibano e muito gente boa. Na semana em que nos conhecemos, a Ciça estava com o nariz vermelho, fruto de uma mordida enorme que tinha levado... do Leo! Eu sei porque não só ela me contou, como uma outra colega fez questão de dedurar o Leo quando eu fui buscá-la na escola no dia da mordida.

Quando eu contei isso para o pai do Leo, numa boa, frisando que isso é normal, ele me contou que a Ciça também morde o Leo, no que eu achei muita graça.

Esta semana, passei a buscá-la na escola mais cedo (o emprego novo me permite ter mais tempo com ela) e, quando chego, fico observando-os antes de me anunciar. Ela sempre está perto do Leo ou brincando com o Leo. Quando eu apareço, ele sempre vem até mim e pergunta: "Qual o seu nome, mamãe da Ciça?". E convida a Ciça para brincar de cair (olha a brincadeira do menino!), brincar de catelo (castelo) e de outras brincadeiras no pátio.

Ao sairmos da escola, o Leo vem sempre para dar tchau para ela e para mim. Um dia, falei: "Vai lá, Ciça, abraça o Leo". Ele a abraçou tão forte que quase a esmagou. Fiquei achando que ela ia reclamar, mas ela saiu sorrindo. Eu brinquei que, se fosse daqui a 15 anos, ela diria: "Que pegada!". Mas agora, viva a inocência da infância, ela só olha pra ele e diz "Tchau, Leo, até amanhã!" e sai feliz correndo no pátio.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Passeio turístico por Brasília

Já faz um tempo (vários meses) que a Ciça está obcecada por ônibus. Quando voltávamos da escola a pé, em São Paulo, passávamos por um ponto de ônibus e ela sempre anunciava: "A Ciça vai entrar no ônibus". E isso vem desde quando ela nem sabia falar "ônibus", chamava de ôs, ôbs e onbus (foi esta a linha evolutiva até virar ônibus).

Aqui em Brasília, não é diferente, ela não pode ver um ônibus que quer entrar. Já implorou, chorando, para a empregada levar ela no ônibus, quando a levamos até a rodoviária para ir pra casa. E eu fico pensando: "Quero ver se ela vai gostar tanto assim de ônibus quando tiver que pegá-los diariamente para ir e voltar da escola, do trabalho etc.". Mas, pelo bem da magia da idade, não digo nada.

E recentemente ela criou uma brincadeira nova. A do ônibus, é claro. Consiste em sentarmos em cadeiras e fingirmos que estamos num ônibus. Geralmente eu sou a motorista e ela, a passageira, que vai fazer turismo pela cidade. Aí a gente fala, em voz alta: "Próxima parada: Taquedal". Taquedal é a parada de que a Ciça mais gosta. Ela é louca pela Taquedal desde que chegou aqui. Para os não-iniciados, Taquedal = Catedral. Sacou?

E continua: "Póxima palada: Bola Banca (Museu Nacional)". E faz barulho de ônibus. Aí ela desce do ônibus e vai visitar o ponto turístico. Depois, volta correndo e diz "Espela eu! Eu vou ficar sem ônibus" e segue comigo até a "póxima palada", que pode ser: Itamalaty, Tonic (Conic), Paque Olhos D'Água, Paque Água Minelau e Zoológico.

Um passeio completo por Brasília e de graça. Quem não quer entrar no ônibus da Ciça?

domingo, 8 de novembro de 2009

2 anos, 8 meses e muitas tiradas

Aos dois anos e oito meses, a Ciça nos presenteia com suas tiradas diariamente. As de que eu mais gosto têm a ver com os tempos verbais:

- Eu fali (falei) com a vovó ontem.
- Eu tomi (tomei) tudo.
- Eu quésço (cresço) muito ápido.

E, por falar em passado, qualquer coisa que aconteceu no passado (de manhã, ontem, anteontem, na semana passada) vira ontem, para ela.

Ela adora iniciar frases com: "Você sabe quando a gente foi ao zoológico ontem?" ou "Você lembra quando a gente brincou de massinha ontem?". E tem uma memória incrível. Lembra de fatos que aconteceram há muito tempo, dos parentes que não vê há vários meses, lembra dos amigos e colegas de São Paulo.

Chama sofá de tofá. Supermercado de fomecado. E confunde restaurante com rinoceronte, morre de rir e depois fala "etolante", contente de ter acertado.

Sabe o nome de todos os animais e adora saber detalhes sobre eles. Quem pula, quem nada, quem voa, quem é bravo, quem dá coice, que barulho faz etc.

Dona Aranha
Num prédio na área central de Brasília (uma cidade que não tem Centro é muito estranha, não é? Eu também acho!) tem um anúncio do Homem-Aranha. Toda vez que passamos por lá, a Ciça, sempre muito atenta às paisagens em volta, anuncia:
- Olha lá a Dona Aranha!

O Homem-Aranha foi rebaixado a uma simples aranha.

Braveza
Quando a gente quer fazer algo que ela não queira, ela diz, em tom de ameaça:
- Eu vou contar pro seu papai!
ou
- Eu vou ficar muito bava com você.

E fica mesmo. Quando está brava com a gente, desconta nos chamando de chatos.
Para o pai: "Seu chato!"
Para mim: "Seu chata!" (ela não faz a concordância)

Desculpas
Já descobriu que o pedido de desculpa pode ser uma simples desculpa e abusa disso. Faz o que não pode e logo solta um "dicupa" para ver se cola. Não cola.

Amorosa
Distribui "eu te amo" a torto e a direito aqui em casa. Adoramos ouvir. Só deixa um dos dois sair se antes ela se despedir com beijo e abraço.

Performática
As aulas de balé despertaram nela um lado mais para acrobático e performático do que de Giselle. Acho que em vez de bailarina ela vai para o Circo da China, pois do jeito que pula, se contorce, se joga, rola, gira... A vantagem é que, se eu ficava com o coração na mão quando ela pulava do sofá, agora me acostumei, percebi que ela tem lá suas técnicas e que, como uma artista, só faz quando tem público. Quando eu me afasto, o show acaba. [Mesmo assim, ainda dá um medinho quando ela dá cambalhotas no sofá.]

Possessiva
Me chama de minha mamãe. E alardeia para os outros:
- Eu vou sair com a minha mamãe.

ou, falando do pai:

- O meu papai sabe fazer isso. (neste caso, ela acerta a concordância)

Imaginação
Inventa histórias mirabolantes diariamente e as conta como se fosse verdade. Às vezes envolvem ela, às vezes, as bonecas, os bichos, qualquer outro personagem. Com certeza, ainda não distingue bem o que realmente aconteceu do que ela imaginou.

É assim, ó!
Ela pede para a gente fazer as coisas por ou para ela, mas sempre fica atenta para nos corrigir. Uma das frases mais usadas em casa é "Não, mamãe, é assim, ó!". Ela é cheia de métodos e sempre levamos bronca por não seguí-los à risca.

Doce balanço
Se viciou em carinho antes de dormir. No caso do pai, ela gosta de carinho nas costas. Quando sou eu, eu tenho que balançá-la pela bundinha. Se eu arrisco outro tipo de carinho, ela logo me ensina o jeito que ela quer com a frase acima. Eu nem digo mais nada, porque sei que ela herdou de mim essa mania de dormir balançandinho.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Casa da palavra

Agora a Ciça começou conscientemente a testar os nossos sentimentos por ela. Antes, ela fazia sem verbalizar, mas agora a danadinha já conhece a força das palavras.

Ontem, com febre (segunda febre em duas semanas ou arrasa-mamãe), passei a tarde com ela e ela ficou mais dengosa e apegada a mim. Não tem jeito, quando a criança está doente é a mãe que ela quer primeiro. Quando o pai chegou - saiu mais cedo do trabalho para ficar com ela e para me render no plantão, já que eu ia sair à noite -, ela começou:

- Papai, eu não góto de você. Eu só góto da mamãe.

Bernardo, acostumado a ser o preferido (pai de menina fica mal acostumado, né, gente?), ficou sem reação. Fui eu que tive que intervir:

- Oh, Ciça, mas o papai gosta tanto de você...

E ele, entrando na conversa:

- É, Ciça, eu gosto muito de você, eu te amo.

Ela parou, pensou um pouco (deu um sorrisinho escondido que eu vi) e falou:

- Tá, papai, eu te amo também - como se concedesse a ele um favor.

Tão pequena e já tão ciente do poder que tem sobre nós.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Disney ou Tarantino?

Tudo começou quando descobrimos o DVD Silly Symphonies. Depois, não aguentei e comprei toda a coleção Disney Treasures, que inclui os primeiros desenhos do Mickey e do Pato Donald. Ciça adorou e a gente mais ainda, pois não curtimos o ritmo alucinado dos desenhos atuais, fora que aqueles dos anos 30 e 40 têm música clássica na trilha, o que, para mim, faz toda a diferença.

Aí eu achei a remasterização do primeiro longa metragem animado da história do cinema, "Branca de Neve e os Sete Anões" de 1937. Como Ciça está viciada em maçãs e princesas, "tive que comprar" (desculpa de mãe para ser consumista mesmo quando não pode, eu sei). Levei pra casa o DVD e já quis ver. Bernardo alertou que talvez não fosse adequado para a idade dela. E eu falei: "Que nada, ela já conhece a história da Branca de Neve".

Mas eis que coloquei o DVD e ela logo demonstrou algum medo. Quando ela tem medo de alguma coisa, ela simplesmente tapa os olhos com o braço, assim a coisa desparece (dá certo mesmo quando é algo imaginado, como o lobo mau). Fica a dica.

Passado o medo inicial, logo ela perdeu o interesse no filme e ficou fazendo acrobacias - sim, Ciça está numa fase totalmente acrobática (tipo: "Olha o que eu faço!") e, se não representar o Brasil nas Olimpíadas de 2020, é porque a dissuadimos da ginástica olímpica a tempo. Foi a sorte, porque enquanto ela fazia as acrobacias mais malucas, eu não conseguia mais desgrudar os olhos da tela. Ao ver a fuga de Branca de Neve para a floresta, para não ser morta pelo serviçal da rainha, a sua madrasta, eu gelei.

E não era só isso, tudo lá é aterrorizante. A cena em que a rainha/madrasta faz a poção mágica para se transformar numa velhinha e envenenar a maçã é terrível. Alguém pode me explicar como é que este filme teve censura livre, meu deus? Eu garanto que, em alguns trechos, ele é mais pesado que "Bastardos Inglórios". E eu confesso que faço a minha própria edição dos filmes pesados até hoje. Ou fui só eu que tapou os olhos a cada escalpelamento? Mas o que Tarantino não imagina é que isso não é nada perto da floresta onde Branca de Neve se meteu, prontofalei!

P.S. Eu sei que as história originais dos irmãos Grimm têm fatos macabros a cada linha (e que exercer a violência na literatura e no cinema é melhor do que na vida real e bla bla blá), já li todos os contos mais conhecidos, mas os longas da Disney são muito realistas. Ou sou só eu que acho?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Cocôs aéreos

Às vezes as crianças escolhem lugares, digamos, difíceis para fazer cocô. A Ciça já fez alguns assim. Lembro de um dia em que me brindou com um cocô no metrô Sumaré, que não tem nada por perto, nem banco para sentar e, como ela já era maiorzinha, troquei-a em pé, cheia de malabarismos. Mas isso não foi nada perto do temido cocô no avião.

Ah, cocô no avião pode ser fichinha para algumas mães, mas não para mim, que morro de medo de banheiro de avião (prontofalei!). Sou claustrofóbica e banheiros apertados são a minha maior causa de suores e taquicardia. Quando voo sozinha, aviso bem alto que vou ao banheiro, para que meu vizinho de cadeira se lembre disso caso eu não apareça na próxima meia hora.

Por isso se alguém de vocês, em uma viagem de avião, já ouviu uma louca alardear aos quatro cantos que vai ao banheiro, essa sou eu (oi?). Já pedi para a aeromoça abrir a porta em cinco minutos caso eu não desse sinal de vida e coisas assim. É claro que em voos curtos eu não vou ao banheiro. Mas, com filho, é diferente...

Vou contar os relatos de duas amigas, que passaram por agruras nesta semana. Como não foi comigo, foi impossível não rir, mas elas têm toda a minha compreensão:

Uma é lou, quer dizer, claustrofóbica igual a mim. Ela estava sozinha, com o filho de 11 meses, numa boa. O cara ao lado tinha boa vontade com bebês e estava todo amigo do bebê e da mãe, ou seja, tudo correndo muitíssimo bem. Eis que, no meio do lanche, a minha amiga sente a catinga e, mesmo morrendo de medo do banheiro, resolve que tem de encará-lo com o seu pequenino. Tudo, diz ela, para não estragar a amizade que nascera entre seu bebê e o vizinho de cadeira. Ela me confessou que, se estivesse sem vizinho, esperaria o avião pousar para trocá-lo, mas, neste caso, não poderia obrigar o pobre vizinho a sentir o budum de seu filhote.

Seguem mãe claustrofóbica e bebê para o banheiro. Mãe claustro (vou falar assim, para facilitar) implora à aeromoça para trocá-lo de porta aberta (encostada). Aeromoça diz que os passageiros vão reclamar. Mãe claustro diz que vai ser rápido, que não vai sair o cheiro, só falta chorar. Aeromoça faz vistas grossas. Só que um bebê de 11 meses já é ativo o suficiente para não ficar deitado ao ser trocado. E, contagiado pelo temor da mãe, se levantou e a agarrou, com medo daquele lugar estranho.

No que ele levanta, o cocô se espalha pela cabine. E não ficou mais parado, começou a andar e querer colo. Ele. Todo cocozado. Cocô escorre pelas pernas do bebê, melando trocador, pia, espelho, teto e blusa da mãe. Pânico. O processo de limpeza demora horas, pois agora envolvia enxágue e troca de roupas. Aeromoça passa mil vezes pela porta fazendo cara feira. O budum se espalha pelo avião. A mãe resolve que não vai mais trocá-lo, que só quer sentar e chorar, mas lembra do vizinho de cadeira amigo e resolve que é melhor terminar o trabalho sujo (literalmente).

Meia hora depois, sai uma mãe suada e descabelada do banheiro, com um bebê fofinho. Ela volta, irreconhecível, tentando escapar dos possíveis olhares de reprovação. Senta na cadeira e decide que nunca mais voa com o bebê na hora do cocô dele (pela manhã). E reza para que esta hora não mude nunca. Mesmo assim, me confessou ontem que adoraria me visitar em Brasília, mas antes precisa superar o medo de voltar a voar sozinha com ele.

A outra me contou pessoalmente e depois eu pedi o relato por e-mail. O filho dela é o Gabriel, de 2 anos e 5 meses, que tem o mesmo problema da Ciça (prisão de ventre pós-desfralde).

"Foi durante o jantar, com um homem ao meu lado, que adora crianças. Ele estava todo encantado com o Gabo. Bem, nós estávamos comendo, quando o Gabo começou a cocozar na fralda que eu havia colocado logo que entrei no avião, pois percebi que ia vir um cocô e que o acidente seria menor se fosse na fralda do que na cueca.

Como ele fica muito tempo sem fazer cocô, quando chega a hora, faz uma força monstra, fica vermelho, suando, pede para descer da onde estiver para se posicionar no chão e não quer ninguem ao lado. Então, tudo isso aconteceu e ficamos nós - eu e o meu companheiro ao lado - comendo e fingindo que não tinha um menininho escondido no nosso cantinho (perto da janela, na frente das cadeiras, na primeira fila) fazendo força e soltando aquele cheirão (em geral, cheiro de cocô guardado há alguns dias...)!

Finalizado o preocesso cocozal, fomos para o banheiro, que a aeromoça havia preparado com o trocador. No meio da limpeza, começou a turbulência (óbvio que isso ia acontecer) e fiquei morrendo de medo de escutar o "piiii" do "apertem os cintos" e eu ter que sair com ele lá de dentro sujo e sem roupa. E eu correndo para terminar de vesti-lo, com medo que o avião desse aquela "queda" típica de grandes turbulências e a gente fosse parar grudado no teto... Olhava pro espelho, com medo de batermos nele. Afe! E tudo o que ele queria era apertar aquela descarga engraçada da privada.

Mas foi so um chacoalhinho e deu tempo de terminar de limpar e vesti-lo e voltar para nosso lugar. De toda a história, só restou o cheirinho ruim do cocô vindo lá do banheiro, empesteando o corredor e aquela área da frente onde ficam sentadinhas as aeromoças, perto da comida, sabe?"

Depois destes relatos, vi que o meu nem foi dos piores, pois eu estava acompanhada de Bernardo e isso facilita bastante. Mas, para quem vai sozinha com o filho, a coisa complica um pouco mais, não tem jeito.

Comparando as duas histórias, notam-se muitas semelhanças. Do que eu concluo que o vizinho da cadeira é, na verdade, o superego das mães. Se não fossem eles, coitados dos outros passageiros, que seriam obrigados a sentir o budum o voo inteiro. Por isso, você que é mãe, quando estiver viajando sozinha com o seu filho, trate de fazer logo amizade com o vizinho do lado. A compreensão de um homem nestas horas costuma ser maior que a de muitas mulheres. Pelo menos algumas aeromoças. Bom feriado para todos (com ou sem cocô no avião)!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Bicho do mato (e da lua)




"A gente tá na folesta!". Esta frase - melhor definição de Brasília que ouvi nos últimos tempos - foi proferida pelo Gabriel, 2, primo da Ciça, que veio nos visitar no fim de semana.

Ele disse isso ao fazer uma pequena trilha no meio do parque mais próximo à nossa casa, após ver uma nascente de rio e muitos bichos circulando por lá. Eu concordo porque nunca tinha estado em contato com tantos animais e insetos - principalmente as cigarras gigantes (e irritantes), que eu chamos de mesozóicas - em uma cidade. Me sinto no meio do mato aqui. E o Gabriel percebeu isso rapidamente.

Ciça e Gabo aprontaram muito. O pique de um contagiava o outro e ela não parava mais. Foi dormir tarde todos os dias, de tão excitada que ficava. Passeamos bastante com Gabo e sua mãe, Helô (que a Ciça adora) - e mais alguns amigos - por vários lugares e ainda conhecemos uma parte de Brasília juntos, foi muito legal.

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The moon is Flicts

No domingo à noite, chegou mais ma visita especialíssima: a madrinha da Ciça, que veio de são Paulo a trabalho e passou aqui em casa. Trouxe um lindo presente para a Ciça, a edição comemorativa de 40 anos de Flicts. Reli o livro como se fosse a primeira vez e chorei. O pior, tenho de confessar, é que choro mesmo quando estou lendo em voz alta, para a Ciça (e ela gosta de repetir as frases, como se fossem versos, preciso gravar). Como já disse aqui uma vez, este livro é um poema. Dos bons.

Ela adorou o livro e já entendeu que as outras cores não querem Flicts por perto - é lindo vê-la contando a história ao seu modo. Só não entendeu por que ele é tão diferente, já que ela tem um giz de cera com a mesma cor do livro. Será que a Faber-Castell lançou esta cor depois do livro? Só pode.

Outra coisa que me emocionou nesta edição comemorativa foi ver o que outras pessoas ilustres escreveram sobre o livro, como Drummond. Só isso já vale. Mas o que me fez chorar (de novo) foi ver um manuscrito do astronauta Neil Armstrong para Ziraldo, confirmando o que o desenhista já intuía: "The moon is Flicts". Obrigada, Ziraldo, por colorir o nosso mundo!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Origens

Ciça acordou febril e eu fiquei em casa com ela, ouvindo Canções do Brasil, disco que adoramos e nunca mais havíamos escutado. Ela me pede para contar a história do disco. É que ele vem com um super encarte, que parece um livro. Eu começo a inventar uma história a partir das fotos das crianças, tentando adivinhar de que lugar eles eram. Vi um menino negro e disse, chutando:

- Este aqui é da Bahia, ele...

No que ela me interrompe:

- Igal a vovô, né, mamãe?

- É, Ciça, igual ao vovô e a vovó (vovô não é baiano nem brasileiro, mas não cabia explicar aqui). E igual a mamãe também, eu também sou da Bahia.

- Eu também sou da Bahia!

- Não, Ciça, você nasceu em São Paulo, igual ao papai.

- Não, eu nasci no Colíntians!

Isso é que dá (o pai) doutrinar a menina desde cedo, agora ela acha que seu estado de origem é um time de futebol.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Oiticiça e seu Parangolé

Ontem eu fiquei encantada com o texto da Patrícia, mãe da pequena Mariana, de 1 ano (me corrija se eu estiver errada), contando que, mesmo tão pequena, ela já está virou uma torcedora aguerrida do Papai Futebol Clube.

Como eu já contei aqui, isso não é novidade na nossa casa: Ciça veste a camisa do pai desde muito pequena e faz questão de demonstrar publicamente o quão fiel, apaixonada e fanática ela pode ser pelo Papai Futebol Clube dela. Daí me ocorreu postar esta foto, que tiramos durante a semana.

O pai resolveu participar de um campeonato de futebol e, quando ela viu a camisa do time dele, não teve dúvidas; quis vestir (claro, né!). Só que ficou tão grande nela que na mesma hora a apelidamos (à camisa) de Parangolé.

Então fica nossa pequena homenagem ao artista plástico Hélio Oiticica, que teve suas obras queimadas - incluindo os Parangolés, que já foram vistos e manuseados pela mamãe em outras épocas e cujos originais a Ciça só conhecerá por fotos. Mas, olha bem a foto acima, ela já vestiu um Paranoglé, a nossa Oiticiça - alguém duvida?

A foto do Caetano de Parangolé é para efeito comparativo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tiradinhas: de Chico a Xuxa

Reparando bem...

- Ciça, com que roupa você vai hoje?

- Com a da 'bailalina que não tem'!

Será que ouvimos muito Chico Buarque, será?

Analogia perfeita

A gente odeia a Xuxa. Não pode nem ouvir falar (ainda mais com aquela voz esganiçada) que passa mal. Eis que a Ciça chega em casa, um dia, chamando o elástico de cabelo de "xuxinha". A gente disse que não, que o nome era "chuquinha" (para não deixá-la tão confusa). Agora ela fala assim:

- Cadê minha 'putinha' ôxa? (ôxa é, obviamente, roxa)

Eu já tentei corrigir, mas ela não aceita. O pior é que faz sentido. Afinal, quem foi a responsável pela erotização precoce de tantas crianças, muito antes das dançarinas de pagode e afins?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Visitas e novos amigos

Abraço apertado

Nós fomos na bola banca

Digam xis!

Estamos no mesmo barco

Você não me pega!

Amigos e família. Disso foi feito o nosso fim de semana, que foi tão corrido e gostoso como costumavam ser os de São Paulo, quando não perdíamos um agito.

Começou na sexta, com a chegada da tia Mali e do tio Rodrigo, nossa primeira visita no apartamento novo em Brasília. Eles vieram para um casamento e não ficaram com a gente o tempo todo, mas cumpriram o protocolo e foram comigo buscar a Ciça na escola na sexta-feira e passearam com a gente no domingo.

Como estava chovendo e acordamos tarde (ainda não nos habituamos ao horário de verão), o programa foi restrito à Catedral de Brasília, que Ciça adora ver de longe e na qual entrou pela primeira vez, e ao Museu da República, que estava fechado e pela segunda vez não conseguimos entrar. Mas quem disse que Ciça ligou? Ela adora ver "A Bola Banca" e correr pela rampa. Só faltou o cavalo, ela lamentou. É que no 12 de outubro, a cara de pau (eu, que pedi, ou ela, que usufruiu?) andou no cavalo da PM, com um guarda dando voltinhas com ela, como se estivesse numa fazendinha. Fomos também à Feira da Torre e logo seguimos para almoçar e ir para o aeroporto. Na despedida, em casa, Ciça deu um abração apertado no tio Guigo e na tia Mali, foi lindo!

Mas voltemos ao sábado. De manhã, teve uma festinha, o Dia da Família, na escola da Ciça. Teve um café da manhã gostoso, brinquedos e oficinas de pintura em tela, instrumentos musicais, colagens, palitinhos e outras coisas. A gente só conhecia os pais que tinham ido à reunião, da qual falei aqui, mas o clima estava tão bom que não demoramos a nos integrar. Ciça já estava mais que integrada e, além de participar das oficinas (com a gente), brincou e correu solta com os amigos. A festa acabou e eles continuaram lá, correndo, brincando, numa agitação gostosa. E nós, sentados na sombra de uma árvore, batendo papo.

Pouco depois, a mãe do Lucas, um garotinho fofo da escola, que Bernardo tinha conhecido durante a adaptação da Ciça, ligou nos convidando para ir ao teatro. Ao acordar da soneca, saímos de novo de casa, rumo ao CCBB, lugar que eu adoro e que é dos mais agradáveis da Capital Federal (Lula despacha lá, enquanto o Palácio do Planalto está em reforma). Foi uma tarde deliciosa: vimos "A Bruxinha Atrapalhada" no teatro, Ciça se esbaldou no parque com os novos amigos (outro casal foi com o filho) e nós, com os nossos novos amigos. Saímos de lá quando já tinha escurecido, depois de eles comerem e brincarem bastante.

E no domingo, depois de Mali e Rodrigo terem ido embora e da soneca da tarde, fomos ao Encontro das Blogueiras de Brasília, convocado pela Thaty, mãe da linda Alice, com a presença da Lia, da Luíza, da Glau e mais. Nos atrasamos por conta do horário novo e do sono e, quando chegamos lá, estava caindo uma chuva torrencial. Conseguimos descer do carro somente na terceira tentativa e, muita água depois, chegamos ao café eleito para sediar nosso primeiro encontro (delicioso, por sinal). Eu saí de casa na correria e não levei nada para a Ciça brincar, além das minhas pulseiras, que ela adora. Por sorte, a Alice tinha massinha de modelar e emprestou para ela. E a Luíza é a melhor modeladora de massinha ever, fez um urso e um gato que dariam inveja a Rodin.

Chocolate quente, macaron, quiche, croissant e muito papo depois, nos despedimos exaustos, úmidos e felizes. Ô, fim de semana bom. Que venham outros, Brasília!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Depressão pós-parto

Vi isso no blog da Lia e me toquei profundamente. Depressão pós-parto não é brincadeira e pode acontecer com qualquer uma.

Esta aqui fugiu de casa com a roupa do corpo, levando apenas remédios controlados. Deixou filha de 11 meses e família para trás. Vejam o blog feito pela irmã dela, o Procurando Luciana, e, se puderem, ajudem a divulgar.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Cadê minha Cebolinha que estava aqui?

Hoje, numa troca de e-mails com duas amigas mães, eu falei sobre como tenho mudado desde que me tornei mãe, o quanto tenho aprendido com a experiência de criar a Ciça.

É que se antes eu tinha uma ansiedade extrema para que ela fizesse logo as coisas: sentasse, engatinhasse, andasse, falasse (e olha, que, tirando andar, ela fez tudo bem cedo), agora eu parei com isso. Sério, acho que foi o desfralde precoce que me fez ver que as coisas têm que ser no tempo dela e não no tempo dos livros, dos médicos, dos palpiteiros nem muito menos no meu. Com o desfralde, ela aprendeu logo a fazer xixi, mas passou a prender o cocô e teve meses de episódios de prisão de ventre, agora controlados com alimentação adequada.

Aí eu virei o contrário, o tipo de mãe que nunca esperava que seria, pois também não acho que seja muito legal querer que o seu filho seja eternamente um bebê (e a minha não é há tempos). Agora eu fico lamentando as características de bebê-criança que ela vai perdendo, vejam só.

Faz uns dias que ela parou de falar os verbos e palavras em or e ar com i no final. E ficamos, eu e Bernardo, feito bobos, falando 'por favoi' e 'mai' (mar) um para o outro (eu não sou a única louca da casa, viu, Freud?), na tentativa de, quem sabe, eternizá-los. Para piorar, ela resolveu falar os erres dos dígrafos. Ela falava cacho-o, maca-ão, ma-on e agora fala cachorro, macarrão, marrom, com os erres bem aspiradinhos. Ah, não, Ciça, para tudo! Como assim falar os erres? Mas ainda mantém a troca da maioria dos errres únicos por eles, tal qual Cebolinha (ufa, nem tudo se perdeu!).

Por "sorte", ela ainda se embola na conjugação dos verbos, nos garantindo momentos de ternura como "Eu não fazei isso, mamãe" ou "Eu batei no meu amigo da ecola". Tá bom, eu sou besta, admito, mas que é lindo é. E eu li num livro de linguística, sobre aquisição da linguagem, que diz que, quando as crianças repetem o que os pais falam (a primeira fase da aquisição da linguagem), elas ainda não pensam na linguagem e sua estrutura, é mera repetição, para treinar.

Quando elas tentam formular suas próprias frases (segunda etapa), elas pensam na estrutura, se preocupam com a sintaxe - ainda que não saibam- e tentam fazer com que as palavras se encaixem. Daí o fazei e batei em vez de fiz e bati. Isso é de uma riqueza incalculável, ela sabe que tem que conjugar o verbo e que o passado pode ser feito em ei (falei, calei, cozinhei, passei etc.).

Por tudo isso, passei a dar muito mais valor ao processo de desenvolvimento e a não cobrar os acertos, que vêm com o tempo. E podem até deixar uma mãe nostálgica, quem diria? A gente aplende tanto com os filhos...