Pergunte ao pediatra: 21ª rodada

segunda-feira, 5 de março de 2012
Eu bem que quis voltar aqui durante a semana para postar algum dos inúmeros post que estão pendentes, mas, como vocês viram, não consegui. Quando é assim, eu pelo menos não sumo, eu volto todas as segundas-feiras para um compromisso sério, que eu mesma criei, que me dá trabalho, sim, mas que eu adoro, o Pergunte ao Pediatra.

O Dr. José Martins é tão, mas tão legal que, mesmo quando a doida aqui, cheia de eslovenices na cabeça, esquece de mandar as perguntas num prazo aceitável, as responde no mesmo dia, sem reclamar. Ele é tão responsável e ético, que se preocupa verdadeiramente com vocês, me pergunta dos retornos, comenta as perguntas. Enfim, é um exemplo como médico, como pediatra e, principalmente, como ser humano.

Se um dia ele for fazer uma palestra na sua cidade, recomendo que vá. É impossível não se encantar com este médico que tem 45 anos de prática e continua aprendendo com seus pacientes. Se não puder ir à palestra, leia um de seus livros.

Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?".

Para ter sua pergunta respondida por ele, basta enviar para o email pergunteaoped@gmail.com ou mesmo deixá-la registrada num comentário aqui que ela entrará numa lista de espera e logo será publicada nesta seção. Para ver as perguntas e respostas anteriores, clique na seção Pergunte ao Pediatra, no menu superior deste blog.

Vamos às perguntas da semana.

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AMAMENTAÇÃO

1) Doutor, meu filho está com quase 10 meses, se alimenta muito bem de frutas, verduras, legumes, cereais, hortaliças e carnes e ainda mama umas 5 vezes por dia. Eu trabalho em tempo integral, mas consigo almoçar em casa. Vou começar o processo para retirar a mamada noturna e a mamada antes de dormir, mas sinto que mamar ainda é algo muito importante para ele (assim que me vê ele chora para mamar, por mais que tenha acabado de comer, e não adianta tentar distraí-lo). Entretanto, no meu trabalho existem viagens ocasionais. Desde que voltei de licença maternidade (de 6 meses + férias), já tive que viajar duas vezes. Em ambas as vezes, levei meu filho, marido, berço, carrinho, bebe conforto, etc, o que é bastante desgastante. Receio que possam surgir viagens nas quais eu não possa levá-lo e isso me deixa bastante preocupada e angustiada. Será que preciso desmamá-lo? Será que consigo passar alguns poucos dias fora (eventualmente) e manter a amamentação assim que retornar? Em qual processo ele sofreria menos? Obrigada pela atenção.

JMF - Parabéns pela sua atitude de levar o bebê com você! É realmente a melhor opção e por isso você está conseguindo manter essa amamentação até 10 meses, trabalhando dessa maneira, inclusive viajando. Eu levaria o bebê enquanto fosse possível e tentaria, se possível, evitar viagens em que isso não possa acontecer, pelo menos até 1 ano e meio, no mínimo. Sei que não é fácil.

Outra solução é conseguir estocar seu leite em freezer e começar umas duas semanas antes da viagem, calculando de acordo com o tempo que você ficaria fora. E ainda a pessoa que vai cuidar do bebê deve ter experiência em dar no copo ou na garrafinha própria, para não mudar a sucção do bebê com mamadeira. A útlima coisa a fazer é desmamar, principalmente com leite artificial.

2) Olá Dr. Assisti recentemente uma entrevista da atriz Claudia Raia no programa Altas Horas onde ela dizia que seus dois filhos foram amamentados exclusivamente no peito sem tomar nem mesmo água até os onze meses, e são extremamente saudáveis, felizes e etc. Nunca ouvi dizer isso! Fiquei surpreendida e cheia de dúvidas. Isto realmente é possível? A nutrição é suficiente? Qual a sua opinião? Obrigada!

JMF - Nós incentivamos as mães a fazerem amamentação exclusiva ao peito sem água ou sem qualquer outro alimento até os 6 meses e depois começamos a introdução de papinhas, frutas e sucos. Existem alguns países e grupos que acham que dá para ir mais longe, mas eu não acho uma boa prática, porque a partir dos 6 meses a criança já começa a sentir necessidade de mastigação e de sentir alimentos na boca. Mas enquanto está exclusivo no seio não precisa de qualquer outro alimento, nem água; a mãe é que deve se alimentar bem e estar sempre bem hidratada.

PREMATURIDADE E CABEÇA ACHATADA

3) Meu filho nasceu prematuro, com baixo peso para a idade gestacional (34 semanas) e passou 20 dias na UTI. Desde que ele voltou pra casa, percebi algumas regiões da cabecinha achatadas. Conforme ele foi crescendo, a cabecinha foi ficando cada vez mais assimétrica, interferindo na posição das orelhas, testa e olhos. Só é possível perceber com um olhar bem atento, minucioso. Agora ele está com 6 meses.

Na dúvida, procurei ajuda especializada e ele foi diagnosticado com Plagiocefalia Posicional.

Iniciei o tratamento, que consiste em usar uma órtese para moldar o crescimento craniano. Acontece que ele fica muito irritado, tenta tirar a órtese, fica batendo com as mãos na cabeça, parece outro bebê, não sorri ou consegue brincar normalmente. Ele já teve algumas lesões na pele e alergias devido ao suor.

O pediatra dele alega que a cabecinha vai ficando mais redonda conforme o bebê passa a ficar mais tempo sentado. Já o especialista defende a necessidade do tratamento para que esses problemas que eu citei não se agravem ou possam interferir no campo visual ou mastigação.

Não quero ter um filho perfeito, apenas quero assegurar que ele se desenvolva normalmente e que não venha a necessitar no futuro de uma intervenção cirúrgica, ou até mesmo que vire alvo de piada dos coleguinhas na infância.

Peço uma terceira opinião pois esse tratamento é muito novo e desconhecido.

Pra mim, como mãe, está difícil conviver com algo que sei que incomoda/machuca meu filho e que não tenho uma garantia médica de que irá funcionar.

Tenho medo de perder sua fofurice e alegria durante o tratamento- justo agora que eu e o pai dele já havíamos superado a fase mais difícil relativa ao tempo de UTI e sua prematuridade. E ele só vai ser bebê uma vez.

Obrigada pela ajuda, sei que a decisão caberá a nós, que somos pais, mas eu realmente não sei o que fazer. Se insisto no tratamento, e vivo mais uma fase de sofrimento, ou desisto e aceito os "riscos".

JMF - Você esqueceu de me dar o peso e a estatura de nascimento e o peso e a estatura atual, isso é importante.

Realmente, alguns bebês tem essas alterações. Eu tenho 45 anos de prática pediátrica e na imensa maioria das vezes tenho visto esses casos regredirem espontaneamente, sem necessidade de pressões, aparelhagem e, principalmente, sofrimento.. Qual é o especialista que propôs a intervenção? Você poderia me mandar uma foto da cabeça do seu bebê para que eu possa opinar um pouco mais munido de exame? Até lá eu não faria a criança sofrer.

Babel é aqui, com muitas ideias na cabeça e falta de teclados nas mãos

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Estou me tornando repetitiva, seu sei, mas sempre tenho mil posts na cabeça e não tenho uma câmera, quer dizer, um blog na mão.

Não sei, não consigo postar do celular, passo pouco tempo na frente do laptop e, quando o faço, é para me comunicar em tempo real pelo Gtalk ou Skype, enquanto tento ir respondendo os mil emails e mensagens que se acumulam, tento ler os blogs do meu blogroll (e comentar, mas disso estou quase desistindo, porque os blogs que têm verificação de letras e pedem para provarmos que não somos um robô estão cada vez mais difíceis, é impossível visualizar, entender e digitar aquelas letras; quem tem isso, por favor, pense em retirar), ver o que está rolando na minha timeline do FB e, quando percebo, fiquei um tempão sentada e não fiz nada ou quase nada.

Isso tudo para justificar por que mais um post em tópicos, quando tenho assunto para pelo menos sete posts diferentes (e nem todos os assuntos entrarão aqui).

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Hoje fui buscar a Ciça na escola - ainda no curso de férias, pode? - e a cuidadora (a eslovena, a mesma que cantou "Ai, se eu te pego") disse que é um prazer ter a Ciça na sala de aula e começou a elogiá-la. Ciça também a adora e é claro que eu nunca toquei no assunto da música, ela obviamente não sabe o que está cantando. E, na versão eslovena, que eu já escutei no rádio, a música não faz sentido algum, só fala em banana e marmelada (=geleia). Delícia é substituído por banana. E "assim você me mata" por xxx (algo que não entendo) marmelada. Enfim, assunto encerrado, até porque a Ciça não voltou a cantar o hit.

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Ciça, aos 5 anos, diz frases lindas, algumas complexas e eu não anoto e depois esqueço. Me sinto culpada, porque eu tenho postado muito mais palavrinhas da Clarice do que frases da Ciça. Convenhamos que é mais fácil se lembrar de palavras que de frases inteiras e seus contextos, mas sinto que eu estou perdendo um assunto riquíssimo, deixando de registrar uma parte importantíssima de seu desenvolvimento. Culpa materna mode on.

Ciça no dia em que fez 5 anos, sempre se esquivando das câmeras (depois tem post sobre sua festinha aqui)

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Ciça andou com a barriga inchada, o que me deixou bem preocupada. A levei ao médico pensando se tratar de verme ou gases e saí de lá com solicitação de vários exames e suspeita de pneumonia. Foi um susto! No final, não era pneumonia, mas disseram que o pulmão estava inflamado - o que achei estranho, mas enfim. Pelo menos não medicaram.

Voltamos para ausculta na semana seguinte e a médica disse que ela estava bem melhor, mas desta vez passou um antibiótico "just in case" (que eu não dei, porque não senti segurança alguma na médica, depois conto mais sobre isso, porque, fora de contexto, parece que sou uma transgressora irresponsável) e um probiótico, para a barriga. O probiótico eu dei, mesmo ela não tendo problema nenhum de prisão de ventre, mas eu sabia que havia algum problema intestinal.

Passados alguns dias, o inchaço realmente diminuiu (ufa!). Eu comentei isso com a Ciça e ela me respondeu:

- Minha barriga dimunuiu porque eu pedi isso para a estrela cadente aquele dia, mamãe.

Achei tão linda a lógica dela que não disse nada. Gosto da presença de certa magia nas nossas vidas, ainda mais na vida dela, que é criança. Fantasiar e acreditar nisso é bom demais.

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Clarice, que antes, dizia "bada" (obrigada), quando lhe dávamos algo, agora trocou o "bada" por "hvala", obrigada em esloveno. Ninguém lhe ensinou isso, ela aprendeu por simples observação e passou a usar por conta própria, o que me deixou assombrada.

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Além disso, ela agora se despede das pessoas na rua com um "hvala, tau". Os eslovenos se despedem com adijo (adeus), mas, pela proximidade da Itália, incorporaram o ciao (tchau). E, quando compramos algo numa loja, supermercado etc. nos despedimos desta forma "hvala, ciao". Ela passou a usar antes de todo e qualquer tchau, inclusive quando fala com a avó pelo Skype.

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Por falar em Itália, minha prima que mora lá (mas nasceu na Colômbia) veio passar um tempinho com a gente e está me ajudando com a casa e as meninas. Com isso, a Babel é aqui. Em casa, falamos português e espanhol. Ela fala espanhol e italiano. Ciça já começou a introduzir várias palavrinhas (além de todas as músicas e do nosso querido Trotro) em francês - e Clarice aprende todas, rapidinho. E tem o esloveno, que vai entrando sorrateiramente na nossa vida.

Com elas, só falamos português - e continuaremos assim para que não esqueçam da nossa língua, mas toda hora as vejo falando "gracias" (obrigada, em espanhol) e outras coisinhas também. Clarice, para variar, repete todas as expressões que a minha prima fala, assim como repete as coisas que a Ciça fala em francês e o pouco esloveno com que tem contato.

Ainda assim, continua falando português muito bem, cada vez melhor, com um amplo vocabulário e conjugações verbais.

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Quando eu saio de casa e deixo Clarice com a minha prima, às vezes, na volta, ela (Cali) vem me receber na porta e diz:

- Mamãe, cholei (chorei).

E fala isso com carinha de cachorrinho abandonado, para me dizer que minha ausência a fez chorar.

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Por hoje é só, gente. Espero voltar logo para contar umas coisas engraçadas e outras nem tanto.

Hvala, tau!

Pergunte ao pediatra: 20ª rodada

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
E hoje chegamos à 20a. rodada da seção Pergunte ao Pediatra. Viva!! Adoro um número redondinho, embora seja fã mesmo é dos palíndomos, mas isso é outra história.

Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?".

Para ter sua pergunta respondida por ele, basta enviar para o email pergunteaoped@gmail.com ou mesmo deixá-la registrada num comentário aqui que ela entrará numa lista de espera e logo será publicada nesta seção. Para ver as perguntas e respostas anteriores, clique na seção Pergunte ao Pediatra, no menu superior deste blog.

Vamos às perguntas da semana.

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AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA

1 - Doutor, minha filha tem 4 meses e só mama leite materno, de 3 em 3 horas aproximadamente. Está com quase sete quilos e se desenvolvendo muito bem. Mas sempre mamou muito rápido (no máximo por dez minutos) e já fica saciada. Isso é um problema? Por que é importante que a amamentação seja exclusiva até os seis meses? Algumas mães já começam a introduzir frutinhas e sucos com 5 meses, então queria entender quais as vantagens e desvantagens de manter a alimentação apenas com leite materno até os seis meses, como defendem alguns pediatras.

JMF - Não há problema nenhum no tempo da mamada. A amamentação exclusiva até o sexto mês é fundamental não só para prevenção das doenças infecciosas, para desenvolver todo o sistema neurológico e psíquico, mas também, porque a introdução de alimentos a partir dos 6 meses favorece o retardamento da introdução de alimentos heterólogos, ou seja, de outras espécies animais e vegetais, o que diminui a chance de sensibilização e mesmo de alergias..

ÁGUA DE COCO

2 -Meu bebê de 10 meses não aceita água de jeito nenhum, só água de coco. Me disseram que água de coco em excesso sobrecarrega os rins, pelo excesso de sais minerais, é verdade? Como fazer para ele beber água?

JMF - O ideal é mesmo oferecer água pura sempre (depois dos 6 meses) e não liquidos adocicados como água de coco. É verdade que existe uma quantidade de sais aumentada, principalmente potássio, na água de coco, por isso a água é muito melhor. E, para se beber água, é preciso ter sede. Se a criança não quer ou não aceita é porque a quantidade de água que recebe dos alimentos é suficiente para hidratá-la.

Se for diminuido o aporte de liquidos (sucos, água de coco) e de alimentos ricos em água e ela começar a receber alimentos salgados e proteicos, naturalmente terá sede e receberá água. Mas unca se deve forçar ninguém a tomar água contra a vontade exatamente porque se a quantidade de água dos alimentos e dos liquidos for suficiente não há sede.

SONO

3 - Doutor, tenho visto que o sr. sempre comenta que mamadas na madrugada para bebês acima de 6 meses não são necessárias. A minha filha, com quase 1 ano, ainda acorda uma vez por noite, e eu já tentei fazer com que ela voltasse a dormir sem mamar, mas não consegui. O que o sr. sugere que seja feito, já que pelo que ele diz, esse despertar não tem a ver com fome?

JMF - Não necessariamente é fome. A maioria dos bebês nessa idade começa a ter os ciclos normais de sono e despertar, depois de 3 ou 4 horas, tendem a ter uma superficialização do sono. Se estão no lugar em que adormeceram, tendem a dormir novamente, principalemente se houver conforto térmico, com pouca luz, e calma. Geralmente o problema está associado ao fato de que os bebês estão acostumados a adormecer mamando e quando superficializam o sono (chamamos de microdespertares) à noite, tendem a querer novamente a mamada para dormir.

É preciso que a mamada da noite seja bem calma e prolongada o suficiente para se ter a certeza de que ele está satisfeito, mas o ideal é que não durma no peito, que brinque um pouco com os pais e depois deve ser levado ao berço, para adormecer tranquilamente ao lado da mae, num quarto sem luz branca acesa (mantenha apenas uma luz pequena no corredor, azul ou verde). Tente e me conte depois.

O que fazer quando...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Estas perguntas NÃO são retóricas, eu quero mesmo saber o que vocês fariam se fosse com vocês ou o que me aconselham. Organizei em tópicos para ajudar nas respostas:

1 -O que fazer quando sua filha mais velha compra um presente de aniversário com o seu próprio dinheirinho (que ganhou da bisa no Natal) e tem o seu objeto-de-desejo-realizado constantemente furtado pela irmã pentelha caçula, que ainda por cima prefere usá-lo sozinha? Até quando devo interferir ou seria melhor colocar um fone de ouvido e deixar elas se estapearem resolverem sozinhas?

1.2 - Interferir quando as duas criaturas em questão são seus filhos é patrulha ou instinto de preservação da (minha) espécie?


2 - O que fazer quando você leva a sua filha para um curso de férias na escola, para que ela não perca o contato com o ambiente escolar nem com a nova língua (francesa) durante o interminável recesso de Carnaval e a menina volta cantando "Ai, se eu te pego", em português mesmo, música ensinada por uma das cuidadoras (eslovena), aquela com a qual sua filha tem mais afinidade?

- Ai, se eu te pego, Clarice...

Blogagem coletiva Mães Internacionais: Inverno na Eslovênia, um aprendizado constante

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Fiquei deveras honrada de ter sido convidada a participar do coletivo Mães Internacionais, o qual acompanho com grande interesse mesmo antes de ser expatriada, já que as diferenças culturais e de vida em diversos países sempre me atraíram.

E logo que mudei para a Eslovênia, fui convidada a participar do grupo, aceitei de pronto, já tivemos várias trocas legais e hoje estreio na Blogagem coletiva com o tema Clima ou Inverno (para as que estão no Hemisfério Norte, subgrupo ao qual me incluo).

Chegamos a Ljubljana há pouco mais de um mês, no meio do inverno e o que encontramos foi um clima considerado outonal. Temeraturas positivas, dias de chuva (pouca, mas tinha) e até lindos dias de sol. O dia amanhecia por volta das 7:30h da manhã e anoitecia por volta de 16:30h. Para a gente, estava bem frio, mas as temperaturas eram positivas mesmo de madrugada e estava todo mundo estranhando aquele inverno chôcho.

Chegamos a pegar 9 e 12 graus, em dias diferentes, e, com tanto casaco, deu até para sentir calor ao andar e empurrar carrinho com duas meninas pelas ruas (aqui a gente anda muito a pé, o que é ótimo).

O frio foi chegando aos poucos, nas madrugadas, com temperaturas negativas e muita geada. Acordávamos para levar a Ciça na escola a -5C, depoois -8C, um frio enorme para a gente e nada de neve.

Passadas pouco mais de duas semanas, veio a primeira neve, com floquinhos minúsculos - que eu chamo de cristais, mas que parecem estrelinhas, como no vídeo abaixo, do Trotro (nosso ídolo aqui em casa, como já contei no post de ontem) - que deixou telhados, jardins, ruas e calçadas branquíssimos. Foi lindo, não fosse este o dia da nossa mudança, se eu não estivesse com uma gripe dos infernos, com a cabeça pesada e rodando.

No dia anterior, para vocês terem uma ideia, eu tive de sair de casa, mesmo gripada e com temperaturas negativas (acho que fazia -7C) para resolver coisas da mudança. Eu não me cobri direito e chorei de frio no meio da rua, pois meu ouvido ficou exposto e doeu muito! Depois desse dia e com a ajuda virtual das amigas que moram em lugares frios, ajeitei meu casaco, gorro com proteção de orelha, "fone" de ouvido e tudo o que tenho direito para nunca mais chorar de frio.

Daí eu vi o que a inexperiência. Não importa o quanto você tenha lido, pesquisado e se informado sobre o inverno: as pessoas têm limites diferentes para o frio e você só vai descobrir o seu sentindo, passando por algusn perrengues assim. Hoje eu sei o quanto aguento de frio, não gosto de cachecol (mas uso), fecho bem o casaco, tenho de prender o cabelo antes de colocar o gorro para evitar que vire um ninho de mafagafos, sei a hora de usar cada tipo de gorro, cada tipo de luva... E olha que ainda não me considero experiente, mas foi preciso chorar de frio para aposentar a luva de couro sem forro adequado por dentro e tomar outras providências inadiáveis.

Quando tomei as providências e melhorei um pouco da gripe (antes, o nariz escorria mais que bica de cidade do interior), pude curtir a neve, o inverno. Descemos morrinho de trenó, fizemos anjinho, boneco e bolas de neve. Espalhamos pegadas e rastros pela neve branquinha, vimos os diferentes jeitos e intensidade que a neve tem de cair, contemplamos embasbacados o silêncio de uma nevasca.

Mas vimos de cara as coisas chatas e ruins que o inverno com neve traz, além da gripe que abateu toda a família. A lama em que a neve se transforma, depois de ser pisada, é um horror. Como fizemos a mudança em dia de nevasca, a casa nova ficou um lixo já no primeiro dia, pois, com tanta coisa para carregar, não era possível pedir que tirassem as botas toda vez que entrassem e saíssem.

Depois disso, começamos o ritual de tirar as botas logo na entrada, mas, mesmo assim, suja demais. E este ritual de vestir e desvestir todo mundo a cada saída é bem desgastante, numa família de quatro, com duas crianças. E olha que elas nem reclamam, mas se mexem, querem calçar uma bota inadequada, uma luva inadequada e por aí vai.

Outro perrengue que tenho passado com a neve é que às vezes o carrinho fica atolado. No caminho para a escola da Ciça, passamos por uma rua sem calçadas, meio rural (com grama, mas sem calçada de concreto, sabe?) e ali o carrinho sempre atola. É uma droga, eu me descabelo, suo em bicas, peço para a Ciça descer do skate acoplado ao carrinho, desvio dos carros que passam na rua (a rua e as calçadas de verdade são sempre limpas, senão o que haveria de acidentes...) e sigo adiante.

Quando a neve derrete, as calçadas ficam cheias de pedrinha de sal, que jogam para derreter a neve. E, quando chove, este sal se junta ao gelo que virou água e se acumula em poças, que, quando esparramadas, deixam os vidros dos carros manchados.

Ou seja, a paisagem branca é realmente lindíssima, eu acho estonteante, mas, como tudo na vida, tem seu lado B também. Descobrimos os lados A e B juntos. Tivemos a sorte de este ano o inverno ter demorado a chegar e não termos nos deparado com temperatura negativa já nos primeiros dias. Foi rapido, mas tivemos um respiro, um tempinho de adaptação.

Outra sorte foi ter chegado em janeiro (tá, mais sorte teria sido chegar em março, no início da primavera), quando os dias começam a ficar mais longos. A cada dia, ganhávamos e ganhamos mais e mais minutos de luz. Se antes anoitecia às 16:30, agora é só umas 17:45 e vai aumentando! Da mesma forma, tem amanhecido mais cedo e os dias vão ficando mais longos.

Eu acho que, não importa a temperatura, a luz do sol é importante para nos sentirmos bem. Ainda não sei como fazer para não ficar mal ao ver os dias cinzas e curtos, isso só quem mora no HN há mais tempom pode contar, mas ver os dias aumentando é muito bom, sentir o sol na pele, mesmo que não esquente nada, é ótimo. Aliás, os dias mais frios têm sido os ensolarados. Normalmente quando neva não está tão frio.

Outra coisa que fizemos - e é o tipo de coisa que se faz sem pensar muito, senão você desiste - e que foi uma das experiências mais loucas e intensas que já tive na vida foi caminhar por um lago congelado, em Bled, uma cidade lindíssima a 40 minutos de Ljubljana. Estava todo mundo caminhando ou patinando no lago e havia placas permitindo, mas mesmo assim bateu um medão de o gelo derreter e a gente cair, ainda mais quando vimos peixes nadando por debaixo da camada menos espessa de gelo.

Fora que não estávamos com patins nem nada, fomos com botas que nem de neve eram (saímos de Ljubljana sem neve e só ao chegar lá descobrimos que o lago estava congelado), então foi meio escorregadio (principalmente para mim, que estava com a pior bota). Ciça estava com uma bota de chuva e não escorregou em hora nenhuma. Cali estava com bota de neve e Bernardo de tênis. Foi uma experiência fantástica, mas não sei quando nem se repetiremos, embora a Ciça tenha amado e seja a maior entusiasta de esportes e aventuras na neve!

Ela e Clarice saem sempre muito bem agasalhadas e fora uma mão gelada (porque elas tiram a luva) aqui ou um dia em que a Ciça foi para a escola com uma calça mais fina, não reclamam de nada relativo à temperatura nunca, é impressionante. Chorar de frio no meio da rua é para os fracos.

E, com elas, assim como com os eslovenos, vamos aprendendo que neve ou temperaturas abaixo de zero (acho que a mínima que pegamos foi de -12C, nem lembro mais) não são impeditivo de nada. Todo mundo sai de casa, faz o que tem de fazer e (até) se diverte. A vida continua abaixo de zero, minha gente!

Ah, e ontem, quando contei ao meu marido que estava escrevendo sobre o clima na Eslovênia, ele disse: "Demos sorte que não pegamos um dia sequer de fog, neste inverno". O fog (neblina) é a marca do inverno de Ljubljana, cidade que fica num vale, cercada de montanhas por todos os lados. Bom, foi só ele dizer isso para hoje acordarmos com a cidade coberta de fog. Não estava tão intenso como já vi em fotos e como me contaram. Mas que boca, hein? Por sorte agora já se dispersou e o sol apareceu.

Acho que é isso o que posso dizer, até agora, sobre nosso primeiro inverno como expatriados na Eslovênia. Que a gente sofra menos e curta mais nos próximos.

Para quem nunca viu a neve caindo e quer saber como é, recomendo fortemente este vídeo do Trotro. Para quem já viu também, porque é fofo, ora!



Este post faz parte da Blogagem Coletiva Mães Internacionais sobre o Clima. Para ler outros, clique aqui.

Finalmente, 5!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
E eis que, finalmente, a Ciça faz 5 anos. É hoje, dia 21 de fevereiro!

Cecília, aos 5 anos, está em plena fase de adaptação ao novo país. Está muito bem adaptada, eu diria. Diz que não entende nada do que falam na escola (francesa), mas nos conta tantas histórias - algumas bem verossímeis, como a de que os colegas lhe disseram que não tomam banho todos os dias -, que é impossível que não entenda pelo menos uma parte do que falam com ela.

Já canta umas sete canções em francês, conta até dez, fala várias palavras e frases soltas e outro dia perguntou se, quando a professora diz "Ça va?" (Tudo bem?), está querendo saber se ela (Ciça) está feliz ou triste. Ou seja, está aprendendo sem se dar conta!

Detesta sair em fotos (mas adora fotografar), temos que negociar a toda hora. Ao mesmo tempo em que é grande e quer ser grande, tem seus momentos de regressão, de querer ser bebê. De vez em quando fala como a Clarice, claramente para chamar a nossa atenção.

Adora nos ajudar com os cuidados da casa, é super organizada e ordeira, mas, quando quer, é o contrário disso tudo também. Adora ler e isso me enche de orgulho. Ela não lê de verdade ainda, mas isso é só um detalhe. Vive com um livro na mão, contando histórias para nós, para Cali, para os bonecos ou quem quer que seja.

Adora desenhar e pintar. Pede que nós desenhemos coisas para ela pintar. Tem orgulho de seus desenhos e trabalhos manuais. Gosta de ensinar as coisas para a irmã, sejam coisas práticas, sejam idiomas (sim, ela ensina várias palavras para Clarice em francês ou mesmo em português e Clarice repete todas). É a maior influência na vida da irmã e se aproveita disso às vezes.

Além de ler e desenhar, suas brincadeiras favoritas são: escola, viagem, cabeleireiro, casinha, mamãe e filhinhos, esconde-esconde, pega-pega, pular elástico (ganhou da tia Helô e adorou), pular corda (ainda não consegue direito, mas tenta), descer a montanha de trenó (novidade que ela amou) e muitas outras.

Seus DVDs preferidos, atualmente, são "Alice no País das Maravilhas", "Aristogatas", "Kirikou" "Príncipes e Princesas", "Ponyo", "Disney Treasures", "Pinóquio" e "Bernardo e Bianca", não necessariamente nesta ordem.

Suas músicas preferidas são as que tem ouvido na escola, em francês, anda fascinada por todas. Tem uma, o Rock'n'roll des gallinacés, que a gente diz que é a versão francesa do Cocoricó (e o seu rock rural). Amou o Trotro, um burrinho francês que foi a indicação do ano, dada pela Mari. Trotro é fofo, Trotro é lindo, Trotro é rigolo (divertido). Ciça se apaixonou, Cali se apaixonou, nós também e agora a casa inteira cantarola a musiquinha de abertura do Trotro, rá. Link
Adora os brinquedos da irmã e Cali adora os dela, às vezes brincam superbem juntas e às vezes disputam.

Adorou o desfile de Carnaval de Ljubljana e de Ptuj, a cidade mais antiga da Eslovênia, que tem um Carnaval tradicional. Agora fica imitando a dancinha dos kurenti (e isso merece um post à parte), homens que se vestem com peles de animais e colocam sinos pelo corpo, são uma entidade tradicional do Carnaval daqui.

É super determinada quando quer alguma coisa. No sábado, por exemplo, depois de vermos o desfile de Carnaval de Ljublajana, fomos para Bled, que fica a 40 minutos da capital. Ela inventou que queria ir andando pelo lago congelado até uma ilha que ficava superlonge (ver a penúltima foto; a ilha está à direita, com uma igreja branca ao meio), mas ela ia caminhando mesmo assim. À medida em que andávamos, a tarde e a temperatura foram caindo, começou a escurecer e precisamos demovê-la desta ideia, mas ela quer voltar lá para caminhar até a ilha. Isto é, se o lago ainda estiver congelado quando voltarmos. Senão, vamos de barco mesmo.

Foi ao Museu de História Natural de Ljubljana e adorou. Ele é pequeno e bem simples, se comparado ao de Nova York - que ela já esqueceu -, mas ela nem liga, curtiu muito mesmo. Todos os dias me pede para voltarmos lá, acho que vou virar sócia.

Quando chegou aqui, quase não falava de Brasília. Até que um dia disse que as ruas daqui são limpas e as calçadas não são quebradas, como em Brasília. Dias depois, falou da escola de Brasília com saudades. Tem saudades também da Divina, nossa empregada, e da comida do Brasil. Claro que tem saudades da família, mas já estava acostumada a morar longe de todos, então o que está mais fresco na memória são as coisas que vivia em Brasília mesmo.

Já gosta da escola atual e adora os dias em que fica para almoçar (quem diria?), depois descobri que é porque fez amizade com a moça da cantina, uma eslovena chamada Maja (o j se lê como i, em esloveno). Mas um dia pediu ao pai para transformar os colegas da escola em falantes de português.

Uma de suas características mais marcantes é uma timidez temporária. Quando conhece ou reencontra alguém que não vê com frequência, ela se retrai, fica tímida, se esconde, gruda na gente. Passa o tempo (depende do dia, do lugar, do contexto, mas são em média duas horas) e ela se solta, torna-se a melhor amiga da pessoa em questão.

Nosso aprendizado constante é respeitar o tempo dela, suas características, suas peculiaridades. Todo dia aprendemos um pouquinho mais sobre como ser mãe e pai desta menina encantadora e muito, muito amada. E hoje, dia em que começa o seu sexto ano de vida, vamos celebrar bastante os 5 anos de maternidade/ paternidade e, é claro, o aniversário da nossa petite.








1 mês e a vida (real) que segue

domingo, 19 de fevereiro de 2012
E hoje faz um mês que mudamos de malas e cuia para a Eslovênia. Ui, tanta coisa já aconteceu que até parece que faz mais.

Hoje estou cansada e sem ânimo para retrospectivas, mas queria salientar para quem me lê do Brasil que vida de expatriado não é nada fácil. Sei lá, fiquei pensando nisso estes dias, pois tenho percebido que há quem idealize a vida no exterior, a nossa vida (mesmo em Brasília já sentia isso, faz parte da exposição de se ter um blog, mas agora piorou). Mas a nossa vida não tem glamour nenhum!

Tá, eu fico postando fotos de crianças felizes e sorrindentes, lagos, castelos, neves, trenó, parques, passeios e com isso posso dar a falsa impressão de que a vida aqui é fácil, que o céu é sempre azul, que a neve é sempre branquinha, que a vida é sempre lindinha... NOT!

A vida, gente, a vida real, é como em qualquer outro lugar. Feita de dias melhores e outros piores. Temos nossos dias de gripe, dor de cabeça e mau humor. De amor, de carinho, de união, mas também de cansaço, de desentendimentos, de birras, de brigas e de fazer as pazes. Então, vamos combinar uma coisa: nada de idealizações, tá certo?

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O melhor da mudança, para mim, são as novidades diárias, as belas paisagens (isso é inegável), a possibilidade de ver as estações do ano bem definidas, as diferenças culturais, o aprendizado de um novo estilo de vida (que, apesar das dificuldades, me encanta), um novo mundo que se abre e está aí, para quem quiser/ souber/ puder aproveitar.

O pior é a incomunicabilidade, o nosso analfabetismo em esloveno, a burocracia para se conseguir coisas simples, como um celular de conta (só conseguimos há poucos dias) - que para mim era fundamental, para eu poder usar mapas e acessar a internet, principalmente para usar o Google Translate na rua -, a dificuldade em abrir e depois movimentar uma conta em banco (imagine todos os caixas eletrônicos com instruções em esloveno e se sinta pior que um aposentado de 95 anos tentando manejar aquilo), a falácia de que todos aqui falam inglês (quem inventou isso, gente?), a minha impossibilidade de trabalhar neste país, a solidão, o não ter com quem falar português além do seu núcleo familiar, a saudade das pessoas de que gostamos e que estão a um oceano de distância.

Na lista do pior, poderia colocar ainda a falta de empregada, de faxineira, o alto preço de uma baby-sitter (que, para mim, de nada adiantaria, pois como achar uma que falasse português?), a falta de ajuda para as coisas do dia-a-dia, mas isso faz parte do estilo de vida europeu e eu, mesmo não gostando de cozinhar nem sendo uma dona-de-casa exemplar, acho que faz parte da experiência, faz parte do pacote que nós escolhemos, então disso não reclamo, embora tenha meus dias de cansaço extremo, de raiva de acabar de arrumar ou limpar parte da casa e ver as meninas bagunçando e sujando tudo em segundos... coisas que qualquer uma que é mãe e neurótica como eu já sentiu pelo menos uma vez na vida.

Enfim, a experiência completa, como a vida, inclui o bom e o ruim, e cabe a nós lidarmos com tudo isso. Este blog não é para falar de mim, portanto vocês não verão aqui muitas coisas do meu dia-a-dia, apenas um recorte da vida das meninas, que agora inclui um novo país. Mas, ao lerem, lembrem-se de que é isso: um recorte, um registro, uma parte da experiência que eu resolvi selecionar para elas, para os parentes e amigos, para vocês. A vida é muito mais que isso.

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Tenho tanto assunto para posts que talvez eles nunca saiam - o que me deixa triste, pois é um registro importante que se perde. Porque cada dia tem tantas novidades... Sou expatriada recente, é a minha primeira vez morando fora do país, logo, estou parecendo um bebê descobrindo o mundo.

Morro de vontade de dividir este tantão de novidades com vocês, mas aí eu lembro que este é um blog das meninas, para falar das meninas, que isso fugiria ao propósito deste blog. Fora a minha falta de tempo para escrever tudo e o eterno receio da superexposição. Daí, quando eu vejo, o assunto já ficou velho e já passei para outros. Eu sou do tipo que, se não registro no dia, dificilmente consigo fazer bem depois.

Ontem e hoje, por exemplo, curtimos o Carnaval esloveno e, apesar das diferenças (são poucos os que dançam, a maioria só assiste ao desfile), achamos bem legal. As meninas adoraram! Talvez role um post, talvez não.

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Sou só eu ou vocês também sentem que o Facebook meio que acaba com os blogs? O FB é "ótimo" para quem não tem muito tempo. Você joga frases soltas lá, não contextualiza se não qusier, não precisa explicar quase nada, mas, com isso, acaba falando muito de si.

Alo, além? Tem alguém aí ou está todo mundo pulando Carnaval?

Quem não está no Carnaval está a fim de discutir se o FB representa o início do fim dos blogs ou eu é que sou/ estou apocalíptica?

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Falar em FB, muita gente que lê o blog pede para ser minha amiga e sequer deixa uma mensagem. Assim eu não aceito, gente, desculpa. Já me pediram para criar uma página do blog, mas ele não é comercial e não me interessa fazer isso. Fiz ótimas amizades por aqui, adoro a blogosfera materna, mas as pessoas precisam falar, se apresentar, acho que é educado, para dizer o mínimo. E eu sou desmemoriada, lembram? Posso não ligar o nome à pessoa.

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Amanhã não haverá a seção Pergunte ao Pediatra, porque é no meio do Carnaval, porque é véspera do aniversário da Ciça (sim, em dois dias eu terei uma filha de 5 anos, mal posso acreditar!), porque estou realmente sem tenpo estes dias. Mas vocês podem - e devem - mandar perguntas.

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Se vocês quiserem saber mais das diferenças culturais e das nossas (minhas e das meninas) impressões sobre o que temos visto e vivido aqui fiquem à vontade para perguntar. É um bom estímulo para eu escrever posts decentes sobre a vida aqui.

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Agora vou dormir, que pegamos estrada ontem e hoje, estivemos com crianças no meio da multidão, brincamos no Carnaval de rua, tem muitas coisas acontecendo e eu estou cansada. Fiquem com umas fotos bonitinhas (que mãe que vai postar foto borrada ou com cara feia dos filhos, me diz? A gente sempre seleciona as mais bonitinhas e/ou engraçadas) e até a volta!

As fotos são do Carnaval de Ljubljana, numa praça no Centro da cidade. É, acho que vou fazer, sim, um post sobre isso, pois foi uma experiência antropológica interessante - para mim e para elas - participar do Carnaval daqui.







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