Por que a livre demanda é importante

quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Tenho várias amigas grávidas e elas vivem me perguntando sobre amamentação. Desde que engravidei da Clarice, amamentação é minha prioridade total. Porque tive uma experiência frustrada com a Ciça, que desmamou muito precocemente, meesmo eu querendo muito mantê-la no peito. Fui mal orientada e não consegui ajuda de verdade.

Durante a primeira gravidez, eu não me preocupava com a amamentação, afinal, as campanhas mostravam-na como algo natural. Esta visão idealizada e romantizada da amamentação só prejudica as mães. E o Ministério da Saúde e os publiciotários que têm a conta deles até hoje não perceberam isso. A gente tem que virar mãe e sofrer na pele para perceber que não é assim tão fácil, que não é natural, que não é só botar no peito. E, mesmo quando tudo é simples, como foi com a Clarice, a gente tem uns dias ruins, sente dor aqui e ali e sofre no dia da apojadura (dia em que o leite desce).

Enfim, poderia ficar falando sobre isso durante horas, mas prefiro mostrar o lado prático. Você tem algum problema com amamentação? Não deixe passar nem uma semana: procure um banco de leite humano na sua cidade. O atendimento é gratuito, especializado e pode salvar a sua história de amamentação. Você vai ao banco de leite com o seu filho e as enfermeiras te ensinam tudo sobre pega, ordenha e cuidados. Depois, se tiver mais problemas, você pode voltar quantas vezes quiser ou até se consultar por telefone, como eu já fiz. Eu usei o serviço e recomendo.

Outra dica importantíssima, ao meu ver, é fugir das recomendações médicas de dar de mamar de 3 em 3 horas (ou 2 em 2h), enfim, fugir de horas redondas. Nós não somos relógios nem nossos bebês são. Eles devem mamar na hora em que eles quiserem e isso se chama livre demanda. Ela é especialmente importante no início, para o estabelecimento da amamentação e da produção do leite.

O peito produz leite na medida para seu bebê. Se ele mama muito, o peito produzirá muito. Se mama pouco, produzirá menos. Então não é nada ruim ter um bebê recém-nascido pendurado no peito. Ele está estimulando sua produção e saiba que em pouco tempo ele mesmo vai espaçando as mamadas. Mas isso é muito importante no começo, para ele, que precisa ganhar peso, e para você, que vai tendo a sua produção bem estabelecida. Com isso feito, é mais fácil seguir adiante, acredite.

Fuja dos palpiteiros que adoram dizer que o bebê não larga o peito, que ele está chupeitando ou qualquer coisa do gênero. Depois quem vai sofrer é você, de ver seu bebê desmamar. E ele, porque está sendo privado do melhor alimento do mundo, feito sob medida para ele: o leite materno.

Virei fã da livre demanda quando li o livro "Mi niño no me come" (Meu filho não come), do dr. Carloz González, pediatra espanhol. Traduzi uns trechos do livro que falam sobre a livre demanda para minhas amigas e para o pessoal do Ishtar e compartilho aqui com vocês. Quem quiser pode e deve passar o texto adiante, só peço que deem o crédito do autor e da tradução, já que o livro ainda não foi lançado em português.

Coloquei a parte final em azul para grifar, pois é a que vai mais direto ao ponto, caso você esteja sem tempo para ler tudo.

***

Leite materno à la carte
Por que não mamam seguindo um horário regular

O horário das mamadas é um mito. Houve um tempo em que se acreditava que os bebês tinham que mamar a cada três horas, ou a cada quatro horas (e dez minutos de cada lado, para maior escárnio!). Você já se perguntou alguma vez por que dez minutos e não nove ou onze? Evidentemente, são números redondos. Como alguns passaram a acreditam que um “número redondo” era um “número exato”?

Obviamente, nós adultos jamais comemos “dez minutos de cada prato a cada quatro horas”. Quanto tempo demoramos para comer um prato? Ora, depende do quão rápido nós comamos, que coisa! Aos bebês acontece o mesmo: se mamam rápido, demoram menos de dez minutos, e se mamam devagar, demoram mais.

Se comemos em horários fixos é somente porque nossas obrigações laborais nos exigem. Normalmente, nos feriados, saímos completamente dos nossos horários habituais sem que nosso organismo se ressinta minimamente disso. No entanto, ainda há quem ache que os bebês têm de se acostumar a um horário, com vagas referências à disciplina ou à digestão.

A comida dos adultos pode esperar. Nosso metabolismo o permite, e a comida será a mesma a qualquer hora. Mas o seu filho não pode esperar. Sua sensação de fome é imperiosa, e a comida muda caso se atrase. Porque o leite materno não é um alimento morto, mas um tecido vivo, em constante evolução. A quantidade de gordura no leite aumenta muito ao largo da mamada: o leite que sai no princípio tem pouca gordura, e o que sai no final tem até cinco vezes mais.

A quantidade média de gordura no leite em uma determinada mamada depende de quatro fatores: diminui com o tempo decorrido desde a mamada anterior (quanto mais tempo, menos gordura) e aumenta com a concentração de gordura ao final da mamada anterior, o volume ingerido na mamada anterior e o volume ingerido na mamada atual (a leitora curiosa pode consultar a excelente revisão de Wool-ridge sobre a fisiologia da lactância).

O bebê que mama nos dois peitos raramente acaba de mamar o segundo, assim podemos dizer, simplificando muito, que toma dois terços de leite aguado e um terço de leite concentrado. Já o que mama em um só peito toma metade aguado e metade concentrado. Se toma leite com menos gorduras (e portanto com menos calorias), seu filho pode aceitar um volume maior e com isso ingerir mais proteínas. De modo que o bebê que mama 50ml de cada peito não está mamando o mesmo que o que mama 100ml de um só peito, e as dietas do que mama 80ml a cada duas horas e do que mama 160ml a cada quatro horas são totalmente distintas.

O controle da composição do leite ainda é objeto de pesquisa e o que desconhecemos é, provavelmente, muito mais do que o que sabemos. Por exemplo, se observou que um peito costuma produzir leite com mais proteínas que o outro. Talvez seja pura casualidade. Ou talvez seu filho possa escolher, mamando mais em um peito ou no outro, uma comida com mais ou menos proteínas.

Você achava que o seu filho comia sempre o mesmo? Pensava que seria entediante passar meses tomando só leite? Pois agora você vê que com o leite materno não é assim. Seu filho tem à disposição um amplo menu onde pode escolher desde sopas rápidas até sobremesas cremosas. Como não sabe falar (nem o peito poderia entendê-lo) ele escolhe o seu menu dando instruções ao peito mediante três pontos básicos:

- a quantidade de leite que mama em cada mamada (ou seja, mamando mais ou menos tempo com maior ou menor intensidade)

- o tempo entre uma mamada e outra

- se mama em um só peito ou nos dois a cada mamada

O que o seu filho faz em seu peito é autêntica engenharia para obter a cada dia o que necessita. O controle de seu filho sobre sua dieta é total e perfeito quando ele pode variar à vontade os três pontos básicos. Nisso consiste a amamentação em livre demanda: que o bebê decida quando vai mamar, durante quanto tempo e se vai mamar em um peito ou nos dois a cada mamada.

Quando os impedimos de controlar um desses mecanismos, a maioria dos bebês consegue uma dieta adequada manobrando habilmente os outros. Assim, num experimento, a alguns bebês lhes deram sempre um só peito a cada mamada durante uma semana e os dois peitos a cada mamada em outra semana (a ordem das semanas era ao acaso). Em teoria, os bebês ingeriram muito mais gordura ao longo do dia ao mamar em um só peito que ao mamar nos dois. No entanto, os bebês modificaram espontaneamente a freqüência e duração das mamadas e conseguiram tomar quantidades similares de gordura (só que em volumes distintos de leite).

Mas o bebê que não pode modificar nem a frequência nem a duração das mamadas, nem decidir se toma um peito ou os dois, está perdido: já não tomará o leite de que necessita, apenas aquele que por acaso chegue até ele. Se sua dieta se distancia muito de suas necessidades, o bebê terá problemas: seu peso não será adequado ou passará o dia faminto e choroso.

Por isso a amamentação com horário raramente funciona e o resultado é tão mais catastrófico quanto mais rígido for o horário que se impõe. O bebê necessita mamar de forma irregular porque só assim pode ingerir uma dieta equilibrada. Desde o primeiro dia, embora aparentemente esteja tomando só leite, seu filho já escolhe sua dieta num amplo leque de possibilidades e já escolhe sempre com acerto, tanto em qualidade quanto em quantidade.

("Mi niño no me come", de Carlos González, capítulo 2; tradução de Paloma Varón)

37 comentários:

  1. Neda disse...:

    Eu sou fã de carteirinha do Dr. Gonzalez, e este livro deveria ser leitura obrigatória para todos os pais, todos mesmo. AJuda na amamentação e mais na frente quando sao introduzidos os alimentos. Fenomeno! O Besame Mucho também é uma boa leitura.
    BJS

  1. Dany disse...:

    Mesmo sem saber NA-DA sobre livre demanda na época de Caio, eu o deixava mamar o quanto quisesse e quando quisesse. E, sim, ouvi muitos palpiteiros dizendo que ele estava fazendo peito de chupeta.
    Adorei essa leitura!

  1. Clarinha disse...:

    Olá. Gostei bastante do seu post. É exatamente isso. E, nós, mães, só descobrimos o quanto amamentar está longe das propagandas e dos manuais quando temos nossos bebês. Eu fui escolhida, quando grávida, para ilustrar a propaganda da campanha pela licenca-maternidade de seis meses(fora do ar por causa das eleições), mas não quis participar dos testes para a campanha de amamentação (depois que meu filho nasceu) justamente por discordar da maneira que o assunto é tratado. A meu ver, totalmente fora da realidade. Achei interessante vc abordar o tema, estava pensando em escrever justamente sobre a minha experiência com amamentação no meu blog. Abraços

  1. Patricia disse...:

    Muito bom. Também recebi a recomendação de amamentar a cada 3 horas e não segui. Achei, instintivamente, que devia amamentar quando Mariana tivesse fome, ou quisesse colo ou aconchego. Isso pesou um pouco na questão da rotina, mas colocando na balança, acho que a amamentação é ainda mais importante.

  1. Maria Tereza disse...:

    Eu não consigo amamentar em livre demanda! Meus peitos não aguentam e doem!! Mesmo usando conchinhas, lansinoh e mamare! Meu bb está super acostumado com a média de 3 horas (durante o dia menos e a noite mais!). E tem sido bem bacana!
    bjos

  1. Tathyana disse...:

    Concordo com TUDO!!! Livre demanda é o que há!!! E vamos seguindo assim aqui em casa. Rafa hj completa 3 meses e está com 6kg e 59,5 cm. Prematuro né??? Rssssss. Bjssssssss

  1. Carol Garcia disse...:

    Paloma,
    primeiro. sou super a favor dos bancos de leite humano. recomendo. usei. doei muito pra eles. tive ajuda, atenção. tudo o que eu precisei pra iniciar bem essa fase da minha vida.
    segundo. virei fã do dr. gonzales.
    ótima dica de leitura.
    ótimopost.
    bjo bjo

  1. Paloma, a mãe disse...:

    Maria Tereza, geralmente a dor vai embora rapidinho, se o bebê tem a pega correta. Mas, se continua doendo, sugiro que vc busque ajuda, pois amamanetar com dor (seja no tempo que for) é muito ruim!

    Dany e Pat, fico tão feliz quando as mães jogam os conselhos médicos e dos palpiteiros às favas e fazem o que acham que é melhor para o filho, principalmnete neste quesito, já que tenho visto que enfermeiras entendem muito mais do assunto que os pediatras em geral. Uma pena que eu não tenha tido esta ousadia na época da Ciça, segui as orientações erradas.

    Para mim, a maior vantagem da livre demanda é que, se o bebê mama muito durante o dia (no ritmo dele), ele não tem fome à noite. A Clarice tem dormido a noite toda e, quando acorda, é só uma vez. Acho isso inscrível, pois, instintivamente, ela prefere fazer suas reservas calóricas durante o dia para poder(mos) descansar à noite.

    Beijos

  1. Fernanda disse...:

    Concordo muito com o que vc falou sobre a romantizacao da amamentacao. E nao eh assim com toda maternidade? De que tudo eh um mar de rosas, vc olha o nenem e se apaixona; ele nasce e pega no peito. Eh um disserviço tao grande para nos, na minha opiniao. principalmente para maes de primeira viagem... Nao eh sempre assim, tudo natural. Quando nasce um filho, também nasce uma mae nao eh?
    Olhando para tras, vejo que o Andre mamou menos do que eu queria por falta de informação minha sim e com o Tomas apesar de ter procurado ajuda e ser mais "experiente" (aqui a gente pode contratar "lactant consultant") e tentando de TUDO, nao rolou. As vezes eh assim tambem.

    Acho que cabe a nós, passar nossas experiencias, dicas e sugestoes e deixar de reforçar a eterna culpa, que pensando bem eh a unica coisa que vem naturalmente com a maternidade...
    Gostei do post!

  1. Thaís Rosa disse...:

    perfeito, paloma.
    incrível ver toda sua guinada, ORGULHO TOTAL.
    beijo grande

  1. Anne disse...:

    Oi Paloma, espero que você consiga ler esse comentário imenso, pois seu texto veio numa hora excelente para mim: sou super fã da livre demanda e pratiquei com meu filhote. Minha história de amamentação foi relativamente bem sucedida, ele mamou LM exclusivo até os 6m e agora continua comendo e mamando.
    Estou sofrendo "um pouco" com a falta de sono do filhote e para todas as informações que me volto só uma é consenso: a rotina interfere no sono.
    Joaquim é tão acostumado a mamar a hora que bem lhe entender que está sendo um sofrimento colocá-lo na tal rotina. Ademais, nem eu mesma tenho certeza dessa necessidade tão louca de termos horários para comer, atividades, sono e tal (sim, eu li a encantadora e continuo com o maior ponto de interrogação na cabeça, às vezes gosto às vezes odeio a mulher)...
    O fato é que, chega uma hora que a mãe precisa dormir ou aceitar que não dorme (pois o livre demandador demanda tb na madrugada quando quer).
    Queria muito saber sua opinião, para me ajudar a formar a minha:
    Até quando livre-demandar? Seria "tudo bem" manter a livre demanda em detrimento da rotina do bebê mais velho? seria "tudo bem" mantê-la com o risco de criar um "toddler" beliscador...? seria "tudo bem" ir forçando uma rotina?
    São tantas dúvida, não?
    Esse assunto muito me interessa, adorei que vc levantou a bola e pretendo no futuro (se um dia eu conseguir formar opinião sobre o assunto) postar lá no Super Duper uma resenha LIVRE DEMANDA, MAS EU DURMO!
    rsrsrs
    Beijos, gosto da sua seriedade com os assuntos da gravidez, parto e amamentação.
    Anne
    mammisuperduper.blogspot.com

  1. ADOREI o post e a leitura!!Com meu filho foi assim e deu super certo, palpiteiros de plantão sempre vão ter, não devemos dar ouvidos a eles.., só ao bebê que, desde cedo sabe muito bem o que quer! bjos mariane

  1. Cíntia Anira disse...:

    Sabe Paloma, senti vontade de chorar...

  1. Dani disse...:

    Pa, excelente post, de novo! Vc não sabe o quanto isso ajuda! Ai se eu fosse blogueira quando a Nina nasceu...tanta coisa seria diferente...
    Bj!
    Dani

  1. (Mamãe) ~Pinel disse...:

    Muito bom o post!!!
    E coloca 'decepção' nisso, só amamentando para saber que não é fácil e romântico como mostram, e olha que meu peito nunca rachou e nem mesmo na apojadura doeu mais que o normal, e mesmo assim, não acho nada nada fácil.
    Deixo a Lara mamar sempre que quer, e tenho sorte porque desde muito novinha mesmo ela estabeleceu os próprios horários que são de 2h em 2h ou 3h em 3h!

    Acho que tenho sorte com a questão da amamentação. Espero agora poder amamentar no mínimo até seus 6 meses!

    Beijo!

  1. Re disse...:

    Ai dio mio, estou gravida do meu primeiro filho e esse assunto de amamentação eh algo tao novo pra mim que estou perdidona..seu post ajudou bastante, mas ainda tenho muito a pesquisar. Bjs

  1. Sol disse...:

    Não acho muito adequado as generalizações médicas que algumas mães blogueiras fazem. No nosso serviço de obstetrícia, a indicação é de livre demanda, é esse o diálogo com as mães. Não entendo como chegar ao blog e ler a crítica à classe inteira, por uma conduta que supostamente todos adotam.
    Grata
    Sol

  1. Carol disse...:

    Oi, Paloma. Teu blog está na minha lista de favoritos, junto com outros blogs maternos, há mais de um ano, mas praticamente nunca comento. Tenho duas filhas mas nunca tinha parado para refletir á fundo sobre a amamentação.
    Da primeira engravidei muito cedo, na adolescência ainda, e a amamentação foi muito natural. Para uma menina de 16 anos como eu era, terminando o colégio e já trabalhando meio turno, consegui amamentar e deixar o leito do peito em mamadeiras nos horários em que eu estava fora melhor do que muitos relatos que ouço na blogsfera e das minhas amigas hoje. Precisei parar de amamentar quando minha filha tinha 1 ano e meio pois o problema foi que no período em que eu estava em casa ela se negava a comer qualquer outra coisa, o que ocasionou um quadro de anemia na pequena e o desmame foi algo traumatizante (talvez mais até pra mim do que pra ela).
    Aos 23 anos casei e engravidei novamente. A neném nasceu e pegou o peito sem medo de ser feliz, como um pequeno leãozinho voraz e novamente foi tudo muito tranquilo. Só que dessa vez a minha preocupação maior era que o erro da anemia e da dependência total do peito não se repetisse e, apesar de dar de mamar livremente quando estava em casa, acostumei a pequena com Nan desde o fim da licença maternidade (mesmo pq meu fluxo de leite foi menor que o da primeira lactação, portanto, tornando a ordenha muito mais sacrificante)e no intuito (talvez ingênuo) de que ela já fosse se preparando para outro tipo de alimentação que viria aos 6 meses. O que me surpreendeu foi que aos 7 meses minha filha largou o peito sozinha. Simplesmente não aceitava mais e o leite secou antes que eu pudesse reagir. Me dói até hj pq eu realmente amei amamentar as duas. É um momento de aconchego, de proximidade com nossas crias. Eu dava de mamar sentada, em pé, deitada, quando e onde elas pedissem. Sem pudores!
    Se eu tivesse um terceiro filho (o que não pretendo mais pq duas já dão trabalho o bastante) com certeza repensaria bem todo esse processo.

  1. Kah disse...:

    Livre demanda é ótimo!
    Mas, uma coisa engraçada, muita gente concorda com livre demanda até os 6 meses, depois acha que o bebê tem que se "virar sozinho". Não foi uma nem duas vezes que ouvi gente falando que depois dos 6 meses o bebê não precisa mamar com tanta frequência e tem que aprender a ficar com fome.

    Outra coisa, parece que depois dos 10 meses (como é meu caso), livre demanda vira crime! Até pediatra que é super a favor no início se volta contra e começa a achar ruim. O pediatra da Juh começou a reclamar que com a livre demanda depois de 1 ano fica péssimo controlar o que a criança está ingerindo e está tentando me convencer a começar a dar fórmula.
    "Porque a fórmula, Kah, tem tudo que ela precisa, e nós controlamos a quantidade ingerida. E ela começa a comer mais, porque não tem peito a hora que ela quer. Se você continuar com a Livre Demanda por muito tempo ela não vai se alimentar direito.. Blá, blá, blá."

    Aqui em casa estamos na livre demanda ainda. A Juh mama em intervalos de 3h e juro que não me atrapalha. Mas para os outros parece que estou espancando a menina!

    Paloma, você sabe onde tem esse livro para vender?
    Beijão!

  1. Bia disse...:

    Tu sabes qual foi a nossa luta aqui em casa né?! Hoje Arthur mama muito! Está com 6 meses (faz 7 dia 10) e estamos iniciando a alimentação complementar com muita calma, sem exageros. A amamentação segue em livre demanda, e ele está muitíssimo bem! E é bem isso, às vezes mama por sede, outras por fome, às vezes uma mama, às vezes as duas, e por aí vai.
    Adorei o post, depois vou ler novamente no detalhe, pois aqui está uma correria só.
    beijos

  1. Paloma, a mãe disse...:

    Anne, ainda não tenho experiência após os seis meses para te dizer, mas a recomendação é que se continue a livre demanda após a introdução de sólidos. Mas, é claro, isso varia de acordo com a sua realidade. Mães que voltam a trabalhar costumam ter mais dificuldade, mas, mesmo assim, é possível fazer LD quando vc estiver em casa.
    Beijos

  1. Paloma, a mãe disse...:

    Gente, tô amando saber das experiências de vcs.

    Carol Garcia, doar leite para banco de leite? Vc é minha ídola!

    Carol, olha que coisa, vc foi na intuição com a primeira filha e deu certo. Na segunda, vc ficou encanada e ela desmamou logo. Acho que tranquilidade e confiança são muito importantes neste processo. E apoio, é claro!

    Kah, que delícia, quero chegar aos 10 msese assim também. Este livro não foi lançado no brasil, mas, se vc ler em espanhol, posso te mandar o arquivo em PDF.

    Beijos a todas

  1. Nine disse...:

    Amei esse texto que você traduziu! É muito esclarecedor e nos coloca cada vez mais no sentido de que a livre demanda é o mekhor para o bebê e para a mãe, ainda que para esta última possa ser bem cansativo em alguns dias...

    Beijos!
    Nine

  1. Paloma,post de utilidade pública! Como sempre!

    Comment post style para colocar a minha experiência aqui, esperando ajudar quam chegue...

    O pessoal confunde livre demanda com 24/7 no peito... Para mim, das duas vezes, aderi ao que chamo de "abriu a boca = peito" + rotina.

    pausa: para mim rotina não significa seguir o relógio, mas seguir sempre a mesma ordem das coisas, tentar deixar o dia previsível. Isso junto com rituais para cada atividade. No banho, sempre uma música específica, na hora de dormir sempre aquele aroma, aquela luz e aquela atitude... e tal - com a primeira eu era mais rígida, e com o segundo mais relaxada, nem sempre EU obedecia os rituais...

    O resultado para os dois foram ótimos: ficaram exclusivos 4 meses no peito, poucos momentos de choro desesperado, poucas doenças. Ganho de peso satisfatório e comportamento geral ok... detalhes lá no blog.

    Cada um estabeleceu seu horário e com dois ou três meses já estavam numa rotina de intervalos de três horas. A primeira só dormiu a noite toda com 7 meses e o segundo dormiu dos 2 aos 5 meses a noite toda e agora está sem padrão: dias dorme tudo, dias acorda algumas vezes. Ambos quando acordavam à noite, mamavam um pouquinho e dormiam em seguida - nunca ficaram achando que noite era para brincar - coisa deles mesmo.

    Hoje o bebê come de tudo e tem uma rotina mais rígida em relação à alimentação sólida, no entanto quando estou em casa é Livre Demanda. Não tem atrapalhado os sólidos.

    É claro que deve haver uma lógica: se acabei de dar peito não vou fazer um prato de comida: vou esperar pelo menos 30 minutos para oferecer o sólido... Como não me importo com o relógio, mas com a ordem das coisas, não existe problema...

    Ultimamente sinto que a produção não está a toda, então esporadicamente dou fórmula de tarde, mesmo estando em casa, para garantir o consumo do cálcio dele num horário em que meu corpo se acostumou a não produzir mais...

    Sinto que muitas vezes, neste horário, ele se irrita em ter que sugar por um tempo antes que comece a sair... isso não ocorre de noite, porque nunca parei de amamentar neste horário...

    Não sei se estou correta: é apenas a minha experiência...

    Amo livre demanda e acho absurdo tentar acostumar um bebê que mama no peito com horários... Eles tem uma excelente habilidade para regular quando, quanto e de que parte mamar. A gente não consegue garantir que a quantidade que ele tomou é suficiente para fazê-lo esperar as 3 horas... Eles sim!

    Obrigada pelo post e desculpa pelo longo comentário...

    Beijoca

  1. Ilana disse...:

    Paloma, gostei muito do texto, mas pela minha experiência tenho algumas ressalvas a fazer.
    Vamos lá: quando o Raphael nasceu, eu nem pensava na possibilidade de não amamentar. Tive muita dificuldade no começo, muita dor mesmo. Ele era sonolento e não pegava direito. Ele nasceu pequeno, com 2,850kg. Na maternidade quiseram dar o nan e eu não deixei. Achei um absurdo não darem nem três dias pra aprendermos (os dois) a mamar. Persisti. A própria maternidade que ofereceu nan também dispunha de um serviço apoio à amamentação, e recorri a eles muitas vezes. Me ajudaram muito. E justamente, a recomedação que tanto eles como o pediatra davam era seguir a livre demanda. Em um mês o Raphael ganhou 1,5kg, muito para os padrões. Eu ainda sentia muita dor, mas ficava tão orgulhosa com o ganho de peso dele que continuei da forma como estava.
    Só que com o tempo, a LD criou dois problemas em casa: uma mãe ansiosa e um bebê chorão. Explico. Pelo meu trabalho (sou psicóloga), eu sabia que poderia cuidar do Raphael enquanto pequeno pela flexibilidade de horários, mas também sabia que teria que voltar cedo, aos dois meses. A idéia era marcar cada paciente de uma vez, nos intervalos das mamadas. Mas como fazer isso em LD? Eu marcava um horário que imaginava que ele já teria mamado, mas óbvio que nunca funcionava e eu estava sempre preocupada que ele iria acordar com fome, e eu não estaria lá para dar o peito. Resultado: uma mãe estressada e ansiosa.
    O segundo problema, foi que eu tinha muito leite (o que é bom), e o raphael começou a mamar muito, tanto que vomitava boa parte do que mamava. E chorava, meu Deus. O pediatra disse que era refluxo e medicou. Não funcionou, ele continuava chorando, e eu fui me informar e vi que criança que tem refluxo não ganha peso como ele ganhava.
    Quando ele estava com 4 meses, mudamos de pediatra e a nova orientação foi de regular um pouco a rotina, mas sem radicalismos. Foi o que fizemos, e aos poucos as coisas foram melhorando. Eu sabia a partir da primeira mamada da manhã quais seriam mais ou menos os horários das outras, e pude me organizar. E o choro, aos poucos, foi diminuindo. Sem a oferta tão frequente de leite, ele passou a aproveitar melhor cada mamada, sem vomitar depois e sem agredir seu esôfago. E com a mãe mais tranquila, também é mais fácil pro bebê se tranquilizar...
    No final, amamentei exclusivamente até quase 6 meses e segui dando o peito até os 11, quando desmamei.
    Acho que a LD é boa para quem de fato banca estar 100% disponível para o bebê. Para mim foi demais, e fiquei feliz de poder ter encontrado na rotina "não radical" uma forma de continuar amamentando.
    Ai que comentário longo...
    Um beijo,
    Ilana

  1. Evie disse...:

    Hoje reconheço o poder da livre demanda. Na verdade, no meu caso, ela se impôs. Fui orientada a controlar horário, mas é muito dificil isso. Como vc mesmo falou, não somos relógio, muito menos nossos pequenos. Então, Guga mamava ao seu bel prazer, mas coincidentemente, ele mantinha certa regularidade. Então, foi livre demanda meio regular, se é que isso é possível. As cólicas pra lá de frequentes e enlouquecedoras e a volta ao trabalho me prejudicaram bastante no projeto amamentação exclusiva. Mas hoje, com a informação que tenho, nada disso seria suficiente para não praticar livre demanda e amamentação prolongada.

  1. Camila disse...:

    Paloma,

    Que maravilha de post!!!! Li atentamente ao que você escreveu e a cada um dos comentários!

    Um beijo, querida.

    PS: Adorei as palavras primas de Ciça! ;o)

  1. Sol disse...:

    Olá Paloma
    Inicialmente desculpe por qualquer transtorno. Nos meus comentários, nunca fiz menção a nenhum tipo de palavreado grosseiro. E hora nenhuma disse que era médica, já esclareci em outro comentário para você que estou me formando.

    O que eu trouxe em ambos os comentários é que na minha formação na obstetrícia, o serviço que estou vinculada indicava a livre demanda, inclusive isso está nas recomendações que damos as mães no atendimento.

    O que eu trouxe no meu cometário, é que existem ótimos profissionais que orientam bem as suas pacientes em relação à isso - e fiquei espantada ao ver algumas generalizações, apenas isso. Talvez tenha me expressado mal nas palavras.

    Esse é um tema que me fascina, e sempre encontro bons relatos no seu site.

    Como o meu propósito aqui não é gerar nenhuma forma de transtorno, inicialmente peço desculpas se gerei. E depois solicito gentilmente, que apague os meus comentários, e passarei a não contribuir mais nos comentários para que esses mal entendidos não ocorram, ok?

    Desejo sorte e paz para você. Sinceramente.
    Sol

  1. Graziela disse...:

    Oi Paloma! Achei seu blog a pouquissimos dias e adorei de cara...e o posto de hoje me conquistou! Adorei o trecho do livro, faz todo sentido! Pena não ter lido antes...o meu pequeninho mamou só leite materno até quase 5 meses, um pouco de falta de informação com circunstâncias. Vou indicar para amigas grávidas já!

  1. Paloma, a mãe disse...:

    Sol,

    Desculpe pelo tom do meu comentário. É que já aconteceu de entrarem frasantes aqui no blog para me ofender e a outras grávidas e foi muito fácil descobrir quem era. Pessoas que mentem a identidade e finger ser quem não são. Erroneamente te coloquei na mesma turma desta gente doente (porque, cá para nós, ofender e difamar uma grávida é algo criminoso - ou deveria ser). enfim, coisas a serem tratadas em outra esfera.

    Não tenho nada contra a classe médica, tanto que neste post tarduzo o texto de um médico que eu adoro. Mas acho que ninguém sabe melhor sobre o seu bebê que a própria mãe.

    Peço sinceras desculpas pelo tom usado e fico feliz que profissionais da obstetrícia recomendem a livre demanda, embora eu saiba, por experiência própria, que muitos pediatras ainda acham que o melhor é criar rotina para bebês RN.

    Abraços

  1. N@nd@ disse...:

    Adorei seu post pq tive muito problema c a amamentação. Realmente, n é uma coisa tão fácil assim e natural. Minha GO n ensinou, nem as enfermeiras do hospital, só checaram se eu tinha leite. Mesmo assim Jú n teve nenhum problema na pega do peito. O problema é q n sei se era pq ela puxava muito forte, mais meus seios ficaram muito machucados, senti muita dor, enquanto todo mundo dizia q era assim mesmo q era só continuar dando o peito p neném q a saliva do bb cicatrizava, q o próprio leite ajudava a curar, mais nada disso aconteceu e eu só piorava, fiquei com muita febre e seios q nem pedra. Resultado dei uma mastite grave nos dois seios, não pude mais amamentar (amamentei por menos d 2 semanas) e sofri com quase 3 meses de tratamento muito dolorosos, as piores dores q já sofri. Mas com o tratamento com a mastologista aprendi 2 coisas muito importantes. 1° na amamentação, vc n precisa sofrer, se um seio tá ferido, dá o outro até ele ficar bom, e tira o leite dele c a bombinha até ficar bom.
    2°Sempre q amamentar limpar o seio com água, ou paninho umedecido. Principalmente se o seio estiver ferido pq o leite é doce e atrai bactérias e com a feridas eles podem entrar no nosso organismo. Foi isso q aconteceu comigo.

  1. Neda disse...:

    Meninas,
    Venho aqui para divulgar uma entrevista muito boa do DR. Gonzalez que, entre outras coisas, fala que o mais importante é seguir o instinto.

    Em espanhol: http://www.lavanguardia.es/ciudadanos/noticias/20100331/53900236179/carlos-gonzalez-los-ninos-que-duermen-con-sus-padres-tienen-menos-problemas-finlandia-gonzalez-alema.html

    traduçao para o portugues de Monica Bittar aqui: http://chezlesbeaup.blogspot.com/2010/10/carlos-gonzalez-sou-mega-fa.html

    Bjs

  1. Nossa!!
    Muito bom o post!!
    Sofri muito no início... tinha pouco leite.. mas venci!! MF completou 6 meses este mês e ainda está no LM exclusivo!!! Vamos iniciar com os sólidos agora!!! Aeeeeeeeeeeeeee!!
    Bjs!!

  1. Gisela Blanco disse...:

    Senti até um alívio aqui. Tenho feito livre-demanda também e acho bem leal. Meu filho mama super bem, está com 1 mês e meio e já pesa 5kg. O problema é que ele é desse tamanhão todo e quer mamar de 1 em 1 hora, às vezes até menos. E eu passo literalmente o dia inteiro (e a noite também!) amamentando. E aí, como faz?
    Até hoje não consegui dormir nem 3 horas seguidas...

    http://maegeek.wordpress.com

  1. Jvictor disse...:

    Olá Paloma,

    Parabéns pelo seu Blog. Além de abordar temas super interessantes e úteis, você escreve muito bem!

    Também moro em Brasília e sou de fora. Amo a cidade (apesar de detestar a secura!).

    Passei horas lendo sobre as suas experiências e me identificando (ou não) com várias delas. Sou mãe de um menino e estou à espera do meu segundo bebê, uma menina, e com muitas dúvidas sobre o parto etc.

    Você poderia me indicar os nomes e telefones da(s) Doula(s) que te auxiliaram, bem como do Hospital em que fez o seu parto e banco de leite? Eu já havia lido alguma coisa sobre o Ishtar mas nunca fui a nenhuma reunião. Adoro levar meu filho no parque Olhos d'Agua!

    Obrigada pelas dicas e pelas emoções proporcionadas com a leitura dos seus textos.

    Mais uma vez, Parabéns!

    Ana Paula Teixeira

  1. Paloma, a mãe disse...:

    Ana Paula, me passe seu e-mail que te dou os contatos. Ou, se preferir, escreva para o meu e-mail, que está no meu perfil aqui do blog.
    Beijos

  1. Sarah disse...:

    Acabei de ler esse texto no MMqD e deixei meu comentário lá, vou dar um copy-paste aqui com um adendo no final, tá?
    Que ótimo texto. Também não conhecia essas informações todas sobre o leite, adorei. Engraçado que quando Bento mamava, vira e mexe queria só um peito. No começo eu estranhava, achava que tinha que dar os dois... Fora as palpiteiras, que diziam exatamente isso: 10 ou 15 min em cada peito todas as vezes. Mas ele não queria!! Aí eu deixava ele mamar só em um mesmo, e dava o outro na mamada seguinte... Segui a recomendação do Dr. sem saber...
    Aliás, esse livro pre-ci-sa ser lançado em português! E lembro que vc pediu dicas e contatos em editoras em SP um tempo atrás com esse intuito. Eu conversei com uma amiga que trabalha na Ática, lá eles focam mais em livros didáticos, mas ela vai tentar uns contatos em outra área ou outra editora. Quem sabe... Se conseguir algo te aviso ok?
    bjao

Related Posts with Thumbnails