Feliz 11! Réveillonze!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Achei que não ia mais postar este ano, já que passar férias com crianças na praia dá trabalho. É muito divertido, muito gostoso, uma alegria imensa, mas é cansativo também, ainda mais com o sol a pino e o calorão que faz por aqui.

As meninas estão se esbaldando com uma coisa que é básica, mas que elas não têm por perto na maior parte do ano: a família. Estão com três avós aqui (a a avó paterna veio passar as festas junto com as netinhas), bisa, tios, primos, a cambada toda! Elas não param, vão de colo em colo, casa em casa, praia em praia.

Clarice agora já adora o mar, mas adora ainda mais a piscina e, mais recentemente, descobriu o rio. Sim, fomos tomar banho de rio ontem e hoje e foi o melhor programa que fizemos aqui, em termos de passeios. Banho de rio pode ser melhor que mar para crianças pequenas, pois não tem onda e é raso.

Ciça amou o rio e pediu para voltar. Hoje encontramos por acaso amigos lá, com crianças da idade dela, e a farra foi completa! Clarice está bem bronzeadinha e eu comecei por conta própria a passar protetor solar nela, mesmo estando só com 5 meses. Primeiro testei numa parte da perna e, como não teve alergia, passei no corpo inteiro. Mas ela já está morenaça, mesmo andando de guarda-sol para cima e para baixo.

Ela está espertíssima e, mesmo sendo minha segunda filha, me espanto com a desenvoltura dela aos cinco meses. Tanto que já foi chamada para a faculdade, rá! É isso mesmo: dentre algumas boas notícias que recebemos neste fim de ano, houve a seleção da Clarice para começar aulas de musicalização infantil na UnB. A Ciça também está inscrita, mas a vaga da Clarice saiu primeiro.

O ano novo promete! (E eu, mesmo sabendo que se trata apenas de uma convenção do calendário, sempre fico com as esperanças renovadas nesta época do ano.) Não sei quando volto a postar, pois, quando Bernardo for embora, vai me sobrar menos tempo ainda para ligar o computador. Então desejo um feliz 11 para todas vocês, minhas companheiras de viagem.

Enquanto isso, fiquem com algumas fotos de Imbassaí e Praia do Forte. Aliás, aqui vai uma dica de uma baiana da gema, que adora uma estrada e conhece cada praia do Litoral Norte (e do Sul também, mas minha especialidade é o Norte) da Bahia: Imbassaí, onde tem este rio que a Ciça adora (e onde eu ia muito na minha infância) é muito mais legal que Praia do Forte - e infinitamente melhor que Costa do Sauípe, que eu, particularmente, considero a praia mais feia da Linha Verde. Fica a dica.

Primos no rio
Nossa ilha deserta no meio do rio

Mamando no mar da Praia do Forte, porque fome não escolhe lugar

Direto da Bahia, o primeiro banho de mar

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Hoje Clarice tomou o seu primeiro banho de mar. E depois, tomou o seu primeiro banho de chuva. Candanga que é, preferiu a chuva. Ela deu um chorinho quando encostei as pernas dela no mar. A água estava meio fria, pois tinha chovido um pouco antes e estava de manhã cedo, ainda não tinha dado tempo de esquentar. No final da tarde, levo de novo, para ela sentir a água quentinha.

Ela mamou quase todo o tempo em que ficamos lá, o que prova que a máxima que diz que praia dá fome é verdade. Cochilou também e se lambuzou de areia.

Fez sua estreia na mesma praia e com o mesmo biquininho que a Ciça usou na sua estreia, aos 3 meses (ver foto aqui). Nas fotos, com Ciça (de cabelos curtos) e o primo Lucas.





Quer elevar a auto-estima? Aprenda como

terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Ciça estava gostando de ostentar uma farta cabeleira, mas o fato é que a gente não aguentava mais os escândalos para penteá-la. De manhã cedo, então, era quase impossível. Daí ontem finalmente a levamos para cortar o cabelo na altura do ombro e, quando acabou, a cabeleireira disse que ela estava parecendo a Branca de Neve. Ela estava com uma tiara em forma de coroa de princesa, que ganhara em uma festinha de aniversário na escola, e ficou se sentindo a própria.

Daí hoje acordou, colocou de novo a tiara e continuou no seu sonho de princesa. Ela estava pronta para ir à escola (de tiara e vestido) e eu estava me arrumando também. Ela perguntou se eu ia levá-la à escola. Eu disse que não, que ia ao salão de beleza:

- Pra quê?, ela quis saber

- Para ficar mais bonita, eu respondi.

- Igual a mim?

Diga se não é o máximo da auto-estima? Adoro isso nas crianças! E me lembrei que ontem, enquanto ela cortava o cabelo, eu fui a uma livraria ao lado para comprar um presentinho e vi uns livros de auto-ajuda que eram mais ou menos assim: "Cadernos para aumentar a sua auto-estima". Quem precisa de cadernos? Aqui em casa, nós certamente não. E quem tem filhos pequenos também não, é só aprender com eles, ora!

***
Férias, que beleza!

Hoje a Ciça entra de férias. Mas, diferentemente das duas últimas férias, eu não estou desesperada. Ao contrário, estou ansiosa por isso. É que antes eu estava trabalhando e não tinha um esquema legal para deixá-la. Acabamos contando com a ajuda da vovó e improvisando um pouco a nossa rotina.

Agora, de licença maternidade, eu quero mais é curtir as férias junto com ela. Amanhã cedo viajaremos para Salvador. As meninas vão morar um mês na terrinha. Clarice vai conhecer o mar e a parentada toda. Ciça vai rever o mar e as pessoas. E a mamãe aqui vai tentar relaxar um pouco (tá, eu sei que relaxar com uma criança e um bebê é quase impossível, mas deixa eu sonhar? Grata). Isso inclui acessar menos a internet, blog e redes sociais. De vez em quando, devo postar uma fotinha, uma tiradinha ou outra para contar como andam as férias.

Cumplicidade entre irmãs

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Agora todo dia acordamos assim. A Ciça pede para a Clarice ir para a cama dela e ficam as duas brincando, sorrindo, conversando. A Ciça diz que a irmã gosta de brincar de "Cadê?", porque às vezes ela fica de bruços e enfia a cara no colchão (calma, Dr. Pediatra, isso dura poucos segundos e eu nunca a deixo dormir de bruços, embora ela tente).

Daí hoje de manhã a Ciça falou para ela fazer de novo e ela fez. A Ciça ria e ela fazia mais, parecia que estava entendendo que era aquele gesto que fazia a Ciça rir. Daí a Ciça me chamou para eu ver a cena e ela parou. Me escondi para ela não me ver e ela continuou. Daqui a pouco elas terão diálogos e brincadeiras só delas, me excluirão de muitas coisas - e eu vou achar isso ótimo!

***
A Ciça conta certinho até o catorze, mas tem a maior dificuldade com o quinze. Quando chega lá ela fala: cinco. E continua: dez-e-seis, dez-e-sete, dez-e-oito, dez-e-nove, dez-e-dez. Acho que faz todo o sentido e nunca, nunca corrijo. Ela tem o resto da vida para falar certo, gosto do jeito que ela fala, pois me lembra a formação das palavras em espanhol (dezoito=dieciocho).

Aliás, ela agora deu para chamar iogurte e eugute, que também me lembra espanhol, yogurt (yo=eu).

E, chuif, é com lágrimas nos olhos que eu digo que ela aprendeu a falar pizza. Foi ontem à noite. Adiós, pitchas, e pita, agora você se chama pizza.

Epidemias da vida moderna

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Nascer no Natal, quem diria?, ficou démodé.

Como disse no post anterior, ando sem tempo de elaborar melhor algumas reflexões sobre a maternidade, mas a minha cabeça anda fervilhando com a leitura de alguns livros. Descobri que não era eu que não tinha concentração para ler livros (e por isso só andava lendo revistas e textos avulsos), eram os livros que eu escolhia que não se encaixavam no meu momento atual. Comprei um monte de livros sobre parto, criação de filhos, medicina e psicologia infantil e, voilà, meu lado leitora voraz voltou com força total. Tô devorando tudinho e depois pretendo escrever sobre isso aqui.

Por enquanto, deixo algumas reflexões minhas e gostaria de saber o que vocês acham disso. Classifiquei-as como as epidemias da vida moderna:

- Em dezembro, todos os bebês nascerão, no máximo, até o dia 20. As cesáreas já estão sendo marcadas desde já. Nenhum médico vai ser louco de deixar um bebê nascer a termo no Natal ou Réveillon. Isso não é de hoje, mas a gente vai perceber, daqui a alguns anos, que ninguém mais nascerá nos dias 24, 25 e 31 de dezembro. Nem no dia 1o. de janeiro. Só em casos extremos em que não der para segurar (ou para agendar). E aí a gente ouvirá uma história cheia de aventuras - e talvez um toque de tragicidade, dado pela mãe - do porquê de o bebê ter nascido "inusitadamente" com 40 semanas no Natal.

- Epidemia de desfraldes coletivos. As escolas inventaram isso agora (também não sei se é de agora, mas tenho visto mais recentemente). O argumento é que, comos todos têm mais ou menos a mesma idade, eles vêem os colegas maiores (ou mais espertos, há quem diga assim) indo ao banheiro e se animam. Agora me diz, se cada criança tem o seu tempo e, mesmo numa turma praticamente homogênea, há diferenças de idades, há bebês que não nasceram a termo (com a epidemia anterior, o mais "normal" hoje é nascer antes de 38 semanas), há diferenças de gênero (dizem que meninas desfraldam mais facilmente que meninos), há diferenças de criação, de conduta familiar e de tudo. Isso numa turma de crianças de "mesma idade" e mesma classe social.

Aí se propõe ignorar todas estas diferenças e jogá-las no mesmo saco. A quem isso beneficia? Às crianças, com certeza não. Mais uma vez lembrando que esta é a minha opinião, gostaria de ouvir a de vocês.

- Epidemia de médicos receitando remédios para aumentar a produção de leite da materno. São remédios fortes, para outros males, que têm como efeito colateral o aumento da produção de leite, mas muitos causam dependência e outros efeitos que de bom não têm nada. Sendo que só 5% das mães têm realmente pouca produção de leite. O restante, 95%, só precisa beber muito líquido, descansar e manter a tranquilidade. E talvez precise de ajuda especializada, que pode ser encontrada gratuitamente nos Bancos de Leite.

- Epidemia de médicos receitando leite artificial. Esta é bem antiga e decorre da primeira. Primeiro, faz-se crer que as mães têm leite fraco, que a produção não dá para a demanda. Isso logo no primeiro mês, quando aparecem as maiores dificuldades na amamentação (e este é o momento de procurar Bancos de Leite ou especialistas em lactação, que geralmente não são pediatras, mas enfermeiras). Como os pediatras vivem obcecados com as curvas de peso e altura, se algo sai fora da média, eles receitam logo o leite artificial. Poucos, pouquíssimos, são os que entram nesta batalha junto com a mãe, para encorajá-la e deixá-la seguir seus instintos para alimentar o filho. E pior, poucos são os que encaminham as mães para especialistas e bancos de leite. A maioria acha que pode resolver o problema. E resolve ao seu modo: receitando o leite da lata.

- Epidemia de antibiótico. Esta também é antiga. Mas o que vejo de médico receitando antibiótico para sinusite (a maioria é alérgica), bronquite (idem) e qualquer catarrinho não está no gibi. Isso ocorre principalmnete nos prontos-socorros, em que se quer resolver logo o problema. No Brasil é tudo ao contrário: em vez de colocarem os melhores e mais experientes médicos nas emergências, eles colocam os piores e os residentes - há um grande hospital aqui em Brasília onde só tem R1 (residente do primeiro ano) na emergência pediátrica- nos plantões. E muitas mães preferem levar os filhos às emergências a qualquer probleminha, em vez de ter um médico que acompanhe a criança e cuide de sua saúde preventivamente. O que isso gera? Excesso de antibiótico. E, mais para frente, isso gera as superbatérias que estão infestando os hospitais brasileiros (e matando muita gente). Depois diz-se que hospital é o lugar mais seguro para se ter um bebê... este mundo está de cabeça para baixo mesmo!

E vocês, o que acham disso? Quais outros excessos vocês encontram por aí?

Curtinhas dezembrinas

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
O ano vai acabando e o gás também. As coisas acumuladas ao longo do ano se juntam todas agora, cobrando uma resolução, e ainda temos uma viagem dentro de alguns dias, então estou cheia de coisas para escrever, mas sem tempo. Os posts mais elaborados ficarão para o ano que vem (tenho assuntos ótimos para falar, juro, mas, como requerem elaboração, fica impossível fazer na pressa que estes dias trazem).

Hoje quero falar do dia-a-dia de uma garotinha de 4 meses:

- E ela conseguiu! Depois de ter descoberto o pé, aos 3 meses, e de ter passado os últimos dez dias numa tentativa louca de colocar o pé na boca, ela conseguiu chupar o dedão do pé. Agora eu tenho em casa uma chupadora de dedões das mãos e dos pés, não é fantástico? A foto vai ficar para depois, já que ela consegue a façanha no trocador e eu ainda não consigo assobiar e chupar cana, digo, trocar fralda, fotografar e segurar a danadinha-que-se-remexe-muito para que não caia.

- Ela tem se mexido cada vez mais. Já consegue se arrastar pela cama, num nado a seco - e faz movimentos com os quadris e pernas que lembram o nado borboleta. E ontem, enquanto eu a deixei no berço para escovar os dentes, ela tentou levantar o corpo segurando nas grades do berço. Eu a deixei dentro do segura-neném. Ela se livrou do segura, rolou até perto da grade e tentou se erguer, para ficar sentada. Perigo total, porque fez isso em poucos minutos, o tempo de uma escovada de dentes (sem fio-dental). Será a hora de baixar o estrado?

- E, para terminar (quem não é mãe não leia, pois tem conteúdo escatológico), hoje ela fez uma cena felliniana - orgulho da mamãe, tão novinha e já tão cinematográfica. Explico: ela tem a mania de esconder o rosto entre meus peitos. Não sei os motivos, mas de vez em quando faz isso. Daí hoje ela fez a cena clássica e soltou um golfão. Lá. Mas eu estava com um super sutiã de amamentação que aparou tudo, evitando que o leite coalhado escorresse barriga abaixo. Da importância de se estar preparada.

E o que Fellini tem a ver com isso? Tudo. Porque, desde que ela começou a enfiar a cabeça entre meus peitos, eu me lembro daquela cena de Amarcord, em que ele, o pequeno Fellini, ganha um abraço de uma das mammas da vila e ela lhe espreme entre os peitões. Guardadas todas as devidas proporções - principalmente no que se refere à mamma aqui -, é igualzim.

Para ler ao som de Nino Rota (e sentir o clima do filme), clique aqui.

Bob, o encantador de bebês

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Olha só que fofura. E o melhor é que dá certo. Já testamos com a Clarice e Bob Marley foi aprovadíssimo como sossega-bebê. Agorinha mesmo ela estava irritada, choramingando, mesmo no colo, mesmo no peito. Uma certa tensão pré-soninho rolando, mas nada a fazia relaxar. Bob fez.

Só Bob salva!

Piquenique no quintal

terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Você, amiga mãe, ao ler o título certamente pensou: "Ih, lá vem esta música do Cocoricó pela milésima vez!". Mas, não, hoje o assunto não é Cocoricó, mas o nosso quintal. Moramos em apartamento e não temos um quintal delimitado, mas temos descoberto muitas agradáveis surpresas no nosso quintal ampliado, ou seja, na nossa quadra.

No último fim de semana, estávamos eu, Ciça e Clarice no parquinho da quadra e, na volta pra casa, a diversão foi tirar pitangas do pé, jogando um pedaço de pau para fazer cair as frutas dos galhos mais altos. Pense num momento divertido, com a Ciça compenetradíssima para pegar todas as pitangas que caíam no chão, achando o máximo ter uma supermãe que, mesmo com a irmã no colo, conseguia derrubar as pitangas mais altas. Voltamos para a casa cheias de pitangas vermelhinhas e ela foi correndo, toda orgulhosa, para mostrar para o pai, que estava cozinhando um delicioso almoço. A sobremesa já estava garantida.

Mas nem tudo são flores no nosso quintal expandido. Outro dia, neste mesmo parquinho, a Clarice, muito pequenininha ainda, devia ter um mês, dormia no carrinho, quando ouço um barulho: tum! Era um abacate que acabara de cair (despencar?) de uma árvore a poucos centímetros dela. Gelei, só de imaginar se caísse em cima dela. Desde então, nunca deixo a capota do carrinho aberta. Passado o susto, recolhemos o abacate e o levamos para casa.

E não para por aí, na nossa quadra tem também: mangueiras (muitas e carregadíssimas), jaqueiras (não gosto, mas tem quem adore), amoreiras (amo de paixão!) e também uma árvore que dá um fruto roxo-quase-preto chamado jamelão, mas este eu nunca provei. Diz aí se não dá para fazer um maravilhoso piquenique no quintal?

***
E antes que você ache que isso é privilégio de Brasília, saiba que não é. Todas as grandes cidades têm árvores frutíferas nas ruas. O problema é que as pessoas andam sempre tão apressadas que não param para ver. Em São Paulo, na área central da cidade, tem amoreiras, sabia? E são menos disputadas que as daqui, pois o pessoal simplesmente não sabe da existência destas árvores.

***
E, por falar em piquenique, fiquei com vontade de indicar os melhores lugares para fazer piqueninque em várias cidades do Brasil. Não sei na casa de vocês, mas aqui em casa este é um dos programas preferidos, fazemos até em dias chuvosos, em casa mesmo. Mas na grama, ao ar livre, é sempre melhor, então vou começar com as minhas sugestões de locais (já devidamente testados e aprovados por mim).

Em Brasília:
- Parque da Cidade (tem vários espaços possíveis, na beira do lago e à sombra das árvores; tem água de coco nos arredores, além de pipoca e outras guloseimas)
- Parque Olhos D'Água (agora tem tendas para se proteger da chuva, além do quiosque, e água de coco sendo vendida a poucos metros do gramado)

Em São Paulo:
- Parque da Água Branca (aos sábados tem a feirinha de orgânicos e um café da manhã delicioso, dá para comprar as coisas e ir comer na grama)
- Jardim Botânico (nunca fica lotado, tem trilhas fáceis e um laguinho, uma bela paisagem; tem lanchonete próxima, mas, se quiser comida saudável, leve de casa)
- Praça Buenos Aires (tem um gramadão ótimo para piqueniques e o bairro tem padarias deliciosas, dá para comprar e ir comer lá, como fazem os americanos no Central Park)
- Museu da Casa Brasileira (tem um gramadão maravilhoso atrás, a entrada é franca e todos os domingos pela manhã tem shows gratuitos) - incluí este depois, porque tinha esquecido, mas era dos nossos lugares preferidos em São Paulo.

Em Salvador:
- Parque de Pituaçu (faz muito tempo que não vcou lá e não sei se está legal, mas tem gramado bom para piquenique)

Amigo secreto e as 1001 coincidências

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010


Chegaram! Os presentes das meninas chegaram e arrasaram. Muito obrigada, Arthur, do Viciados em Colo, e Clara, do Tagarelices e Pensamentos, eu não pensaria em presentes tão legais e apropriados para as meninas.

Na sexta, chegou o da Ciça. Um kit super original, de acarajé de pano, com vatapá, camarão e pimenta. As peças vêm separadas para a criança montar. Acompanha lencinho, paninho para segurar o acarajé, panela e colher de pau para mexer. Fofo demais da conta. E a Mari ainda colocou umas cocadinhas bahianinhas para acompanhar. Eu, nascida e criada em Salvador, só faltei morrer de emoção e saudade (e de vontade de traçar um acarajé de verdade).

Além das coincidências de as minhas duas filhas terem tirado Alices (como já falei no post anterior), houve uma intensa troca de presentes Brasília-Salvador. É que a Clarice tirou a Alice, irmã do Arthur. E o mesmo Arthur tirou a Ciça. Todos presenteados e felizes. E me lembrei que, no amigo secreto do ano passado, as mães dos nossos amigos secretos se chamavam Fabi. A mãe do Gustavo, que tirou a Ciça, e a mãe da Laura, que foi quem a Ciça tirou (ela não tem blog). Depois das mães Fabi vieram as filhas Alice. Mas a s coincidências não param por aí.

Outra coincidência é que, na minha infância, em Salvador, eu era vizinha de porta do dono da fábrica das cocadas bahianinhas. Então, ter visto a Ciça receber e adorar um presente que remete tanto às minhas raízes me emocionou.

Daí hoje chegou o presente da Clarice. E outra coincidência: vinha de uma cidade no Paraná onde mora a família do meu avô materno, bisavô das meninas. Quem tirou a Clarice foi a Clara, que é uma fofa e vive dando suas voltinhas na praia em Floripa. E, pelo envelope, descubro que a Clara tem um dos sobrenomes igual ao meu (será que somos parentes? depois que descobri que as meninas são primas da Stella, vai ser demais encontrar mais parentes na blogosfera).

E presente não podia ser mais fofo, eu não conhecia e recomendo para todo mundo que tem bebês em casa: o livro "Os Sons dos Instrumentos Musicais", da coleção Read & Play. Fantástico! Clarice amou, ficou enlouquecida com os sons dos instrumentos, e passou a noite com o livro na boca, agarrando-o e babando-o todo, que é a forma dela de dizer que tem muito apreço por algo (ou alguém).

E promoveu a união das irmãs, já que a Clarice precisava da Ciça para apertar o livro e ouvir os sosns dos instrumentros. Eu fiquei de camarote vendo as irmãs brincando juntas e achei que tivemos muita sortes de termos tido amigos secretos tão legais! Obrigada, , por ter promovido a alegria em nosso lar e no de tanta gente da blogosfera materna. Este ano a Ciça já entendeu melhor o que aconteceu, como foi o amigo secreto, participou ativamente da brincadeira e conta para todo mundo que ela e a Clarice tiraram uma Alice.

Mais uma coincidência, esta de caráter linguístico: Clara, Clarice, Calice e Alice é tudo muito parecido, né, gente? Tutti buona genti!

Gramática e hidráulica by Ciça

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Desde que a Clarice nasceu, um novo mundo se descortinou para a Ciça e ela tem aprendido muitas coisas do universo dos bebês e da maternidade em geral. Aprendeu novos substantivos, novos verbos e seus múltiplos usos. Usa todo este extenso vocabulário em conversas com as suas bonecas e com quem está por perto.

Daí que ontem, depois de ter colocado a Clarice na cama da Ciça de manhã cedo - agora a nova moda é acordar e ficar de preguicinha na cama junto com a irmã -, eu ouço:

- Mamãe, ela vazou!

Quando eu fui olhar, tinha aquele leite coalhado no cantinho da boca da Clarice, que nem estava ligando, pois fica radiante quando é colocada para "dormir" ao lado da irmã. Pois é, golfar agora virou vazar.

Também, para quem vê o tempo inteiro o peito da mãe vazando leite e as fraldas descartáveis (as de pano incrivelmente não vazam!) da irmã vazando cocô, não poderia haver definição melhor para um bebê que golfa.

Amigo secreto - parte 1

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Não, eu ainda não sei quem tirou a Cecília nem a Clarice. Mas, como as amigas secretas delas já receberam os presentes, quero revelar aqui a feliz conicidência. Cadastrei dois e-mails diferentes, um para cada filha, e qual não foi o meu susto ao abrir os dois e-mails no dia 15 e me deparar com o mesmo nome em cada um deles: Alice.

Mas, é claro, eram duas Alices diferentes. A Ciça tirou a Alice que ainda está guardadinha na barriga da mamãe Dani (Alice é a irmãzinha da Nina). Foi o presente mais difícil, confesso, porque, no Brasil, é quase impossível achar coisas legais para bebês na faixa de preço imposta. Para piorar, fui ao shopping mais caro de Brasília (é que é o mais perto da minha casa e eu não dirijo), então foi bem difícil. Não comprei pela internet porque queria eu mesma escolher os dois presentes de perto, ver o material.

E a Clarice, em seu primeiríssimo amigo secreto, tirou a Alice soteropolitana, filha da Mariana (e irmãzona do Arthur). Fui à Livraria Cultura, que eu adoro, e dei de cara com um livro que agradaria muito à Ciça. A Alice tinha feito uma lista de presentes, mas deixou bem claro que gosta de surpresas. Não resisti e comprei um livro do Toy Story (Friends Stick Together), que é interativo e vem com adesivos para que a criança monte a história do jeito que quiser. O livro é importado e só tinha dois na livraria inteira. Comprei um para a Alice e um para a Ciça (mas ela só vai receber o dela no Natal, não contem a ela ainda, psshhhhh).

Agora estamos ansiosas para saber quem tirou as meninas. Aproveito para pedir desculpas ao amigo secreto da Clarice pela demora em responder ao último recado. É que os endereços de Brasília são sui generis e não se adequam aos campos de formulários normais. Eu mandei o endereço e achei que estava ok, mas o amigo secreto (que ainda não sei quem é) me pediu umas confirmações que eu só vi ontem, quando acabou a Conferência (é que, para piorar, cadastrei a Clarice em um e-mail que não abro diariamente).

Acho que agora já está tudo esclarecido e podemos aguardar para ver quem as tirou!

Respeito à mulher e à fisiologia

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
A Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento, promovida pela Rehuna (Rede de Humanização do Parto e Nascimento) acabou ontem e já estou com saudades. Eu fui só para as mesas-redondas e palestras do turno da tarde (e a abertura à noite) para não cansar muito a Clarice nem a sua carregadora - eu mesma.

O encerramento foi uma palestra magnífica com o obstetra francês Michel Odent, diretamente da Inglaterra, onde vive, por teleconferência. Odent (bastante citado no livro "Parto Ativo", de Janet Balaskas) é pioneiro na divulgação do parto humanizado e do parto na água, na década de 70. Autor de vários livros sobre o assunto, lançou recentemente o livro "The Cesarean".

Considerado um dos papas da humanização, Odent discorreu palavras muito simples e sábias sobre o parto nos dias de hoje. E o que achei interessante é que ele não ficou nesta dialética barata de cesárea X parto normal, demonizando a cesárea ou desmerecendo as pessoas que passam por ela. Ao contrário, ele disse que o movimento pela humanização do parto deveria parar de atacar quem faz uma cesárea eletiva e procurar as causas disso.

Segundo ele, médicos e mulheres têm optado pela cesárea principalmente por desconhecimento da fisiologia do corpo e por falta de paciência para deixar que as coisas aconteçam. E, quando não fazem uma cesárea de cara, fazem um parto normal cheio de intervenções (na grande maioria das vezes desncessárias) com o único objetivo de apressar o processo, porque acham que "algo deve ser feito", não conseguem simplesmente parar e aguardar.

Um parto assim é uma violação ao corpo da mulher, à sua fisiologia. Os partos ditos normais há algum tempo são feitos com as mulheres deitadas ou em posições semi-deitadas, imóveis (não podem se mexer porque estão com soro preso no braço), com ocitocina sintética (uma violência), anestesia e episiotomia. O uso de fórceps ou ventosas também é altíssimo, principalmente em primíparas (mulheres que vão parir pela primeira vez). Ou seja, um parto que de normal e fisiológico não tem nada.

Ele disse o que eu sempre achei - e até já escrevi aqui no blog mais de uma vez - só que de uma forma mais elaborada, afinal trabalha com isso há 50 anos. Odent disse que a sociedade atual precisa redescobrir as necessidades básicas da mulher (na hora de parir).

Atualmente, segundo ele, a taxa de mulheres que conseguem parir somente com os chamados hormônios do amor (ou seja, sem ocitocina sintética e nenhuma outra intervenção) está próxima de zero no mundo inteiro, porque, uma vez em que se está num ambiente hospitalar, os médicos e enfermeiros não conseguem não intervir de alguma forma, não sabem apenas amparar a mulher e esperar o tempo que for necessário para que o seu corpo trabalhe.

Ele acha que baixar os níveis de cesárea do jeito que os partos estão acontecendo hoje em dia só vai causar mais traumas de parto nas mulheres que forem submetidas a isso. Segundo ele, deve-se, sim, ir pelo caminho natural fisiológico, do parto sem intervenções médicas desncessárias, para que aí sim as mulheres redescubram o seu corpo e percebam que ele foi feito para parir.

Odent chamou a atenção também para o silêncio. Disse ser importante para a mulher estar num ambiente calmo e silencioso na hora P (coisa pouco comum em hospitais, onde tem um entra e sai de gente). Que muita movimentação externa gera adrenalina, hormônio que se contrapõe diretamente à ocitocina.

Para ele, o objetivo (de humanização do parto) deve ser colocado de forma positiva. Não é atacando a cesárea eletiva e as cesareadas que estaremos defendendo a causa. Mas lutando para que se respeitem as mulheres e o tempo delas.
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