Pyongyang feelings

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Por mais que não sejamos extremamente consumistas, a Ciça (e agora a Clarice) tem pilhas e pilhas de brinquedos, utensílios e acessórios. E volta e meia me pego sem espaço para eles. Atualmente, eles estão espalhados por cinco (!) cômodos diferentes. É claro que eu sempre separo os que estão em desuso para doar, mas agora estou esperando passar o aniversário para fazer isso.

Daí que, quando começou a ver trelevisão em casa (durante as férias, agora voltou aos DVDs), ela começou a pedir uma tal boneca que fala e anda. Claro que estava falando da boneca anunciada sem trégua em todos os intervalos comerciais daquele canal infantil. Bernardo, que odeia este tipo de coisa ainda mais que eu, falou logo:

- Você não vai ganhar nada que passa na televisão, ok?

Ela fez mais algumas poucas tentativas e parou. Daí hoje, do nada, voltou com tudo:

- Mamãe, eu posso ganhar aquela boneca que fala e anda, a barbie sei lá o que e este brinquedo aqui (apontando para um anúncio de um briquedo para bebês em uma revista)?

Nestas horas, juro, tenho vontade de pegar as crias, uma mala e mudar para a URSS ou o país comunista mais distante. Ãh, acabou a URSS? A China comunista já era? Então, qual o horário do próximo voo para Pyongyang?

21 comentários:

  1. Lia disse...:

    É cruel, né? Uma covardia com esses pequenos, massacrados por apelos que contestam a felicidade deles. Eu era feliz, até ver aquele anúncio...
    Por via das dúvidas, lá em casa também não tem revista (por enquanto. Um dia a Mônica chega).

  1. Mãe de Duas disse...:

    Paloma, pelo que vc contou a programação da Tv foi novidade na vida da Cecília assim como os comerciais. E não adianta, né? Criança é muito suscetível a esse apelo. É natural se encantarem com o novo.
    Aqui as meninas assistem tv numa boa e já aconteceu isso - de quererem tudo, principalmente na época do Natal. Eu converso muito com elas sobre a vontade de ter, de consumir, que pessoas sentem isso mas nem por isso vamos sair comprando loucamente.
    Elas já lidam bem com esse sentimento e quando visitamos lojas de brinquedos elas olham, ficam por dentro das novidades e saem sem pedir nada. Sem dramas.

    Você já tentou conversar com ela sobre porque não é legal comprar por comprar?

    Bjs

    Priscilla
    Ps. Obrigada por suas palavras sobre a otite da Lia.

  1. Paloma, a mãe disse...:

    Lia, nem preciso dizer o quão acho cruel a publicidade voltada para crianças, né? Legislação já!

    Pri, eu me dei conta de que eu ainda não sei conversar com ela sobre consumismo, porque nunca tinha ocorrido de forma tão forte. Ela até vai a lojas de brinquedos comigo, mas não fica pedindo (se contenta em brincar na própria loja, não pede para levar pra casa).

    Hoje fiquei meio sem ação, disse que não dava para comprar tudo, que ela já tinha muitos brinquedos e mudei o foco da conversa.

    Mas a verdade é que estou perdidinha neste quesito. Aceito dicas de como abordar o assunto numa próxima conversa (agora que o canal abriu, certamente haverá mais pedidos).

    Beijos

  1. Tathyana disse...:

    É trash mesmo. Alice me pede muito, tudo o que vê na TV. Eu explico o tempo todo que não precisamos ter tudo o que passa na TV. Que custa dinheiro e blá blá blá. E em alguns momentos ignoro os pedidos. O fato é que não dá para criar uma bolha e nos mudar lá pra dentro. E eu nem quero. O que eu faço é ensiná-la a dar valor no que ela tem e que existem muitas coisas que nós, adultos, tmb não temos. Sem grandes dramas.

    Bjs:)

  1. Dany disse...:

    Paloma, eu dizia a Caio que a propaganda tentava enganar as crianças, que era tudo mentira e que eles queriam mesmo que a gente comprasse e comprasse e, com isso, os pais teriam que trabalhar mais e ficar longe dos filhos. Resolveu. Até hj ele me pergunta se aquilo no comercial é verdade...rs

  1. Dione disse...:

    Paloma, aqui em casa não tem tv por assinatura. Também não deixo na tv aberta, Nina assiste aos dvds e alguns desenhos na Cultura, na tv Escola e no Futura. Em setembro nós fomos para a casa de uma tia e ela só assistia "esse" canal. Fiquei chocada com a quantidade de propagandas. Minha filha de 2 anos e meio, que nunca tinha pronunciado a famosa frase "mãe compra" e nem sabia a diferença entre polys, barbies, princesas disney e lálálá ficou enlouquecida. E no natal foi a mesma coisa, pq na minha mãe a tv tb fica ligada direto no canal. Ainda bem que dura pouco, praticamente o tempo que ela está hipnotizada na frente da tv. Mas assusta a rapidez com que eles são fisgados pelo consumo.

  1. Anne disse...:

    entendo a sua dor :( saco, né?
    vc conhece o Clube do Brinquedo?
    tem só em SP por enquanto, mas é um conceito bacana (que serve para mim) de poder brincar, utilizar aquela coisa e depois devolver, para que outros utilizem. um meio termo entre a china e o us....
    heheh
    bjo
    http://clubedobrinquedo.com.br/

  1. Ana disse...:

    Acho que não adianta "esconder" a tv da criança.
    Aqui em casa, adoramos o discovery, o futura, e alguns desenhos antigos do sbt.
    A Sol pedia tudo. Mas com muita conversa ela aprendeu que não vai ganhar e ponto. Antes do natal ela ficou meses pedindo uma boneca caríssima da fisher price e eu mostrei que com aquele dinheiro podiamos comprar uma variedade enorme de brinquedos em lojas mais baratas...ela topou. Claro que gastei bem menos e descobri que nessa idade o tamanho da caixa é mais importante que o que vem dentro, vai por mim...rs.
    E como assim ela nunca vai ganhar nada que vê na televisão?? Nem tudo é lixo. Tem MUITO brinquedo legal e as lojas de brinquedos podem ser um programão pra criança que sabe brincar sem levar nada. A Sol adora.
    Que adulto passou a infância sem ganhar nada que fosse veiculado na tv, revista ou jornal?
    E não fomos menos felizes por isso.
    Acho que o bacana é a criança saber esperar a hora do presente, saber lidar com a propaganda, educada pelos pais.
    É um exercicio diario...como escovar os dentes, vestir-se, colocar a roupa suja no cesto, dobrar o papel higiênico, enfim.

  1. Nossa, super propício esse posto, Paloma! Esta semana mesmo fiquei me questionando sobre como explicar pro Theo que não podemos comprar tudo o que queremos. Mas ele só tem 2 anos... Aliás, ele SÓ TEM 2 ANOS. Eu total achava que esse "eu quero, compra pra mim" só vinha bem depois. Mas que nada... E olha que quase nao assiste TV. E agora começou a dar piti no supermercado, porque não quer pagar as compras. Chega no caixa e começa a choramingar, dizendo que não quer pagar: "Qué di gaça (graça)." Pode?!
    bjo

  1. Renata disse...:

    Ë um absurdo mesmo o bombardeio de comerciais desse canal. O André tb parou de assistir há um tempão e agora fica só nos DVDs tb. E acho que pra meninas, é pior...são mais produtos, mais bonecas, mais cor-de-rosa...eca!!!
    Aqui em casa eu iniciei o papo com o André, disse que ele tem um monte de brinquedos e que não é legal ficar pedindo as coisas toda hora, que ele tem que ficar feliz pelas coisas que ele já tem.
    E cortei presentes fora de hora, agora é só aniversário e natal. E isso ele já aprendeu, então não tem o costume de pedir nada.
    Só que ele ainda é pequeno, acho que conforme vão crescendo, os pedidos começam a aparecer um pouco mais...
    Enfim, to tentando....rs!
    beijos, Re

  1. liz disse...:

    Paloma, sempre que posso acompanho seu blog. Estou me preparando para engravidar daqui a 3 anos. Por enquanto ando aprendendo com você e outras mães que achei nos blogs.
    Eu, apesar de não ser mãe, penso que o melhor caminho é o diálogo.
    Eu sei que você vai encontrar um caminho. Estarei no aguardo para aprender com você, querida.
    Um beijo

  1. Acabei de me lembrar de uma coisa que talvez te faça mudar de ideia sobre Pyongyang... hihihi!

    As crianças que conheci em Cuba eram as mais consumistas que já vi na vida. SÓ pensavam em ter, em comprar, em tênis, em celular... Enfim. Essa foi a impressão que eu trouxe de lá.

    Mas acho que Cuba na verdade não conta mais, né? ;)

    bjins,

    Mari

  1. Paloma,

    Ai nao tem aquele canal Nick Jr?
    Nao passa comercial. Eh o unico que a Nina assiste.
    Ela só tem 3 anos, mas até hj nunca me pediu pra comprar na (só pirulito).
    bjos

  1. Thaís Rosa disse...:

    flor, até que ela demorou pra começar a pedir. Caio nem assiste tv (não temos a cabo, e aberta, no way), mas só de ver, por exemplo, mochilas e camisetas dos amiguinhos, já conhece os personagens, e quando vê algum produto com os ditos cujos, é pedido na certa. Começou recentemente, e tem sido um tema difícil aqui em casa, ainda não sei bem como lidar, andei comentando nos posts da taís vinha sobre o assunto.
    FODA.
    Mas, como ela já tá maiorzinha, com a base que vocês dão, e essa paciência de conversar, explicar, ela logo desencana. Mas é isso, sempre vai ter aquela amiga que tem A boneca do momento, os apelos estão em toda parte. Temos que ir criando nossas estratégias pra amenizar a influência de tudo isso sobre a criança, mas, em alguns momentos, será inevitável ceder, como, de resto, em tudo quando se trata de crianças, né não?
    (nossa, e fiquei surpresa com o comentário sobre cuba, eu ia até te sugerir ir pra lá - rs - passei a lua de mel lá e a coisa era bem outra... 10 anos fazem uma grande diferença no mundo de hoje, MEDA!!!)
    beijo grande

  1. Renata disse...:

    Deveria ter lei pra limitar os comerciais direcionados às crianças. É covardia se aproveitar da inocência delas pra vender desenfreadamente. Acho que uma boa estratégia (que só deve funcionar com crianças mais velhas) é dar uma pequena mesada e estipular que o binquedo tem que ser comprado com o esse dinheiro. Aí dá pra ter uma noção de quanto tempo leva pra juntar, e que o brinquedo é caro e etc.
    Eu ainda não cheguei nessa fase mas tô só esperando e pensando no que fazer quando for minha vez...
    Beijos!

  1. Carol Garcia disse...:

    complicado.
    estamos cercados!
    é anúncio pra tudo quanto é lado.
    eles aprendem o verbo querer num segundo com tanto estímulo.
    estamos com uma seleção imensa de dvds em casa pra fugir dos minutos comerciais.
    bjo

  1. Maria Tereza disse...:

    Paloma, nem se estresse que são tantas as propagandas de brinquedos deste canal que a criança pede tudo, mas não quer nada. Assim, depois de 5 minutos nem se lembra mais do último pedido!!!
    Aqui, eu ensinei a diferenciar os desenhos legais dos chatos. Pois isolá-las do "mundo" não dá!!!

  1. Nine disse...:

    Ai...ainda não cheguei nessa fase, mas juro que tenho pesadelos sobre o dia em que minha filha vai me pedir uma pia de lavar louça, para se divertir como a mamãe (?), ou uma tábua de passar, ou uma cozinha de brinquedo, ou um bebê que chora, faz xixi, coco e o escambal...

    Beijos e sorte!
    Nine

  1. Aqui em casa Carol começou a saber pedir agora, no alto de seus 4 anos. As vezs ela ve na tv, as vezes em alguma loja. Não sou radical nesse assunto, mas acho importante que a tenha o desejo real e não apenas ter por ter. Aqui não tem dia das crianças, mas no Halloween os pais compram brinquedos para as crianças e na Páscoa eles ganham uma cesta com besteirinhas. Não acho que isso torne ninguém consumista ao extremo se houver, claro, uma dosagem. Carol assiste muito dvd pq é uma forma de selecionarmos o que ela pode ver e o que não queremos, não apenas pelos comerciais, mas também pq achamos que tem muito desenho inadequado. Qdo ela assiste tv é o canal da Nick Jr. Ele não tem este tipo de propaganda. Os comerciais entre um desenho e outro fala de música, dança, trabalhos manuais...Qdo o Bernardo esteve aqui, conversamos sobre isso e acho que ele chegou a ver este canal. Se tiver aí, vale a pena, Paloma. Beijos!

  1. Isadora Andrade disse...:

    Pal! Acabei de ler vários posts seus. Estava desatualizada... vc já viu o doc "Criança, a Alma do Negócio"? Exibimos no Futura. É muito bom. Deve ter no You Tube. Dá uma olhada. Aqui em casa tenho minhas receitinhas:
    1) Trazer "de presente" coisas interessantes que não seja brinquedo como: uma penca de bananas (que a Bê ama), um kg de argila pra gente fazer escultura, convites para o teatro etc
    2) Tento distraí-la na hora dos comerciais (Discovery Kids eles adoram nao tem jeito);
    3) Invisto em brinquedos sociais, que ela possa levar pro parque e dividir com as amigas como quebra-cabeças, mini-boliche, corda de pular etc
    5) NUNCA compro nada de comida que tenha personagem associado. Aquele Mc Lanche Feliz que ganha brinquedinhos JAMAIS! Acho muuuita sacanagem associar qq tipo de fast food à personagens.

  1. Neda disse...:

    Eis um problema que Cabo Verde ajudou a resolver. Lá praticamente não tinha nada do que aparecia na TV, quando tinha era pouco e quem não tinha conexão com as sacoleiras locais nem ficava sabendo. Assim, o filho pedia e diziamos, não dá, aqui não tem e pronto. Aos poucos ele parou de pedir o que via na TV e passou a desejar aquilo que via as outras crianças brincando no prédio e foi assim que começaram as "trocas" de brinquedo. Guilherme emprestava um brinquedo e recebia um emprestado em troca, quando um dois dois envolvidos queria o seu brinquedo de volta o negócio era desfeito. Aqui ele vê e pede (muito pouco), a gente explica que presente só numa ocasião especial. Quando saímos a mesma coisa, ele vê e pede e a gente diz que não é dia de presente. Nem sempre é bonito, rola escandalo, mas tem funcionado.
    Bjs

Related Posts with Thumbnails