Das minhas escolhas ruins - e dos aprendizados (parte 3)

quarta-feira, 4 de maio de 2011
Escrevendo sobre os meus erros do passado, eu percebo que esta lista poderia ser imensa, afinal, qual mãe não erra? Eu errei e muito, como tenho mostrado aqui, em relação ao parto, à amamentação e a outras coisas.

Apesar disso, não fui uma péssima mãe ou "menos mãe" (detesto esta expressão, mas ela foi utilizada nos comentários) para a Ciça. Acho só que, como primogênita de uma mãe que não convivia com outras mães durante a gestação nem conhecia a blogosfera materna, ela passou por algumas situações que não foram as melhores, mas era o que eu podia fazer à época.

O fato de morar longe dos meus pais e da minha família, de ter que lidar sozinha com muitas situações, de confiar quase que cegamente nos médicos e livros tradicionais (A Vida do Bebê, A Encantadora de Bebês, Nana Nenê, O que Esperar Quando Você Está Esperando e muitos outros) me fizeram muitas vezes agir de forma antinatural.

Percebi que, em comum, a maioria destes erros aqui citados tem o fato de eu querer estar sempre no comando de tudo e de querer adequar a minha filha às minhas vontades e necessidades e não o contrário. Não que eu tenha inventado isso, eu agi assim porque o senso comum da época (parece que faz muito tempo, mas foi em 2007 que a Ciça nasceu) era este e eu queria resultados rápidos.

Tenho certeza de que muitas vezes agi contra os meus instintos. Mas os médicos diziam, mas os mais velhos falavam, mas a vizinha tinha uma cunhada que era prima da amiga do padeiro que contava que era assim que se fazia, mas as mais experientes tinham certeza. E eu? Quem era eu no meio de tantas certezas e de tantas lógicas que, em comum, tinham
uma fórmula mágica para treinar o bebê para alguma coisa.

E quem disse que fórmulas mágicas funcionam com crianças?

Bom, mas agora é hora de falar da minha terceira escolha equivocada, a de antecipar o desfralde da Ciça. Claro que há outras, mas considero estas três as mais importantes e que mais influenciaram negativamente as nossas vidas. É claro que aprendi com estes erros e é por isso que eu humildemente os compartilho com vocês, porque acho que todo aprendizado deve ser compartilhado e, se pudermos formar uma rede de solidariedade materna, tanto melhor.

3 - Ter antecipado o desfralde

Prestes a completar dois anos, a Ciça era super articulada. Tanto no desenvolvimento físico quando intelectual. Eu achava a minha filha um gênio - quem não acha? Ficava impressionada com a quantidade de palavras que ela falava, com as primeiras frases. Realmente, ela teve um desenvolvimento da fala muito bom, o que é comum em meninas. E isso, aliado ao verão que estava rolando, me fez decidir pelo desfralde, sem que, na verdade, ela tenha dado sinais de que estava pronta.

Ela tinha 1 ano e 10 meses em janeiro de 2009. Esperei completar 1 ano e 11, no final do mês, para começar o desfralde. Ela teoricamente já sabia o que eram xixi e cocô, esporadicamente avisava quando ia fazer cocô, mas a verdade é que ela era um reloginho e fazia sempre na mesma hora, depois da mamadeira da manhã, então era muito fácil prever.

Na minha cabeça - e nos livros que eu lia, incluindo a chata da Encantadora de bebês -, quanto antes se desfralda melhor. Melhor pra quem, né?

Aproveitei o verão, comprei um penico, várias calcinhas fofas, renovei o estoque de panos de chão e dei início ao processo Com a minha ansiedade e o que tinha lido à época, esperei por resultados rápidos, acreditava que, esperta como ela era, bastava explicar algumas vezes e logo aconteceria. Santas ignorância, arrogância e prepotência da minha parte!

Ela não estava interessada em largar as fraldas e nem eu tive jogo de cintura suficiente para perceber que aquele não era o momento, regredir e depois tentar novamente Não, porque eu tinha lido (ah, os livros ruins) que, uma vez que se inicia o processo, não se volta atrás para não confundir a criança.

E eu comecei a ficar tensa, irritada (por ter de limpar tanto xixi e por escorregar neles a toda hora) e, o pior, a pressioná-la a acertar. Porque era difícil para mim aceitar que, mesmo sendo tão inteligente, ela não estava a fim de colaborar. E, com a minha tensão, eu a deixei tensa também e quase coloquei tudo a perder.

Na escola, ela começou a responder bem ao desfralde, mas em casa não. Por que será, né? Eu sei que em duas semanas ela passou a fazer xixi no penico, sem problemas. Tirando o meu comportamento vergonhoso (sim, sinto vergonha do que fiz com ela), não foi tão traumático assim. Mas o cocô foi uma novela mexicana de centenas de capítulos.

Aliado à mudança a Brasília, este problema foi o nosso maior desafio em 2009. E só foi resolvido com calma (depois de alguns surtos), paciência, tranquilidade e apoio do pediatra e da nutricionista da escola. Mas ela sofreu muito, porque desenvolveu uma prisão de ventre psicológica. Tinha tanta dificuldade de fazer cocô que chegava a prender por 5 dias. Acho que chegou até a uma semana.

Usamos supositório (com indicação médica, mas hoje sei que não é indicado) e fosfoenema (a indicação é controversa, mas acho melhor que supositório porque não causa dor à criança na hora em que o cocô sai) para aliviar o intestino nos momentos mais críticos.

Passávamos horas e hora no banheiro e cada cocô era um troféu, mesmo que fosse na calcinha. A certa altura, o importante era fazer, não importava mais onde. E foi justamente quando deixamos de nos importar que aconteceu. Em novembro/ dezembro de 2009, dez meses depois, ela começou a fazer cocô na privada ou no penico e a parar de prendê-lo ou de sofrer no momento da evacuação.

A mudança na alimentação ajudou, é claro, pois incluímos mais grãos integrais, fibras e azeite nas refeições, mas, como a prisão de ventre era psicológica, o que fez a diferença mesmo foi a nossa mudança de postura. Paramos de cobrar idas ao banheiro, passamos a valorizar cada pequeno acerto e mesmo cada retrocesso como parte do percurso que teríamos de percorrer juntos, nós três.

O que eu faria diferente?
- Não teria começado a desfraldar antes dos 2 anos e meio
(eu sei que não há idade correta para isso, mas hoje considero este o prazo mínimo para quem usa fraldas descartáveis e não costuma ter contato com seus excrementos)
- Teria observado melhor suas reações
- Teria nos permitido voltar atrás quantas vezes fossem necessárias
- Teria admitido que, mais que ela, EU não estava pronta para iniciar o processo naquele verão (eu não tinha empregada, limpava os xixis e me irritava com isso, não estava preparada em vários sentidos).
- Não teria me deixado influenciar tanto por estes livros e suas teorias que iam contra os meus instintos
- Teria deixado de ser tão racional e escutado meus instintos e sentimentos - e os da Ciça também
- Não teria dado ouvidos às pessoas que comentavam que antigamente se desfraldava com 1 ano, que antigamente isso e aquilo
- Não teria dado ouvidos a quem me dizia que criança "grande" usando fraldas é feio

E por ora acabou a série das escolhas equivocadas. Só quero deixar claro que eu sou muito feliz e muito grata pelas filhas que tenho e pela nossa história - que é só nossa e é repleta de momentos lindos e prazerosos -,mas é claro que eu a vejo com uma visão crítica e, aos olhos da Paloma de hoje, ela seria reescrita, sim.

Mas, como não posso fazê-lo, deixo aqui o meu depoimento para, quem sabe, ajudar alguém que esteja passando por situações semelhantes e não se sinta forte o suficiente para lutar contra o sistema e o senso comum. Se eu puder encorajar uma única pessoa a tentar, já me sentirei feliz.

E agradeço muito às minhas leitoras que me escrevem para contar que, após ler algum post deste gênero aqui no blog, se encorajou para um parto natrural, adotou a livre demanda ou qualquer coisa que certamente contribuirá para a felicidade materno-infantil.

E, não é para me gabar não, mas já ajudei muita gente a conseguir parto normal ou VBAC. Gente que me escreve desesperada, de diferentes Estados brasileiros e até do exterior, em diferentes estágios da gravidez ou da maternidade, e que eu ouço e ajudo como posso, pois me sinto na obrigação de ajudar ao menos com o relato da minha experiência e os meus contatos, que vêm de uma rede solidária de mulheres que assumiram o protagonismo de seus partos e de suas vidas.

Desconfio que maternidade ativa seja isso também. E vocês, o que acham?

38 comentários:

  1. Lu disse...:

    Oi Paloma
    Hoje vc tocou num assunto que estou passando aqui em casa: o desfralde. Eu escrevi no blog que a Mariana começou a fazer cocô no banheiro com 6 meses de idade. Ela não fazia na fralda de jeito nenhum. Assim foi até 1 ano de idade. Depois de 1 ano ela começou a se recusar a usar a privada. Tentei várias alternativas e agora sabe o que ela faz para evitar que eu a leve no banheiro? Se esconde. Se ela sumiu pode saber que está fazendo cocô.
    Enfim, morro de medo de ter colocado um trauma na cabeça dela e não tenho forçado nem xixi nem cocô.
    Seu post me deu fortes indicações de que devo esperar um pouco mais.
    Adorei a série.
    Tenho certeza de que vc é uma super mãe, não só da Ciça como da Cali tb.
    Bjs
    Lu

  1. Tathyana disse...:

    Eu sinto orgulho da blogsfera materna. Porque foi aqui que me encontrei como mãe e pude aprender a ser uma mãe melhor. E aprendo todos os dias. É estranho, mas eu não vejo as discussões que rolam aqui na net, rolarem em outras esferas da minha vida. Parece que no ao vivo, tudo rola no automático e as pessoas não param para avaliar e reavaliar as escolhas.
    Errar e acertar faz parte do nosso papel de mãe, somos seres humanos em constante contrução. E é muito reconfortante posts como esse para saber que não estamos sozinhas.

    Bjs

  1. Carol P disse...:

    Adorei seu post, e ontem mesmo li sobre o assunto.
    Comprei um super penico para a C e deixei lah no banheiro para ela ir se acostumando, nao estou forcando so quero q ela saiba para q server. O verao comeca por aqui e estamos pensando em comecar o desfralde, mas nao sei se ela esta pronta ainda, apesar de dizer coco e pedir para trocar. Enfim vamos aos poucos, e vou lembrar de seus comentarios. Obrigada por compartilhar aqui.
    Bj Carol P
    www.motherlovedatabase.com

  1. Flavia disse...:

    E a gente aprende assim... muitas vezes apartir dos nossos proprios erros.

    Mas isso não impede de fazer melhor em uma proxima oportunidade... e melhor ainda: Compartilhar a experiencia a ajudar a outras pessoas, que tem o interesse de fazer melhor, a encontrar o proprio caminho.

    beijao

  1. Com certeza Paloma! Sabe o que é maternidade ativa pra mim? É seguir os meus instintos, respeitando-os, e aprender com os meus erros e acertos. Não há um padrão, um caminho único. Há vários, que muitas vezes se misturam. Você pega um pouquinho ali, um pouquinho aqui e vai fazendo sua própria fórmula, que inevitavelmente, sofre as ingerências de sua experiência pessoal, do seu modo de levar a vida, da forma como vc enxerga cada obstáculo.

    Se tudo o que a gente passa nos servir para amadurecer e melhorar a qualidade de vida dos nossos filhos, tá valendo, né?

    Bjos querida e parabéns por essa série de posts maravilhosos que, com certeza, nos ajudaram a refletir sobre o que somos, o que fazemos e em que podemos melhorar!

  1. Sofia disse...:

    Olá Paloma
    Como eu admirei, li e devorei os teus últimos 3 post... fantásticos

    A blogsfera pode mesmo se tornar num serviço publico essencial e tu mostraste bem isso nestes teus post estou certa que vão ajudar muitas mães... a mim vai certamente, quanto ao desfralde vou estar mais alerta certamente.
    Nenhuma de nós é mãe perfeita, somos humanas né? mas tu és certamente a mãe super dedicada e consciente e isso sim vale tudo
    beijo

  1. Neda disse...:

    Tudo nesta vida se aprende na base dos erros e dos acertos. Aqui em casa o processo não foi fácil, tivemos várias recaídas, várias buscas por fraldas compatíveis com a idade. Erramos e acertamos.
    Bjs

  1. Chave de ouro hein Paloma!!
    Desfralde é outro passo importante dos filhotes. Comecei desfralde quando a Béatrie tinha 1 ano e 4 meses, mais ou menos. Aproveitei o sol, calor e, honestamente, gostaria muito que ela circulasse a vontade, nua mesmo, para sentir o sol, calor, ja que havia passado a maior parte do tempo toda coberta, agasalhada.

    Ela assimilou bem o processo e fez xixis e cocôs no penico e vaso. Achei que foi super bem para um primeiro contato. O frio chegou novamente e voltamos às fraldas. Mesmo assim, continuamos a ler livrinhos que falam de desfralde e muitas vezes ela fez o primeiro xixi no vaso com adaptador. Estou me preparando para o desfralde neste verão, pois acredito que ela amadureceu nesse tempo de intervalo. Hoje mesmo ficou a manha toda sem fralda e fez as suas necessidades no vaso. E ela tem dado sinais de que compreende bem o processo ao procurar um lugar reservado (escolheu atras da cortina!) para fazer o numero 2 e quando estamos por perto, ela da tchau, pois quer tranquilidade.

    Uma coisa é certa. Tem que ter muita paciência. O processo ira em frente se ela assimilar. Aprendi a entrar em sintonia com os horarios dela. E hoje eu entendo, assimilo e até sinto quando esta na hora de ela fazer as necessidades. Acho que a primeira tentativa de desfralde serviu para eu entender o ritmo da Béatrice.

    E acho que a chave da questão é entender que tudo tem o seu tempo.

    beijos

  1. Tchella disse...:

    Eu sou prova viva, a mim tu ajudou demais. Fez por mim, falou p mim coisas q eu nao tinha ngm no "mundo real" q pudesse fazer. Qdo disse q o nene era grande demais e a medica qria fazer cesarea e eu estava arrasada, tu me acolheu, respondeu todas minhas duvisas sobre ovque eram ou nao motivos reais p uma cesarea. Foste de grande importancia p eu seguir peitando as medicas e exigindo meu parto normal sem anestesia, dele que depois eu soube tinha mais de quatro fofos kilos. Foi a decisao mais importante, mais sabia e mais acertada que ja tomei, e para ela contei MUITO c tua ajuda. Meu sincero, obrigada. :)

  1. mperri disse...:

    Me motivou num post... lá no maeterna!
    beijos,
    Mariana

  1. Natália disse...:

    Com certeza Paloma, maternidade ativa é tbm isso, essa corrente do bem, de solidariedade, algo tão precioso q está aqui "à um clique" de distância e q pode transformar vidas, de verdade!
    Acho tudo isso mto maravilhoso, vc com certeza é uma das minhas "musas inspiradoras" da maternidade, te acompanho quietinha pq ainda nem engravidei mas estou sempre aqui "absorvendo" e aprendendo mto mto mto sobre todo esse universo materno q eu amo. E, sinceramente, me sinto privilegiada por já ter tanta informação d qualidade, já poder estar com todas as minhas convicções do maternar consciente antes mesmo de engravidar! Tenho certeza de q esse "crédito" só me trará grandes benefícios quando chegar a minha hora e me ajudará mto a escapar de toda essa "indústria/sistema" do senso comum.
    Enfim, tudo isso só pra dizer que sou sua "fã", acompanho sempre e admiro mto esse seu modo doce, terno e comprometido de maternar. E dizer tbm q vc já me ajudou e ajuda muuuuuito na formação dessa futura mãe... Um grande beijo e sorry pelo big comment.

  1. Sarah disse...:

    Não desconfio, tenho certeza! Reavaliar nossas decisões, questioná-las e revê-las com outros olhos só contribui para uma maternidade cada vez mais consciente e humanizada.
    Acho que muita (se não toda) mãe de primeira viagem passa pelas dúvidas e inseguranças que vc mencionou. E é aí que as influências erradas mais ganham força, infelizmente. Quando estamos perdidas e fragilizadas.
    Lendo seu relato, lembrei imediatamente da minha sobrinha, hoje com 6 anos. Minha cunhada foi mãe solteira, ou seja, a criança nasceu e cresce até hoje com grande influência da minha sogra. O que quer dizer que cresce baseada no que funcionou quando ela teve seus filhos. A menina foi desfraldada com 1 ano e, com 1 ano e 1 mês, já dormia sem fralda noturna. Ela me contou isso para comprovar que Bento já estava ficando "atrasado" por ainda usar fralda (ele estava com 1 ano e 8, mais ou menos). Eu disse que ele ainda não dava sinais de desfralde, que ia esperar o tempo dele, como aconteceu para ele engatinhar e andar (andou com 1 ano e 1 mês, o que ela também achou "tarde"). E ela me respondeu que andar, toda criança anda um dia, mas tirar a fralda a gente tem que ensinar, ou não aprendem. Terminei a conversa aí. Ah, e minha sobrinha infelizmente também sofreu bastante com prisão de ventre.
    Tive sorte de já conhecer a blogosfera quando essa etapa se iniciou por aqui. Percebi alguns sinais de interesse do Bento, tentei, não deu resultado, parei. Suspendi na nossa mudança de casa, retomo agora unicamente porque ele demonstrou interesse de novo (com a ótima ajuda dos livros infantis, aliás). Ele fez o primeiro xixi no penico esses dias, e dois dias depois fez cocô na roupa, que escorreu pelas perninhas e carimbou o chão da sala (ainda bem que não tenho tapetes!). Se eu tivesse reagido negativamente, com repreensão, tenho certeza que só regrediria o processo. Sem dar grande atenção ao acidente, mostrei a ele o penico, coloquei o cocô lá dentro, depois jogamos no vaso e fomos para o banho.
    Até hoje considero essa etapa que estamos como um pré-desfralde. É difícil, não tenho dúvidas. Principalmente quando estamos cansadas de repetir, levar no penico, limpar chão e roupa. Mas como tudo na maternidade, exige paciência, dedicação, e o mais importante: esperar o tempo da criança.
    beijo
    Sarah
    http://maedobento.blogspot.com/

    PS: estou na fila das que querem tua ajuda sobre o VBAC! Estou lendo o site do GAMA de cabo a rabo e vou marcar uma visita. Se puder conversar mais, meu email é sarahmoura@hotmail.com

  1. piscardeolhos disse...:

    Querida, parabens pela serie - ando meio afastada do mundo blogosferico, mas li e adorei a serie das escolhas ruins. Como nao se identidicar? E como nao aplaudir?!
    Quanto ao desfralde, vc viu que ele me pediu para ser desfraldado, nao e verdade? Se eu te disser que tivemos ZERO acidente e ZERO trauma, vc acredita? Parecia que o rapaz tinha vindo ao mundo de cuequitas...o que prova que sua teoria esta certissima: respeitar o tempo deles (e o nosso) eh essencial.
    Beijos!

  1. Nine disse...:

    Eu concordo e aplaudo esses seus textos maravilhosos!

    Eu acho que é por isso que nós mães acabamos gostando tanto dos blogs que criamos ou que acompanhamos, porque aqui a gente pode entrar em contato com pessoas que nos ajudam e que tem vontade de mudar.

    Já na vida real...tão mais difícil!
    Uma amiga minha está grávida e o pouco que conversei com ela já me senti uma ET por pensar e repensar a maternidade como tenho feito desde que comecei a acompanhar os blogs.

    Minha filha fez 2 anos e já recebo perguntas do tipo "ela AINDA usa fraldas?" Acho um saco, mas minha cara de paisagem ainda está funcionado...

    Beijos para vcs!
    Nine

  1. Patricia disse...:

    Muito bom, penso igual.
    bjs

  1. Nave Mamãe disse...:

    Bom, tu sabes da minha admiração pelo teu blog e tudo o que compartilhas nele. Acho que auxilias muito as novas mães que se dispõem a encarar a maternagem como um processo natural e instintivo (e não tão cheia de regras e de "tem de" isso e "tem de" aquilo)!

    Ainda não passei pelo desfralde, mas vou esperar o tempo dele. O brabo é ter de conviver com tanto pitaco e censura.

    Já ouvi coisas do tipo "tu queres amamentar até os 2 anos? Vai ficar dependente".

    Santa Ignorância!

  1. Fátima disse...:

    Obrigada por compartilhar um tanto da sua vida e nos ajudar de alguma forma. Frederico tem apenas um mês, ainda estamos aprendendo muito um com o outro e já sei que errei em muitas coisas. Mas sempre erramos na tentativa de acertar.
    E como você disse, é revendo esses erros que aprendemos e podemos seguir em frente como uma pessoa um pouquinho melhor!

    Beijos!!!!

  1. Sandra Hellen disse...:

    Já disse que admiro tua humildade em admitir os erros e partilhar conosco, né? Talvez por pensar tão similar com tuas idéias acho tão empolgante teus post... ainda estou longe do processo de desfralde, e na verdade ainda nem pensei nisso, mas já ficou a dica de como NÃO fazer... obrigada!!!

    Bjus

  1. Cíntia Anira disse...:

    Eu ligo prá Paloma mesmo! e chorando! O papo da amamentacao me tocou profundamente. Obrigada por compartilhar conosco sua experiência de forma tão humilde e transparente.

    Quanto a desfralde, Beatriz já tem um ano e eu nem penso nisso. Treinamento? Nossa casa não é quartel! bj

  1. Carolina Pombo disse...:

    Oi Paloma! Muito boa essa iniciativa de ralatar suas experiência assim. Com certeza, ajuda muita gente. Essa questão do desfralde estressa muita mãe, com certeza! rsrs Eu aprendi aqui com a Laura que a melhor coisa é a comunicação, a conversa, e entender o tempo dela. Eu não acredito que a gente tenha que esperar a criança verbalizar a vontade de desfraldar, não. Acho que o desfralde é um processo de mão dupla, faz parte da socialização também. Mas, forçar a barra num momento ruim para a criança só estressa mais. Por outro lado, estou aprendendo que o assunto "cocô" e "xixi" só viram tabus por causa de nossa ansiedade. Não é por causa da idade não, é por que não sabemos fazer as coisa de forma gradual, vamos logo radicalizando. Laura aqui começou com 1 ano e 8 meses, e isso não a fez mal de forma alguma. Ainda está no processo de fazer o cocô no vaso, mas isso pra mim é normal e faz parte do tempo dela. Minha terapeuta me ajudou a entender que a relação da criança com suas próprias fezes tem a ver com o medo de perder-se, dentre outras variantes do tema... Por isso, com calma, chegamos lá. Na maternidade, acho que o processo é mais importante que o resultado, né?!

    Beijocas

  1. Carol, deixou as fraldas tarde se compararmos com as crianças no Brasil. Aqui nos EUA o desfralde começa com 2 anos e muitos, normalmente. O xixi foi tranquilíssimo. Qdo começaram as aulas dela em Set. de 2009, (ela tinha acabado de fazer 3 anos no mesmo mês) a mandei pra escola de calcinha e avisei a professora. Em casa já estava falando que ela deveria fazer o xixi no vaso e tal, mas não havia treinado nada, só conversei mesmo. A semana passou e a professora disse que ela estava pedindo para ir ao banheiro. Fiquei surpresa de nunca ter havido acidentes com o xixi, nem na escola e nem em casa. Mas o coco, ela costuma fazer depois do almoço, portanto, já estava em casa e aí sim foi um suplício pra mim. Pq diferentemente do xixi, ela sempre fazia o coco na calcinha e depois vinha me avisar com a cara mais lavada do mundo...rs. Agora eu acho graça, mas na época queria morrer. Procurei ajuda em blogs, li, pedi a opinião de amigas, minha mãe, sogra, conversei com ela mil vezes e nada. E assim foi por 2 meses. Até que numa consulta de rotina comentei com a pediatra e ela disse para eu esquecer isso, que a minha ansiedade estava atrapalhando o processo. E que eu deveria agir como na vez do xixi, simplesmente conversar e arriscar. Uma semana depois Carol me chamou do banheiro toda feliz. Qdo cheguei ela tinha feito o coco sozinha no vaso. Acho que muitos dos problemas com nossos filhos, normalmente, está em nós! Beijos.

  1. Quem será que me incentivou a querer praticar a livre demanda num próximo filho? Vc, claro! Beijos!

  1. Carolina disse...:

    Paloma, a minha filha caçula tem a idade da Ciça e sabe que desde a primeira (que tive com dezesseis anos) nunca consegui agir fora do meu instinto. Adotei a livre demanda sem nem saber o que era isso, dei colo sempre sempre e sempre, e compartilho a cama com a mais nova até hoje porque a mais velha mesmo já quer o espaço dela e deu seu grito de independência aos 6 anos. Mas o engraçado disso tudo é que eu fazia e me sentia culpada, me sentia a pior das mães como se tivesse fazendo mal às minhas filhas, porque era o que os outros diziam e, segundo eles, eu fazia tudo ao contrário do certo. A mommysfera me serviu pra isso, mesmo só como leitora, com teu blog e outros tantos senti um tremendo alívio de saber que não sou a única a pensar assim e, o melhor, passei a ser uma mãe muito mais segura das minhas escolhas! Algumas coisa eu fazia por instinto como falei, outras passei a ver com outros olhos e mudei minha postura em relação á muita coisa como a palmada e a alimentação, por exemplo. Hoje indico esses blogs às minhas amigas mães de primeira viagem pra que façam escolhas conscientes. Saber o que a gente está fazendo e o propósito daquilo torna o processo muito mais leve. Um beijão nas meninas!

  1. Anônimo disse...:

    Amiga querida,

    Foi emocionante ler esses últimos posts. Tenho cada dia mais admiração e orgulho, por te-la "perto" de mim...

    Beijo enorme,

    Simone & Bia

  1. Camila disse...:

    Paloma!!!

    Fiquei uns dias afastadas da Internet porque, depois de quase 2 anos em Montreal, finalmente consegui passar uns dias em Salvador. Foi muito rápido, mas muito intenso e muito revigorante.

    Aí volto pra te ler e me deparo com 3 posts maravilhosos! Obrigada por compartilhar essas experiências nem sempre tão fáceis e parabéns pelo olhar crítico sobre si mesma e pela reviravolta!!

    Se já era assídua no seu blog, agora é que serei ainda mais. Estou grávida de 13 semanas e FELIZ DA VIDA. =)))))

    Beijo enorme e tudo de bom pra você!!!!

  1. Sheila Minatti disse...:

    Querida, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada mesmo. Super apoio desfralde por aqui, e somdo a isso aqui em casa esta rolando a pressão externa qnt a chupeta (ela esta com 2a e 3mses) - lucidez, instinto, tá certo - obrigada de novo!!!
    beijocas em voces!!

  1. ... disse...:

    Paloma, lembro de ter visto tuas postagens na partonosso e ter ficado torcendo pra ficha cair, e parece que caiu!
    Adorei ler os três últimos textos e me identifiquei bastante com muita coisa aí. Ando numas de tentar entender oq aconteceu com o meu não-parto e post reflexivos como o teu me insipiram muito a fazer as coisas diferente.
    Nessa época de pós-parto (que eu tb passei sem ajuda, como vc) todo mundo sabe mais que a mãe: o tio do vizinho do primo do porteiro, a empregada, a enfermeira, o médico, enfim, TODO mundo sabe direitinho o que o seu bebê tem, menos vc. Aí a gente fica louca tentando fazer tudo oq os outros dizem, com medo de errar e "fazer besteira" e acaba dando tudo errado! No final das contas, quem fica com a bomba na mão somos nós, as mães, e ninguém assume pela gente. Lí e fiquei pensando "como os outros tem influência nas nossas vidas né"?

    enfim, gostei muito das postagens.

    já leu um livro chamado A maternidade e o encontro com a própria sombra? pois teu texto me lembrou vários trechos dele e me pareceu que vc iria gostar de ler! =D

    e por falar em leitura, e o post sobre? estou aguardando ansiosa.

    mais uma vez, parabéns pelo post e pelas excelentes reflexões.

    =***
    Aretha,
    www.oquehadeerrado.blogspot.com

  1. Kelly Resende disse...:

    Adorei a série e aprendi muito principalmente com esse do desfralde, assunto que daqui a um tempo vai fazer parte da nossa realidade. Pra falar a verdade nem comecei a ler sobre isso e suas dicas foram ótimas. Obrigada.
    Beijos

  1. lidianeves disse...:

    Paloma, obrigada por nos ensinar tanto com suas experiências!
    beijos

  1. Anne disse...:

    Hoje estou de molho e li seus últimos 5 posts numa sentada. Deitada na verdade!
    Adorei as reflexões, me encaixo na péssima "escolha" da cesárea apesar de ter sido uma vitima clássica do cesarista pré feriado de Páscoa. Mas oq vc propõe aqui é muito mais importante do que dicas... Eu vi uma coisa que adoro ver: gente que assume os erros e banca a mudança por um ideal melhor.
    Sem essa postura, teremos eternamente histórias de parto e amamentação mal sucedidas, por falta de informação, uma vez que (diferente de vc) muitas optam por projetar as responsabilidades nos outros ao invés de praticar o que somos por natureza: ativas!!
    Respeito absolutamente qualquer escolha materna, porém só acredito mesmo naquelas que sao feitas côn. Consciência e conhecimento!
    Bjo

  1. Lia disse...:

    Amei!
    A parte que você falou de voltar atrás foi a que mais me chamou a atenção. Se a gente percebe que errou, somos obrigados a persistir no erro só para sermos coerentes e "não confundir" a criança? Me lembrei do Dr. Carlos Gonzalez:
    "La mayoría de nosotros respondemos de distinta manera en diferentes ocasiones, según nuestro humor previo, nuestras preocupaciones del momento o simplemente al azar; y no sólo somos inconsistentes en el trato de nuestros hijos, sino en muchos otros aspectos de nuestra vida. La capacidad para adaptar los límites a las situaciones se llama flexibilidad y es una virtud que también conviene enseñar (con el ejemplo) a nuestros hijos. La incapacidad para mantener fijos los límites que nosotros mismos establecimos ayer se llama debilidad humana, y el comprenderla
    es una virtud que nuestros hijos también aprenderán."
    Bésame Mucho (p 201 do meu pdf)

  1. Joana disse...:

    Excelente série de posts, Paloma.
    Os três pontos que você tocou também foram muito difíceis com meu primeiro filho, e se na época eu tivesse lido um relato como o seu nossa história teria sido outra.
    Isso é maternidade ativa, definitivamente.
    Um grande abraço!

  1. Leitinho e Suor disse...:

    Nossa, passei aqui por um link da Nave Mamãe e estou boba! Seu blog é uma preciosidade. Estamos desfraldando meus sobrinhos de dois anos e meio. As fraldas já estão pequenas para eles, eles só conseguem fazer xixi na privada e mesmo assim às vezes não o fazem! Cocô nem se fala! Estamos sempre limpando porque também não temos empregada. Tentamos antes, voltamos às fraldas e agora estamos tentando de novo mesmo. Na escolinha brigam com a mãe como se ela não estivesse tentando... um horror! Me identifico 100% com o que você disse sobre respeitar a criança e seu tempo. Isabel (minha filha) é pequena para a idade dela, demorou a sorrir, demorou a emitir sons, mas eu (quase) nunca me preocupei. Meu sobrinho com quase um ano ainda não engatinhava. Minha irmã preocupada e eu disse para ela "deixa, deixa". Quando ELE decidiu, começou a engatinhar para tudo quanto é lado e em uns dois meses já estava andando. Hoje já tem tanta personalidade que chama os adultos (inclusive pai e mãe) pelo nome! Ninguém o ensinou a fazer isso, ele pescou que entre adultos nós não nos referíamos a eles como "papai" e "mamãe". E com o tempo minha irmã passou a gostar do filho com personalidade, mesmo que ele não a chame sempre de "mamãe".
    Parabéns! Reconhecer e admitir publicamente seus erros para ajudar os outros é ter luz!
    Beijos.

  1. Leitinho e Suor disse...:

    Ai, do jeito que eu falei até parece que minha irmã não gostava do filho dela, rs! Não, ela não gostava no início é do fato de que ele a chamava pelo nome e não de "mamãe", rs.

    Passarei a acompanhar seu blog!

  1. Thaís Rosa disse...:

    putz paloma, nem tenho palavras pra dizer como esta sua série de posts foram incríveis e corajosos. Essa sua capacidade de se reavaliar e se expôr, e falar de assuntos "tabu" na blogosfera comunica demais, faz um papel importantíssimo, porque chega a pessoas que talvez nunca parassem pra reavaliar suas arraigadas posições.
    sem crise nem falsa modéstia, eu me saí relativamente bem no quesito parto, amamentação e desfralde, mas só porque já estava mergulhada nas listas e, depois, na blogosfera, além de contar com ajudas reais preciosas, como minha doula, parteira e pediatra. E é justamente isso que eu acho o mais incrível dos seus posts: como o erro ensina a quem quer, e é um degrau fundamental pra busca de informação de qualidade.
    lindo lindo lindo!
    beijos

  1. Daniel disse...:

    Primogênitos nascem com uma missão especial: treinar os pais. Ensinamos e aprendemos. Não são os erros que nos definem como pais ou mães. Nem os acertos: é o amor e a dedicação. Se errar é humano, amar é ainda mais.

  1. Anônimo disse...:

    Paloma, descobri seu blog hoje e mudou a minha vida!! Juro, parece exagero, mas não...
    Estou grávida de 3 meses e bem naquela fase de ler centenas de livros, de pensar sobre parto, sobre amamentação... E, como você, também não tenho muitas amigas para falar sobre isso. A maioria das minhas amigas não tem filhos e as poucas que tiveram, foi por cesárea... É até curioso, pois tenho 34, o povo ta parando de ter filhos mesmo... hehe
    Hoje tenho a sensação que muitas mulheres não querem mais a experiência completa da maternidade: não querem sentir a dor do parto, se o peito racha querem parar de amamentar, se o filho chora querem uma babá... Eu acho isso muito contraditório! A maternidade não é só ter um bebezinho lindo cheiroso e arrumado para exibir por aí. E eu gostaria muito de vivenciar a experiência da forma mais completa possível, mas eu sei que precisamos estar muito equilibradas, tranquilas e informadas para conseguir isso.
    Tem sido muito importante para mim saber de outras experiências e ler blogs tem me ajudado demais.
    Sinto tanta necessidade de conversar e tanta dificuldade em achar pessoas que realmente possam trocar alguma coisa... A gravidez é um momento mágico, mas é um mar de dúvidas!!!!
    Tenho pensado muito em fazer uma terapia, então até agradeço se alguém tiver uma boa dica de terapeuta em SP.
    Queria mesmo era agradecer por toda a ajuda, de verdade!! Tati

  1. Paloma, a mãe disse...:

    Tati,
    Se a terapia que vc procura é para abordar questões referentes ao parto e à maternidade em geral, eu recomendo que vc peça indicação no GAMA - Grupo de Apoio à Maternidade Ativa. Lá eles devem ter ótimas indicações, fora que, frequentando as reuniões, vc conhecerá pessoas com ideiais mais próximos aos seus.
    Veja o site deles: http://www.maternidadeativa.com.br/.
    Sugiro que faça yoga para ajudar a se centrar e a se tranquilizar - e, é claro, para se preparar para o parto.
    Boa sorte e, sempre que quiser trocar ideias, volte aqui!
    Beijos

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