Reflexões sobre feminismo e maternagem

sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Apesar de defender ideais feministas e criar as minhas filhas para não corroborarem com a visão de mundo machista que infelizmente impera na nossa sociedade, como já afirmei aqui, eu não me sentia representada pelas feministas-raiz, aquelas que exigiam igualdade de sexos e frequentemente diminuiam o homem, como se, para exaltar a mulher, tivéssemos que insultar o masculino.

No mundo em que eu cresci e adulteci, a mulher tinha que estudar bastante, ter diplomas (de preferência no plural), uma carreira brilhante e, se quisesse, ter marido e filhos, mas estes dois "acessórios" não eram (nem são, graças a deus) obrigatórios. Ou seja, toda uma ênfase na carreira e no conhecimento - e a negação dos trabalhos domésticos e da criação dos filhos, se houver. Ok, eu sempre estudei e trabalhei duro para, entre outras coisas, suprir estas expectativas externas e internas em relação à mim.

E continuo achando que marido e filhos não são obrigatórios mesmo. Além de defender todas as formas de amor, tenho certeza de que ter um marido não garante a felicidade de ninguém. E acho absurda a cobrança por filhos. Ninguém, além do casal, tem o direito de exigir/ pressionar/ cobrar se vão ou não ter filhos.

Fico impressionada com este mundo em que as pessoas se importam tão pouco com os sentimentos das outras, passam por cima sem nenhuma cerimônia, mas se acham no direito de cobrar. "E o bebê, vem quando?", "Vai ter um só?", "Mas não está passando da época?", "Ainda mama?" e outros são frases que nós, mulheres, ouvimos diariamente de pessoas próximas e das nem tão próximas (até de desconhecidos) todos os dias da nossa existência, em diversas fases da vida.

Acho injusta e extremamente desagradável esta cobrança. Não é todo mundo que quer ter filhos e este direito deve ser respeitado. Sim, nós, mães, acreditamos que conhecemos o amor pleno e incondicional ao sermos mães e muitas gostam de diminuir as que não são mães a partir deste, digamos, diferencial - ou pior, usar estes argumentos para tentar convencer alguém a procriar. Vamos parar com isso, gente! Como já disse antes, esta é uma decisão que cabe a cada mulher ou a cada casal e não temos nada com a vida do outro, a menos que sejamos questionados sobre o assunto, concordam?

Tudo isso para dizer que este feminismo (o mais conhecido, o mais difundido por estas bandas) em que a mulher tem sempre que se impôr pela inteligência, pela alta escolaridade, pelo trabalho duro reconhecido pela sociedade me deixava sempre um vazio que só agora eu vim entender. Ele não deixava espaço para a mulher que simplesmente quer ter a escolha de abrir mão de tudo isso em nome do desejo (dela e de mais ninguém) de estar perto dos filhos e nem por isso é menos inteligente, menos estudiosa e, isso todas sabemos, menos trabalhadora.

É incrível como as próprias mulheres cobram, umas das outras, produtividade, beleza, junventude, polivalência... E se eu não quiser ser multitarefa? Alguém já parou para pensar nisso? Que pode ser um desejo legítimo da mulher estar com os filhos em casa? E mais: que é um direito, uma escolha, e isso não é uma volta ao passado machista, até porque que o machismo continua mais atuante do que nunca no mundo de hoje e, no presente, a mulher já pode (ou deveria poder) ter o direito à escolha.

Ontem li um texto da terapeuta e escritora Claudia Rodrigues, autora do blog Buena Leche, que define muito bem o que é este novo feminismo no qual eu me enquadrei sem nem mesmo saber que ele existia; grifei em azul para melhor destacá-lo:

Tive a sorte de conhecer algumas dessas garotas, a maioria na faixa dos 30 anos. Nem de longe têm ligação com o estereótipo de mulheres infelizes e menos inteligentes criado durante os anos de aço do feminismo, quando a maternagem foi considerada como um assunto menor. Vindas de várias profissões, atuantes em múltiplas áreas do conhecimento, elas não deixam por menos quando o assunto é militância.

Sim, o Brasil ainda não descobriu do que se trata esse feminismo que não briga com os homens e não requer igualdade entre os sexos. Para elas a diferenciação é fundamental e se essa diferenciação algum dia serviu para submeter as mulheres condenando-as ao lar; as novas moçoilas chegam de buena leche, fazem acordos com o marido para dar um tempo no trabalho, reivindicam direitos na mesa do patrão, migram para outras áreas, fazem mestrados, doutorados ou simplesmente adaptam a vida profissional aos filhos e não o contrário.

Não se sentem menos mulheres ou menos profissionais quando o assunto é parto, amamentação e prole. Pelo contrário, querem saber mais e deixar marcas nessa guinada da história do ser humano no planeta.

Vejam o texto na íntegra aqui. E ela disse que vai retomar o assunto e falar muito mais do novo feminismo num artigo que vai sair amanhã no site Sul 21. Leiam.

Para concluir, tenho que dizer que obviamente não é uma decisão fácil sair do mercado de trabalho formal, como já expliquei aqui. Eu fui e sou muito cobrada por isso, mas acredito plenamente no fato de que os empregos estão aí e podem ser conquistados/ retomados a qualquer hora ou fase da vida. Mas a infância dos filhos, não. Ela passa. E é fugaz.

Assim como eu entendo e respeito as mães que trabalham fora de casa em período integral - eu mesma já fui uma delas -, eu gostaria de ser compreendida e respeitada sem ser diminuída por esta escolha. Que feminismo é este em que, ao invés de nos unirmos e lutarmos por flexibilização nos horários de trabalhos para as mães que o desejarem, a gente fica mais preocupada em acusar umas às outras pelas suas escolhas (ou falta de)?

Eu preferi trabalhar em casa como freelancer porque, no mercado, não encontro um trabalho de meio-período, como eu gostaria. E, com isso, optei por viver com dinheiro pingado e contado, mas eu me planejei para isso. Por outro lado, hoje, além de passar a maior parte do dia com as minhas filhas e trabalhar enquanto elas dormem, eu posso escolher trabalho, o que considero um privilégio.

Daí veio a frase da Cláudia com este texto maravilhoso, para legitimar este meu posicionamento atual (que é meu e eu não quero impôr a ninguém, que fique claro, mas também não quero ser cobrada por ele) frente à maternidade: "[As novas feministas] adaptam a vida profissional aos filhos e não o contrário".

Onde é mesmo que eu assino?

30 comentários:

  1. Sylvia disse...:

    Oi Paloma
    Concordo e muito com vc... cada mulher tem que ver, pensar e agir conforme seu coração manda. Eu aqui tenho a grande sorte de trabalhar somente 4 horas por dia (sou prof. de Ed. Infantil), trabalho na esquina da minha casa e por isso posso passar todo o restante do tempo com minha filhota. E procuro fazer isso com a maior qualidade que eu posso dar, porque também tenho outras coisas a fazer, cuidar da nossa alimentação, da organização da casa (não limpeza, porque isso abri mão e contratei uma ajudante...), compras, banhos, preparar aulas, etc. Mas não me arrependo nem um pouco da vida que levo. Agora que estamos pensando no segundinho, posso mudar de idéia e ficar um período afastada... mas isso ainda são planos. Admiro muito mulheres que deixaram a carreira de lado por um tempo para se dedicar a maternidade. Beijos mil

  1. Carol P disse...:

    Sabe q eu acho q mulher eh dificil, homem pega a mulher do outro e continua amiga, se eh com uma mulher viram inimigas. ENtende o que eu quero dizer.
    Acho que as mulher sao muito rivais para se unirem e se entenderem talvez por isto vivemos numa sociedade tao machista.
    Filosofei...
    Bj carol P

  1. Nave Mamãe disse...:

    A Cláudia nos dá voz aqui no Sul. Foi a única a cobrir o Mamaço! Tem textos incríveis no Sul 21.

    E esse texto poderia ter sido escrito por mim. Mas, sinceramente, acho que quem trabalha fora e critica quem não o faz, critica por culpa e insegurança mascaradas.

    Que outro motivo teriam pra se importarem tanto com as escolhas alheias?

    Beijos

  1. Dani disse...:

    Paloma, admiro e muito a sua postura em relação a este assunto.
    De todas as mulheres que eu conheço que pararam de trabalhar fora para se dedicar aos filhos (e são muitas), você é a única que claramente é bem resolvida com esta condição. Isto se percebe pela sua lucidez em textos como este que você colocou.
    Eu fiz algumas alteraçoes na minha vida profissional para estar mais presente - trabalho predominantemente em home office, agora. E concordo plenamente que cada uma sabe de si e que todas as opiniões devem ser respeitadas.
    Suas filhas são garotas de sorte, têm uma mãe muito consciente e preocupada com a educação delas.

  1. Dayane disse...:

    Onde é que eu posso assinar também? Perfeito, Paloma! Você expressou exatamente o que sinto. Meu caso é ainda "pior" porque eu não deixei a carreira de lado por um tempo, abri mão mesmo. Dei prioridade à família. Sou totalmente a favor dos direitos iguais, mas o homem e mulher tem papéis diferentes na sociedade, o homem sempre estará voltado pra prover pra família e a mulher em educar os filhos. Isso não quer dizer que a mulher não possa trabalhar e nem que o homem seja isento da educação dos filhos. A natureza divina da mulher é gerar e criar e do homem prover e proteger. Se essa diferença não fosse tão necessária, seríamos todos um gênero só. Direitos iguais não quer dizer papéis iguais. Beijos

  1. Avassaladora disse...:

    E eu, lendo seu post da minha mesa de trabalho, trabalho esse infastiante, chato, sufocante, me cobro de não conseguir tomar uma atitude "nova-feminista" por ainda não conseguir lidar com as cobranças alheias...
    Me orgulho de você!!!!

  1. TWO OF US disse...:

    Sua lucidez, maturidade com tão pouca idade, vontade de romper barreiras estereotipadas, como no caso do feminismo da primeira geração( o feminismo da primeira geração, sem dúvida, necessitou de tais paradigmas que você citou tão bem. ), luta diária para ser uma mulher que faz a diferença, mãe amorosa e comprometida com a educação (e não apenas criação) das filhas, alguém que se importa com a sociedade e o que se pode fazer para melhorá-la, te coloca no meu lugar secreto de pessoas que admiro!

    Você sabe que eu e R. somos feministas, mas sabe também que preservamos a liberdade do outro para ser o que quiser, desde que não atrapalhe o caminho do próximo.

    Concordo quando diz que companheiro ( no meu caso, companheira!)e maternidade não trazem realização pessoal e nem estado maior de graça. E acrescento que nem carreira, vida profissional. Amor e felicidade são tão subjetivos, não é verdade?

    Sempre digo que abriria mão de trabalhar por um tempo apenas para educar um filhote. Embora sei que há mães que não podem, pois seu trabalho é o único sustento da família. E fico chateada com pessoas que criticam quando homens que se comprometem a cuidar do lar e da educação dos filhos full time. Já ouvi que eles são preguiçosos, sem motivação, dependentes de suas companheiras, fracos, e tantos etc's que você nem imagina. Puxa, que malvadeza! A mulher pode, sem tantos problemas, mas ao homem não é dado tal direito? O dinheiro é da família e não apenas de quem o recebe no final do mês.

    Paloma, gosto e muito de suas reflexões! Enviarei este para meus amigos e amigas!
    Beijos

  1. Nine disse...:

    Paloma, assino embaixo como você. Eu escolhi ser servidora pública, justamente para poder flexibilizar o máximo possível e adaptar o meu trabalho a minha vida familiar, e não o contrário. Ainda não estou vivendo como eu realmente gostaria, mas tenho planos para mudar isso em breve e ainda ontem, conversando com o marido enfatizei que minha prioridade eram a minha filha, a minha família e não o meu trabalho. Não se trata de ser má funcionária, mas de ter prioridades e arcar com as consequências da escolhas que se faz.

    Beijos,
    Nine

  1. Lu disse...:

    Paloma
    assino embaixo uma, duas, tres ou quantas vezes for necessario. Eu tb sou muito bem resolvida quanto a questao de ter largado o meu empregao e ter vindo para a Europa. Durante toda minha vida esperei por essa oportunidade. Eh claro que ser mae, dona de casa, esposa, faxineira, e outras coisitchas mais, cansa. E tem gente que acha que trabalha mais porque trabalha fora de casa.
    Deixar a estabilidade financeira, profissional e ate mesmo a independencia nao eh facil com certeza. Mas muito recompensadora.
    bjs
    Lu

  1. Dani disse...:

    Fechou o texto com chave de ouro em Palomita! É muito fácil a gente falar dos outros, apontar o dedo. Acho isso uma falta de educaçào tremenda. Cada um sabe as escolhas que faz e as razòes disso e ponto. Cabe aos demais respeitar. Mas isso, não acontece! Por aqui, só consegui continuar trabalhando porque flexibilizei meu horário. Duas horas de manhã e duas á tarde. Eu que dou comida. Banho. Levo e busco na escola. Brinco muito. E sou feliz assim, mesmo recebendo críticas de que eu tô abandonando minha carreira....É difícil! Beijo querida. Parabéns pelo belo texto.

  1. Luisa Tonezzer disse...:

    Olá Paloma, somos no site da C&A e estamos atualizando no Mailing de blogueiras. Você poderia me manda por email (luisa@trip.com.br) o seu email, nome completo e cidade onde reside! Obrigada, Luisa.

  1. Cíntia Anira disse...:

    Onde eu assino?
    PS - Parabéns pela reflexão!

  1. Celi disse...:

    Maravilhoso texto Paloma. Sabe que me formei como pedagoga. Trabalhei anos e anos como professora e formadora. Sempre dizia que trabalharia meio período para dedicar o restante do tempo a minha família, aos meus filhos. Mas logo o Felipe chegou e vi que não era tão simples assim conciliar todo o horário. Pois trabalhava e levava trabalho para casa.
    Então, que repensei muito e cheguei a conclusão de mudar de país, de me dedicar por alguns anos na criação dos meus filhos. Olhar, cuidar, brincar e curtir realmente a infância! Pois assim, como disse passa muito rápido e a área profissional pode ser retomada futuramente.
    Hoje tem dias que sofro, não pelo fato de ter que ficar com meus filhos, cuidar da casa, mas pelas questões de adaptação. Pela distância da família e de amigos. Uma cultura totalmente diferente!
    Mas confesso que sou feliz. Tenho certeza que fiz a melhor escolha.
    E assim como ressaltou acho que ninguém pode julgar e cobrar. Cada uma faz o que está dentro das suas condições e interesses pessoais e familiares. Assino embaixo. Está certíssima!
    Um beijo e ótimo final de semana.

  1. Mari disse...:

    Adorei, acho que nós mulheres temos sim que nos apoiar mais. Eu sou do estilo que apoio sempre a felicidade, o bem estar. Se vc se sente bem assim por que mudaria? Eu trabalho fora , mas por que eu gosto, me sinto bem. Caso contrário, não teria a maior cerimônia de largar tudo. Antes de ter minha filha eu pensei bem nisso, somos muito bem resolvidas nesse aspecto... mas vez ou outra tmb recebo críticas...

  1. Mãe do Pitoco disse...:

    Paloma, seu texto é perfeito e complementa um texto meu que vou publicar no MMqD até o fim do mês - esse feminismo de "almanaque", esse clichê de feminismo que restou na sociedade nos impõe coisas que, ao meu ver, não são verdadeiramente feministas, pois não ressaltam o poder de decisão e a liberdade de escolha das mulheres. Para mim, nossas avós queimaram sutiãs para que pudessemos ter liberdade de escolha, e não para que fôssemos homens com seios. Somos diferentes, temos demandas diferentes e, para mim, feminismo é liberdade de escolha da mulher. O estudo me deu algo fundamental, que não tem nada a ver com a possibilidade de competir de igual para igual com os homens no mercado de trabalho (ainda que isso seja verdade), o estudo me deu liberdade para escolher trabalhar em casa e cuidar de meu filho bem de perto. Deu-me liberdade de escolha - isso é feminismo em meu ponto de vista, foi para isso que nossas avós lutaram.

    Parabéns mais uma vez pelo post super lúcido e pertinente.

  1. Anônimo disse...:
    Este comentário foi removido por um administrador do blog.
  1. Piscardeolhos disse...:

    Excelente.
    Mas, sinceramente? Quem critica uma mae que adaptou sua vida profissional (seu caso, meu caso, caso de tantas!) pra ficar com os filhos, eh porque ou esta mal resolvida ou esta mal resolvida.
    Concorda?
    Eu ja ouvi cada uma por ai...desde "tambem, ela mora no exterior", "foi seguir o marido" ou "pode se dar o luxo de ser empreendedora".
    Pode se dar ao luxo eh otimo...eu nao tenho baba, faco as unhas em casa, trabalho de madrugada, ja que meu filho so fica 4 horas na escola e a luxuosa sou eu??
    Me poupe.

  1. perfeito, paloma! e de antemão já sei que este comentário vai render e já peço meu habbeas corpus preventivo para ir falando:

    há algum tempo tenho me dado conta desta nova onda feminista: agora a mulher pode não apenas adaptar à carreiras aos filhos, como usar o corpo conforme o prazer mandar... duas novidades pra mim!

    só depois de perceber este respeito no "novo feminismo" tive coragem de dizer que sou sim feminista e que minha militância é pela prolongação da licença maternidade e pela diminuição da carga horária para mulheres E HOMENS (porque estes também devem exercer o direito de viverem e serem pais - os pais que as novas famílias precisam, e não o pai provedor apenas).

    eu, se tivesse possibilidade de escolher (hoje realmente não tenho essa opção por ter meu salário como principal receita da família), gostaria de passar mais tempo com meus filhos, não o dia todo, porque me irrito... mas, por exemplo, ficar pela manhã em casa e levá-los para a escola e ir trabalhar. ah, sim, eu gostaria!

    mas jamais PARARIA minha carreira, no máximo daria uma pausa, faria uma mudança, uma adaptação. parar jamais!!! exatamente como você está fazendo e como vejo a grande parte das blogueiras que admiro fazendo: achando uma alternativa para ficar ao lado dos filhos tendo algum rendimento.

    nem me imagino impedida de me separar por causa de grana, por exemplo, ou ficar pensando em como seria se ficasse viúva... acredite tenho duas amigas "reais" que vivem estes dois dilemas!

    li alguns textos de badinter e tive um entendimento diferente da maioria das mães que leram e se ofenderam. ela tem realmente um recalque, um ressentimento que transpareceu nos textos que eu li. mas vi neles também alertas importantes: a mulher que para de "se sustentar" corre o risco de não poder "voltar a se sustentar" quando desejar, por conta do mercado se esta retomada demorar muito a acontecer. por isso ela acha a parada na carreira um retrocesso para as mulheres, do ponto de vista feminista.

    olha, paloma, não tenho como discordar dela, pois acho muito complicado uma pessoa (homem ou mulher) não ter o poder de se sustentar a longo prazo, de pagar as próprias cotas, de arcar com seu estilo de vida. talvez eu ache isso por ter alguns exemplos desta questão ao meu redor, sei lá!

    no meu mundo utópico, homens e mulheres, parceiros, "co-titulares" de uma família, teriam tempo e disposição e informação para acompanhar de perto o desenvolvimento dos filhos. estes homens e mulheres participariam da vida escolar, decidiriam tudo juntos e para isso precisamos de tempo: para estudar, para se envolver, para militar, para influenciar, para estar junto, enfim! sonho meu!

    mais uma vez desculpa pelo POST!

    beijoca

  1. Kelly Resende disse...:

    Oi Paloma, é isso mesmo, cada uma que faça o que é melhor ou o que é possível para si mesma e sua família. Também me irrito muito com o fato de todo mundo se achar dono da verdade e vir com aquele discurso de "tem que" fazer isso ou aquilo. Eu sofro bastante essa pressão com relação ao meu jeito "despojado" de ser, pois adoro andar de tenis, jeans e camiseta e odeio as coisas tipicas de mulheres, tais como fazer unhas, sombrancelhas, etc, vc nem imagina o q tem de mulher me enchendo o saco dizendo que eu tenho que fazer tais coisas.
    Beijos

  1. Anônimo disse...:
    Este comentário foi removido por um administrador do blog.
  1. Tathyana disse...:

    Amiga, concordo em tudo o que foi escrito. Agora sim me senti pertencente a um movimento, a uma nova forma de construir um estilo de vida. E acho que o nosso diferencial é que não queremos provar nada pra ninguém, somente fazemos por nós, pelos filhos, pela família.

    Ps: porque vc não coloca moderação nos comentários e acaba de vez com esses anônimos babacas?

    Bjssssssssss

  1. Anônimo disse...:

    Gente!!!!! A Paloma não me deixa soltar meu recalque aqui no blog dela e fica apagando meus comentarios!!!! Afeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!
    Sabe Paloma isso não se faz!! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

  1. Fabiana Alvim disse...:

    Paloma, sobre esse assunto (que já me tirou do sério em textos por aí afora) eu ainda não tinha lido nada que me identificasse tanto. Eu trabalho meio período e, apesar de gostar muito de trabalhar, às vezes ainda acho que tenho pouco tempo com minhas filhas. Pouco tempo de qualidade... muito por conta do cansaço. Acho que depois que Joana passar a dormir melhor à noite minha disposição irá melhorar. Não vejo a hora... Tenho muita admiração pelas mães que podem e decidem protelar um pouco a carreira em prol da criação dos filhos. Eu não posso fazer essa opção por uma questão financeira... marido não aguenta o tranco sozinho ainda. Mas tinha muita vontade! Apesar de saber que o trabalho é ainda maior, acho que o mundo precisava de mais mães assim.

  1. Anônimo disse...:

    OLÁ PALOMA,
    ACHO SUA DECISÃO DE ACOMPANHAR MAIS TEMPO A INFÂNCIA DAS SUAS FILHAS, UMA ATITUDE CORRECTA, SE VOCÊ SE ORGANIZOU, FINANCEIRAMENTE FALANDO, PARA ISSO ESTÁ CERTISSÍMA.
    EU PRÓPRIA, APESAR DE TRABALHAR A TEMPO INTEIRO, FIZ ALGUNS AJUSTES, DE MODO A ESTAR PRESENTE, O MÁXIMO DE TEMPO POSSÍVEL NA VIDA DA MINHA FILHA.
    CADA QUAL QUE ESCOLHA, SEU CAMINHO, SEM RECRIMINAR, OU JULGAR NINGUÉM.
    NÓS MÃES, COM EMPREGO OU SEM, TEMOS UMA COISA QUE NOS UNE MUITO MAIS DO QUE AQUILO QUE NOS SEPARA, O AMOR INCONDÍCIONAL QUE TEMOS PELOS NOSSOS FILHOS.

    P.S. - AO ANONÍMO, QUE QUERIA SOLTAR O RECALQUE, CRIE UM BLOG E SOLTE POR LÁ, E DEPOIS QUEM QUISER QUE LEIA, SE A PALOMA APAGOU OS SEUS COMENTÁRIOS, PROVAVELMENTE ELES FERIAM A SENSIBILIDADE DA PESSOA EDUCADA QUE ELA É.

    BEIJOS PARA TODA A FAMÍLIA

    MARTA SANTOS

  1. Jussara disse...:

    Excelente. Qualquer tipo de cobrança é ruim, essa de ter filhos então...
    As pessoas deviam fazer suas escolhas, viver suas vidas e pronto. Mas adoram meter o bedelho na vida dos outros, é impressionante.

    Sobre mães que pararam de trabalhar, diminuíram a carga horária ou passaram a trabalhar em casa: vejo muita cobrança vindo das mães que optaram em continuar trabalhando em período integral, só que é uma cobrança disfarçada. "Eu amooo trabalhar, não sinto culpaaa de deixar meus filhos, mesmo que eles chorem pedindo por mim, à noite."
    Tem uma mãe na blogosfera que vira e mexe toca nesse assunto, diz que não sente culpa, que ela ama trabalhar viajando, que isso e aquilo. Ela é tão insistente nisso que o blog já ficou chato (e eu parei de ler), e pra mim, tá na cara que essa é uma forma de alfinetar as outras mães e de tentar convencer a ela própria dessas coisas que ela afirma.
    Meio que virou aquela mesma rixa entre mães que fizeram cesárea x mães que tiveram PN. É como se essas mães que optaram a continuar com uma carga horária puxada (digo das que podem mudar) se sentissem mal por isso, e assim quisessem diminuir as que fizeram outro tipo de escolha; só que com essa postura elas dão a entender que elas é que se sentem diminuídas.

    Gosto muito do blog da Claúdia, leio sempre.

  1. Flavia disse...:

    Ando me sentindo tão em débito com esse blog que eu adoro! Mas que ando passando calada e tão rapidamente nesses ultimos tempos.
    Mas leio tudo, acompanho de perto.
    E te admiro cada dia mais.

    Adorei, me identifiquei e assino embaixo também.

    Beijos


    E ah: adorei o post da mal amada hihihi

  1. Ai, ler um post assim. de domingo à noite, é um perigo... Dá vontade de pedir demissão amanhã bem cedinho. Adorei, Paloma!
    bjins

  1. Isis Coelho disse...:

    Oi Paloma! Sempre passo pelo seu blog (seus textos são realmente incríveis) e hoje você escreveu exatamente o que eu gostaria de ter escrito.
    Também sou jornalista e deixei o trabalho formal para ficar com minha filha.
    É realmente inacreditável o quanto as pessoas condenam essa escolha. Como você disse, fomos criadas com o propósito de sermos polivalentes e abrir mão da carreira é sinal de que você é fraca e não aguenta o tranco.
    É duro.
    Amei seu post.

    beijos

  1. Laura disse...:

    Desabafo perfeito Paloma!
    Vivo essa realidade de mãe-dona-de-casa no começo por necessidade (mudança de país,lingua..etc..) e hoje por opção consciente de ser o melhor para minha filha.
    E sou cobrada por isso...tanto..
    Ainda bem que Yde é parceiro e tem uma mentalidade bem diferente dos homens brasileiros.
    Você deu voz aos meus sentimentos!

    bjs.

  1. feq disse...:

    oi paloma, adorei o seu texto e hoje lendo um outro lembrei de você:

    http://www.aflorista.com.br/as-rosas-falam/flores-para-viver-o-fazer-de-mae

    beijo

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