Pergunte ao Pediatra: décima rodada

segunda-feira, 31 de outubro de 2011
E, quem diria, chegamos à décima rodada! Obrigada a vocês todas, que me incentivam a continuar, mandando perguntas, comentários e sugestões, e ao nosso pediatra de plantão, que, mesmo com tantos afazeres de médico, acadêmico, cientista, pesquisador, militante, escritor, pensador, apresentador de TV, palestrante etc., se dispõe a responder voluntariamente às perguntas de vocês aqui. E, com isso, tira dúvidas que eu nem sabia que tinha.

A seção Pergunte ao Pediatra é uma parceria deste blog com o pediatra José Martins Filho, que responde às perguntas de mães e pais todas as segundas-feiras. Para ler as perguntas e respostas anteriores - e evitar perguntas repetidas -, clique em "Pergunte ao Pediatra", no menu que fica aqui em cima, do lado direito da tela.


Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?". Quem quiser mandar perguntas para ele deve escrever para o email pergunteaoped@gmail.com ou deixar suas perguntas neste post.

Vamos às perguntas desta semana.


***

TEMA: CAMA COMPARTILHADA

1) Minha filha sofreu muito de gases e intestino preso, passávamos noites em claro cuidando dela, aos três meses de vida, tive que voltar a trabalhar e não dava conta de ficar levantando da cama toda hora, aí minha filha passou a dormir em nossa cama, e agora com 10 meses a situação se repete e já até desmontamos o berço.
Então lá vai a pergunta: Como devo proceder para tirar minha filha da minha cama? Ao estar em minha cama, corro o risco de ter uma filha insegura?

JMF - Eu pessoalmente não tenho experiência com cama compartilhada e acho que, se possível, ela não é necessária. Assim que a criança passa dos 6 meses, principalmente, sou favorável a ir acertando os horários, criando algumas rotinas e, suave mas firmemente, ir acertando os rituais para dormir no berço onde ficará durante a noite, sem deixá-lo adormecer no peito, pois o ideal é esperar um pouco, com a criança ainda acordada, para levá-la para o berço e aos poucos ir acostumando a dormir no local.

Sempre há o que chamamos microdespertares durante a noite, e a criança tende a querer repetir o ritual no qual adormeceu, por isso às vezes isso leva a um grande cansaço da mãe e da criança. Sempre me pergunto se a cama compartilhada é para atender à mãe ou à criança. Há quem pense diferente de mim, mas sou obrigado a achar que as coisas todas têm seu lugar e as rotinas devem aos poucos ser introduzidas.

TEMA: SONO DIURNO


2)
Caro doutor, meu filho está com 1 ano e 9 meses e, quando completar 2 anos, entrará na escola. Atualmente, ele tira uma soneca de pelo menos duas horas depois do almoço. Pretendo colocá-lo na escola por meio período, na parte da tarde, mas o rompimento das sonecas me preocupa. Há alguma mudança de rotina que seja benéfica para esse caso?

JMF -
Por que não colocá-lo pela manhã? é mais saudável, julgo. A criança acorda cedo, tem seu ritual na escola, e à tarde pode continuar sua soneca, que pode durar até mais ou menos 4 anos. Antes disso, nem sempre as crianças se acostumam sem dormir. E o que quase sempre acontece é que as crianças vão para a escola para dormir, o que não acho adequado.

TEMA: ALEITAMENTO MATERNO

3)
Tenho dois filhos, um menino de 3 anos e uma menina de 8 meses. Eu só consegui amamentar o mais velho até os 4 meses pois meu leite secou, ele já fazia uso de fórmula como complemento desde os 20 dias de vida, ou seja a amamentação não era exclusiva. Quando engravidei da menina, coloquei como meta que iria amamentá-la pelo menos por um ano, sendo 6 meses de forma exclusiva e depois gradativamente iria incluir a dieta de frutas e sopas. Porém, quando ela completou 4 meses, notei que sempre chorava ao mamar, suspeitava de que meu leite estava acabando, assim como aconteceu com o irmão. Na consulta mensal com o pediatra, foi realmente constatado que ela não ganhara peso naquele mês e, após relatar o que acontecia nas mamadas, foi decidido inserir as frutas na dieta dela. Não entendi o porquê disso acontecer, sempre amamentei sob livre demanda e, pelas informações que tive, o estímulo seria a melhor forma de manter a amamentação. Não contente com a inserção do novo cardápio, procurei com outras pessoas e na internet meios de conseguir produzir mais leite e manter essa produção por longo prazo. Cheguei a informação de medicamentos para outras doenças que têm como efeito colateral o aumento na produção de leite. Comecei a tomar dois deles e agora tomo apenas um. Desta forma, consegui manter a amamentação da maneira que desejava (atualmente, ainda em livre demanda).

A minha dúvida afinal é: existem realmente mulheres que simplesmente não conseguem produzir leite? Mesmo fazendo uso da livre demanda, tomando bastante água, descansando etc.? No meu caso só consigo amamentar até hoje com o uso do medicamento, se eu parar de utilizá-lo (já fiz esse teste), meu leite diminui muito e como fiquei com medo dele acabar, imediatamente voltei com o medicamento. Algumas informações dizem que TODA mulher consegue produzir leite e amamentar seu bebê, eu não consegui sem essa "ajuda".

JMF - Seu questionamento é um pouco grande demais e o que acho que quer realmente saber é qual a utilidade desses medicamentos todos na amamentação. A minha impressão e conhecimento é que eles não devem ser usados abusadamente e eu particularmente deixei de usá-los já há algum tempo. Não gosto, muitos acabam passando pelo leite e interferem na própria criança e outros são tranquilizantes, às vezes até antidepressivos, e a mãe acaba usando pelos efeitos que produzem nela. É um pouco duvidoso se realmente têm ação eficaz para manter a lactação, eu acho que deveria parar. A produção do leite é feita pela própria sucção do bebê, que acaba estimulando a produção de ocitocina e prolactina. Tente parar com todas essas drogas e não fique angustiada. Se está usando há muito tempo, precisa ter cuidado, porque alguns deles podem causar síndrome de abstinência, fale sobre isso com seu obstetra e seu pediatra.

7 comentários:

  1. Celi disse...:

    Sempre muito interessante ler as questões que as pessoas apresentam e, mais ainda, ler as respostas do Doutor, que são cuidadosas e diretas. Adoro! Um beijo.

  1. Ana Júlia disse...:

    Esse homem é demais! Sinto muita afinidade com as idéias dele.

    De minha parte, o que posso dizer é que a cama compartilhada atrapalha demais a vida erótica do casal, que é superimportante. E os filhos precisam que o papai e a mamãe estejam sempre bem unidos. Eu não consigo sentir tesão quando há um bebê entre mim e meu marido. Quando tiramos o bebê do quarto, voltamos a fazer sexo com muito mais frequencia.
    Poxa, eu já passava o dia todo em função do bebê, havia deixado meu trabalho, e nem à noite poderia namorar com meu marido? Ah, não! Não abro mão da minha vida porno-erótica de jeito nenhum!
    Ai, é ótimo as crianças irem para cama às 19h30! E para a cama delas!

    Parabéns, amiguinha, por trazeres um pouco da sabedoria do Dr. Martins Filho a cada semana.

    Besitos

  1. Adoro segunda feira! sempre venho ler as respostas gosto muito e concordo maioria das vezes!.
    Mas queria falar sobre a pergunta numero 3, tive a impressão da pessoa querer saber alem de parar ou não o remedio, se realmente qualquer um tem potencial para amamentar prolongadamente e o leite nao secar como chegou a acontecer, mesmo fazendo todos os procedimentos de descansar, livre demanada, agua etc... Eu como psicologa vejo que 1 dos itens mais impotantes na amamentação é o emocional, geralmente quem se preocupa muito em se o leite ta secando, quanto o bebe esta sugando etc... acaba tendo um estress desnecessario e isso afeta o leite! (alem logico de todo emocional de ter um bebe novo em casa que tambem afeta!) eu por ver esse padrao decidi nao ler sobre nada de amamentação e quando surgia alguma duvida eu já mudava de pensamento e colocava na minha cabeça que meu corpo esta preparado pra isso eu não tenho que me preocupar, pode ser coincidencia ou não, mas funcionou! minha filha mamou até 7 meses exclusivamente, e hj com 1 ano e 2 meses ainda mama em livre demanda, meu peito parece mucho, meu marido, pais, Ob dizem que parece que nem tem leite, porque ele é todo murchinho, nao fica mais cheio como no começo, nunca jorrou leite, vazou por pouco mais de 1 mes depois nao vazou mais, e quando aperto demora pra sair e sai pouco, em fim muitas coisas para eu ter me preocupado, mas eu ignorei todas elas e continue como se elas nao existissem, tem funcionado!

  1. Carol disse...:

    Obrigada doutor, obrigada Paloma. Vou colocar meu filho na escola pela manhã, se é o melhor para ele. Um grande abraço e mais uma vez obrigada pela oportunidade

  1. Coisas de mãe disse...:

    Não cheguei a mandar perguntas mas achei todas elas esclarecedoras de algum modo, as vezes confirmando o que eu pensava, as vezes me mostrando outro ponto de vista.

    Mais uma vez, parabens pela iniciativa!

    beijos

    Pati

  1. Sarah disse...:

    Adorei a pergunta sobre o meio-período da escola. Ano que vem Bento volta pra escolinha, dessa vez em meio-período, e eu estava totalmente na dúvida do que fazer, já que ele também tira uma boa soneca depois do almoço. Quase sempre vejo as crianças indo para a escola à tarde e estava me questionando sobre o sono, até descobrir que as crianças tiram a soneca na escola. Acho que ele indo de manhã vai funcionar melhor pra gente.
    bjos!

  1. Achei interessante algumas duvidas..principlamente a ultima..mas nao achei que tivesse sido respondida =/

    Beijinho
    Me visite, e comente..se gostar torne-se seguidora...retribuirei o carinho =D

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