E, quem diria, chegamos à décima rodada! Obrigada a vocês todas, que me incentivam a continuar, mandando perguntas, comentários e sugestões, e ao nosso pediatra de plantão, que, mesmo com tantos afazeres de médico, acadêmico, cientista, pesquisador, militante, escritor, pensador, apresentador de TV, palestrante etc., se dispõe a responder voluntariamente às perguntas de vocês aqui. E, com isso, tira dúvidas que eu nem sabia que tinha.A seção Pergunte ao Pediatra é uma parceria deste blog com o pediatra José Martins Filho, que responde às perguntas de mães e pais todas as segundas-feiras. Para ler as perguntas e respostas anteriores - e evitar perguntas repetidas -, clique em "Pergunte ao Pediatra", no menu que fica aqui em cima, do lado direito da tela.
Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?". Quem quiser mandar perguntas para ele deve escrever para o email pergunteaoped@gmail.com ou deixar suas perguntas neste post.
Vamos às perguntas desta semana.
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TEMA: CAMA COMPARTILHADA
1) Minha filha sofreu muito de gases e intestino preso, passávamos noites em claro cuidando dela, aos três meses de vida, tive que voltar a trabalhar e não dava conta de ficar levantando da cama toda hora, aí minha filha passou a dormir em nossa cama, e agora com 10 meses a situação se repete e já até desmontamos o berço. Então lá vai a pergunta: Como devo proceder para tirar minha filha da minha cama? Ao estar em minha cama, corro o risco de ter uma filha insegura?
JMF - Eu pessoalmente não tenho experiência com cama compartilhada e acho que, se possível, ela não é necessária. Assim que a criança passa dos 6 meses, principalmente, sou favorável a ir acertando os horários, criando algumas rotinas e, suave mas firmemente, ir acertando os rituais para dormir no berço onde ficará durante a noite, sem deixá-lo adormecer no peito, pois o ideal é esperar um pouco, com a criança ainda acordada, para levá-la para o berço e aos poucos ir acostumando a dormir no local.
Sempre há o que chamamos microdespertares durante a noite, e a criança tende a querer repetir o ritual no qual adormeceu, por isso às vezes isso leva a um grande cansaço da mãe e da criança. Sempre me pergunto se a cama compartilhada é para atender à mãe ou à criança. Há quem pense diferente de mim, mas sou obrigado a achar que as coisas todas têm seu lugar e as rotinas devem aos poucos ser introduzidas.
TEMA: SONO DIURNO
2) Caro doutor, meu filho está com 1 ano e 9 meses e, quando completar 2 anos, entrará na escola. Atualmente, ele tira uma soneca de pelo menos duas horas depois do almoço. Pretendo colocá-lo na escola por meio período, na parte da tarde, mas o rompimento das sonecas me preocupa. Há alguma mudança de rotina que seja benéfica para esse caso?
JMF - Por que não colocá-lo pela manhã? é mais saudável, julgo. A criança acorda cedo, tem seu ritual na escola, e à tarde pode continuar sua soneca, que pode durar até mais ou menos 4 anos. Antes disso, nem sempre as crianças se acostumam sem dormir. E o que quase sempre acontece é que as crianças vão para a escola para dormir, o que não acho adequado.
TEMA: ALEITAMENTO MATERNO
3) Tenho dois filhos, um menino de 3 anos e uma menina de 8 meses. Eu só consegui amamentar o mais velho até os 4 meses pois meu leite secou, ele já fazia uso de fórmula como complemento desde os 20 dias de vida, ou seja a amamentação não era exclusiva. Quando engravidei da menina, coloquei como meta que iria amamentá-la pelo menos por um ano, sendo 6 meses de forma exclusiva e depois gradativamente iria incluir a dieta de frutas e sopas. Porém, quando ela completou 4 meses, notei que sempre chorava ao mamar, suspeitava de que meu leite estava acabando, assim como aconteceu com o irmão. Na consulta mensal com o pediatra, foi realmente constatado que ela não ganhara peso naquele mês e, após relatar o que acontecia nas mamadas, foi decidido inserir as frutas na dieta dela. Não entendi o porquê disso acontecer, sempre amamentei sob livre demanda e, pelas informações que tive, o estímulo seria a melhor forma de manter a amamentação. Não contente com a inserção do novo cardápio, procurei com outras pessoas e na internet meios de conseguir produzir mais leite e manter essa produção por longo prazo. Cheguei a informação de medicamentos para outras doenças que têm como efeito colateral o aumento na produção de leite. Comecei a tomar dois deles e agora tomo apenas um. Desta forma, consegui manter a amamentação da maneira que desejava (atualmente, ainda em livre demanda).
A minha dúvida afinal é: existem realmente mulheres que simplesmente não conseguem produzir leite? Mesmo fazendo uso da livre demanda, tomando bastante água, descansando etc.? No meu caso só consigo amamentar até hoje com o uso do medicamento, se eu parar de utilizá-lo (já fiz esse teste), meu leite diminui muito e como fiquei com medo dele acabar, imediatamente voltei com o medicamento. Algumas informações dizem que TODA mulher consegue produzir leite e amamentar seu bebê, eu não consegui sem essa "ajuda".
JMF - Seu questionamento é um pouco grande demais e o que acho que quer realmente saber é qual a utilidade desses medicamentos todos na amamentação. A minha impressão e conhecimento é que eles não devem ser usados abusadamente e eu particularmente deixei de usá-los já há algum tempo. Não gosto, muitos acabam passando pelo leite e interferem na própria criança e outros são tranquilizantes, às vezes até antidepressivos, e a mãe acaba usando pelos efeitos que produzem nela. É um pouco duvidoso se realmente têm ação eficaz para manter a lactação, eu acho que deveria parar. A produção do leite é feita pela própria sucção do bebê, que acaba estimulando a produção de ocitocina e prolactina. Tente parar com todas essas drogas e não fique angustiada. Se está usando há muito tempo, precisa ter cuidado, porque alguns deles podem causar síndrome de abstinência, fale sobre isso com seu obstetra e seu pediatra.
Sempre muito interessante ler as questões que as pessoas apresentam e, mais ainda, ler as respostas do Doutor, que são cuidadosas e diretas. Adoro! Um beijo.