
As meninas têm se relacionado cada vez mais e melhor. Fazem muita coisa juntas e Ciça tem sido incrivelmente compreensiva com as aprontações da Clarice. Às vezes ela perde a paciência, mas, em geral, ela age como irmã mais madura e comenta: "Esta Cali é uma bagunceira" e parte para outra, em vez de se chatear de verdade.
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Cali não pode ver a Ciça que grita Sis (já fala inglês, hoho) ou Ciçá (sim, ela também já fala Ciça, mas acentua em francês, tá, meu bem?).
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Cali claramente a venera, segue seus passos, tenta imitá-la. Ciça abre um sorriso quando percebe a devoção da irmã por ela e adora este amor gratuito.
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Na rua, várias vezes ela prefere dar a mão à Ciça do que a mim ou outro adulto. Quando estamos numa calçada mais segura ou num lugar onde não passam carros, deixamos, e elas seguem juntas, (quase) independentes.
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97% das gargalhadas da Clarice são motivadas pela Ciça.
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Quando a Ciça está na escola, a Cali fica perguntando por ela. E várias vezes traz o carrinho para perto de mim ou, se ele já está perto, ela sobe no carrinho, indicando que já está na hora de pegar a irmã.
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Se Cali aprende uma palavra nova ou faz uma coisa nova, a Ciça é a primeira a elogiar - e a incentivar também. Ela também elogia quando Cali consegue fazer algo, como descer degraus de frente, encaixar objetos ou quando guarda brinquedos numa caixa, por exemplo.
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Canta - ou tenta - todas as músicas junto com a Ciça. As preferidas são "Borboletinha", que ela dança inteirinha e ao final grita "pau, pau" e pega no nariz, e "O sapo não lava o pé", em que ela grita "pé" e mostra o pé (ou pega no mesmo).
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Ciça não demonstra mais muito ciúme da irmã. Só às vezes que ela reivindica mais atenção ou alguma coisa para ela, mas, em geral, empresta seus brinquedos e até separa alguns que ela usava quando era menor e diz: "Agora, estes são da Cali". Ou fala diretamente com ela: "Cali, este camelo era meu, mas agora é seu, viu?", e dá para a irmã.
Ao mesmo tempo, ela se apropria de vários brinquedos que a Cali ganha. E, como a Clarice gosta muito mais dos brinquedos da Ciça do que de quaisquer outros, nem liga. Ou seja, as duas vivem trocando.
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Agora, quem demonstra ciúmes é a Cali. Não é sempre, mas, se eu coloco a Ciça no meu colo, faço carinho ou estou sozinha com a Ciça em um canto, ela vem correndo e gritando, tenta me puxar ou empurrar a Ciça, pode? Aí eu abraço as duas, coloco uma de cada lado e digo que tem espaço para as duas. Em 100% das vezes, a Clarice pede para mamar, como que para demarcar o território.
Mas isso, ao contrário do que parece, não gera rivalidade entre elas no resto do tempo. A Ciça não compra a briga. Ela não revida quando a irmã a empurra ou puxa seu cabelo, ela só me conta ou reclama diretamente com a própria, que costuma parar. E, se não para, eu a tiro de perto e a repreendo.
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Ser mãe é passar o dia dizendo "não", "não pode" (e, no meu caso, "desça daí", "tire o dedo daí" e por aí vai...). Ser irmã mais velha, pelo visto, também. A Ciça já assumiu para si que ela é mais velha e, portanto, sabe de mais coisas e fala "não" para a irmã quando ela se coloca em perigo. Só me chama quando acha que vai perder o controle da situação.
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Outro dia, Ciça inventou que ia dar de mamar a Clarice. Eu achei que Clarice não ia entrar na brincadeira, afinal, ela não ia deixar "se enganar". Mas eu estava errada. Ela amou a brincadeira e, a cada vez que a Ciça a chama para mamar, ela vai, encosta a cabeça no peito da Ciça e fica paradinha, aguardando um carinho da irmã, que sempre vem.

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Clarice não pode ver a Ciça desenhando que quer fazer o mesmo. O problema é que ela desenha tudo: a mesa, suas roupas, seu corpo, nosso corpo, revistas, a parede. E, se a gente tenta direcionar o traço, ela grita e joga a canetinha longe (tá, eu sei que giz de cera é melhor que canetinha nesta idade, mas ela pega as da Ciça antes que a gente pisque).
Se a gente guarda as canetinhas e tenta mudar o foco dela para outra brincadeira, ela não se deixa enganar e vai puxar o braço da Ciça, que acaba borrando seu desenho. Este é um dos poucos momentos em que a Ciça fica irritada com ela. O outro é quando a Ciça quer jogar algum jogo e a Clarice fica bagunçando tudo.
Em outras brincadeiras, ela até reclama que a Cali está bagunçando, mas não fica irritada ou chateada de verdade.
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Ciça defende a irmã sempre que outra criança (mesmo que seja amiga dela, da Ciça) tente empurrar ou fazer algo contra a Cali. Se a criança consegue fazer, a Ciça vem correndo me contar.
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Ela também ensina às colegas de escola que a Cali não pode comer chocolate, bolacha recheada ou qualquer porcaria que os colegas estejam comendo e queiram oferecer a ela.
Várias vezes os colegas perguntam por que não podem dar comida para a Cali e a Ciça fala, com cara de enfado: "Porque ela é pequena, não pode comer isso". Tipo: "Ai, vou ter de explicar o óbvio? Se nem eu chupo pirulito, por que você acha que a minha irmãzinha chuparia?". Eu morro de orgulho, num vô minti.
Em tempo: a Ciça não tem trauma por não chupar balas ou pirulito nem nunca mais me pediu. Quando chega com a lembrancinha das festas na escola, ela me pede para jogar no lixo e fica só com o brinquedo, amarradona.
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Ciça fala o tempo todo que a Cali é muito fofa e linda. Toda hora vem comentar com a gente alguma fofurice da irmã e a gente, é claro, baba. Pelas duas. Porque é lindo demais ver a Ciça se orgulhar da irmã pequena.
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Ela também sempre fala, com um jeito de menina grande e mais vivida, o quanto a Cali é maluquinha, bagunceira e engraçada. E ri, como quem constata que a irmã ainda tem muito o que aprender nesta vida.
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Eu não sei se ela já sabe, mas pelo menos desconfia, que a irmã foi o maior presente que alguém já poderia ter lhe dado. Que mané Papai Noel...
Essas duas são fofas demais! E que coisa mais linda uma mamando na outra! hehehe Esse cuidado da Ciça na Cali desperta uma coisa muito boa que é saber olhar para o outro e reconhecer suas necessidades, uma certa compaixão que, acredito eu, só irmãos mais velhos desenvolvem de verdade. Claro que desenvolvemos isso mais tarde com nossos filhos, mas quando se é irmão mais velho, esse cuidado com o próximo vem desde cedo e se reflete no tratamento com todas as pessoas.
É muito lindo de ver a amizade de suas pequenas, viu? Mas é claro que isso só se desenvolve dessa forma porque elas têm uma família linda, unida e repleta de respeito.
Um beijo grande nas três.