Sabe quando só um dos pais tem férias ou feriado emendado? Sabe quando um deles é escalado para trabalhar num período em que o outro está de bobeira? Sabe quando um dos pais tem família em outra cidade e vai visitá-los com o(s) filho(s)? Sabe quando um deles é escalado para trabalhar em outra cidade ou país e o outro vai encontrá-lo por uns dias com o(s) filho(s) à tiracolo? Enfim, são muitos os motivos que levam uma mãe ou pai a viajarem sozinhos com os filhos.
Foi um sufoco e só deu certo porque eu trabalhava para um grande jornal e tive que dar uma carteirada na PF argentina, porque a brasileira nem olhou na minha cara. Melhor não pagar micos assim com crianças junto, né?
Se for viagem internacional e seu filho tiver aquele passaporte sem filiação, você tem de levar junto a certidão de nascimento, o que é ridículo, mas é necessário.
Se você não tem a minicertidão, providencie logo um RG para viajar pelo Brasil (ou pelo Mercosul) com seu bebê. É de graça.
Você chegou ao aeroporto com seu bebê e isso já é o durante. Porque agora, amiga, é com você. Se o voo atrasar, se ele fizer cocô, se vocês precisarem correr, você vai ter de se virar. A Ciça, quando bebê, já foi trocada numa mesinha de lado, entre cadeiras de passageiros que aguardavam o voo, em Guarulhos, por questões de pressa, com aeroporto e banheiros lotados.
Improvise no que der ou no que precisar. Roube guardanapo das lanchonetes para limpar a sujeira que o seu filho faz (crianças sempre consomem muito mais guardanapos do que vêm naqueles saquinhos plásticos).
Faça valer seu direito e pegue a fila de prioridade. Mas não espere que seja assim tão rápida, afinal, os voos sempre estão cheios de crianças, velhinhos, grávidas, cadeirantes.
Para passar no raio-x, você vai ter de tirar o seu filho do carrinho. Se ele estiver dormindo, peça ajuda. E, mesmo se estiver acordado, não tenha vergonha de pedir ajuda, porque você precisará dobrar o carrinho, tirar bolsas etc.
Na sala de embarque, se não houver lugar para sentar, se valha mais uma vez do status de prioridade e peça um lugar para sentar. As pessoas adoram ocupar cadeiras com malas e bolsas e isso não está certo.
Se seu filho já anda, permita que ande por lá, desde que você possa ficar atrás, porque certamente ele vai mexer nas pessoas e não é todo mundo que gosta. Temos de respeitá-las, até porque não queremos que antipatizem conosco antes mesmo de o voo começar, né?
Vocês terão prioridade também no embarque. Leve o carrinho até a porta do avião, desmonte-o (as mães conseguem desmontar carinhos com uma mão só, enquanto seguram bebê, bolsa e casaco com a outra. Se achar que não consegue, treine em casa antes ou peça ajuda na hora) e, ao entrar na aeronave, avise aos comissários de bordo que vai querer pegar o carrinho na porta assim que chegar ao destino. Ele já estará etiquetado e irá num compartimento especial, não se preocupe. Talvez ele chegue um pouco sujo, mas ele chega inteiro e é uma mão na roda em qualquer viagem. Não me imagino viajando sem carrinho, não abro mão em hipótese alguma.
Você pode combinar o uso de carrinho ao do canguru ou sling, mas não deixe de levar o carrinho. Ele, além de carregar o bebê ou a criança, serve para pendurar bolsas, mochila, capas, casacos, squeeze
Ainda no avião, trate de fazer amizade com seu vizinho de poltrona. Empatia é tudo para uma viagem feliz e tranquila. E você nunca sabe quando precisará contar com o seu vizinho. Cultive-o.
Na minha experiência, a maioria das pessoas tem alguma empatia por bebês ou crianças. Pelo menos com as minhas sempre ocorreu, salvo na volta de São Paulo, em que a mulher fez questão de ser antipática, me propondo que mudasse de lugar. Eu me fiz de desentendida (ainda bem que isso só aconteceu agora, em que já fiz mais de dez voos sozinha com crianças) e fiquei na minha. Coloquei Clarice no peito, o que a fez dormir rapidinho (fora dele é opção sua, mas pratique a livre demanda no avião e verás como tudo fica tranquilo) e, quando ela acordou, ficou na boa.
Passado um tempo - em que ela perguntou "Quê isso?" para tudo o que via no avião e, se eu não respondesse, ela perguntava de novo, até saber tudinho -, eu a vejo brincando de esconde-esconde sozinha (pois a mulher antipática do nosso lado estava dormindo). Quando vejo melhor, não era sozinha. Estávamos na poltrona 8F e a pimentinha fez amizade com um moço da 8A. A nossa vizinha da 8D (a 8E estava vaga, ufa!) podia ser antipática, mas o 8A salvou a pátria e brincou à distância com ela, o que a entreteve por bastante tempo.
Nas outras viagens, os vizinhos de poltrona ou eram indiferentes (minoria) ou brincavam com as meninas. Em contrapartida, nunca permiti que elas andassem no corredor do avião, que mexessem nele sem meu consentimento (mas muitos as pegaram no colo, porque quiseram) e coisas assim. Procuro ser rígida para não atrapalhar o sossego deles. Tenho de admitir que com a Ciça era mais fácil, pois ela sempre foi mais tranquilex e obediente.
Clarice é mais agitada e com ela tenho de ser mais rígida. Andar no avião não existe para ela. Sempre pego a janela e não coloco sequer a hipótese de ir para o chão. Não sabendo que em tese poderia, ela nem se abala, quer mais é ficar em pé na cadeira, mexer nas revistas etc. Isso eu deixo.
Levo sempre brinquedinhos (novidades ou velhos e queridos), livros ou gibis, giz e canetinhas para rabiscar (leve tambpem papel ou bloquinho) e lanchinhos. Quem é adepto de introduzir os eletrônicos na vida dos pequenos desde cedo, pode usá-los com filminhos, joguinhos etc. Lanchinhos entretêm muito bem as crianças (e os bebês, que, se forem amamentados, ainda têm o peito para ajudar) e, se você escolher criteriosamente, são mais saudáveis que os servidos em avião. Não viajo sem.
Se você esqueceu o lanchinho ou o seu filho quer porque quer o do avião (e você não consegue negar ou quer evitar chororô), peça sempre o mais saudável (ou menos porcaria) e misture o suco de caixinha com água, diluindo a quantidade absurda de açúcar, sódio e conservantes. E assim não corre o risco de ele se acostumar àquele gosto mega artificial. Eu só sirvo suco para elas com água, até o de frutas naturais, quanto mais os industrializados.
Nos voos internacionais, você pode levar lanchinhos e pode levar mais líquido que o permitido, se o seu bebê tomar mamadeira. Outros líquidos, como remédios e soro para o nariz, por exemplo, você pode levar na bagagem de mão, desde que em saquinhos zip-lock e com receita médica, mas eles não costumam pedir.
Para viagens longas, eu recomendo levar soro fisiológico para pingar no nariz. O ar dentro do avião é extremamente seco e às vezes só água não serve para hidratar as vias respiratórias.
Se o seu bebê mama, amamente-o sempre que ele quiser ou você achar necessário, mas dê especial atenção aos momentos da decolagem e do pouso. Se chupa chupeta, dê nestes momentos. Vale também para dedo, mamadeira. Permita!
A Ciça passou a ter dores no ouvido depois de grande (falando assim, parece que ela é enorme) e não é fácil, ainda mais se eu estiver sozinha com as duas. Por sorte, ela só teve duas vezes, em voos em que o avião fica descendo muito lentamente, tipo taxeando, sabe? Eu a ensinei a engolir, bocejar, abrir bem a boca etc., mas ela fica tão desesperada que não consegue pôr em prática. O ideal, sabendo que seu filho tem predisposição, é dar um alimento nesta hora, água (leve uma garrafinha, para não depender das comissárias na hora do pouso) e tente acalmá-lo e ensiná-lo as técnicas para amenizar a dor antes, se possível.
Depois
Chegando ao destino, você provavelmente já terá uma programação ou um esboço dela. Ou vai encontrar o pai da criança ou algum familiar, amigo. Ou tem um compromisso, enfim, planeje a sua chegada e os seus dias e tudo ficará mais fácil. Se for uma cidade desconhecida, procure por um mapa e um guia cultural assim que se instalar.
As dicas que eu dou aqui servem para qualquer destino. Mãe sempre pensa no casaquinho e na possibilidade de mudança de clima, né? Então ande com uma bolsa grande ou mochila em que você possa levar além de fraldas e itens de higiene, além de água e lanchinhos, roupas em camadas para os passeios.
Antes de sair do hotel, veja a previsão do tempo para aquele dia e vista o bebê (ou criança) em camadas. Ou, se o dia começar quente e for esfriando (ou vocês entrarem num lugar com ar-condicionado mais gelado), tenha sempre em mãos uma calça (uma meia-calça grossa, no caso de meninas), um gorro, um casaquinho, uma manta. Às vezes, eu cubro as meninas com meus lenços e echarpes.
E não saio nunca, nunquinha, sem a minha capa de chuva para o carrinho. É outro item que não dá para viajar sem. E, durante as viagens, o carrinho sempre pode ser usado para pendurar suas coisas, as da criança e as compras. Permita, é claro, que seu filho ande, brinque, corra, mas tenha sempre o carrinho por perto para cochilos, momentos de atravessar ruas, momentos em que não dá mesmo para deixá-lo solto, para refeições e para te aliviar os braços.
Programe-se para os lanchinhos no meio da sua programação. Uma dica é levar um pote vazio e uma bolsa térmica pequena para as viagens. No hotel (ou onde estiver hospedado), corte as frutas do café da manhã em pedacinhos, coloque no SEU potinho e vá oferecendo ao longo do dia. Eu pego também frutas inteiras, como maçã, ameixa e bananas, que duram mais - e muitos guardanapos, para as eventuais sujeiras. E passo o dia na rua com elas numa boa.
Além dos guardanapos, convém andar com álcool gel e lenços umedecidos, mesmo que seus filhos sejam grandes. Não é em todo lugar que vocês poderão lavar as mãos - e talvez precisem. Babadores, mesmo para os maiorzinhos, também são benvindos. Blusas extras para trocas também.
Se você estiver num flat, apartamento alugado ou casa de alguém, passe numa frutaria já no primeiro dia e faça o mesmo procedimento todas as manhãs. Caso seus filhos tenham outros lanches que não apenas frutas (como algum biscoitinho), já leve na quantidade certa, o potinho pode servir para isso também.
Claro que numa viagem você e seu filho podem estar abertos a novos sabores, novos gostos, mas, se não quiser contar com o acaso, providencie o lanche antes. Na hora você decide se vai dar o seu ou o que achou para comprar na rua. Eu sou chatinha com a alimentação das meninas, então me precavejo (quase) sempre.
Não tenha vergonha de pedir aos funcionários do hotel que lavem seus potinhos. Ou que os esquente, caso você queira esquentar uma papinha ou mamadeira e não esteja em um flat com micro-ondas no quarto nem em casa de parentes/ amigos.
Se o seu destino for São Paulo, lembre que nas padarias você pode fazer lanches, beber sucos naturais e até fazer refeições. E elas estão em toda parte, o que facilita a sua vida.
Mas, em qualquer destino, em todo lugar sempre tem um sacolão, uma quitanda ou feira ou supermercado para você comprar frutas (então viagem não é desculpa para não dar fruta fresca para os pequenos) e outros lanches. Localize-os já no primeiro dia da viagem e facilite a sua vida.

Posso curtir??? MUITO!!!! Amei, amei, amei!
Tenho uma bebê de quase 11 meses, viajei algumas vezes, mas sempre com a vovó ou o papai junto... as dicas foram ótimas para que eu crie coragem de ser mãe de verdade e pare de me pendurar em alguém para, finalmente,viajar sozinha com a minha baby.
Excelente, excelente, excelente, obrigada pelas dicas e sinta-se à vontade para postar mais e mais dicas, sempre!
Beijos!