A seção Pergunte ao Pediatra é uma parceria deste blog com o pediatra José Martins Filho, que responde às perguntas de mães e pais todas as segundas-feiras. Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?". Quem quiser mandar perguntas para ele deve escrever para o email pergunteaoped@gmail.com ou deixar suas perguntas neste post.
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Hoje, como vocês verão, duas das três perguntas versam sobre amamentação. E hoje tem texto meu sobre isso no Minha mãe que Disse, passem lá também!
Vamos às perguntas da semana:
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TEMA: COMPORTAMENTO
1) Meu filho, que tem 9 meses, começou a chorar muito intensamente de uns tempos para cá. Só se acalma no peito, mas fico preocupada porque isso tem acontecido na hora das refeições. Ele gosta de comer, mas tem me dado mais trabalho, especialmente no jantar. Achei que eram os dentes, mas ainda não senti nenhuma pontinha. E meu filho está um pouco magro para a idade - tem 7,5kg e 70cm. Por dia, ele tem quatro refeições (lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar), de quatro a cinco mamadas em média e ainda lhe dou uma mamadeira de cerca de 150ml de complemento. É suficiente para a idade?
JMF - Se ele mama no peito, por que lhe dá uma mamadeira à noite? Não entendi. Outra coisa: para falar da questão do ganho de peso, preciso de informações sobre o parto, o peso de nascimento, e principalmente a evolução dele nestes primeiros meses de vida. Já está engantinhando? Com quantos meses sustentou a cabeça, sentou? Como é seu horário? Você trabalha fora? Com quem ele fica? Se fica em casa e pode cuidar dele, pode estar acontecendo que a idade em que está (alguns chamam da crise dos 8 ou 9 meses de idade) é tipica da percepção da criança sobre as mudanças de relacionamento.
Na verdade, a partir dos 6 meses de idade, a criança começa a " despertar" para a vida e se dá conta de que a mãe é outra pessoa, que não é uma continuidade dele (Winnicott), e aí fica inseguro e começa a insistir muito com a mãe sobre atenção, cuidado etc. E à noite, é preciso seguir as orientações que sempre dou aqui, sobre a importância dos rituais, do horário de ir para a cama e principalmente, não fazer a criança dormir mamando; cho que já leu sobre isso aqui no blog.
TEMA: ALEITAMENTO
2) Olá, Dr. José, tudo bem? Sempre acompanho a coluna do blog da Paloma e acho muito bacana. Uma colega de trabalho tem uma filha de 6 meses e a pediatra recomendou que, na sua ausência, como ela trabalha, o leite da mamadeira seja o leite em pó. Quando questionei se não era melhor dar o leite retirado do peito ela disse que a pediatra informou que o leite tirado com a bombinha é o leite que fica armazenado no seio. Este é mais "fraco" do que aquele que o bebê recebe quando mama, que seria "feito na hora". Que o leite em pó teria mais nutrientes, neste caso. Isso é verdade?
JMF - Mentira. E, se esse pediatra afirmou isso, não deve estar a par das informações importantes sobre o leite humano. Converse novamente com sua amiga, acho difícil um pediatra dizer uma coisa dessas. Claro que sempre é muito melhor usar o leite ordenhado com a técnica adequada. É preciso saber se a mãe tem dificuldades e não sabe como coletar ou armazenar o leite e aí, às vezes, infelizmente, opta pelo que lhe parece mais fácil. Ou então diga para procurar um pediatra que conheça e seja amigo do aleitamento materno.
TEMA: PEDIATRIA
3) Tenho uma filha de 1 ano e 3 meses e a levamos regularmente a um pediatra alopata. Tenho muitas dúvidas, porém, quanto ao uso de remédios, principalmente antibióticos e os à base de corticóides. Quando é realmente necessário usar antibiótico? Quais os riscos de usá-los sem necessidade? E de não usá-los? E os remédios à base de corticóide, quando é essencial usá-los? Quais seus efeitos colaterais? Como uma mãe, que não é médica, pode fazer esse julgamento?
Confio muito na minha pediatra, mas fico sempre com essa dúvida. Quando minha filha tinha 6 meses, minha médica estava fora e um outro médico receitou nebulização com remédios para asma, e eu recusei. Foi difícil essa decisão, mas senti que ela estava melhorando e não quis colocá-la para usar esses remédios tão novinha. Em outras duas situações, porém, recorri a medicamentos: uma pomada à base de corticóides em um episódio de assaduras recorrentes (que depois entendemos serem causadas por uma alergia a leite que a fazia ter diarréias). E depois ela foi medicada com antibióticos após três semanas de tosse, quando começou a ter febre e o peito chiando. Quis resistir nos dois episódios, mas, como a médica esperou muito tempo tratando com remédios mais "fracos" - pomadas tradicionais no caso da assadura, xarope fitoterápico e nebulização com soro no segundo caso - acabei aceitando o tratamento.
Eu sei que isso é muito relativo e depende da avaliação do quadro de cada paciente, mas queria dicas para saber se é hora de usar esses medicamentos, ou se é melhor dar tempo para o corpo reagir, sem colocar a criança em um sofrimento desnecessário.
JMF - Será que confia mesmo na sua pediatra? Por que então tem essas dúvidas? Os medicamentos devem ser usados sempre sob orientação de um médico competente e que saiba por que está usando e avaliando em todos os casos o que é melhor para sua filha. O bom médico sempre avalia a relação custo x benefício. E até água em excesso e na hora errada pode trazer problemas sérios, ou seja, nada é inócuo, mas, quando é preciso, usa-se adequadamente e se salva muitas vidas.
O advento dos antibíoticos seguramente salvou milhares e milhares de vidas que se perdiam antes da chegada dos mesmos. Os corticosteróides também são importantes quando bem usados. Claro que ambos, em abuso e mal indicados, podem ser prejudiciais. Pelo que me informou, parece que sua filha é uma criança alérgica e pode já ter tido crises de asma. Saiba que se não medicar na hora certa, a crise pode acabar passando, mas o sofrimento é maior. E o pior é que cada crise de asma vai aumentando o risco de sequelas futuras, se não bem tratada e acompanhada. Por favor, não acredite nesse monte de informações desencontradas que às vezes aparecem nos comentários e nas opiniões de pessoas leigas. Se não confia em sua médica, mude e procure alguém em quem confiar. A relação de respeito e credibilidade entre médico e paciente é fundamental.
Muito boa a questão dos antibióticos, realmente há bastante informação desencontrada por aí. Eu mesma tenho receio... mas há que se confiar também no pediatra escolhido, né!
Paloma, vi seu texto hoje no MMqD sobre livre demanda e deixei um comentário tanto lá como aqui, mas só agora vi que é um post antigo. Depois quando puder dê uma olhada, ok?
bjos