Os 5 anos nem chegaram e já estou apaixonada

terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Os 5 anos nem chegaram efetivamente por aqui, mas eu já estou perdidamente apaixonada por esta idade. Veja por que:

Ciça multitask

- Eu vou ser dançarina, cantora e médica. E dentista! Porque eu adooooro seu um montão de coisas.

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Causa e consequência

Ela não sente fome logo que acorda, só consegue comer cerca de 1 hora depois. Daí ontem teve uma ideia "brilhante":

- Mamãe, eu não vou comer nadinha hoje, assim eu não preciso escovar os dentes, né?

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Mania de explicação

Explicando para a irmã o que é boa educação:

- Educação é quando você faz uma coisa certa. Certo é uma coisa legal. E legal é importante. Entendeu, Cali?


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Ciça e o mundo 1

As meninas sozinhas na varanda e eu resolvendo coisas aqui. Clarice vem correndo em minha direção, me chamando. Eu perguntei à Ciça se ela tinha feito alguma coisa, e ela:

- Não, mamãe, eu tava aqui, deitadinha, vendo o mundo.


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Ciça e o mundo 2

Quando come tapioca, ela sempre desenrola e vai comendo as bordas. Aí e mostra o que restou, que parece o desenho de um mapa, e diz:

"Olha, mamãe, fiz só uma parte do mundo".

***
Estas foram as tiradinhas dos últimos dias, que eu finalmente resolvi anotar para não deixar escapar da lembrança as fofurices desta fase. Os 5 anos prometem!

Pergunte ao pediatra: 17ª rodada (e o recesso)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Gente, esta é a última seção Pergunte ao Pediatra do ano. Faremos um breve recesso para recarregar as baterias. A seção volta, firme e forte no ano que vem, mas só em fevereiro, tá? É que, para quem não sabe, estou de mudança para a Eslovênia e janeiro será por conta disso.

Mas já conversei com o Dr. José Martins e nossa parceria continua, afinal, para o mundo virtual, não há fronteiras e pouco importa se a jornalista está em Liubliana, o médico em Campinas e os leitores nos mais de 20 países que me leem regularmente, segundo os dados do blog.

Além do mais, embarco para Salvador hoje, para fazer uma poupança de sol e calor humano antes do inverno que me espera. Devo ficar um tempinho off-line. Sou mais encontrável no Facebook durante estes dias de recesso sentimental, caso queiram falar comigo.

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A seção Pergunte ao Pediatra é uma parceria deste blog com o pediatra José Martins Filho, que responde às perguntas de mães e pais todas as segundas-feiras.

Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?". Quem quiser mandar perguntas para ele deve escrever para o email pergunteaoped@gmail.com ou deixar suas perguntas neste post.

Podem continuar mandando perguntas normalmente, que elas serão encaminhadas ao doutor. Há uma fila, mas todas as perguntas são respondidas. Para ler as perguntas e respostas anteriores - e evitar perguntas repetidas -, clique em "Pergunte ao Pediatra", no menu que fica aqui em cima, do lado direito da tela.

Vamos às perguntas desta semana.

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TEMA: INTRODUÇÃO ALIMENTAR

1) Doutor, tenho visto pediatras orientarem as mães, na época da introdução de alimentos sólidos, a darem Danoninho e mingaus como Mucilon. Não sou nutricionista nem médica, mas, como mãe, sinto que isso não está certo, que Danoninho não pode ser um alimento adequado para um bebê. O mesmo digo do Mucilon, um mingau engordativo e cheio de açúcar, para que engordar o bebê na marra? O que ele ganha com isso, além do aumento de risco de obesidade no futuro? Por que os pediatras recomendam isso? Pressão das multinacionais da indústria alimentícia? Espero que minha pergunta não seja censurada.

JMF - Não acho que seja qualquer tipo de pressão... é uma forma de ver a alimentação da criança à moda antiga. E veja que os próprios fabricantes dessas guloseimas avisam que isso só deve ser dado, depois de dois anos de idade (os tais danoninhos). O problema é que a luta pelo aleitamento materno que eu comecei com outros pediatras, há mais ou menos 40 anos, nem sempre é levada muito rigorosamente.

E muitos pediatras, infelizmente, têm uma visão equivocada da alimentação. Nós lutamos por aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, quando começamos com frutas, cereais, legumes, hortliças e depois carne, frango e ovo; duas refeições salgadas por dia a partir dos 7 meses e sucos pela manhã e frutas à tarde. Muitos pediatras, principalmente os meus alunos, recomendam isso. Mas entre os pediatras, como entre outros médicos e mesmo entre mães e famílias, não existe consenso. O importante é se informar, ler e principalmente escolher
o profissional que segundo sua visão é aquele que mais atende a seu filho.


TEMA: ESCOLA X DESENVOLVIMENTO INFANTIL

3) Gosto muito da seção Pergunte ao Pediatra, acompanho toda semana e já aprendi muito com as perguntas e respostas que já foram publicadas. Há várias semanas venho pensando em escrever, pois tenho uma dúvida que me incomoda bastante, e agora preciso tomar uma decisão.

Meu filho tem 5 anos, nasceu em 08/04/2006. Ele frequentava uma escolinha particular, mas este ano consegui vaga para ele numa escola municipal muito boa, onde ele frequenta o jardim I. Ele se adaptou muito bem a essa nova escola, fez muitas amizades, as professoras são excelentes, a alimentação é equilibrada, existem projetos e atividades interessantes, enfim, não tenho do que reclamar. Devido à nova legislação, no próximo ano ele continuaria nessa escola, frequentando o jardim II. Mas estou tendo pressão da família para matriculá-lo em uma escola particular, no primeiro ano (as escolas particulares seguem a recomendação de matricular os que fazem aniversário até junho, ao contrário das escolas municipais, onde a data de corte é 30 de março).

Ele é uma criança muito inteligente, interessada, ativa. Gosta de esportes e o momento preferido dele na escola é a hora do parque. Segundo as professoras ele participa de todos os projetos e está relativamente avançado em relação à classe. Aprendeu a ler praticamente sozinho (no jardim I não há estímulo à alfabertização, ainda) e já consegue ler e escrever de tudo.

Minha dúvida é com relação ao que seria melhor pra ele nesse momento, pois consigo ver vantagens e desvantagens nas duas opções. Ficando no jardim II, ele continuaria com a mesma turma, na mesma escola, e teria mais um ano para "ser criança', sem tantas cobranças pedagógicas e todas as exigências da entrada no ensino fundamental.

Mas por outro lado, talvez o jardim II o deixe desestimulado, e talvez o primeiro ano traga novos desafios e estímulos que ele necessita. De modo geral, o que seria melhor? Agradeço qualquer orientação que possam me dar.

JMF - Se fosse meu filho ou meu neto, manteria onde está e tomaria essa decisão apenas discutindo com a mãe (no seu caso, o pai). Acho que sempre há prós e contras nas atitudes educacionais que tomamos, mas, claro, é fundamental bom senso e ver o que é melhor para você, mãe, para seu marido e sua familia.

TEMA: ESCOLHA DO PEDIATRA

4) Dr José, Estou grávida de 3 meses do meu 1º filho e já completamente envolvida com o mundo da maternidade: lendo muito sobre gravidez, parto, amamentação. Tenho duas certezas: a de que quero fazer de tudo para ter um parto normal e quero fazer de tudo para amamentar o máximo possível.

Por tudo que venho lendo, percebi o quanto é muito importante ter um pediatra de total confiança, que possa nos ajudar com todas as dúvidas e nos auxiliar a dar o nosso máximo para nossos filhos. A minha pergunta seria: como escolher esse pediatra? O que eu deveria observar? Que tipo de perguntas tenho que fazer? Obrigada.

JMF - Bem, a primeira coisa: parabéns pelo parto normal e pelo desejo de amamentar! Já escolheu o obstetra? já conversou com outras pacientes dele? Qual a porcentagem de partos normais e de cesáreas que ele faz? Isso é o mais importante. A cesárea pode salvar vidas de crianças e de mães, e às vezes é inevitável, mas dificilmente uma incidência de mais de 10% de cesareanas é aceitavel. Nos países europeus e mesmo em outros países mais desenvolvidos geralmente está ao redor de 6 ou 8 %.

Agora, quanto ao pediatra, escolha um puericultor que leve pelo menos 30 a 40 minutos na consulta. Eu costumo, na primeira consulta, levar uma hora e nas outras 45 a 50 minutos. Não dá para acreditar que vai ser ajudada a amamentar a resolver todos os problemas do bebê em consultas de 10 15 minutos e infelizmentte é isso que os convênios pressionam os pediatras a fazer. Por isso precisa escolher um que seja DE VERDADE a favor do aleitamento materno e procure se inteirar do que significa tudo isso, das dificuldades iniciais, tente entrar em algum blog ou página de Facebook com mães que discutem o problema etc.

Na minha experiência, é preciso distinguir o puericultor e pediatra do médico acostumado a só atender emergências. Ele nem sempre tem tempo para conversar, discutir , trocar ideias. O bom
pediatra vai lhe dar o telefone, o email e vai aceitar dialogar com você. Claro que esse profisisonal não vai ser um médico de convenio, que tem que atender 20 pacienes por dia. É impossível. Pense bem nisso tudo e depois decida. Pergunte às suas colegas, outras mães, se ele responde ao telefone, se atende, se recebe e responde emails etc.

Festa da Ciça: lado A e lado B

sábado, 17 de dezembro de 2011
Esssa família não bate muito bem, mas se diverte!


Tanta coisa para falar sobre a festa da Ciça que poderiam render dois ou mais posts, mas, vocês sabem, eu não tô podendo (oi, gerúndio, meu amigo!)! então resolvi dividi-lo em lado A e B. As fotos acima foram colocadas sem legenda e fora de ordem, só para vocês visualizarem. Me acompanhem:

Lado A

Quem me conhece sabe que eu gosto de fazer tudo nas festas das minhas filhas. E mais recentemente tenho aprendido a ser minimalista. Nada de arroubos de decoração, nada de gastos excessivos (bom, esta parte ainda tá difícil), nada de excesso de lixo, ou seja, tenho comprado materiais que poderei reaproveitar em outras festas, afinal elas acontecem com cada vez mais frequência nesta casa.

Esta foi a festa da Ciça que eu mais curti. Sabe quando você realmente consegue conversar com seus amigos durante a festa? Sabe quando consegue parar e brincar um pouco com suas filhas? Parar para amamentar a caçula? Ajudar a primogênita e aniversariante numa brincadeira? Deu para fazer tudo isso.

Optamos por fazer a festa pela manhã, pois aqui em Brasília chove mais na parte da tarde. A ideia era fazer um brunch, começando por volta das 9:30h, aproveitando a área verde, o lago e o parquinho do clube. E até a piscina infantil, caso fizesse sol. Mas como já contei, choveu bastante e decidimos de última hora fazer a festa no salão de festas do nosso prédio. Eu queria fazer em casa, mas moramos num apartamento modesto e nunca que caberiam as mais de 50 pessoas que foram à festa. Seria loucura! Ainda bem que o síndico topou o aluguel do salão em cima da hora!

Como a festa ia ser no clube, onde já tem um parquinho maravilhoso, eu não contratei cama elástica, piscina de bolinhas nem nada. Quando mudamos a festa para o nosso prédio,a primeira providência foi descer com os brinquedos das meninas: tapetinho de EVA, toca de bolinhas, cavalinho, blocos de armar de diversos tamanhos, brinquedos de rolar e outros.

E eu já havia providenciado, para o clube, mas serviu para a casa: bolinhas de sabão, tec-tec (aquele negocinho que a gente sacode e faz este barulho), giz de cera e papéis com desenhos da Chapeuzinho Vermelho para colorir, máscaras artesanais do Lobo Mau, capuzes da Chapeuzinho.

Encomendei a papelaria com a Doceria da Tathy, que fez um lindo trabalho, do jeito que eu queria, tanto que eu não precisei alterar nada. Gostei de cara do material que Tathy e a sócia me apresentaram. Tathy ainda me entregou tudo montado, bandeirolas e tags para a mesa.

De comidas para este café da manhã, encomendei: pão delícia (amo!), cookies de aveia (fizeram um sucesso fenomenal), pão de queijo, mini sanduíches de mussarela de búfala, rúcula e tomate seco e de presunto, queijo, tomate e alface, quiche de alho-poró, bolo de laranja com amêndoas, biscoito de polvilho etc. Em casa, fizemos algumas coisinhas simples, como rechear com Nutella biscoitos de leite.

Desde que inventamos de fazer uma festa de Chapeuzinho Vermelho que eu queria um bolo em forma de lobo. Isso porque no livro "Chapeuzinho Amarelo", de Chico Buarque, há um jogo de palavras em que o LOBO vira BOLO. E esta é a parte preferida da Ciça. Quis colocar este trocadilho na mesa. Mas como fazer um jogo de palavras em forma de bolo? A ideia, neste caso, foi seguida à risca, mas deu um trabalhão.

Estava quase impossível achar uma boleira que fizesse o bolo em forma de lobo. Ou elas não tinham mais tempo (é, a festa foi super em cima da hora, embora o tema já estivesse escolhido há meses, o que facilitou bastante a execução em tão pouco tempo hábil, porque eu já sabia exatamente o que eu queria. Mesmo assim, não foi fácil.

Por fim, encontrei numa revista que peguei num buffet onde fomos para uma festa. Havia o contato de várias boleiras e uma delas topou fazer porque disse que o bolo era fácil e dava para encaixar entre as suas dezenas de encomendas para o mês de dezembro. Quem fez foi a Márcia, do Sabor e Brilho, que, infelizmente para o pessoal de Brasília, está de mudança para o Rio neste mês de janeiro. Cariocas, fica a dica: o preço dela é justo e ela faz o bolo do jeitinho que você pede.

Demorei um pouco também para encontrar quem fizesse bonecos de feltro dos personagens da história para colocar na mesa. Aí uma amiga, a Taiza, me deu uma dica preciosa, de um ateliê de costura que é ótimo e tem coisas lindas, a Casa Quilt. Me inscrevi em uns cursos lá (inclusive o de feltro) e encomendei à Sílvia, minha professora, uns bonequinhos de Chapeuzinho Vermelho e do Lobo Mau.

Imaginei uma coisinha simples, bidimensional, ou algo no estilo enfeite de árvore de Natal, que eu mesma poderia fazer, mas não tinha tempo. Eis que ela fez uns bonequinhos lindos, tridimensionais, uma trabalho irretocável, com muito esmero. Fiquei encantada!

Ia fazer os docinhos em casa, pois só queria os simples, que são os de que nós mais gostamos. Mas, por falta de tempo, já que eu estava cuidando da decoração, das lembrancinhas e outras coisas, fazendo tudo à mão, recortando e colando mil coisas, acabei encomendando de uma doceira que fica perto de casa, a Lilá. Teve brigadeiro normal, brigadeiro com cobertura de castanha, brigadeiro de copinho (ela colou cetim vermelho nas colherinhas, ficou um charme) e casadinho. Os doces dela estavam deliciosos e ela também cobra um preço super justo.

Para completar, minhas amigas contribuíram demais: A Lívia, mãe da Carol, amiga da Ciça que mora em Nova York, e a própria Carol, do alto de seus 5 anos, me ajudaram muito. Quando souberam que o tema era Chapeuzinho Vermelho, enviaram: a fantasia da Chapeuzinho que fora da Carol, pratinhos em forma de folha, guardanapos em xadrez vermelho e branco, balões sanfonados vermelhos e outras delicadezas que deram o tom à festa.

Mandaram ainda, de presente, o sapatinho preto que a Ciça usou na festa e uma caixinha customizada (usando a técnica de scrapbooking) de crayons, com o tema Chapeuzinho Vermelho. Tudo foi usado na festa, inclusive a caixinha e os gizes de cera da Crayola que elas mandaram e as crianças usaram para colorir.

A Tathy, além de fazer a papelaria, me levou até o Taguacenter (um comércio de rua que fica em Taguatinga, cidade-satélite de Brasília) para eu comprar coisinhas para a festa, incluindo a maioria dos tecidos e as cestinhas. Além disso, ela me emprestou as duas arvorezinhas que ficaram na mesa do bolo.

A Aline me emprestou dezenas de flores e borboletas de feltro que ela tinha feito para a festa da sua filha, Laura (e que usei pouquíssimo, porque não deu tempo de colar). Suiá me deu as cestinhas que ficaram na mesa dos convidados, que haviam sido da festa do Lucas. Decorei com um lacinho vermelho e frutas dentro. A Divina, minha empregada e fiel escudeira para assuntos festeiros (e muitos outros também), costurou quase tudo. O que ela não podia costurar, porque não tem máquina, levou para uma amiga costurar lá onde ela mora, por um preço ótimo.

Enfim, eu coloquei a mão na massa, como sempre, mas tive muita ajuda, o que foi ótimo. Bernardo montou casinhas de papel (dobraduras) e recortou milhares de coisas. Eu montei as cestinhas usando o adesivo universal para artesanato, que descobri na Casa Quilt e é milhares de vezes melhor que a cola quente (não faz volume, não usa eletricidade e, principalmente, não queima nossos dedos!).

Usei para moldar e colar fitas de cetim vermelho em mais de 30 cestinhas, fiz um painel de feltro (que ficou uma graça, mas foi colado todo torto e amarrotado no dia da festa) com o tema da Chapeuzinho, que eu peguei na internet (a arte do bolo também peguei num site, nas minhas infinitas pesquisas, que duraram meses) e em tantas outras coisas que nem lembro.

A montagem das mesas e da decoração (que ficou mais minimalista que o previsto por pura falta de tempo), super em cima da hora, foi feita por mim, com ajuda da Ciça, do fotógrafo Kim, da Divina, do Bernardo, do tio Marcos e da vovó Beti.

Desta vez, queria uma festa mais simples e familiar - e consegui -, então não contratei garçons e deixei tudo ao alcance das pessoas (sim, foi esquema self-service). Uma mesa grandona com as coisas do brunch, devidamente identificadas, uma mesa de sucos, e a mesa do bolo. A gente só ia repondo as coisas quando estavam para acabar, não foi estressante.

Queria e fiz: usei muitas frutas tanto na mesa do brunch quanto na decoração. Elas estavam nas cestinhas nas mesas dos convidados e mesmo na mesa do bolo, em formas de cerejas, que são super decorativas (além de gostosas). Os convidados adoraram e vi muitas crianças e adultos comendo frutas variadas, coisa rara de se ver em festas. Como queria facilitar, optei por frutas que não precisassem ser cortadas para servir: banana, ameixa, pera, maçã, uva e cereja.

***
As criança tudo!

A Ciça curtiu a festa inteirinha, do início ao fim. Foi a única que não mostrou preocupação alguma com a mudança do local da festa, ajudou nas arrumações de última hora, foi super companheira. Falou "Deixa comigo", quando eu quis ajudá-la a montar o tapete de EVA, reservado para as crianças menores brincarem - e montou sozinha mesmo -, ficou feliz demais em ver a festa tomando forma.

Os convidados foram chegando e a festa ainda não estava toda pronta, mas comidas, bebidas e brinquedos já estavam lá. Ciça adorou receber os amigos (e os presentes, claro) e brincou muito, do início ao fim. Tirou o sapato, ficou com a meia imunda, meteu o pé na lama, brincou com as plantas, de pega-pega e esconde-esconde nos pilotis, fez novos amigos (filhos dos nossos amigos) ou reviu aqueles que vê pouco no dia-a-dia.

Os convidados chegaram em horários diferentes, então ela pôde brincar até o final mesmo. Se algum amigo ia embora, logo chegavam outros e a brincadeira continuava. Mesmo depois dos parabéns ainda chegava gente (né, Lidia, Luiza e Fabi?).

O clima foi ótimo. Todo mundo à vontade, as crianças brincaram (dentro e fora do salão) e correram muito (fora do salão), agindo como crianças, é claro, mas sempre bem comportadas. Os adultos puderam conversar, eu inclusive, e deu para matar as saudades e nos despedirmos dos amigos de Brasília, já que a partir de ontem muita gente viajou de recesso e/ou férias.

Clarice, apesar da sua bebezice, curtiu e correu como se fosse grande. Aliás, em vários momentos ela queria brincar com a Ciça e suas amigas mais velhas de igual para igual. Foi duro dizer para ela que ela não tem 5 anos e não acompanha o ritmo. Mas ela se divertiu demais, ficou muito animada, dava gritinhos de alegria. Tanto que as duas dormiram horas a fio à tarde, após a festa, estavam capotadas!

***
Lado B

O lado B desta festa rende, mas vou me concentrar no principal. Durante a semana que antecedeu a festa, tivemos lindos dias de sol, sem nenhum sinal de chuva. Olhávamos a previsão para o domingo de manhã todos os dias e ela mudava, mas era sempre trovoada esparsa, encoberto (aí seria ok) ou pancadas. Mas até o final tínhamos esperança de que mudasse ou de que eles errassem.

No sábado à tarde, o tempo já estava ruim. Fomos a uma festinha e choveu muito, bateu aquele vento gelado, tanto que a Ciça ficou meio resfriada, porque não quis vestir um casaco. No meio de um toró, indo para esta festinha, Bernardo, que estava bem preocupado com o tempo, me pediu para averiguar se o salão do prédio poderia ser usado. Eu achava que não, pois o prédio está em uma mega reforma, que começou em agosto e vai durar mais de um ano, tudo está sendo quebrado e o salão, que já estava em mau estado, estava meio que servindo de depósito de coisas do condomínio.

Consegui o celular do síndico e liguei para ele, perguntando se poderia usar o salão no dia seguinte caso chovesse muito. Ele disse que sim, mas que deveríamos avisar a ele antes. Eu preferi omitir o horário da festa, porque achava que não ia precisar, era só para ter uma segurança.

Como eu disse, a Ciça ficou resfriada na véspera da festa. Quando a coloquei para dormir, seu nariz já estava bem entupido. Ela passou a noite respirando mal, bem mal, e tendo pesadelos. Eu fui dormir tarde fazendo as máscaras de lobo e outras mil coisas. Pouco depois que nos deitamos, Clarice, que fazia um bom tempo já não acordava mais antes das 6h da manhã, acordou aos berros. Não resisti - pois estava exausta - e dei de mamar. A coloquei para dormir comigo e é claro que dormi supermal. Ela ainda acordou mais algumas vezes e mamou. E, quando dormia, girava na cama, me chutava e dava cabeçadas incessantemente.

Desde que ela nasceu que não usamos mais despertador, já que ela nos acorda cedo sempre. Eis que, justamente no domingo, por ter acordado de madrugada, ela dormiu até mais tarde e nós acordamos só às 8h. Quer dizer, eu. Ela continuou dormindo (e a Ciça também). Eu acordei no susto, pulei da cama e fui acordar o Bernardo. A chuva, que tinha caído a madrugada inteira, continuava a cair, o dia estava cinza, friozinho, nada animador.

O carro já estava carregado com as coisas que levaríamos para o clube, onde encontraríamos um lugar limpo e preparado para a festa, mas vimos que não tinha condições. Descemos até o salão, vimos o quão sujo ele estava e tomamos uma decisão arriscada: vamos fazer lá. Por sorte, o síndico foi facilmente encontrado e pediu ao único funcionário da limpeza que trabalhava naquele dia para tirar as caixas que estavam no salão.

Colocamos a mão na massa, pegamos rodo e começamos a limpar o salão, a cozinha e os banheiros. Enquanto isso, escrevi e-mail, mensagem no Facebook e SMS para os convidados avisando da mudança do local da festa (eu já tinha feito uma ressalva no convite, dizendo que, caso chovesse torrencialmente, a festa aconteceria na nossa casa, o que era uma loucura, pois não caberia todo mundo em casa, mas a gente queria muito receber os amigos). Levamos tudo de casa para deixar os banheiros utilizáveis. Assim que terminamos de limpar a cozinha e o salão, começamos a arrumar as coisas.

Como tínhamos tirado muitas sacolas do carro e jogado meio que de qualquer jeito no salão, eu já não encontrava mais as coisas da decoração. Quando encontrava a fita crepe ou dupla-face, perdia a tesoura . Quando encontrava a tesoura, já não sabia mais onde estavam as fitas (isso sempre acontece quando a gente está com pressa, né?). E, para piorar, não conseguia encontrar os itens de papelaria (bandeirolas, tags e etiquetas) de jeito nenhum! Procurava em todas as sacolas e nada! Por fim, estavam numa sacola junto com umas casinhas de papel que não foram usadas por falta de tempo e espaço, ufa!

O fotógrafo, que eu já conhecia, foi o único que não viu as mensagens e foi para o clube. Eu deixei um aviso na portaria de lá e ele veio ao local correto da festa. Como chegou cedo, foi logo me ajudando a arrumar a mesa das lembrancinhas. Depois, foi fotografar a Ciça enquanto eu cuidava de todo o resto. Bernardo e Marcos foram buscar o bolo, já com atraso, e eu cuidava sozinha de colocar comidas na mesa e colar a decoração, que não tinha sido pensada para aquele espaço. Nem lembro agora se Clarice estava com a avó ou com a Divina. Ou com ambas. Eu estava numa correria, suada, descabelada, sem brinco.

O salão ficou limpo, mas a verdade é que ele é feinho, meio cafona, e tem algumas pequenas inflitrações no teto. Ele será reformado em breve, como todo o prédio, mas era o que tínhamos. Com isso, diminuí muito a parte da decoração que seria pendurada no teto (eu tinha pensado em fazer móbiles de casinhas) e colei nas paredes mesmo. Na verdade, não teria dado tempo de colocar tudo, como não deu. A Aline tinha me emprestado uma mala inteira de flores, folhas, graminhas e borboletas de feltro e eu só consegui colar 3 ou 4.

A festa começou com um pouco de atraso - sim, eu marquei às 9:30h de um domingo já prevendo (e até desejando, neste caso) que os convidados cehgariam a partir das 10h. Foi o que aconteceu e com isso deu tempo de deixar o salão minimamente decorado e os sucos e petiscos pontos para serem devorados. Só eu não estava pronta, estava parecendo uma maratonista suada e descabelada, não consegui ir até o banheiro dar um trato no rosto, então fiz o que deu na cozinha mesmo, enxuguei o rosto com guardanapo de papel, passei um batonzinho e só percebi que estava sem brinco (tinha deixado no bolso) um tempão depois.

Mas quem olha para a mãe acabada da aniversariante quando a própria está ali, toda feceira, a Chapeuzinho Vermelha mais linda já vista nestas paragens?

Primeiras lições de esloveno e outras

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Primeiras lições de esloveno

Olha quais foram as primeiras palavras que fizeram questão de me ensinar neste idioma fácil que é o esloveno:

pica (tá, é piča, com este circunflexo ao contrário no c) = pizza

pika = ponto (no cartão de fidelidade, por exemplo)

bunda = casaco (um amigo do Bernardo que está lá nos disse isso, mas o google translator - meu melhor amigo ever - não confirma; será uma pegadinha?)

Para começar deve estar bom, né? Precisaremos mesmo de bundas quentinhas para comermos picas saborosas fora de casa!

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Viva o gerundismo! (#meinterna)

Está todo mundo preocupado em que falemos para a Ciça que, apesar de termos feito duas festas para ela, ela ainda não fez 5 anos.

Na verdade, não sei se isso é assim tão importante, sabe? É claro que dissemos para ela que a festa foi adiantada (dois meses e meio de antecedência, acreditam? mas foi necessário), que o aniversário dela é dia 21 de fevereiro, mas ela ainda tem uma noção limitada do que isso significa.

E este é mais um dos exemplos de que as pessoas de fora se preocupam demais com temas que não nos afligem, mas tudo bem. Para solucionar, apelamos ao gerundismo:

- Ciça, você está fazendo 5 anos.

Então é assim: até o dia 21 de fevereiro de 2012, nossa Ciça estará fazendo 5 anos.

E eu vou ali me penitenciar por ter cometido a heresia de elogiar em público o gerundismo, que eu, no fundo, odeio com todas as minhas forças. Mas, após ter me sido tão útil, vou estar te odiando menos, ó, vício de linguagem.

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Sobre a festa, vem um post com mais causos e fotos por aí, aguardem!

Agora preciso me concentrar em escolher fotos, preparar a mala para Salvador (sim, estamos indo para Salvador fazer uma poupança de sol e calor humano antes de partirmos para o gelado Leste Europeu), pesquisar coisas na Eslovênia, cuidar de parte da burocracia, vender parte dos móveis e eletrodomésticos (vivam as redes sociais, vendi 5 itens em 20 minutos na semana passada!), brincar com as meninas, separar nossos casacões e colocar para lavar, fazer minhas milhares de listas imaginárias e só conseguir colocar poucas no papel (usando o velho método de mandar email para mim mesma, só tenho conseguido assim) etc.

Adivinhem o tema:

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Eis que, dentre as 587 milhões de coisas que estou providenciando para a nossa mudança internacional, resolvi adiantar a comemoração do aniversário da Ciça - que é em fevereiro - e fazer não uma, mas DUAS festinhas em pleno dezembro para ela. Porque trabalho pouco é bobagem. A primeira, na escola, foi mais simples, é claro, mas foi um test drive para a segunda, já que o tema era o mesmo.

A segunda festa - que foi também nossa despedida dos amigos de Brasília - aconteceu neste domingo. Seria no clube, mas choveu canivete torrencialmente e, de última hora (leia-se uma hora antes do horário marcado para a festa), tivemos de mudá-la para o nosso prédio. Foi um perrengue que merece outro post, mas, resumindo: o salão não estava reservado nem tinha muitas condições de uso, visto que o nosso prédio está em reforma. Não obstante (sempre sonhei usar este termo) os muito obstáculos, conseguimos deixá-lo pronto a tempo e fizemos uma linda festa.

Conto mais quando tiver tempo. Por ora, vamos ver quem adivinha o tema da festa da Ciça:

Pergunte ao pediatra: 16ª rodada

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
A seção Pergunte ao Pediatra é uma parceria deste blog com o pediatra José Martins Filho, que responde às perguntas de mães e pais todas as segundas-feiras.

Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?". Quem quiser mandar perguntas para ele deve escrever para o email
pergunteaoped@gmail.com ou deixar suas perguntas neste post.

Para ler as perguntas e respostas anteriores - e evitar perguntas repetidas -, clique em "Pergunte ao Pediatra", no menu que fica aqui em cima, do lado direito da tela.


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TEMA: VOLTA AO TRABALHO


1) Moro na Holanda e tenho uma bebê de 9 meses. Vou voltar ao trabalho e posso optar por trabalhar um turnão de 6 horas ou dois turnos de 3 horas, sempre com 1 hora de deslocamento. Minha dúvida é se é melhor 8 horas de afastamento em 2 turnos de 4, ou um afastamento menor, de 7 horas, mas num único turno, pois assim não perderia o tempo do deslocamento duas vezes. Na opinião do senhor, o que é melhor para o bebê? Ficar uma hora a mais por dia longe da mãe (8 horas), mas em 2 períodos de 4 horas, ou ficar no total menos horas longe (7 horas), mas num único período mais longo?


JMF -
Acho que é uma decisão muito pessoal. Eu preferiria os dois turnos de 4 horas, para que ela tenha uma mamada no meio do dia. E parabéns pelo seu trabalho e pela legislação no seu país que permite esse tipo de adaptação! Grande abraço.


TEMA: DOENÇA MATERNA X AMAMENTAÇÃO

2 -
Nós viajamos e chegamos doentes. Primeiro foi meu marido (febre e tosse), depois a bebê (febre e tosse) e agora eu. Estou com 38 de febre agora. O agravante no meu caso é que eu tenho asma induzida por dipirona e paracetamol. Como faço pra baixar minha febre nesse caso? Outra coisa: meu peito está duro de leite. Essa febre afeta meu leite de alguma forma ou eu posso coletar e congelar normalmente? E a amamentação?

JMF
-
Como lidar com sua febre em face de sua asma? Quem é o seu pneumologista? Você já consultou algum alergologista? Se está com febre, deve ter alguma infecção. A febre não vai alterar sue leite, mas o que realmente pode ser imporatnte descobrir é a causa da febre, para ver se é necessário ter algum cuidado com a amamentação (quanse nunca não há prejuizo, pois, na maioria das infecções, o leite para o bebê até ajuda, transferindo anticorpos). Sempre é importante o exame físico e o diagnóstico. Na medicina , o mais importante é o diagnóstico, porque, se ele é atingido corretamente, é muito mais fácil pensar em tratamentos e preveção de trasmissão.

TEMA: DESMAME

3 - Olá Dr. José, gostaria de saber qual sua opinião/orientação a respeito do desmame.

Minha filha está com 2 anos e 5 meses e ainda não desmamou por completo. Há alguns meses estipulei horários para suas mamadas, apenas ao acordar e antes de dormir. Sendo que ela não adormece no peito. Mama e depois de ler uma história vai pra caminha e eu fico do lado até que ela durma. Depois vou para minha cama. Desta maneira estou bem mais tranquila, e por mim sigo amamentando até que ela pare sozinha (se é que isso aconteceria, não me imagino amamentando depois dos 3 anos de idade).

Mas me incomoda a opinão de alguns familiares a respeito. Muitos acham que já passou da hora de desmamar. Mas eu acho que ainda é importante para ela, não tanto nutricionalmente, já que se alimenta bem, e come iogurte, queijos e eventualmente aceita leite batido com banana. Enfim, este e-mail é para saber tua orientação a respeito. Muito obrigada por este canal de comunicação e por tuas respostas práticas e ao mesmo tempo com muita sensibilidade.

JMF - O desmame deve ser um "acordo" entre mãe e filho e na maioria das vezes, ele acontece naturalmente, sem que haja necessidade de interrupção abrupta ou traumática. A Academia Brasileira de Pediatria, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a própria OMS acham que se pode amamentar no mínimo dois anos, mas não há recomendações em contrário, se a mãe e o bebê continuam por mais tempo. A única coisa que às vezes alguns psicólogos levantam é a questão da dependência e um vínculo muito forte com a mãe. O des_ envolver, como a própria palavra indica, é uma forma de terminar, diminuir o envolvimento, e nele está implicito a progressiva busca de liberdade e maturidade por parte da criança.

Talvez por esse motivo que amaioria dos programas incentivam até dois anos, mas é muito melhor amamentar 3 ou 4 anos do que não amamentar. Isso sim é muito prejudicial e isso nem sempre as pessoas falam, é um problema, e na maioria das vezes, as pessoas ao redor ficam incomodadas com o aleitamento prolongado... Mas o que você e seu marido sentem? O que você realmente deseja? Siga seu "feeling"... e seja feliz.

Seminário sobre Humanização do Parto e Nascimento

sábado, 10 de dezembro de 2011
Para quem se interessa pelo assunto - e, ao meu ver, toda mulher edveria se interessar, independentemente da sua "escolhas -, está rolando em Brasília um Seminário Nacional sobre Humanização do Parto e Nascimento, organizado pela ReHuNa (Rede pela Humanização do Parto e Nascimento).

Para mim, é uma questão de saúde pública, afinal o nascimento de uma criança diz respeito a todos nós.

- Tá, mas o seminário é em Brasília e eu estou em _______ (insira aqui o nome da sua cidade).

Se você não vai ao Seminário, ele vai até você! Entre neste link e assista ao vivo às palestras: http://www.rehuna.org.br.

O seminário vai até amanhã e conta também com um curso para doulas.

Mais falas da Ciça e da Cali

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Daí que com a viagem iminente, resolvemos adiantar a festa da Ciça de fevereiro para dezembro, para ela poder comemorar com os amigos em Brasília.

A gente foi no clube escolher o espaço e, em cada lugar que íamos, a primeira preocupação dela era onde seria o trocador. Parece mentira, mas eu juro e o pai está de prova. Analisávamos o quiosque, o local, e, assim que via uma bancada mais alta, ela dizia:

- Olha, mamãe, ali pode ser o trocador!

Morri de amores, né?

***
Ainda no tema festa.

Ela não é muito de pedir presentes ou coisas. Como não vê TV, não sabe dos produtos que estão sendo anunciados. Mas já vê os amigos brincando. Ainda assim, pede de vez em nunca. Só que outro dia, encantada com o livro "Marcelo, marmelo, martelo", que "leu" na escola, pediu o mesmo.

Eu disse que podia dar a ela, de aniversário, e na mesma hora ela rebateu:

- Não, mamãe, quem faz a festa não dá presente!

Sendo que eu nunca disse isso a ela nem nunca ensinei a ela. É verdade que a gente não dá presente de aniversário a ela tem um dois anos, mas isso nunca foi dito.

De qualquer forma, achei ótimo, porque ela já ganha tantos presentes nas festas e também fora de época que ela parece ter uma consciência de que não precisa de tanto assim. E nós, pais, não precisamos lhe dar presente se lhe damos a festa.

***
Ela não vê TV, mas tem uma coleção de DVDs de fazer inveja a muito cinéfilo. E assim ela passou a imitar a Lola, do desenho Charlie & Lola (Xai é o ídolo-total da Cali, já contei, né?) e fala tudo com os adjetivos super hiper na frente:

- Isso é super hiper legal!

- Você é super hiper minha amiga.

E por aí vai...

***
Clarice também não está atrás. Sábado passado, do nada, resolvi fazer, pela primeira vez, esta pergunta, só para ver o que ela responderia:

- Como é o seu nome?

- Caísss.

Juro, sem nunca ter perguntado, sem nunca ter treinado, ela me respondeu o nome dela "certinho". E olha que ela se autodenomina Ca'i-Ca'i quando quer "falar" de si mesma em outras ocasiões.

***
Ficou louca com os enfeites de Natal. Montamos a árvore faz pouco tempo e ela passou dias perguntando e se respondendo (depois, é claro, de ouvir a nossa resposta algumas vezes):

- O que é isso? [Pausa para ela mesma responder] Tal (Natal)

***
Agora, basta ouvir o caminhão de gás se aproximar, que ela vai correndo para a varanga e grita:

- Gáááásssss (ela adora pronunciar o esse prolongadamente).

Depois foge correndo, com medo de o caminhão pegar ela, e só volta se a gente a levar no colo. Acena para o moço do gás e vira a cara, com vergonha dele.

***
O pai vendo futebol na TV.

Perguntamos:

- Cali, o que o papai tá vendo?

- Gol.

***
O Corinthians é campeão. Moramos justamente na quadra mais corintiana de Brasília, cerca de mil pessoas foram à rua para assistir ao jogo num telão e comemorar. Muitos rojões ao fim do jogo. Achei que ela fosse morrer de medo, mas não, ficou numa boa, só perguntava o que era. Eu dizia que era rojão. E ela, no meio das brincadeiras, de vez em quando falava:

- Bum...
- Zão (rojão)!

Noviças rebeldes: a notícia!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
A notícia que eu estava esperando e que comentei na semana passada saiu. Não foi bem como a gente esperava. Quer dizer, na verdade, foi super como a gente esperava, mas demorou tanto a se concretizar que a gente passou a esperar por outras coisas, sabe? Mais quentinhas e próximas daqui.

Mas isso é uma longa história...

Bom, chega de lenga-lenga, que este post é curto, só para contar que a gente vai mudar para longe. Não tão longe quanto a Cingapura da Roberta, mas para um lugar distante e menos cosmopolita, o que aumenta a sensação de lonjura, saca?

A gente vai para Liubliana:

Oi, eu sou Ljubljana

Não é a Áustria, mas tem os Alpes logo ali. E, se um dia você vir três morenas tropicanas dançando e cantando nestas montanhas, não se engane (nem estranhe): somos eu, a Ciça e a Clarice cantando tal qual a Noviça Rebelde, que ela tanto adora (quem não?).

Então é isso, gentes, vamos em janeiro ou fevereiro, chegaremos no meio da friaca do inverno.

Quero dicas de como vestir crianças para o frio, viu, pessoal expatriado do meu Brasil? Não basta falar que é para vestir em camadas, isso eu sei, eu preciso de nomes e ordens das roupas. Pode ser em português, inglês ou esloveno (oi?). [Quem conhecer alguém na Eslovênia e quiser me passar o contato eu tô aceitando também.]

E dicas de onde comprar roupas para a neve em São Paulo. Eu sei onde comprar botas para neve, na rua Guaicurus, na Lapa, mas não onde comprar casacos. Alguém?

Obviamente não vamos montar nosso guarda-roupa de inverno no Brasil, mas acho que seria adequado chegar pelo menos com um bom casaco cada um, para não termos que sair do aeroporto enrolados num edredom (detalhe que eu tenho um casaco de inverno comprado na Europa que é iNgual a um edredom, horrível, comprei por puro desespero, no auge do frio da Sierra Nevada, em um novembro distante... se eu tiver que usá-lo de novo, por falta de opção, façam a gentileza de não rir, obrigada). [Não] imaginem a cena.

Pergunte ao pediatra: 15ª rodada

A seção Pergunte ao Pediatra é uma parceria deste blog com o pediatra José Martins Filho, que responde às perguntas de mães e pais todas as segundas-feiras.

Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?". Quem quiser mandar perguntas para ele deve escrever para o email
pergunteaoped@gmail.com ou deixar suas perguntas neste post.

Para ler as perguntas e respostas anteriores - e evitar perguntas repetidas -, clique em "Pergunte ao Pediatra", no menu que fica aqui em cima, do lado direito da tela.


Hoje, como vocês verão, duas das três perguntas versam sobre amamentação. E
hoje tem texto meu sobre isso no Minha mãe que Disse, passem também!

Vamos às perguntas da semana:


***


TEMA: COMPORTAMENTO

1) Meu filho, que tem 9 meses, começou a chorar muito intensamente de uns tempos para cá. Só se acalma no peito, mas fico preocupada porque isso tem acontecido na hora das refeições. Ele gosta de comer, mas tem me dado mais trabalho, especialmente no jantar. Achei que eram os dentes, mas ainda não senti nenhuma pontinha. E meu filho está um pouco magro para a idade - tem 7,5kg e 70cm. Por dia, ele tem quatro refeições (lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar), de quatro a cinco mamadas em média e ainda lhe dou uma mamadeira de cerca de 150ml de complemento. É suficiente para a idade?


JMF - Se ele mama no peito, por que lhe dá uma mamadeira à noite? Não entendi. Outra coisa: para falar da questão do ganho de peso, preciso de informações sobre o parto, o peso de nascimento, e principalmente a evolução dele nestes primeiros meses de vida. Já está engantinhando? Com quantos meses sustentou a cabeça, sentou? Como é seu horário? Você trabalha fora? Com quem ele fica? Se fica em casa e pode cuidar dele, pode estar acontecendo que a idade em que está (alguns chamam da crise dos 8 ou 9 meses de idade) é tipica da percepção da criança sobre as mudanças de relacionamento.

Na verdade, a partir dos 6 meses de idade, a criança começa a " despertar" para a vida e se dá conta de que a mãe é outra pessoa, que não é uma continuidade dele (Winnicott), e aí fica inseguro e começa a insistir muito com a mãe sobre atenção, cuidado etc. E à noite, é preciso seguir as orientações que sempre dou aqui, sobre a importância dos rituais, do horário de ir para a cama e principalmente, não fazer a criança dormir mamando; cho que já leu sobre isso aqui no blog.

TEMA: ALEITAMENTO

2) Olá, Dr. José, tudo bem? Sempre acompanho a coluna do blog da Paloma e acho muito bacana. Uma colega de trabalho tem uma filha de 6 meses e a pediatra recomendou que, na sua ausência, como ela trabalha, o leite da mamadeira seja o leite em pó. Quando questionei se não era melhor dar o leite retirado do peito ela disse que a pediatra informou que o leite tirado com a bombinha é o leite que fica armazenado no seio. Este é mais "fraco" do que aquele que o bebê recebe quando mama, que seria "feito na hora". Que o leite em pó teria mais nutrientes, neste caso. Isso é verdade?

JMF - Mentira. E, se esse pediatra afirmou isso, não deve estar a par das informações importantes sobre o leite humano. Converse novamente com sua amiga, acho difícil um pediatra dizer uma coisa dessas. Claro que sempre é muito melhor usar o leite ordenhado com a técnica adequada. É preciso saber se a mãe tem dificuldades e não sabe como coletar ou armazenar o leite e aí, às vezes, infelizmente, opta pelo que lhe parece mais fácil. Ou então diga para procurar um pediatra que conheça e seja amigo do aleitamento materno.

TEMA: PEDIATRIA

3) Tenho uma filha de 1 ano e 3 meses e a levamos regularmente a um pediatra alopata. Tenho muitas dúvidas, porém, quanto ao uso de remédios, principalmente antibióticos e os à base de corticóides. Quando é realmente necessário usar antibiótico? Quais os riscos de usá-los sem necessidade? E de não usá-los? E os remédios à base de corticóide, quando é essencial usá-los? Quais seus efeitos colaterais? Como uma mãe, que não é médica, pode fazer esse julgamento?

Confio muito na minha pediatra, mas fico sempre com essa dúvida. Quando minha filha tinha 6 meses, minha médica estava fora e um outro médico receitou nebulização com remédios para asma, e eu recusei. Foi difícil essa decisão, mas senti que ela estava melhorando e não quis colocá-la para usar esses remédios tão novinha. Em outras duas situações, porém, recorri a medicamentos: uma pomada à base de corticóides em um episódio de assaduras recorrentes (que depois entendemos serem causadas por uma alergia a leite que a fazia ter diarréias). E depois ela foi medicada com antibióticos após três semanas de tosse, quando começou a ter febre e o peito chiando. Quis resistir nos dois episódios, mas, como a médica esperou muito tempo tratando com remédios mais "fracos" - pomadas tradicionais no caso da assadura, xarope fitoterápico e nebulização com soro no segundo caso - acabei aceitando o tratamento.

Eu sei que isso é muito relativo e depende da avaliação do quadro de cada paciente, mas queria dicas para saber se é hora de usar esses medicamentos, ou se é melhor dar tempo para o corpo reagir, sem colocar a criança em um sofrimento desnecessário.

JMF -
Será que confia mesmo na sua pediatra? Por que então tem essas dúvidas? Os medicamentos devem ser usados sempre sob orientação de um médico competente e que saiba por que está usando e avaliando em todos os casos o que é melhor para sua filha. O bom médico sempre avalia a relação custo x benefício. E até água em excesso e na hora errada pode trazer problemas sérios, ou seja, nada é inócuo, mas, quando é preciso, usa-se adequadamente e se salva muitas vidas.

O advento dos antibíoticos seguramente salvou milhares e milhares de vidas que se perdiam antes da chegada dos mesmos. Os corticosteróides também são importantes quando bem usados. Claro que ambos, em abuso e mal indicados, podem ser prejudiciais. Pelo que me informou, parece que sua filha é uma criança alérgica e pode já ter tido crises de asma. Saiba que se não medicar na hora certa, a crise pode acabar passando, mas o sofrimento é maior. E o pior é que cada crise de asma vai aumentando o risco de sequelas futuras, se não bem tratada e acompanhada. Por favor, não acredite nesse monte de informações desencontradas que às vezes aparecem nos comentários e nas opiniões de pessoas leigas. Se não confia em sua médica, mude e procure alguém em quem confiar. A relação de respeito e credibilidade entre médico e paciente é fundamental.

O exercício da solidariedade

sábado, 3 de dezembro de 2011
Há muitos sorteios legais na blogosfera materna, inclusive neste blog que vos fala. Mas ainda não tinham tido uma ideia tão louvável quanto a desta semana: O Minha mãe que Disse (MMqD) criou um Super Sorteio Solidário, com 13 prêmios bacanas!

Para participar, além de deixar o comentário de sempre, você separa 15 reais (só quinze, gente) ou mais, se você puder - mas 15 reais são suficientes - para doar à Associação de Apoio à Criança com Câncer (AACC), que faz um trabalho belíssimo em são Paulo, acolhendo as famílias de crianças com câncer que vão se tratar na capital paulista, provendo-lhes hospedagem, alimentação, transporte, acompanhamento psicológico e medicamentos.

A AACC existe desde 1985 e tem como objetivos apoiar a pesquisa sobre câncer, colaborar no aperfeiçoamento e formação de profissionais de saúde, a formação de voluntários (fica a dica para quem quer trabalhar em esquema de voluntariado e não sabe por onde começar) e a construção de um centro de referência dedicado exclusivamente ao tratamento oncológico e à reabilitação de crianças com câncer. Entre no site da associação para conhecer mais deste trabalho tão importante para famílias de todo o Brasil.

Eu já conhecia a associação e fiquei encantada com a possibilidade de um sorteio solidário na blogosfera, até sugeri lá que haja outros, ao longo do ano, para que o exercício da solidariedade não se resuma às efemérides natalinas.

Sei de muita gente que tem vontade de fazer doações, mas não sabe para onde, já que não conhece as associações que precisam. Eu faço doações mensais para uma associação de luta contra o câncer daqui de brasília e confesso que só comecei quando eles ligaram para a minha casa pedindo. Eu era daquelas que tinha vontade de ajudar, mas não ia atrás, não sabia como nem para quem. Quando recebi a ligação, veio o estalo, e a vontade latente se transformou em doações mensais. Doo o quanto posso, não tem um valor fixo por mês. E este mês ajudarei também a AACC.

E, além de tudo, gente, eu tenho certeza de que a solidariedade é algo que se aprende. Se você a pratica, o seu filho praticará também, afinal criança aprende, como todos sabemos, é pelo exemplo, e não pelas palavras.

Ensinando o bebê a dormir - nossa experiência

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Como diz o título, vou contar aqui nossa experiência. Ela certamente não servirá para todo mundo, mas, desde que o mundo é mundo, relatos de experiências servem para ajudar outras pessoas que estão passando pela mesma situação, nem que seja para você ler e decidir fazer o oposto. A motivação deste post foi uma pergunta da Lorenna, nos comentários de um outro post.

Para começar, muitas crianças e bebês nem precisam ser ensinados a dormir. Alguns já nascem sabendo, outros são dorminhocos só em determinados turnos, outros são segundos, terceiros ou quarto filhos que se acostumam a dormir em qualquer lugar por pura necessidade, já que não têm atenção exclusiva e têm irmãos barulhentos. Enfim, embora tenham milhares de coisas em comum, as crianças não são iguais nem seguem padrões.

E uma das coisas mais absurdas que é difundida por aí é de que o normal é que bebês de menos de 1 ano durmam a noite toda. Não, este não é o normal. Pode ser o esperado, o desejado, o mais adequado à nossa rotina de adultos, mas não é o normal, já que a maioria das crianças nesta idade não dorme a noite inteira. Se fosse assim, este não seria um dos assuntos recorde de perguntas nos consultórios médicos, listas de mães, blogs etc. É um tal de meu filho não dorme e/ou meu filho não come que eu diria que a maternidade, nos primeiros 12 meses do bebê, poderia, se necessário fosse, ser resumida a isto.

Aliás, acabo de lançar um concurso: tuíte a maternidade. Se é para resumir em 140 caracteres ou menos, eu escreveria estas duas frases: meu filho não come (título do fabuloso livro do não menos fabuloso pediatra Carlos González) e meu filho não dorme.

No quesito sono, há várias formas de ensinar o bebê a dormir. Desde o método Estivill (Nana Nenê, chora nenê, se descabela mamãe), Encantadora/ Adestradora/ Treinadora de Bebês, vulgo Tracy Hoggs, até métodos mais suaves. Há mães, contudo, que acham que bebês não precisam ser ensinados a dormir, que eles aprendem naturalmente, no tempo deles.

Eu era uma destas. Mas era fácil falar de onde eu estava. No meu mundo materno, ou seja, na minha experiência até então, eu tinha uma bebê que tinha aprendido a dormir a noite toda antes dos 2 meses. Eu disse dois meses. Tá, é claro que além de ter sido picada pela mosca tsé-tsé na maternidade ser uma bebê muito da dorminhoca, também chamada de preguiçosa (os médicos diziam isso dela e eu não gostava), havia outros fatores. Ela foi para o quarto dela com um mês de vida. Ela não foi amamentada exclusivamente. Ela tomava mamadeira antes de dormir. Ela era alimentada a cada 3 horas.

Enfim, ela se regulou sozinha e eu acho que estes fatores influenciaram, sim, mas não acho positivo que um bebê tão pequeno não seja amamentado exclusivamente (meu caso foi terrível, eu me sentia péssima por isso, eu não tive apoio e ajuda de ninguém) nem que seja alimentado em intervalos regulares, impostos por médicos ou mães, antes dos seis meses de idade. Sou a favor da livre demanda principalmente porque sei o quanto ela é importante - eu diria essencial - para o estabelecimento da amamentação.

Quando eu vejo um monte de casos próximos de mães que desmamaram seus bebês antes dos 3, 5, 6 meses porque o leite secou e/ou o bebê não quis mais mamar - exatamente o que aconteceu comigo -, fico com pena porque tenho certeza de que foram mal orientadas e de que seguiram os horários ditados pelo médico e não pelos bebês. Aliás, o que falta é uma boa orientação em geral, já que a maioria dos profissionais de saúde não ajuda nestas horas, mãe e sogra nem pensar, marido quase nunca entende, enfim, é você, mãe, que tem que se informar, procurar a orientação correta e segurar a onda. Obviamente não é fácil e muitas entregam os pontos.

Nesta coisa de ser mal orientada ou mal amparada, muitas mães introduzem a mamadeira na rotina do bebê. Eu não falo em dar uma ou duas vezes, por desespero ou outros motivos, estou falando em dar todos os dias. Sendo que há outros métodos de restaurar a produção de leite, como a relactação. É possível, inclusive (uma pena eu não saber disso na época) reestabelecer a amamentação que já tinha sido dada como terminada há alguns meses. Com algum esforço, bebê sugando e muita vontade, dá para voltar a amamentar.

Neste ou em outros casos, um banco de leite humano, presente em todos os Estados brasileiros, saberá te orientar melhor que qualquer pediatra, acredite. E olha, gente, desmame antes de o bebê completar 1 ano de idade é considerado desmame precoce.
Esta foto é da Ciça dormindo, aos oito meses. Clarice é tão sensível a ruídos que eu nunca me arrisquei a fotografá-la dormindo depois dos 6 meses. A palavra é medo (de que ela acorde).

Mas votando ao assunto sono - eu sou prolixa com certos assuntos, aquele concurso do Twitter obviamente era uma brincadeira -, o pior erro que a gente pode cometer é achar que tem um bebê "defeituoso" em casa porque ele não dorme a noite inteira. A grama do vizinho é sempre mais verde e a gente tende a se apegar aos casos como o da Ciça, que dormia muito bem obrigada -, mas eles são a minoria. E, no nosso caso, foi pura sorte.

Eu parei de acreditar que os bebês não precisam ser ensinados a dormir quando Clarice fez seis meses e, "do nada" (era dente nascendo, introdução de sólidos, início da ansiedade da separação, tudoaomesmotempoagora) passou a acordar à noite. E mais ainda quando passei pela epopéia da cama compartilhada com ela. Eu não tenho nada contra a cama compartilhada, mas eu não gostei muito da nossa experiência. É que, no meu caso, fiz mais por desespero do que por prazer. Eu gosto de dormir perto dela, mas não na mesma cama.

Gosto da segurança de saber que ela não vai cair, que ela não vai se bater contra a parede (tá, vai se bater contra as grades do berço, mas elas não são geladas quanto a parede da minha casa), que não vai se sufocar com edredom, que não vai me chutar, me cabecear, enfim, adoro o nosso corpo-a-corpo durante o dia, amamento em livre demanda até hoje (quando estou em casa), mas à noite eu prefiro dormir separada. Eu prefiro dormir.

Mas, e como ensinar o bebê a dormir? Com calma, paciência e perseverança. E uma dose de desespero para te impelir a começar o processo, porque, por mais que a gente reclame, é gostoso ter um bebê fofinho dormindo ao seu lado e a gente acaba se acomodando.

Segundo Elizabeth Pantley, autora de "Soluções para noites sem choro", livro que eu recomendo fortemente, não é preciso tirar o bebê da nossa cama para ensiná-lo a dormir a noite toda - aliás, é importante salientar que "a noite toda" é quando o bebê dorme pelo menos seis horas seguidas à noite.

Pantley não tirou o filho dela mais novo da cama, mas eu tirei a minha, porque eu não conseguia negar o peito com Clarice dormindo ao meu lado. Eu acabava sucumbindo, era mais fácil. E, assim, ela acabava mamando dezenas de vezes de madrugada, não era só uma ou duas vezes, não, eram pra lá de oito.

Como eu já falei em outros posts sobre sono, o mais legal deste livro é que ele não tem uma fórmula infalível que vem pronta e você segue - e se não der certo a culpa e sua e do seu filho "defeituoso". Ele te dá várias informações importantes sobre a fisiologia dos bebês e o sono para que você, de acordo com suas necessidades e as da sua família - monte a sua estratégia.

Nós montamos a nossa assim: entreguei a incumbência de fazê-la dormir ao pai. Eu já contei o processo inteiro em outro post, quem quiser ler é só clicar aqui. Depois de cerca de um mês, a dormida à noite se consolidou. No início, ela ainda acordava uma ou duas vezes e, mais algumas semanas se passaram até que ela tenha começado a dormir muito mais de 6h seguidas. Atualmente, com 16 meses e o horário de verão, ela tem dormido das 20h às 6h ou 7h da manhã.

Mas...

Sempre tem um mas, viu, gente? Não se enganem, as crianças têm seus ciclos, elas regridem em algumas coisas, depois avançam de novo. A maternidade também é assim, cheia de ciclos e vaivéns, vai se acostumando.

... como ela é super sensível a tudo: ruídos, barulhos, alarmes, gritos, conversas mais altas, não é incomum ela acordar, mesmo com o sono noturno já consolidado. Pesadelos, febres, dentes nascendo, calor e outros fatores também a fazem despertar. Neste caso, mais uma vez o pai entra em ação e só me chama se o bicho pega mesmo. Nas poucas vezes em que eu precisei ir, evitei amamentar. E ela, que já desacostumou de peito de madrugada, nem pediu, acreditam? Ela só queria o colinho da mamãe - e teve -, para adormecer melhor.

E é assim que vamos mantendo a nossa rotininha de sono noturno. E eu tenho que admitir que, depois de certa idade, rotina é muito bem-vinda. Com o sono noturno acertado, ela passou a dormir mais e melhor durante o dia, quase sempre no mesmo horário (tipo 90% das vezes), o que ajuda bastante a se programar. Mas de dia só dorme no carrinho (don't ask). Como ela não se incomoda e dorme bem, pelo menos duas horas, eu não mexo nisso.

Continua mamando em livre demanda, sempre que eu estou por perto. Mas tem horário para comer os alimentos sólidos. No fim de semana, a gente dá uma bagunçadinha nos horários de comer, mas ela não dorme pior por causa disso.

Se ela fica doente, eu não hesito em colocá-la na minha cama, para aconchegá-la e monitorá-la melhor. E isso, acreditem, não a impede de voltar para o berço quando a doença passa. Às vezes há alguma resistência e aí o pai entra em ação, refaz a etapa de transição dormindo com ela no sofá-cama do quarto dela e, geralmente em um dia (para quem já passou um mês neste processo, o que é um dia?) tudo volta ao que era antes.

***
No comentário, a Lorenna diz que a filha dela dorme das 20h às 4h direto e não aceita voltar para o berço. Dormir das 20h às 4h é dormir a noite toda! Mas entendo que ninguém quer acordar às 4h, então minha sugestão é levá-la para a sua cama mesmo e continuar a dormir ou oferecer água para ela, ainda no berço, e ficar lá com ela, sem acender nenhuma luz, fazendo carinho até que ela durma. Ou mesmo pegar no colo e fazê-la adormecer, para colocar no berço, tudo isso no escuro.

Clarice é muito sensível à luz, então ela tem que dormir com blecaute (aquelas cortinas que impedem a passagem da luz) no quarto. No sono diurno, ela dorme de cortina aberta, mas à noite o blecaute é imprescindível. E o do quarto dela acaba deixando muita luz passar, porque calculamos mal a altura, infelizmente.

Quando ela acorda entre 6h e 7h da manhã, ela vai para a minha cama, mama, mama, mama e dorme por mais uma horinha, o que é ótimo para mim, que também descanso mais um pouco! E o meu quarto é bem mais escuro, o que ajuda. Isso eu nem chamo de cama compartilhada, eu chamo de despertar solidário, hehe. Porque, a não ser que você tenha mesmo de levantar cedo, por que não dormir ou descansar um pouco mais antes de começar o dia?

E por que eu trocaria isso por ficar tentando convencê-la a voltar para o berço depois de mamar para dormir só mais uma horinha? Este momento em que é permitido ficar na nossa cama existe desde sempre, desde que a Ciça era bebê, e é uma delícia que curtimos em família, antes de começar mais uma jornada.

Enfim, esta é a minha sugestão, mas eu adoraria ouvir a de vocês. Quem tiver algo a dizer para a Lorenna ou outras mães que passam por isso, por favor, manifeste-se abaixo.

Resultado do sorteio "Quem cuidará das crianças?"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

E vamos ao resultado do sorteio. Foram 136 comentários, dos quais 121 válidos.

Algumas poucas pessoas comentaram e não deixaram email, uma pena. E elas não são minhas conhecidas (tá, eu libero se alguém que eu conheço virtualmente comenta sem email, porque elas sabem que eu tenho o email delas), não têm conta no Google nem no Blogger. Daí, infelizmente, tenho de eliminar pela impossibilidade de entrar em contato.

Fiz o sorteio pelo Random, como sempre, e qual não foi a minha surpresa ao conferir na lista que o número 37 é a Suiá, mãe do Lucas, que nasceu poucos dias depois da Clarice e foi seu colega nas aulinhas de musicalização infantil da UnB? Adorei!

Suiá, vou te escrever um email para combinarmos a entrega!

Obrigada a todas pela participação e, mais importante do que ganhar ou não, é tentar responder para si mesma a este questionamento que o livro traz em seu título: "Quem cuidará das crianças?".

Este e os outros livros do Dr. José Martins Filho publicados pela Editora Papirus podem ser adquirido no site da Livraria Cultura ou no da Saraiva (opa, aqui está em promoção!) ou ainda nas lojas físicas destas livrarias.

Para conhecer as ideias do Dr. José Martins Filho, acesse a seção Pergunte ao Pediatra, todas as segundas-feiras neste blog.
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