[Alguém sabe qual o conceito de doença na França? Tem que estar com febre para estar doente? Tosse produtiva, nariz escorrendo e espirros são só um resfriado? Sempre tenho estas dúvidas...]
E eles ficam a maior parte do tempo em ambientes fechados, com uma única saída para brincar ao ar livre (que eu nem sei se acontece diariamente no inverno). A Ciça, em geral, tem uma saúde superboa e nem ela nem a Clarice sentiram nada com a mudança de temperatura do Brasil para cá (nem com a queda diária da temperatura aqui), mesmo após a nossa viagem de cerca de 24 horas para chegar até aqui (avião é outro lugar "ótimo" para disseminar vírus). Mas, após 3 dias de escola com a criançada doente, ela começou a manifestar os primeiros sintomas no sábado à noite: febre e cansaço físico.
Não mediquei e deixei ela dormir mais de 12 horas seguidas. Ela acordou sem febre no domingo, mas ainda estava um pouco abatida. Neste dia, estava bastante frio e ela não saiu de casa (nem sei se isso é bom ou ruim, porque não respira ar fresco), só passeei um pouco com Cali e com um amigo que está passando uns dias aqui.
Na noite de domingo para segunda, ela dormiu supermal, respirou mal, tossiu e espirrou a noite toda. Acordou com febre, não pôde ir à escola e eu fui atrás de marcar um médico para ela. Eu já tinha pedido indicação de um homeopata a outros estrangeiros que moram aqui e ligamos para a mais indicada, que disse que nos atenderia à tarde. Passou o número do consultório, mas, só na hora de ligar, percebemos que estava incompleto (coisa de recém-chegado, pois depois descobrimos que era só acrescentar 01 na frente que dava certo, ela deu o número simplificado, como muita gente faz aqui) e ela não atendia mais o celular.
Daí acabamos indo para uma clínica eslovena normal, acompanhadas de uma brasileira que fala esloveno, do trabalho do Bernardo. Chegando lá, falei para ela a questão do número, ela acrescentou o 01 e conseguiu falar com a homeopata. Mas já tinha chegado nossa vez na emergência (foi super rápido) e eu fiquei na dúvida se ia lá mesmo ou esperava mais umas duas horas para ser atendida pela homeopata, mas acabei decidindo ir à homeopata, já que a médica tinha reservado uma hora para a gente.
Ainda assim, fiquei meio em pânico, porque o consultório dela era longe e eu teria de ir sozinha, já que a colega do Bernardo não poderia passar a tarde inteira com a gente. Eu já sabia que a homeopata falava inglês fluente, mas eu não sou fluente em termos médicos e, como ia acompanhada da colega que fala esloveno, nem tinha procurado ver como se falam os sintomas da Ciça em inglês. Para piorar, como nossa ID eslovena ainda não saiu, ainda não podemos ter um celular de conta que se conecte à internet. Bernardo me ajudou, por telefone, a falar os sintomas em inglês e, por garantia, a colega dele escreveu também em esloveno para mim.
Depois eu soube que, ao contrário das emergências do Brasil, as daqui são pouco ou nada intervencionistas e não dão antibiótico para viroses, aliás não dão para quase nada. Ou seja, os médicos normais daqui são os homeopatas do Brasil neste quesito.
Mas em ambas as clínicas eu notei uma coisa: os atendimentos eram rapidíssimos. Era só exame médico, uma rápida anamnese (só dava tempo de falar dos sintomas, sem muito histórico) e o paciente podia ir embora.
O consultório da homeopata estava cinco vezes mais cheio que a emergência, olha que coisa. Mesmo assim, nem esperamos tanto (atendimento rápido). Ela examinou garganta e pulmão (não olhou ouvidos nem nariz), disse que a garganta estava um pouco vermelha e que o catarro ainda não tinha chegado ao pulmão, mas, como ela estava muito abatida, era bom fazermos um hemograma.
Fizemos o hemograma num laboratório lá mesmo, Ciça deu um escândalo homérico, se jogou no chão, eu travei a maior luta corporal com ela para tirar o casaco (tínhamos vestido porque o laboratório ficava em outra entrada e tivemos que atravessar uma parte do jardim no frio), quando eu, já super sem graça, me desculpo em inglês com o técnico e ele me disse: eu só preciso de um dedo. Ah, por que não disse antes? O dedo era muito mais fácil. Seguramos o braço, ele furou o dedo, colheu o sangue e voltamos para a sala de espera da homeopata, que nos chamou cerca de meia hora depois para dizer que tinha dado uma alteração pequena e que ela não ia medicar.
Eu perguntei se ela não queria medir a febre, pois a Ciça continuava quente. Ela tocou na testa da Ciça, disse que estava entre 38 e 39, mas que não fazia diferença, que eu desse um banho assim que chegasse em casa, que desse bastante líquido e não me preocupasse com a inapetência, que ela só precisava descansar e NÃO ir para a escola.
Me deu o email dela para eu escrever os sintomas e, caso ela achasse necessário, medicaria por email mesmo. Ou, a depender dos (novos) sintomas, a gente voltaria lá. Não quis me cobrar a consulta nem o exame (ela tinha dito por telefone que não ia cobrar a consulta, mas o exame havia sido em um laborátório em outro lugar, mas não me cobraram também).
O que tinham me dito é que aqui na Eslovênia não existe hospitais particulares, só os públicos, para todos. Mas existem médicos e clínicas particulares. Ela, ao que me parece, trabalha numa clínica particular (a emergência a que fomos antes era particular), mas não sei por que não cobrou. E olha que eu perguntei várias vezes, inclusive no laboratório, onde pagar o exame. Eles disseram para eu pagar no consultório médico e ela disse que não era necessário. Ok, obrigada!
O chato foi chegar em casa à noite (nota: a noite aqui começa pouco depois das 17h), já sentindo a cabeça e o corpo doloridos e ver que a Cali, que tinha ficado com o meu amigo, pois Bernardo estava trabalhando, também estava com febre (38,5). Bernardo chegou do trabalho reclamando de dores no louvido, na cabeça. Resultado: estamos todos viróticos.
Também, pudera, dormindo todos no mesmo quarto que não vê ar fresco há dias, só podia dar nisso. Quando estava um pouco mais quente lá fora, a gente ainda arriscava abrir um pouco as janelas, mas agora a gente andava evitando. Cali dormiu e eu fiz uma nebulização com soro fisológico, pois ela estava respirando supermal. Ciça dormiu melhor esta noite e acordou melhor hoje, mas continua sem ir à escola. Cai acordou sem febre (também não mediquei) e parece um pouco melhor. Bernardo tomou um Tylenol e foi trabalhar. Já eu... eu estou péssima, com nariz vazando, tosse produtiva, cansaço físico excessivo, dor de cabeça.
Ontem caíram os primeiros flurries de madrugada e o chão ficou branquinho, mas já derreteu. Segundo o climatempo daqui, lá fora está -6C neste exato momento. Ou seja, o dia hoje probete (sic)...

Calma Paloma... Tudo vai se ajeitar. Os vírus que vocês estão em contato são novos, e por aqui existe um tipo especial que se chama "vírus de inverno". A imunidade vai surgindo com essas experiências desagradáveis, mas logo vai passar. Ah! Eu tomo Mel Manuka e acho ótimo. Aqui na Suécia só receitam remédios fortes se o camarada estiver morrendo mesmo...
bj