Ciça, com sua doçura, falava para eu dizer para a Cali, pelo telefone, que ela já estava voltando, num tom tranquilizador (como a mãe faz com os filhos). Como qualquer criança da idade dela, não fazia muita questão de falar comigo por telefone, queria brincar, mas pegou o telefone só para me falar isso, quando eu disse que Cali sempre chamava por ela.
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A grande diferença de fazer a mala de uma criança de quase 5 anos - e que eu só constatei agora - é que é igual a mala de adulto. Separei quatro peças de roupas (eram quatro dias), um casaquinho para o avião, 5 calcinhas (uma reserva), um biquini, um pijama, chinelo, escova e pasta de dente, xampu e condicionador, sabonete líquido e pronto. Podia nem ter mandado estes últimos três itens, mas eu tinha potes quase vazios, achei melhor mandar. Fácil demais, rápido demais, leve demais.
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Fiquei com vontade de viajar só eu e a Ciça. É um projeto para o futuro, claro, para quando eu desmamar Cali. Ciça é uma ótima companheira de viagem e eu acho que seria bom para nós duas termos um tempo só nosso, como ela teve com o pai.
Minha dúvida é se eu não me sentiria muito megera deixando Cali, que preza tanto pela companhia da irmã (e da mamãe aqui, claro). Mas que tenho vontade e penso nisso, penso. Imagino eu e a Ciça em alguma capital europeia legal, explorando os museus, coisas de meninas grandes, enquanto a Cali ainda estiver numa fase de bagunça total e pouca concentração.
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Autodesfralde?
Na segunda-feira, mesmo dia em que publiquei o post sobre os 17 meses e meio da Cali, vi que tinha deixado um monte de coisas de fora - o que sempre ocorre, pois minha memória de ruim está caminhando para péssima. Além disso, a pequena me surpreendeu com um autodesfralde.
Foi assim: acordou com a fralda cheia de xixi, como sempre, e muito agoniada. Antes mesmo de eu trocar a fralda, ela já estava pedindo para tirar. Quando eu tirei o pijama, ela já arrancou a fralda e não nos deixou mais colocar outra. Ela está com umas alergias na pele, principalmente na região da fralda, o que ajuda a querer tirá-las.
E eu, como já estou no ritmo da viagem e estamos morando na casa de uma amiga - nossa mudança já foi, de navio -, não estou usando fralda de pano nela estes dias. Mandei as de pano junto com a mudança, pois fariam muito volume nas malas e não sei se seria viável (para mim) usá-las na chegada, com tanta coisa para fazer/ resolver.
Como ela não quis vestir a fralda de jeito nenhum, vesti uma calcinha (ela ainda não tem calcinhas, mas improvisei uma de babadinhos, que eu coloco por cima da fralda, para fazer uma graça, quando ela usa vestido) e fiquei atrás dela, meio tensa, com medo de vazar xixi no lugar errado.
Ciça ficou brincando com ela num colchão onde ela está dormindo e eu pus uma toalha embaixo. As horas foram se passando e nada. Até que, em determinado momento, no meio da brincadeira, ela avisa: "Cocô, cocô" e sai em disparada, em direção ao banheiro. Fui atrás dela, é claro, abaixei a calcinha, ela sentou no penico da Tetê (filha da dona da casa) e fez um xixizão. Foi o primeiro xixi no penico. Penico este que estava aqui no banheiro desde que chegamos (nossos anfitriões estão de férias na praia e deixaram o apê para nós, uns lindos!), mas que só tinha despertado o interesse dela fazia uns dois dias.
Ela me perguntava o que era e eu dizia que era para fazer xixi ou cocô. Ela sentava, de fralda mesmo, e levantava no minuto seguinte. Até então, eu achei que ela tinha curtido como se fosse um banquinho colorido. Mais uma vez eu subestimei a minha filha, pois, sem treinamento nem nada, ela tirou a própria fralda e fez xixi lá. Momento histórico!
Obviamente, por conta da mudança, da longa viagem que se aproxima, da adaptação que teremos lá e do inverno europeu, eu não vou iniciar o desfralde agora. Mas decidi atendê-la sempre que eu puder, quando ela pedir para tirar as fraldas. Na quarta, a cena se repetiu: ela fez mais um xixi lá. Só que ela sempre chama o xixi de cocô.
Não é o início do desfralde oficial, eu ainda não estou preparada e talvez nem ela, acho que, por enquanto, é só uma forma de ela explorar novas possibilidades.
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E agora tem chamado xixi e cocô de cocozinho. Acho que aprendeu com a Ciça. É seu primeiro polissílabo e primeiro diminutivo.
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Escondam seus laptops!
Clarice anda obcecada por meu laptop faz um tempo. Já até o derrubou, na tentativa de abri-lo, o que arruinou com meu HD e me rendeu uma grande dor de cabeça.
Mais recentemente, ela não pode ver o laptop aberto sobre a mesa que sobe na cadeira para digitar nas teclas e mexer no mouse. E mais recentemente ainda, ela aprendeu a abrir o laptop fechado, mesmo que ele esteja no meio da mesa e que para isso ela tenha de subir na própria, o que me deixa louca.
Isso lhe rendeu o apelido de minha estagiária. Eu não posso sair da mesa de trabalho para beber um copo d'água que ela assume o meu lugar. Quando eu vou tirá-la da cadeira, ela grita "não, não" e me empurra.
O laptop do pai tem uma trava e ela já aprendeu a abri-lo mesmo assim. Estamos criando um monstro. Ou uma super estagiária.
[Depois disso, o laptop de brinquedo da Ciça, que ela amava, perdeu a graça completamente. Agora, ela o rejeita.]
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Aprendeu a falar mais ("fais") e fala isso o dia inteiro, ela quer mais, sempre mais!
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Aprendeu a falar dois e já tem noção de quantidade. Separa os objetos de dois em dois e fala: dois, dois!
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Aprendeu a dizer "não queio" para negar coisas com veemência.
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Está tentando aprender a pular sozinha e se empenha nisso todos os dias. Pula no colchão, tenta pular na cama, já pulou no sofá (e caiu) e se realizou outro dia numa cama elástica. Ainda não consegue pular no chão duro sozinha, mas pede o tempo todo para eu lhe dar a mão: "puiá, puiá", ela diz. Eu dou a mão e, quando tiro, ela exige: "fais, fais!". Por ela, fica pulando por horas.
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Na cabeça dela, tudo o que é maior é melhor. E ela sempre quer o maior, claro. Não pode nos ver com um pedaço de pão maior que o dela que pede para trocar. E ai de quem não trocar!
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Está começando aquela fase de rejeitar coisas quebradas ou pela metade. Penei muito com a Ciça nesta fase e agora, com a Cali, ela começou mais cedo. Se eu dou uma bolacha quebrada, ela dá um escândalo, só quer inteira. Só aceita a quebrada se ela perceber que não tem mais nenhuma inteira.
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A escola da Ciça - sim, já escolhemos uma, foi a distância mesmo, já que a escolha se deu pelo idioma, o francês - nos mandou um convite para uma comemoração com os pais lá. A comemoração seria esta semana, a gente só chega semana que vem. Mas fiquei tão feliz de receber o convite (por email), deu uma sensação de pertencimento, foi legal!
Esta parte da adptação dela à escola está me deixando apreensiva, principalmente com a língua, mas estou conseguindo relaxar um pouco mais, porque a Ciça, de uma hora para a outra, tem mostrado interesse em aprender francês (e viva o Kirikou, que gerou este interesse e lhe ensinou uma música neste idioma). E o convite ajudou -, percebi que eles se preocupam com os pais dos alunos -, pois me fez sentir parte desta comunidade.
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O clima em Brasília não tem ajudado na nossa despedida do Brasil. Muita chuva e um friozinho, pode? Muitos programas indoor, muito tempo em casa, muito DVD. Acho que é um treinamento para o inverno de lá.
O bom é que já aproveitamos dias de verão na Bahia. Dias deliciosos. E a Ciça aproveitou mais alguns com o pai em Ribeirão Preto, com os avós, tios e primos. Agora, só em junho/ julho...
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Ciça ganhou dinheiro da bisavó e ficou impressionada. O pai guardou na carteira e ela pedia para ver e pegar toda hora. Ele disse que dinheiro era sujo, que era melhor ela não pegar. Daí ela pedia para ver a toda hora. E chegou da viagem falando nisso para todo mundo: "Eu ganhei dinheiro da bisa", "Eu tenho dinheiro". Achei engraçado, pois não imaginava que o vil metal causasse esta fascinação nela.
Já combinamos com ela que compraremos um brinquedo para ela com este dinheiro, mas lá na Eslovênia, que as nossas malas já estão prontas e bem pesadas. Faz uns dias que ela não fala mais nem pede para ver o dinheiro. Acho que a empolgação passou.
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É isso, gente, já estamos de malas prontas faz tempo. A mudança saiu dia 4 e estamos vivendo com poucas peças de roupas desde então. Estamos no apartamento emprestado, resolvendo as últimas burocracias pré-viagem. Nossa, são muitas burocracias e o fim/ início de ano e seus recessos não ajudaram em nada. A viagem é no dia 18, tá perto. Torçam por nós!

Boa sorte, Paloma, nessa nova empreitada!!! Vai ser uma mudança grande (e mudanças assim sempre nos tiram um pouco do eixo), mas tenho certeza que vai ser muito enriquecedor para você, seu marido e suas filhotas fofas.
bjim