* Vocês notaram que o Google ontem (23 de janeiro) estava esloveno? Era uma homenagem a Jože Plečnik, o arquiteto nascido em Ljubljana que é famoso em toda a Europa (e também pelo mundo). Ele é responsável pela maior parte dos prédios e paisagens (hoje turísticas) de Ljubljana e também por muitas obras em Viena e outras cidades do antigo Império Austro-Húngaro.

* Ontem Clarice completou 18 meses. Foi um dia tão corrido, que eu demorei para lembrar. Ela está muito bem adaptada a todas as novas situações, ao frio, à casa nova e até à comida, é incrível a capacidade de adaptação dos bebês.
* Ciça me preocupa um pouco mais. Além de ter mais dificuldade de comer comidas novas e provar sabores diferentes, ela está verdadeiramente assustada com os idiomas. A gente fala inglês com as pessoas nas ruas, que falam esloveno entre si.
* E ontem fomos conhecer a escola francesa onde ela começa a estudar amanhã. Ela, super sensível, chorou o tempo todo. Já vinha dizendo que não queria mudar de escola e, é claro, se assustou ao ver todo mundo falando francês, que ela ainda não compreende. Eu fiquei um tanto insegura também, acho que a adaptação vai ser um tanto longa e penosa. Já conversei muito com ela sobre o medo e hoje ela parece estar encarando melhor, mas não sei como será amanhã.
* Para melhorar esta questão da entrada na escola nova, comprei roupas e sapatos novos para ela fazer a grande estreia. Isso a animou um pouco. Ela fica tirando e colocando os sapatos (adora sapatos e botas e sapatilhas) e já se imaginava usando-os na escola.
* A principal brincadeira do momento envolve fazer malas grandes (com as embalagens dos sapatos e botas), pegar um táxi e ir para o aeroporto. Por que será, né?
* O inverno aqui é o mais ameno dos últimos 100 anos, segundo dizem. Realmente, está inacreditável. Não tem fog (aqui costuma ter fog todos os dias de janeiro), tem muito sol e ontem chegou a fazer 12 graus. Sem mentira nenhuma, sentimos calor andando na rua.
* Os taxistas daqui são uma figura! Quase todos perguntam de onde somos e começam a falar tudo o que sabem sobre o Brasil: calor, samba, futebol, Neymar... Tinha um que sabia todos os times do Brasil, até Bahia, Figueirense, Guarani... muito engraçado!
* O perrengue por que passamos no primeiro dia foi quase nada comparado a outros. Bernardo teve que sair para resolver coisas da nossa vida aqui e eu fiquei sozinha com as meninas. Demorei horas para dar banho e vestir todo mundo. Neste dia, estava chovendo e fazia frio (para os nossos padrões). Eu liguei para o táxi e desci com elas para esperá-lo na rua. Como tinha que fechar três casacos e descer com duas meninas e um carrinho de bebê por dois andares (com escadas), eu me atrasei e perdi o primeiro táxi. Mas eu só soube disso 20 minutos de frio e chuva depois, quando liguei para a central de táxi. Daí pedi desculpas, chamei outro táxi e este também não veio. Mais 20 (ou 30, sei lá) minutos depois, liguei e perguntei pelo meu táxi. Me disseram que a minha rua estava fechada e o táxi não pôde entrar. Depois descobri que moramos numa rua que passa mais tempo fechada (só pedestres podem passar) que aberta para carros. Agora eu já sei e chamo o táxi na esquina, que tem um nome enorme, mas eu tive que aprender a pronunciar na marra.
* O problema deste atraso foi que deu 15h e ainda não tínhamos comido. Quando vi que o táxi não viria mesmo, saí à caça de um restaurante nas redondezas e uma mulher na rua me indicou um italiano que fica aqui pertinho. Fomos lá e foi ótimo. Mas Clarice dormiu, depois de chorar de tanta fome (morri de pena, pois não podia dar de mamar na rua, na chuva, no frio) e só acordou umas duas horas depois. Eu peguei uma quentinha para ela e, quando acordou, ela devorou o penne como se não houvesse amanhã.
* Ontem começamos a ver apartamentos e casas para alugar e a arquitetura interna dos mesmos é muito bizarra. Tem umas que são demais, supermodernas. Outras, parecem a daquele filme "Quero ser John Malkovich", com o teto superbaixo, estilo casinha suíça. Senti claustrofobia, mas Bernardo gostou. Acho que teremos problemas para escolher. As melhores casas são longe do Centro, mas a minha vontade era morar no Centro. A oferta imobiliária daqui é BEM restrista. Não vai ser fácil.
* Fomos a um supermercado francês e foi o paraíso poder ler rótulos em francês. No super perto de casa, todos os rótulos são em esloveno, servo-croata etc. Só tem as línguas dos Bálcãs, acreditam? Passamos mais de meia hora para comprar sal. Depois de comprarmos o sal, passamos a cozinhar em casa e agora não há tanto estranhamento de sabores.
* Estou saindo agora para mais uma maratona de visitas a casas e apartamentos e amanhã a Ciça começa na escola. Se você me lê e é mãe e mulher e amiga (ou amigo), por favor, pense positivo, que a gente está precisando. Estou animada, mas uma torcida amiga é sempre muito benvinda!
Estou torcendo muito por vocês aqui, Paloma! Que tudo se ajeite lindamente. =)