1 mês e a vida (real) que segue

domingo, 19 de fevereiro de 2012
E hoje faz um mês que mudamos de malas e cuia para a Eslovênia. Ui, tanta coisa já aconteceu que até parece que faz mais.

Hoje estou cansada e sem ânimo para retrospectivas, mas queria salientar para quem me lê do Brasil que vida de expatriado não é nada fácil. Sei lá, fiquei pensando nisso estes dias, pois tenho percebido que há quem idealize a vida no exterior, a nossa vida (mesmo em Brasília já sentia isso, faz parte da exposição de se ter um blog, mas agora piorou). Mas a nossa vida não tem glamour nenhum!

Tá, eu fico postando fotos de crianças felizes e sorrindentes, lagos, castelos, neves, trenó, parques, passeios e com isso posso dar a falsa impressão de que a vida aqui é fácil, que o céu é sempre azul, que a neve é sempre branquinha, que a vida é sempre lindinha... NOT!

A vida, gente, a vida real, é como em qualquer outro lugar. Feita de dias melhores e outros piores. Temos nossos dias de gripe, dor de cabeça e mau humor. De amor, de carinho, de união, mas também de cansaço, de desentendimentos, de birras, de brigas e de fazer as pazes. Então, vamos combinar uma coisa: nada de idealizações, tá certo?

***
O melhor da mudança, para mim, são as novidades diárias, as belas paisagens (isso é inegável), a possibilidade de ver as estações do ano bem definidas, as diferenças culturais, o aprendizado de um novo estilo de vida (que, apesar das dificuldades, me encanta), um novo mundo que se abre e está aí, para quem quiser/ souber/ puder aproveitar.

O pior é a incomunicabilidade, o nosso analfabetismo em esloveno, a burocracia para se conseguir coisas simples, como um celular de conta (só conseguimos há poucos dias) - que para mim era fundamental, para eu poder usar mapas e acessar a internet, principalmente para usar o Google Translate na rua -, a dificuldade em abrir e depois movimentar uma conta em banco (imagine todos os caixas eletrônicos com instruções em esloveno e se sinta pior que um aposentado de 95 anos tentando manejar aquilo), a falácia de que todos aqui falam inglês (quem inventou isso, gente?), a minha impossibilidade de trabalhar neste país, a solidão, o não ter com quem falar português além do seu núcleo familiar, a saudade das pessoas de que gostamos e que estão a um oceano de distância.

Na lista do pior, poderia colocar ainda a falta de empregada, de faxineira, o alto preço de uma baby-sitter (que, para mim, de nada adiantaria, pois como achar uma que falasse português?), a falta de ajuda para as coisas do dia-a-dia, mas isso faz parte do estilo de vida europeu e eu, mesmo não gostando de cozinhar nem sendo uma dona-de-casa exemplar, acho que faz parte da experiência, faz parte do pacote que nós escolhemos, então disso não reclamo, embora tenha meus dias de cansaço extremo, de raiva de acabar de arrumar ou limpar parte da casa e ver as meninas bagunçando e sujando tudo em segundos... coisas que qualquer uma que é mãe e neurótica como eu já sentiu pelo menos uma vez na vida.

Enfim, a experiência completa, como a vida, inclui o bom e o ruim, e cabe a nós lidarmos com tudo isso. Este blog não é para falar de mim, portanto vocês não verão aqui muitas coisas do meu dia-a-dia, apenas um recorte da vida das meninas, que agora inclui um novo país. Mas, ao lerem, lembrem-se de que é isso: um recorte, um registro, uma parte da experiência que eu resolvi selecionar para elas, para os parentes e amigos, para vocês. A vida é muito mais que isso.

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Tenho tanto assunto para posts que talvez eles nunca saiam - o que me deixa triste, pois é um registro importante que se perde. Porque cada dia tem tantas novidades... Sou expatriada recente, é a minha primeira vez morando fora do país, logo, estou parecendo um bebê descobrindo o mundo.

Morro de vontade de dividir este tantão de novidades com vocês, mas aí eu lembro que este é um blog das meninas, para falar das meninas, que isso fugiria ao propósito deste blog. Fora a minha falta de tempo para escrever tudo e o eterno receio da superexposição. Daí, quando eu vejo, o assunto já ficou velho e já passei para outros. Eu sou do tipo que, se não registro no dia, dificilmente consigo fazer bem depois.

Ontem e hoje, por exemplo, curtimos o Carnaval esloveno e, apesar das diferenças (são poucos os que dançam, a maioria só assiste ao desfile), achamos bem legal. As meninas adoraram! Talvez role um post, talvez não.

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Sou só eu ou vocês também sentem que o Facebook meio que acaba com os blogs? O FB é "ótimo" para quem não tem muito tempo. Você joga frases soltas lá, não contextualiza se não qusier, não precisa explicar quase nada, mas, com isso, acaba falando muito de si.

Alo, além? Tem alguém aí ou está todo mundo pulando Carnaval?

Quem não está no Carnaval está a fim de discutir se o FB representa o início do fim dos blogs ou eu é que sou/ estou apocalíptica?

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Falar em FB, muita gente que lê o blog pede para ser minha amiga e sequer deixa uma mensagem. Assim eu não aceito, gente, desculpa. Já me pediram para criar uma página do blog, mas ele não é comercial e não me interessa fazer isso. Fiz ótimas amizades por aqui, adoro a blogosfera materna, mas as pessoas precisam falar, se apresentar, acho que é educado, para dizer o mínimo. E eu sou desmemoriada, lembram? Posso não ligar o nome à pessoa.

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Amanhã não haverá a seção Pergunte ao Pediatra, porque é no meio do Carnaval, porque é véspera do aniversário da Ciça (sim, em dois dias eu terei uma filha de 5 anos, mal posso acreditar!), porque estou realmente sem tenpo estes dias. Mas vocês podem - e devem - mandar perguntas.

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Se vocês quiserem saber mais das diferenças culturais e das nossas (minhas e das meninas) impressões sobre o que temos visto e vivido aqui fiquem à vontade para perguntar. É um bom estímulo para eu escrever posts decentes sobre a vida aqui.

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Agora vou dormir, que pegamos estrada ontem e hoje, estivemos com crianças no meio da multidão, brincamos no Carnaval de rua, tem muitas coisas acontecendo e eu estou cansada. Fiquem com umas fotos bonitinhas (que mãe que vai postar foto borrada ou com cara feia dos filhos, me diz? A gente sempre seleciona as mais bonitinhas e/ou engraçadas) e até a volta!

As fotos são do Carnaval de Ljubljana, numa praça no Centro da cidade. É, acho que vou fazer, sim, um post sobre isso, pois foi uma experiência antropológica interessante - para mim e para elas - participar do Carnaval daqui.







24 comentários:

  1. Dani Garbellini disse...:

    Sabe, acho que via de regra as pessoas acham que a grama do vizinho é mais verde. Além disso, é difícil a gente escrever no blog sobre problemas, pois tem a questão da exposição, o envolvimento de outras pessoas, a intimidade, enfim... fica mesmo uma falsa impressão de mundo cor de rosa para muitos que não conseguem perceber isso. Aliás, é uma das coisas que me fazem refletir sobre blogar.
    Quanto ao FB, também acho que tem uma interferência grande no blog. Atrai leitores, é certo, mas aumenta o número de pessoas do mundo real que acompanham e, pelo menos isso para mim, gera algumas amarras. Além disso, é mais fácil curtir ou fazer um comentário rápido no FB, que se perde por ai. Eu senti muito isso quando anunciei minha gravidez no blog e publiquei no FB, que foi meu modo de anunciar por lá também. Teve muito mais gente que se manifestou por lá, mas esses comentários não ficaram registrados como os do blog. Preciosismo meu?
    E sim, tem esse outro lado que você falou, sobre notas curtas, soltas, mas ai acho que seria mais ou menos como o twuiter, que também diziam que acabariam com os blogs e não aconteceu. Mas ai tenho pouco a acrescentar, porque nunca entrei no twiter, não tive vontade. E também meu blog é bem pequenininho mesmo, então pode ser diferente.
    Nossa, escrevi demais. Só quero finalizar mandando um beijo e desejando calma, que um mês é bem pouco para uma adaptação dessas e logo logo certamente você estará mais tranquila com tudo isso, ainda que com dias melhores e outros piores, como em qualquer lugar do mundo, né não?
    Beijão!

  1. Carolina disse...:

    Eu imagino o quanto é difícil, sempre fico pensando que eu não dava conta, eu ia deprimir, certeza. Sem filho, até vai, mas com filhos, é demais pra mim.

    Sempre admiro sua coragem e positividade apesar das dificuldades!

    E agora se vc entrar no meu blog, dá pra saber pq ninguém mais ia ver daí rs.

    E sobre o facebook, eu fiz faz alguns meses, acho muito desorganizado, configurar ele é um problema, vc comenta de alguém e todos seus amigos vêem, acho ruim... mas uso porque todo mundo tá lá e eu não to negando a vida social, mesmo pela internet hahahaha. Mas de verdade, nunca sei o que escrever lá. E eu gosto dos blogs, me identifico mais.

    Tudo de bom pra vocês todos.

  1. Este comentário foi removido pelo autor.
  1. Verdade incontestável,quando você fala das idealizações de uma vida no exterior, nunca pensamos nos problemas de adaptação, clima, cultura e crenças. Sempre olhamos com um olhar de "mundo perfeito". Eu mesma, sempre tive esse sonho de morar fora do país por um tempo, sei lá, me arriscar, me jogar, ver no que vai dar, sabe?! Ler ser relato/desabafo faz a gente ver a vida como ela realmente é, ver que não existe conto de fadas, aliás, a vida assim é bem mais enriquecedora, imagine o quanto de aprendizado você vai tirar dessas situações que aparentemente são chatas e até mesmo desgastantes. Paciência e você verá que dará tudo muito certo.


    Nada como um dia após o outro. Bjos

  1. Lia Vasconcelos disse...:

    Sim, tem alguém aqui, mesmo no Carnaval! É assim mesmo....Eu já morei fora. Tá certo, eu era bem mais jovem sem filhos, antes de entrar na faculdade. Ainda assim foi bem difícil mesmo tendo ido para um país em que eu dominava a língua. No inverno, então, quando anoitecia às 16hs, eu só pensava em ir para casa dormir! E foi só 1 ano! Enfim, a gente idealiza mesmo, mas é dureza. O que eu posso te dizer com certeza é que depois que passa, o que fica é bom e, hoje, até olho com saudades (boa, não nostálgica) esse tempo que morei fora. Quando a primavera chegar, tudo vai melhorar, vc vai ver! Bjs

  1. Sim, vida de expatriado não tem glamour, mas pode ser muiro enriquecedora se a gente souber aproveitar tudo, ainda q isso não seja exatamente como pensamos! A verdade é q vida normal, com pessoas normais e em pouco tempo, em lugar normal tb! No comeco é mt coisa pra resolver, depoisuitas novidades, mas logo a vida entra nos eixos e vira rotina. Esbarramos com mil dificuldades e mil coisas legais tb, só depende de como encaramos isso! A vida fora do Brasil pode ser muito legal, mesmo com todas as dificuldades. Tem dias q eu quero sumir qdo abro os olhos e lembro q tenho q cozinhar, ir ao mercado, arrumar casa... sabe o q faco? Nao faco! rs! Ser expatriada me ensinou a cobrar menos de mim, Paloma e tenho achado otimo! É bem verdade q sou uma pessoa c alto poder de adaptação e q costumo ver mais coisas a favor do q contra, mas na minha opinião, o q está acontecendo c vc, logo vai passar! um beijo em vcs! Livia, mae da Carol.

  1. Tathyana disse...:

    Eu fico aqui, no email, no face me comunicando com vc e vendo o que está acontecendo do outro lado da tela. E eu tmb acho que o face acaba com a vontade de postar e ultimamente estou nessa vibe. Sobre a vida aí é a mesma vida daqui só que com um oceano de distância. Esse romantismo não existe mesmo quando se tem filhas marido, casa pra arrumar, roupa pra passar e comida pra fazer. É a vida que tem que ser vivida. Bom carnaval pra vcs. Terça iremos no bloco da tesourinha e eu vou me lembrar que nos encontramos lá no ano passado. Bjssss

  1. Dione disse...:

    Paloma, li seu post no reader, mas fiz questão de vir aqui no blog comentar. Imagino o seu cansaço, físico e mental. Mudar - de mala, cuia e criança - para um país que a maioria mal sabe onde fica no mapa, com uma língua que nem faço ideia de como se fala? Muita coragem. E se algum dia alguém já pensou em fazer turismo por aí e morreu de inveja pq vc foi morar, essa pessoa esqueceu como é o dia a dia. Claro que tem o encantamento, eu adoro por exemplo observar a rotina das pessoas; e observar a rotina na Eslovênia deve ser legal, mas cadê tempo para isso com 2 crianças pequenas, casa, marido, compras, escola. Espero realmente que vc se ambiente rapidinho.
    Qto ao FB, já notei isso também. Sempre dou uma passada por lá, e quando escrevo algo sobre a Nina, as pessoas comentam e o assunto, que poderia render um post legal acaba se esgotando nos comentários. E tb qdo coloco o link do post as pessoas comentam por lá mesmo. Acho que tenho que postar menos no FB e cuidar mais do blog.
    Tomara que amanhã você esteja mais animada! Beijos!

  1. Oi, Paloma! Aqui é R. Tenho tanto para dialogar com você sobre alguns dos seus apontamentos... Em um simples coments é complicado.
    Vamos lá:
    Fui expatriada por vários anos: primeiro com meus 21 anos. Tranquei a FAU, comecei a fazer outra faculdade em Amsterdam, início de vida no exterior com o namorado- dois moços em busca de diversos aprendizados, término de namoro e retorno do rapaz ao Brasil. Vida sozinha em um país frio de clima, porém, inserida em um círculo de amigos carinhos e com visão de mundo similar. Retorno ao Brasil: terminar FAU e sentindo-me expatriada em meu próprio país- a USP não tinha a mesma graça do passado, assim como Sampa. Olhares mudam...Outra mulher, sem dúvida! Fim da FAU. Viagens pelos muitos países de outros continentes e, SEMPRE, sentindo-me em lugar nenhum, mas vivendo a rica experiência da transformação! Experiência em trabalhar em minha área em alguns países- SEMPRE os amigos daqui elaboravam ideias de que eu tinha uma vida profissional e pessoal maravilhosa. Maravilhosa, concordo, pois sempre tentei tirar o melhor de cada cultura. Consegui desconstruir alguns estereótipos e recriei-me em um universo de aprendizados que tive como mulher nos países que morei. E, para ponderar sobre isso, mulher expatriada sozinha, é muito complicado, mas desafiador, no sentido positivo! Assim, não considero vida maravilhosa porque trabalhei em minha área, pois TODO trabalho, em TODO lugar, tem lá seus incômodos, horários, regras, deveres, chatices, chefias, colegas azedos etc. Maravilhosa apenas pelos aspectos que citei.
    Agora, RÁ, vida de expatriado, é sempre uma luta diária, como aqui e, acrescento, sem os benefícios do que já conhecemos, como os códigos de cada lugar, o poder simbólico das regras de cada local, tudo isto sem, como você citou, os benefícios que a classe média tem por aqui- uma outra mulher que limpa sua sujeira, prepara seu alimento, enfim.
    Imagino que a sua vida com duas crianças pequenas, sem entender o idioma ( não sabia que havia esta crença por aqui que todos os países falam inglês. Novidade!) local e, muitas vezes, mesmo que saibamos o idioma, há os códigos particulares dos diálogos- como piadas, p.ex.
    Desconstruo o tempo todo quando perguntam sobre a vida europeia. Mas APENAS quando perguntam, pois muitos podem interpretar como uma chata.
    Minhas idas e vindas foram objetivas, com o pé no chão. E a nossa ( se formos embora como planejamos) mudança pra algum país da Europa, será com o pé no chão também. E a A. é uma mulher tão lúcida como eu neste quesito, o que amenizará muitos possíveis enfrentamentos. Talvez seja por suas várias mudanças aqui no Brasil, de Estado, de faculdade, de um olhar "treinado" para o diferente desde os 16 anos, quando começou sua primeira faculdade longe de Brasília. Penso que isso é um elemento facilitador, pois observo as reflexões da A. quando visitamos outros países.
    Viu? Muito para dialogar, mas aqui fica complicado.
    Quanto ao Facebook, minha visão é muito negativa desta rede social. Depois que eu e A. soubemos mais ainda que o tal fenômeno é pura "robotização" para a maioria, ficou complicado tecer qualquer comentário positivo sobre a rede. O blog é uma opção para quem curte escrever com reflexões mais densas, o que você faz muito bem!
    Beijos nossos e feliz aniversário para a Ciça!

  1. Daise disse...:

    Engraçado, Paloma, como é importante lembrar que o que está no blog ou mesmo no FB é só uma parte da vida da gente (um pequeno momento de um determinado dia). Às vezes a gente (e os outros) se esquece mesmo disso.
    Já vi muitas pessoas reclamando no FB da vida de "faz de conta" de outras nos seus murais. Oras, eu, particularmente, prefiro ler a parte boa, a felicidade e a alegria do dia a dia das pessoas. Acho até constrangedor o quanto algumas pessoas expõem suas raivas, suas frustrações, seus fracassos. Prefiro assim como é. A alegria dos outros me contagia. :)
    E acho bacana a ideia de postares sobre a vida de vocês aí, sobre o teu ponto de vista. Gosto de relatos assim.
    Este teu post foi muito bacana.
    Acompanho teu blog pelo Google Reader no celular, por isso nunca comento (dá um baita trabalho tentar postar um comentário), mas desta vez eu quis vir aqui registrar meu oi e deixar um beijinho de parabéns para a Ciça. E gostei da tua franqueza, de verdade.
    Grande beijo para vocês.

  1. Celi disse...:

    Paloma,
    Disse tudo A VIDA (REAL) QUE SEGUE... A princípio tudo parece um mar de rosas e descobertas. No começo é mesmo, mas depois entramos numa rotina e às vezes parece que as dificuldades se sobressaem perante a beleza, a qualidade de vida, a bela paisagem.
    Já escrevi algumas vezes para você o quanto estão positivos com a mudança, com o período de adaptação e com a nova fase da vida de vocês. Acho que esse é o ponto número um. Precisa mesmo pensar positivo e não desistir perante um pequeno obstáculo.
    A gente não devia, mas a gente se acostuma... Essa é a realidade. Agora, não dá para estagnar, deixar os dias passarem.
    Tem que ter um meio termo. Precisamos encontrar o equilíbrio para sermos felizes. Assim como muitas escreveram, é possível viver bem, olhar e viver intensamente as coisas boas que o país oferece. Lógico que nós pensaremos muito em nossos filhos, o que é natural. Afinal, queremos tudo do bom e do melhor para eles.
    Mas temos que batalhar e um tanto para ficarmos bem também.
    Isso tudo que disse sobre sua vida: momentos de desespero, de ter que arrumar tudo de novo, de não ter ninguém para ajudar, de ter que dominar um idioma... tudo isso eu sinto e vivo também.
    Tem dia que fechos os olhos para a casa, senão tenho a impressão que vou pirar.
    Tem dia que penso que jamais saberei me comunicar 100% em alemão. Tem dia que quero sumir e voltar para o Brasil. Mas passa... passa quando começo a olhar tudo que já conquistei, quando coloco tudo na balança e vejo o quanto tem de ganhos e coisas boas por aqui.
    Assim a vida segue, as saudades também... O que conforta muito é saber que tem outras pessoas no mesmo barco que nós. Recentemente escrevi um post falando sobre Brasileiras pelo Mundo, Brasileiras na Alemanha (chegou a ver?). Pois é, fiquei impressionada como através do blog estou conhecendo brasileiras pelo mundo, que apresentam o mesmo sentimento, brasileiras morando bem pertinho de mim. Isso ajuda um tanto!
    As amizades e familiares do Brasil também ajudam, mas o ritmo, o fuso horário, tem um tanto de coisas diferentes, que mudam.... Então, a gente se apega as pessoas que estão por perto, ao próprio blog para desabafar.
    Acho mesmo que além de conversar com outras pessoas que vivem na Europa, vc podia sim escrever de vez em quando no seu blog. Uma forma de registrar, de organizar o pensamento. Faz um bem enorme.
    Lógico que o registro sobre as meninas é fundamental, é o propósito do seu blog. Mas pense nisso!
    Quanto ao facebook, sem comentários. Acho que a depender do uso, passa sim uma imagem errônea da nossa vida, uma total vida de glamour. É divertido, mas vale todo um cuidado com esse passatempo.
    Conte com tantas amigas, mães blogueiras que tem. Sempre pense no que já conquistou, deu conta até agora, nesse 1 mês de vida fora de "casa", do seu país de origem. Isso dará forças para continuar...
    para pensar que um dia pode ser melhor que o outro.
    Parabéns pelo aniversário da Ciça. Parabéns para ela. Afinal, tem coisa mais gostosa do que ver nossos filhos bem, saudáveis e felizes?! rs
    Beijos

  1. Simplesmente AMEI quando vc fala sobre o falso glamour que as pessoas fazem da nossa vida (expatriadas) no exterior. E gostei mais ainda da sua pequena listinha de coisas que te frustram quase diariamente (idioma, celular, banco, etc,.). Eu sei bem o que é tudo isso, talvez um pouco menos por meu esposo ser Finlandês, o que me ajudou bastante na parte mais burocrática da coisa, mas ainda assim, fico frustrada diariamente em não poder ser "psicóloga" aqui, de que meu diploma não tem validade NENHUMA se eu não tiver domínio do idioma, e pensar que isso vai levar pelo menos uns 3 anos mais...

    Sabe um fato curioso? Antes de eu ir ao Brasil, o meu blog recebia cerca de 1000 acessos diários, depois que eu passei a ser mais uma brasileira os acessos diminuiram consideravalmente. Obviamente que o povo acha a vida de uma expatriada um total glamour. né não?

    Quanto ao FB, eu não acho que seja o fim dos blogs, acho que enquanto houver leitores natos, existirão os blogs... eu por exemplo não tenho saco nenhum de ficar lendo meu feed...o blog não, se o assunto me interessa eu leio, se não eu pulo. E igual a vc, NÃO ADD quem eu não conheço. Aliás, o povo comenta 1 vez no meu blog e acha que já somos amigos forever...pow! Eu até pensei em criar um perfil somente para o blog, daí não rolaria esse problema, mas daí é trabalho demais, desisti e só add quem eu tenho um mínimo de contato.

    Aqui o carnaval é só em julho, afinal sair fantasiado no meio da neve só se for de urso ou esquimó!

    Beijos pra vocês!!!

  1. Lu disse...:

    Oi Paloma,

    aqui é a Luciana, Mãe Internacional de Israel. Você está certissima, não é fácil, não é sempre uma delicia, não é sempre o paraíso... Mas enriquece muito, em todos os sentidos e você sabe disso também. Aprender a se virar sem ajuda dos outros, sem empregada, dar uma desencanada na perfeição, fechar os olhos pra bagunça (às vezes), olhar o mundo com outros olhos. Sinceramente, as coisas vão se ajeitar na primavera. Haverá mais atividades na escola da Ciça, mais oportunidades pra você interagir com outras mães, um tempo mais ameno pra você ir no parquinho com a Clarice e conhecer outras pessoas, enfim, daqui a uns 2 meses vocês estarão incrivelmente mais confirtáveis na vida nova. Não exija tanto de você, não exija estar amando tudo, vai vivendo um dia após o outro q qdo você se der conta, a Eslovenia já será o lugar de vocês, pelo menos o provisorio. Eu acredito q um inverno tão rigido assim de repente seja deprimente. Dias q terminam mais cedo, dias mais escuros, frio...

    Boa sorte e conta com todas nós, estamos no mesmo barco!!!

    Bj

  1. Dani disse...:

    Uma dica esperta: use navdroyd se tiver telefone androide, tem mapas do mundo todo e funciona offline sem internet. nao vivo sem. vc paga o aplicativo 1 vez e vai baixando mapas conforme a necessidade :)

  1. Juliani disse...:

    Paloma ão deve ser nada fácil a vida de expatriada! Nunca pensei o contrário.
    Quanto mais coisas acontece, menos tempo eu tempo e menos o blog fica atualizado, estranho né?!
    Boa sorte ai!
    Beijos

  1. Camila disse...:

    Nem sei se tenho muito o que falar depois das ótimas contribuições aqui, mas se tem algo que eu queria te dizer é: saiba que vocês estão na fase do susto! Vocês acabaram de chegar. Um mês! É muito tempo por conta da intensidade das experiências, mas também é tudo tão recente...

    E se permita essa gangorra emocional mesmo: de achar tudo lindo e de achar tudo uma droga. Vai por mim que uma hora isso se ajeita.

    Estudos feitos com imigrantes dão conta de que só depois de 5 anos é que o cara realmente se sente em casa. Mas calma hahahahaha Isso não quer dizer que só daqui 5 anos vocês estarão tranquilos! NÃO MESMO! Esses dados dizem respeito a uma "estabilidade completa" dos recém-chegados. E essas coisas variam de pessoa pra pessoa, lógico!

    E eu sou do time de Livia, mãe da Carol. Quando fico louca com as responsabilidades da casa (e lá se vão quase 3 anos), eu simplesmente não faço e, sim, a casa fica suja, eu almoço o que tiver (quase no esquema vinho com sucrilhos daquela sua postagem no Facebook ehehhe) e vamos em frente... Eu sou como você: neurótica por arrumação, mas não dá pra fazer tudo!

    E também, ó, não se sinta obrigada a gostar do inverno (uso-o como exemplo, mas, na verdade, falo de tudo o que há de diferente na Eslovênia). Aqui mesmo no Québec, o que conheço de nativo que ODEIA o inverno. Como se eu, soteropolitana, odiasse o calor e as praias de Salvador, sabe? Então não seremos nós moçoilas tropicais que teremos de amá-lo... Nessa nova vida, algumas coisas vão nos agradar, outras não. É simples na teoria, né? =/ Mas não era assim no Brasil também?

    É o clichê dos clichês, mas que precisa ser levado a sério quando estamos fora do nosso país: cada lugar tem suas belezas e suas dificuldades. A gente vai aprendendo a conviver com elas. E crescemos e crescemos...

    Tô aqui torcendo pra que sua adaptação (dos 4) seja a mais fácil possível.

    Beijo grande, cheio de calor.

  1. Mi Graciosa disse...:

    Oi, nunca comentei no seu blog, mas ja a acompanho a algum tempo, moro ha 5 anos em Orlando FL, e tive a minha filha aqui, sei que Orlando é quase Brasil ( tem muito Brasileiro\) mas mesmo assim na questao de educaçao, falta de baba, falta de empregada, a dificuldade é a mesma... e o meu conselho? "em Roma como os Romanos" como os Eslovenos lidam com isso? quantos dias por semana eles limpam a casa? Observe-os, e tente imita-los, porque eles vivem ai, e sabem a melhor forma de viver... aprenda com eles! No começo é um pouco dificil largar os habitos Brasileiros, ( como limpar a casa todo santo dia, as vezes até mais de uma vez por dia dia), mas aos poucos voce vai absorvendo o melhor da vida eslovena, e misturando com a Brasileira e vai achar o equilibrio.
    Já passei por isso, é dificil, e nao tem glamour nenhum!!!
    Boa sorte. E quanto voce chegar na fase do: "O QUE QUE EU TO FAZENDO AQUI??" a Gente volta a conversar! Risos....

  1. Oi Paloma,

    Muito legal seu post.

    Concordo com você o FB está acabando com os blogs. As pessoas estão deixando o blog de lado.

    Sobre a vida lá fora... É não é legal colocar problemas no blog, mas é verdade eles existem! E as pessoas esquecem que tanto no Brasil quantos nos outros lugares a rotina existe.

    E a vida (real) que segue.

    Beijos
    Lilia

  1. Oi, querida Paloma!

    Eu te entendo em tudo, sabe. Vivi tantas mudanças de cidades aqui no Brasil e cada lugar era mais um desafio. Verdade que o idioma não muda, mas os detalhes de cada cidade, sempre foi meu encanto e meu desafio. Viver sozinha em cada cidade que ia estudar/trabalhar, me fez ser mais pé no chão com a vida, com as pessoas, com os inícios.

    Li seu post e muitos comentários aqui, inclusive o da R.
    Nunca morei fora do país, embora esteja com os planos que você sabe, pois conversamos pessoalmente na última vez que vocês vieram aqui em casa. Minha vontade de ir embora é pelo nosso arranjo familiar, totalmente estigmatizado em sociedades como as do Brasil. Há pouquíssimos países no mundo que nos respeita, mas também sei que não será o fim do mundo vivermos por aqui com um rebento, entende? Seja o que tiver que ser. Claro que me assusta e muito a vida de expatriada, principalmente porque já perdi a coragem inerente dos da casa dos 20. A maturidade nos torna mais ponderados, mas também um pouco mais medrosos. Uma droga este lado!
    Uma das coisas que decidi fazer, primeiro por economia, segundo para saber lidar com os possíveis problemas de viver fora do Brasil sem as comodidades que temos aqui: como disse R., uma outra mulher para fazer os trabalhos chatos de uma casa. Não temos mais nossa super ajudante. Hoje é uma opção e temos nos saído bem.
    Sou do tipo que gosta tudo cheiroso, tudo no lugar arrumado, prático. Mas gosto de dias livres, horas livres e tempo para mim, para minhas leituras, minha escrita criativa, minhas incursões pelos blogs, minhas pedaladas e caminhadas, a malhação na academia, minhas tantas delícias de estar apenas comigo. E não sou nada dada a ser dona de casa, como muitas mulheres são e as admiro pra caramba! Assim, aprendi a ser relax com a casa. Compramos um monte de produtos de limpeza práticos (e peguei dicas na internet. Há um blog de uma expatriada na Suécia, a Maria, que me ajudou bastante. Suas dicas de limpeza são excelentes! Depois te envio o link do blog dela. Penso que vc vai gostar, também, das observações dela sobre vida no exterior).
    Há um fator mais problemático pra vc e tantas mulheres: filhos. Não me iludo que ser mãe é algo maravilhoso o tempo todo. Na verdade, cuidar de criança é estressante por vezes. Mas até nisto tenho "treinado" ( nem vou descrever porque serei reprovada por muitas mães aqui, pois, dirão: "na teoria é uma coisa, mas na prática..." Verdade, mas trabalhar minhas neuroses antes, minha expectativas, já ajuda uns 20 por cento. Uma delas é, sou ser humano e mulher maravilha só nas HQs).
    Suponho que quando a Cali for pra escola, você terá mais tempo livre para suas coisas, só suas, Paloma. Não sei se a escola é integral, não sei, mas, pelo menos 5/6 horas "livres", é muito bom pra vc tomar um banho de chuveiro demorado, p. ex. Penso também que um curso do idioma esloveno te ajudará, inclusive, a conhecer mais a vida cotidiana do país, integrar-se mais, entende?
    Enfim, não se cobre em nada, "deixe o rio correr sozinho...". Se tiver vontade de escrever, escreva, se não quiser, tudo bem...
    E o idioma, não sei quem te falou sobre o inglês... Não sei...Mas a Eslovênia era país da ex União Soviética, logo, pouquíssimos sabem o inglês. E há muitos países em que as pessoas se recusam a falar o inglês com o estrangeiro.

    Sobre o facebook...Ai, ai, ai, escrevi sobre isso esta esta semana no meu blog, não exatamente sobre o FB, mas uma situação que me levou a avaliar com mais ponderação sobre as redes sociais. Eu gosto de escrever e de ler, logo, blog será sempre minha escolha. Pelo que notei do FB, percebi que não gosto deste meio. Mas, cada um com seus gostos, não é verdade?

    Receba meu abraço de conforto e dê meus parabéns para a pequetita, para a menininha linda que, com esta fantasia, ficou uma graça!
    Um beijo, querida!
    Com carinho de sempre, A.!

  1. APENAS PALAVRAS disse...:

    A pessoas e pessoas mas sendo ti entre muitas dela es previlegiada de expor e compor por meio de uma e mais linhas frases e pensamentos memoraveis.....E de minha parte nao me canso nunca de conferir-te elogios pela modestia co que expoe seus sentimentos e penasmentos daquilo que e le......Carinhosamente deixo-te meu brande abraço e um carinhoso bj
    e agradeçoa por fazer parte do meu blog......com os seu comentarios que o faz crescer assim como ti assim como eu
    http://www.uanderesuascronicas.blogspot.com

  1. Marina disse...:

    Paloma, super concordo que as pessoas idealizam tudo na internet, e acham que o simples fato de registrarmos muito mais coisas boas do que ruins é pq ntekmos uma vida perfeita. Rá!
    Atire a primeira pedra quem temn essa tal vida perfeita.
    Sua colocação de "é apenas um recorte" foi brilhante!

    E eu tn não adiciono no facebook pessoas q não conheço! faz mt bem! rsss

    beijocas

  1. Kelly Resende disse...:

    Oi Paloma, eu imagino que a mudança e tudo que a envolve não seja mesmo fácil, ainda mais com as meninas pequenas. Mas vejo que vc tem muita disposição para enfrentar tudo e isso já é meio caminho andado. Claro que tem dia que bate o cansaço e o desanimo, vc é humana, não tem como escapar. Aposto que em breve vcs estarão curtindo muito mais, aproveitando para circular bastante pela Europa e vivendo a riqueza de culturas daí.
    Eu tenho muita vontade morar um tempo fora, mas confesso que esse batidão de ter que dar conta de tudo sozinha (casa, comida, filhos) iria acabar comigo. Eu definitivamente não sou uma pessoa que gosta de trabalhos domésticos. Mas mesmo assim acho que gostaria se fosse por um período.

    Aproveito para agradecer seu comentário no post do aniversário da Clara. Sabe que também acho a Clarice parecida com a Clara? Acho que as duas tem o mesmo jeitinho espivitado de ser. rsss

    Beijos

  1. Paty disse...:

    Morar fora, sendo expatriada ou nao, nao e facil. As pessoas pensam que vivemos em um conto de fadas, mas as vezes parece um inferno na torre. A gente aprende a se virar, e as pessoas pensam que tudo e facil. As pessoas viajam a turismo e pensam que nossas vidas sao assim, como quando viajamos. NAo imaginam as dificuldades do dia a dia. SEi bem o que voce fala. Durante o meu MBA, eu resolvi fazer intercambio na Holanda justamente pq nao sabia nada de Holandes e queria morar em um lugar onde nao entendia nada. Foi otimo, amei.
    Quanto ao FB, bom ponto! Pensei outro dia nisto. Agora contacto varias amigas de blog por la, e o meu blog (que comecou como trico, virou de filha e agora esta indefinido) esta parado. Ate eu achar um motivo, deve ficar assim. Mas continue contando suas historias, estou amando! bjs

  1. Marie disse...:

    Paloma parabéns pra Ciça linda de doer!!!
    O que dizer dos q lhe pedem pra trazer aqueeeele perfume parisiense caríssimo q ñ compras nem pra ti mesma e aqueleeeele canivete suíço achando q seu esposo é magnata do petróleo ou armador grego? Espero q ñ vivas o mesmo, pois tantos consideram-se íntimos seus pq vç mudou-se e ñ foi pra favela, foi pra EU. Me pergunto: -E se eu morasse na favela teria tantos amigos-super-íntimos assim?
    Vivo isso e tenho q explicar q ñ tornei-me rica, q manicure/pedicure é luxo de 300 reais, Que cabeleira chapada ñ é semanal, escova se faz em casa mesmo. Já me questionaram pq ñ troquei minha mãe de bairro pois moro na Eupopa? O povo tem uma ilusão... Tive de mostrar q entendia do MEU filho e de mais algumas leis da física/química/biologia pra adquirir o respeito do pediatra pois eles passam a impressão q éres a mais nova rumbeira sortuda q descolou um gringo pra tirar o pé da lama e q ñ entenderás um diálogo mais específico. Lembras do e-mail?Quando o diálogo fica mais arrojado, me perguntam em q me formei! De acordo com a tua resposta sairá tua explicação. Oiiii??? Ainda dizem q nossos diplomas ñ são qualitativos... Olhe detesto faxinar mais amo tudo limpo e tem dia q sento e choro mesmo! Ñ nascí pra isso. P.S O calendário de vacina é diferente já reparou? A Cali tomará aos 18 meses? Estou sempre a espera de um coment a respeito. Mais uma vez SORTE e Muita FORçA. ORE sobre tudo!

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