E hoje faz um mês que mudamos de malas e cuia para a Eslovênia. Ui, tanta coisa já aconteceu que até parece que faz mais.Hoje estou cansada e sem ânimo para retrospectivas, mas queria salientar para quem me lê do Brasil que vida de expatriado não é nada fácil. Sei lá, fiquei pensando nisso estes dias, pois tenho percebido que há quem idealize a vida no exterior, a nossa vida (mesmo em Brasília já sentia isso, faz parte da exposição de se ter um blog, mas agora piorou). Mas a nossa vida não tem glamour nenhum!
Tá, eu fico postando fotos de crianças felizes e sorrindentes, lagos, castelos, neves, trenó, parques, passeios e com isso posso dar a falsa impressão de que a vida aqui é fácil, que o céu é sempre azul, que a neve é sempre branquinha, que a vida é sempre lindinha... NOT!
A vida, gente, a vida real, é como em qualquer outro lugar. Feita de dias melhores e outros piores. Temos nossos dias de gripe, dor de cabeça e mau humor. De amor, de carinho, de união, mas também de cansaço, de desentendimentos, de birras, de brigas e de fazer as pazes. Então, vamos combinar uma coisa: nada de idealizações, tá certo?
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O melhor da mudança, para mim, são as novidades diárias, as belas paisagens (isso é inegável), a possibilidade de ver as estações do ano bem definidas, as diferenças culturais, o aprendizado de um novo estilo de vida (que, apesar das dificuldades, me encanta), um novo mundo que se abre e está aí, para quem quiser/ souber/ puder aproveitar.
O pior é a incomunicabilidade, o nosso analfabetismo em esloveno, a burocracia para se conseguir coisas simples, como um celular de conta (só conseguimos há poucos dias) - que para mim era fundamental, para eu poder usar mapas e acessar a internet, principalmente para usar o Google Translate na rua -, a dificuldade em abrir e depois movimentar uma conta em banco (imagine todos os caixas eletrônicos com instruções em esloveno e se sinta pior que um aposentado de 95 anos tentando manejar aquilo), a falácia de que todos aqui falam inglês (quem inventou isso, gente?), a minha impossibilidade de trabalhar neste país, a solidão, o não ter com quem falar português além do seu núcleo familiar, a saudade das pessoas de que gostamos e que estão a um oceano de distância.
Na lista do pior, poderia colocar ainda a falta de empregada, de faxineira, o alto preço de uma baby-sitter (que, para mim, de nada adiantaria, pois como achar uma que falasse português?), a falta de ajuda para as coisas do dia-a-dia, mas isso faz parte do estilo de vida europeu e eu, mesmo não gostando de cozinhar nem sendo uma dona-de-casa exemplar, acho que faz parte da experiência, faz parte do pacote que nós escolhemos, então disso não reclamo, embora tenha meus dias de cansaço extremo, de raiva de acabar de arrumar ou limpar parte da casa e ver as meninas bagunçando e sujando tudo em segundos... coisas que qualquer uma que é mãe
Enfim, a experiência completa, como a vida, inclui o bom e o ruim, e cabe a nós lidarmos com tudo isso. Este blog não é para falar de mim, portanto vocês não verão aqui muitas coisas do meu dia-a-dia, apenas um recorte da vida das meninas, que agora inclui um novo país. Mas, ao lerem, lembrem-se de que é isso: um recorte, um registro, uma parte da experiência que eu resolvi selecionar para elas, para os parentes e amigos, para vocês. A vida é muito mais que isso.
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Tenho tanto assunto para posts que talvez eles nunca saiam - o que me deixa triste, pois é um registro importante que se perde. Porque cada dia tem tantas novidades... Sou expatriada recente, é a minha primeira vez morando fora do país, logo, estou parecendo um bebê descobrindo o mundo.
Morro de vontade de dividir este tantão de novidades com vocês, mas aí eu lembro que este é um blog das meninas, para falar das meninas, que isso fugiria ao propósito deste blog. Fora a minha falta de tempo para escrever tudo
Ontem e hoje, por exemplo, curtimos o Carnaval esloveno e, apesar das diferenças (são poucos os que dançam, a maioria só assiste ao desfile), achamos bem legal. As meninas adoraram! Talvez role um post, talvez não.
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Sou só eu ou vocês também sentem que o Facebook meio que acaba com os blogs? O FB é "ótimo" para quem não tem muito tempo. Você joga frases soltas lá, não contextualiza se não qusier, não precisa explicar quase nada, mas, com isso, acaba falando muito de si.
Alo, além? Tem alguém aí ou está todo mundo pulando Carnaval?
Quem não está no Carnaval está a fim de discutir se o FB representa o início do fim dos blogs ou eu é que sou/ estou apocalíptica?
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Falar em FB, muita gente que lê o blog pede para ser minha amiga e sequer deixa uma mensagem. Assim eu não aceito, gente, desculpa. Já me pediram para criar uma página do blog, mas ele não é comercial e não me interessa fazer isso. Fiz ótimas amizades por aqui, adoro a blogosfera materna, mas as pessoas precisam falar, se apresentar, acho que é educado, para dizer o mínimo. E eu sou desmemoriada, lembram? Posso não ligar o nome à pessoa.
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Amanhã não haverá a seção Pergunte ao Pediatra, porque é no meio do Carnaval, porque é véspera do aniversário da Ciça (sim, em dois dias eu terei uma filha de 5 anos, mal posso acreditar!), porque estou realmente sem tenpo estes dias. Mas vocês podem - e devem - mandar perguntas.
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Se vocês quiserem saber mais das diferenças culturais e das nossas (minhas e das meninas) impressões sobre o que temos visto e vivido aqui fiquem à vontade para perguntar. É um bom estímulo para eu escrever posts decentes sobre a vida aqui.
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Agora vou dormir, que pegamos estrada ontem e hoje, estivemos com crianças no meio da multidão, brincamos no Carnaval de rua, tem muitas coisas acontecendo e eu estou cansada. Fiquem com umas fotos bonitinhas (que mãe que vai postar foto borrada ou com cara feia dos filhos, me diz? A gente sempre seleciona as mais bonitinhas e/ou engraçadas) e até a volta!
As fotos são do Carnaval de Ljubljana, numa praça no Centro da cidade. É, acho que vou fazer, sim, um post sobre isso, pois foi uma experiência antropológica interessante - para mim e para elas - participar do Carnaval daqui.






Sabe, acho que via de regra as pessoas acham que a grama do vizinho é mais verde. Além disso, é difícil a gente escrever no blog sobre problemas, pois tem a questão da exposição, o envolvimento de outras pessoas, a intimidade, enfim... fica mesmo uma falsa impressão de mundo cor de rosa para muitos que não conseguem perceber isso. Aliás, é uma das coisas que me fazem refletir sobre blogar.
Quanto ao FB, também acho que tem uma interferência grande no blog. Atrai leitores, é certo, mas aumenta o número de pessoas do mundo real que acompanham e, pelo menos isso para mim, gera algumas amarras. Além disso, é mais fácil curtir ou fazer um comentário rápido no FB, que se perde por ai. Eu senti muito isso quando anunciei minha gravidez no blog e publiquei no FB, que foi meu modo de anunciar por lá também. Teve muito mais gente que se manifestou por lá, mas esses comentários não ficaram registrados como os do blog. Preciosismo meu?
E sim, tem esse outro lado que você falou, sobre notas curtas, soltas, mas ai acho que seria mais ou menos como o twuiter, que também diziam que acabariam com os blogs e não aconteceu. Mas ai tenho pouco a acrescentar, porque nunca entrei no twiter, não tive vontade. E também meu blog é bem pequenininho mesmo, então pode ser diferente.
Nossa, escrevi demais. Só quero finalizar mandando um beijo e desejando calma, que um mês é bem pouco para uma adaptação dessas e logo logo certamente você estará mais tranquila com tudo isso, ainda que com dias melhores e outros piores, como em qualquer lugar do mundo, né não?
Beijão!