Hoje é segunda-feira, dia de perguntar ao pediatra! E dia de ler as respostas do Dr. José Martins Filho às perguntas das leitoras.Atentem para a segunda resposta, é uma aula sobre problemas de peso (problemas que nós, mães, criamos na nossa cabeça, diga-se de passagem) e serve para orientar avós e demais pitaqueiros que gostam de bebês gordos a qualquer custo. Achei demais!
Você ainda não conhece o nosso pediatra de plantão? Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?".
Para ter sua pergunta respondida por ele, basta enviar para o email pergunteaoped@gmail.com ou mesmo deixá-la registrada num comentário aqui que ela entrará numa lista de espera e logo será publicada nesta seção. Para ver as perguntas e respostas anteriores, clique na seção Pergunte ao Pediatra, no menu superior deste blog.
Vamos às perguntas da semana.
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TEMA: SONO
1 ) Doutor, minha filha tem 2 meses e meio e ainda acorda de hora em hora para mamar. Ela acorda, mama e logo dorme, mas 1h depois acorda novamente, vejo que tem bebês da idade dela que dormem a noite toda ou acordam bem menos. Ela é alimentada exclusivamente por leite materno. É normal na idade dela um bebê ainda acordar tanto? Ela já teve períodos melhores, mas parece que regrediu.
JMF - Sim, até o final do terceiro, quarto mês, os bebês exigem livre demanda e mamam sem muito horário, mas a melhor maneira de aumentar o tempo do intervalo das mamadas é insistir para que o bebê fique mais tempo no seio, quando está mamando. No mínimo, se possível, uma meia hora. Por quê? Por conta do leite posterior, do qual já falamos aqui. À medida que a criança esvazia bem o seio, ao final da mamada, recebe um leite mais consistente, que ajuda a aumentar a saciedade e tende a aumentar o intervalo. Tente e depois nos conte.
TEMA: PESO
2) Doutor, bom dia. Minha menina está com 10 meses e 7 kg. Sempre foi miúda, nasceu com 2,895 kg, e somos uma família de magros. Nossa pediatra sempre incentivou a amamentação e a Julia nunca precisou tomar outro leite, somente o meu. Ela come bem frutas e papas salgadas, e ainda mama no peito. É muito ativa e saudável, nunca teve nada, nem gripe. Agora que os dentinhos estão saindo é que ela está com menos apetite.
Recentemente, minha mãe tem expressado muita preocupação e está fazendo uma certa pressão pra fazer uma dieta de engorda com a Julia, dando "engrossados" pra ela. O máximo que eu faço é adicionar uma colherzinha de Mucilon arroz e aveia na fruta dela. Conversei com nossa pediatra e ela mencionou que encaminha as crianças que estejam abaixo da curva esperada de peso ao gastro e endócrino quando o bebê completa 1 ano, mas que, ainda assim, ela não está preocupada com a Julia, pois ela é um bebê muito saudável.
Qual é a sua opinião com relação a essa questão toda de ganho de peso que nos assombra tanto (mães de bebês magrinhos)? De que maneira um gastro e um endócrino poderiam ajudar nesse caso? Agradeço desde já sua orientação.
JMF - Como sua filha nasceu de baixo peso, tenho que saber: parto normal ou cesárea? Entrou em trabalho de parto ou foi cesárea eletiva, com data marcada antecipadamente? Porque isso pode significar um pouco de antecipação do parto ou um pouco de baixo peso ao nascer.
Mas, de toda forma, vai longe o tempo em que achávamos que tínhamos que engordar uma criança de qualquer maneira. Pelo contrário: quando se insiste muito com hiper-alimentação numa criança que nasceu com peso um pouco mais baixo e que geneticamente tem tendência à magreza, o que frequentemente vemos é uma dificuldade para o rim, por excesso de proteína, e isso, infelizmente, pode estar associado na vida adulta à hipertensão arterial.
Ou seja, é preciso deixar a criança seguir seu ritmo e sua curva. Se está bem, feliz, com bom desenvolvimento psicomotor, neurológico, sentando aos 6, 7 meses, engatinhando em seguida e seguindo as pessoas com o olhar, sorrindo e já balbuciando, não vejo problemas. Se a perda de peso é muito grande e se a curva começa a se modificar para baixo (não é ascendente), aí sim o pediatra deve ser visto. Não acho que com o gastro ou endócrino, isso é função do pediatra. Exames de urina, glicemia e hemograma costumam ajudar.
TEMA: AMAMENTAÇÃO APÓS OS 6 MESES
3) Queria deixar uma pergunta, sobre amamentação prolongada: como fazer para manter a produção mesmo trabalhando? Quero muito seguir amamentando meu filho (9 meses), mas como passamos grande parte do dia longe (de 9h as 17h) e ele já come comidinhas (almoço e jantar), a produção caiu muito e muitas vezes tenho a impressão de que ele não fica satisfeito com as mamadas em casa. Na creche, ele toma mamadeira de leite que eu ordenho ao longo do dia.
Existe algum remédio, alimento (simpatia, reza, hihihi) que eu possa usar para ajudar? Ordenho durante o dia e, em casa, o bebê mama sempre que solicita (normalmente: quado acorda de manhã, logo que chega da creche, antes de dormir e uma ou duas vezes na madrugada).
JMF - Parabéns! Você está fazendo exatamente o que é preciso para cuidar bem de seu bebê e mostra. de forma bem evidente. que , apesar de ter de trabalhar fora de casa, consegue manter a lactação. Não tome qualquer medicação, evite ao máximo dar qualquer leite que não seja o seu e siga exatamente como está. É evidente que, quando a criança começa a comer outros alimentos, diminui um pouco a sucção, mama menos e a produção do leite vai se adequando e adaptando ao bebê. Fique tranquila e mais uma vez parabéns, escreva sempre que puder ou quiser.
adoro esta seção e hoje, em especial, gostei muito das perguntas e principalmente, das respostas.
um beijo!