E hoje chegamos à 20a. rodada da seção Pergunte ao Pediatra. Viva!! Adoro um número redondinho, embora seja fã mesmo é dos palíndomos, mas isso é outra história.Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?".
Para ter sua pergunta respondida por ele, basta enviar para o email pergunteaoped@gmail.com ou mesmo deixá-la registrada num comentário aqui que ela entrará numa lista de espera e logo será publicada nesta seção. Para ver as perguntas e respostas anteriores, clique na seção Pergunte ao Pediatra, no menu superior deste blog.
Vamos às perguntas da semana.
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AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA
1 - Doutor, minha filha tem 4 meses e só mama leite materno, de 3 em 3 horas aproximadamente. Está com quase sete quilos e se desenvolvendo muito bem. Mas sempre mamou muito rápido (no máximo por dez minutos) e já fica saciada. Isso é um problema? Por que é importante que a amamentação seja exclusiva até os seis meses? Algumas mães já começam a introduzir frutinhas e sucos com 5 meses, então queria entender quais as vantagens e desvantagens de manter a alimentação apenas com leite materno até os seis meses, como defendem alguns pediatras.
JMF - Não há problema nenhum no tempo da mamada. A amamentação exclusiva até o sexto mês é fundamental não só para prevenção das doenças infecciosas, para desenvolver todo o sistema neurológico e psíquico, mas também, porque a introdução de alimentos a partir dos 6 meses favorece o retardamento da introdução de alimentos heterólogos, ou seja, de outras espécies animais e vegetais, o que diminui a chance de sensibilização e mesmo de alergias..
ÁGUA DE COCO
2 -Meu bebê de 10 meses não aceita água de jeito nenhum, só água de coco. Me disseram que água de coco em excesso sobrecarrega os rins, pelo excesso de sais minerais, é verdade? Como fazer para ele beber água?
JMF - O ideal é mesmo oferecer água pura sempre (depois dos 6 meses) e não liquidos adocicados como água de coco. É verdade que existe uma quantidade de sais aumentada, principalmente potássio, na água de coco, por isso a água é muito melhor. E, para se beber água, é preciso ter sede. Se a criança não quer ou não aceita é porque a quantidade de água que recebe dos alimentos é suficiente para hidratá-la.
Se for diminuido o aporte de liquidos (sucos, água de coco) e de alimentos ricos em água e ela começar a receber alimentos salgados e proteicos, naturalmente terá sede e receberá água. Mas unca se deve forçar ninguém a tomar água contra a vontade exatamente porque se a quantidade de água dos alimentos e dos liquidos for suficiente não há sede.
SONO
3 - Doutor, tenho visto que o sr. sempre comenta que mamadas na madrugada para bebês acima de 6 meses não são necessárias. A minha filha, com quase 1 ano, ainda acorda uma vez por noite, e eu já tentei fazer com que ela voltasse a dormir sem mamar, mas não consegui. O que o sr. sugere que seja feito, já que pelo que ele diz, esse despertar não tem a ver com fome?
JMF - Não necessariamente é fome. A maioria dos bebês nessa idade começa a ter os ciclos normais de sono e despertar, depois de 3 ou 4 horas, tendem a ter uma superficialização do sono. Se estão no lugar em que adormeceram, tendem a dormir novamente, principalemente se houver conforto térmico, com pouca luz, e calma. Geralmente o problema está associado ao fato de que os bebês estão acostumados a adormecer mamando e quando superficializam o sono (chamamos de microdespertares) à noite, tendem a querer novamente a mamada para dormir.
É preciso que a mamada da noite seja bem calma e prolongada o suficiente para se ter a certeza de que ele está satisfeito, mas o ideal é que não durma no peito, que brinque um pouco com os pais e depois deve ser levado ao berço, para adormecer tranquilamente ao lado da mae, num quarto sem luz branca acesa (mantenha apenas uma luz pequena no corredor, azul ou verde). Tente e me conte depois.
Muito boa essa resposta da água. Agora, mesmo fãzoca do Dr. Martins como sou, não consigo engolir essa história de não deixar o bebê dormir no peito, e que ele tem de estar no mesmo lugar onde adormeceu pela primeira vez pra voltar a dormir. Emília sempre dormiu no peito antes do sono noturno. O único jeito de eu introduzir esse "brincar" depois da mamada seria acordá-la. Aí não dá, né? Margarida sempre dorme na nossa cama (essa não dorme no peito, mas é coisa dela) e depois eu a transfiro pro berço. Mesmo assim, ela já chegou a emendar 10h de sono initerrupto.
Ou seja, essa história de pôr o bebê pra dormir no berço faz muito sentido na teoria, mas na prática me parece algo que só um homem conseguiria fazer.
Beijocas!