Olha, gente, é uma escolha muito pessoal, então até fiquei na dúvida se deveria colocar aqui as minhas razões, pois não tenho objetivo nenhum de influenciar ninguém nem muito menos de desqualificar outras escolas, outros idiomas, outras formas de ver a educação.
Então, mais do que nunca, leiam este texto como um depoimento absolutamente pessoal e instransferível do que julgamos melhor para nós e nossas filhas, combinado?
Como qualquer pai e mãe que vão colocar um filho na escola, levamos em conta vários fatores: localização, preço, pedagogia etc. No nosso caso, também era importante escolher um idioma, já que estamos em um país estrangeiro, em que se fala esloveno, e não queríamos que elas só aprendessem o esloveno na escola, precisávamos de outra língua estrangeira.
Optamos de cara por uma escola internacional. Em todas as capitais do mundo há escolas internacionais, e as principais são: americana, inglesa e francesa. Nossa escolha aqui se resumia a estas.
Sim, o inglês é um idioma mais "útil" na vida de um expatriado e de um cidadão do mundo, em geral, mas a gente levou em conta o idioma em que queríamos que elas fossem alfabetizadas. Achávamos que o francês, por ser uma língua de raiz latina, como o português, seria melhor para a alfabetização na escola e para a posterior alfabetização em português, em casa, feita por nós, num processo lento e gradativo, que, obviamente, ainda não sabemos ao certo como se dará, mas já nos preparamos com livros, revistinhas em quadrinhos e DVDs em português.
Marido já morou na França e fala francês fluentemente. Eu falo um francês meio fuleiro (por falta de treino, porque já falei bem melhor), que aprendi na Alliance Française. Fiz o curso quase completo em São Paulo, parei no último semestre, quando estava grávida da Ciça, então faz tempo que não pratico e para mim está sendo bom retomar o contato com uma língua que tanto me encanta.
Bom, a língua foi um fator que pesou. Achamos que o inglês ela aprenderá na vida (além das aulinhas na escola), já que ele está em todo canto. Sim, o que não faltam são canais de TV em inglês, músicas e outros produtos da indústria cultural, assim como, aqui no exterior, pessoas que se comunicam neste idioma, inclusive a gente, que tenta se comunicar assim com as pessoas na rua (taxistas, garçons, vendedores etc.). O francês, por ser mais "difícil", é melhor que seja aprendido na escola, desde cedo.
Outro fator que, para nós, é importantíssimo é a alimentação. Infelizmente, tanto as escolas inglesas quanto as americanas que pesquisamos mantêm, mesmo em outros países, aquele conceito de que pizza é almoço, nuggets são saudáveis e hambúrguer é uma opção. Para nós, não é.
Outro fator, este bem polêmico, visto que não conheço a fundo a educação americana nem a inglesa, são os valores. Acredito que a escola francesa seja mais humanista. Sei que é absolutamente laica, o que me agrada, mas tenho a impressão, pelo que pesquisei, pelas pessoas que conheço que estudaram neste sistema de ensino, que a formação humanística e integral do cidadão é forte, e isso me agrada.
Outros fatores que pesaram foram a continuidade de idioma, de currículo e de calendário. Se formos morar em outro(s) país(es) ou mesmo se voltarmos para o Brasil - todas são possibilidades para médio e longo prazos -, elas terão continuidade nos estudos. As escolas francesas pertencem a uma rede mundial e todas se comunicam entre si.
Sobre preço e localização: nisso a escola francesa também ganhou aqui em Ljubljana. O valor é bem abaixo das outras escolas internacionais. E não aumenta tanto à medida que os alunos crescem. Na escola inglesa, por exemplo, há uma diferença de mais de 70% na anuidade da pré-escola para as séries mais avançadas. Como temos duas filhas e não somos ricos, temos que pensar sempre nisso.
A localização, perto do Centro da cidade, também pesou. Aqui há uma escola internacional subsidiada pelo governo, mas fica numa estrada, a alguns quilômetros do Centro da cidade. Pegar uma rodovia todos os dias para levar e buscar as meninas na escola não estava nos meus planos. E ônibus escolar, além de caro, não me parece adequado para a Clarice, que vai entrar na escola aos 2 anos.
Fora que, colocando-as em transporte escolar, eu perderia voluntariamente o contato com o ambiente escolar, professores (na escola francesa, a Ciça tem um professor homem, o que me agrada muitíssimo), coordenação e diretoria. E quem me conhece sabe que eu sou rata de escola, adoooro participar de tudo, conhecer, ouvir, interagir, opinar.
É isso, gente, estas são as NOSSAS razões. E, para quem gosta de francês como a gente e gostou da musiquinha que postei ontem, hoje eu posto outra, que a Ciça também canta na escola, numa roda animada com os colegas e professores:
Observem que ela é a versão francesa da nossa: "Vamos passear na floresta/ Enquanto seu Lobo não vem/ Tá pronto, seu Lobo?/ Não, tô vestindo a camisa.... (e repete ad infinitum, até que o Lobo acaba de se vestir e vai tentar comer a criançada)". Como já falei aqui, a Ciça e todas as crianças do mundo (imagino eu) ama histórias de Lobo e adora o sustinho de saber que o Lobo (aqui em casa vivenciados por mim ou pelo pai) está indo devorá-la...
Suas razões são plausiveis, eu arranho muito mal frances, mas também gosto bastante do sistema de ensino, tenho amigos que estudaram no Liceu Pasteur em SP e que agora tem filhos estudando lá justamente por curtirem o sistema.
Pra gente aqui seria complicado colocar o baby numa escola francesa, o pobrezinho já vive com ingles, portugues, hungaro e holandes (quando estamos na rua ou quando ele ve desenhos), imagina se além disso tudo fosse pra uma escolinha francesa...
Em setembro ele vai pra uma escolinha holandesa e ai é esperar que tudo de certo né! =)
Beijocas