Pourquoi? Parce que...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Perdi a conta de quantas pessoas perguntaram aqui o porquê da escolha de uma escola francesa para a Ciça - e, dentro de alguns meses, para a Clarice.

Olha, gente, é uma escolha muito pessoal, então até fiquei na dúvida se deveria colocar aqui as minhas razões, pois não tenho objetivo nenhum de influenciar ninguém nem muito menos de desqualificar outras escolas, outros idiomas, outras formas de ver a educação.

Então, mais do que nunca, leiam este texto como um depoimento absolutamente pessoal e instransferível do que julgamos melhor para nós e nossas filhas, combinado?

Como qualquer pai e mãe que vão colocar um filho na escola, levamos em conta vários fatores: localização, preço, pedagogia etc. No nosso caso, também era importante escolher um idioma, já que estamos em um país estrangeiro, em que se fala esloveno, e não queríamos que elas só aprendessem o esloveno na escola, precisávamos de outra língua estrangeira.

Optamos de cara por uma escola internacional. Em todas as capitais do mundo há escolas internacionais, e as principais são: americana, inglesa e francesa. Nossa escolha aqui se resumia a estas.

Sim, o inglês é um idioma mais "útil" na vida de um expatriado e de um cidadão do mundo, em geral, mas a gente levou em conta o idioma em que queríamos que elas fossem alfabetizadas. Achávamos que o francês, por ser uma língua de raiz latina, como o português, seria melhor para a alfabetização na escola e para a posterior alfabetização em português, em casa, feita por nós, num processo lento e gradativo, que, obviamente, ainda não sabemos ao certo como se dará, mas já nos preparamos com livros, revistinhas em quadrinhos e DVDs em português.

Marido já morou na França e fala francês fluentemente. Eu falo um francês meio fuleiro (por falta de treino, porque já falei bem melhor), que aprendi na Alliance Française. Fiz o curso quase completo em São Paulo, parei no último semestre, quando estava grávida da Ciça, então faz tempo que não pratico e para mim está sendo bom retomar o contato com uma língua que tanto me encanta.

Bom, a língua foi um fator que pesou. Achamos que o inglês ela aprenderá na vida (além das aulinhas na escola), já que ele está em todo canto. Sim, o que não faltam são canais de TV em inglês, músicas e outros produtos da indústria cultural, assim como, aqui no exterior, pessoas que se comunicam neste idioma, inclusive a gente, que tenta se comunicar assim com as pessoas na rua (taxistas, garçons, vendedores etc.). O francês, por ser mais "difícil", é melhor que seja aprendido na escola, desde cedo.

Outro fator que, para nós, é importantíssimo é a alimentação. Infelizmente, tanto as escolas inglesas quanto as americanas que pesquisamos mantêm, mesmo em outros países, aquele conceito de que pizza é almoço, nuggets são saudáveis e hambúrguer é uma opção. Para nós, não é.

Outro fator, este bem polêmico, visto que não conheço a fundo a educação americana nem a inglesa, são os valores. Acredito que a escola francesa seja mais humanista. Sei que é absolutamente laica, o que me agrada, mas tenho a impressão, pelo que pesquisei, pelas pessoas que conheço que estudaram neste sistema de ensino, que a formação humanística e integral do cidadão é forte, e isso me agrada.

Outros fatores que pesaram foram a continuidade de idioma, de currículo e de calendário. Se formos morar em outro(s) país(es) ou mesmo se voltarmos para o Brasil - todas são possibilidades para médio e longo prazos -, elas terão continuidade nos estudos. As escolas francesas pertencem a uma rede mundial e todas se comunicam entre si.

Sobre preço e localização: nisso a escola francesa também ganhou aqui em Ljubljana. O valor é bem abaixo das outras escolas internacionais. E não aumenta tanto à medida que os alunos crescem. Na escola inglesa, por exemplo, há uma diferença de mais de 70% na anuidade da pré-escola para as séries mais avançadas. Como temos duas filhas e não somos ricos, temos que pensar sempre nisso.

A localização, perto do Centro da cidade, também pesou. Aqui há uma escola internacional subsidiada pelo governo, mas fica numa estrada, a alguns quilômetros do Centro da cidade. Pegar uma rodovia todos os dias para levar e buscar as meninas na escola não estava nos meus planos. E ônibus escolar, além de caro, não me parece adequado para a Clarice, que vai entrar na escola aos 2 anos.

Fora que, colocando-as em transporte escolar, eu perderia voluntariamente o contato com o ambiente escolar, professores (na escola francesa, a Ciça tem um professor homem, o que me agrada muitíssimo), coordenação e diretoria. E quem me conhece sabe que eu sou rata de escola, adoooro participar de tudo, conhecer, ouvir, interagir, opinar.

É isso, gente, estas são as NOSSAS razões. E, para quem gosta de francês como a gente e gostou da musiquinha que postei ontem, hoje eu posto outra, que a Ciça também canta na escola, numa roda animada com os colegas e professores:



Observem que ela é a versão francesa da nossa: "Vamos passear na floresta/ Enquanto seu Lobo não vem/ Tá pronto, seu Lobo?/ Não, tô vestindo a camisa.... (e repete ad infinitum, até que o Lobo acaba de se vestir e vai tentar comer a criançada)". Como já falei aqui, a Ciça e todas as crianças do mundo (imagino eu) ama histórias de Lobo e adora o sustinho de saber que o Lobo (aqui em casa vivenciados por mim ou pelo pai) está indo devorá-la...

25 comentários:

  1. Ingrid Gomes disse...:

    Suas razões são plausiveis, eu arranho muito mal frances, mas também gosto bastante do sistema de ensino, tenho amigos que estudaram no Liceu Pasteur em SP e que agora tem filhos estudando lá justamente por curtirem o sistema.

    Pra gente aqui seria complicado colocar o baby numa escola francesa, o pobrezinho já vive com ingles, portugues, hungaro e holandes (quando estamos na rua ou quando ele ve desenhos), imagina se além disso tudo fosse pra uma escolinha francesa...

    Em setembro ele vai pra uma escolinha holandesa e ai é esperar que tudo de certo né! =)

    Beijocas

  1. Luciene disse...:

    Ola!!! Ja acompanho o blog faz um tempao e quero acompanhar vcs no Facebook... Como vcs estao la? Adoro ler seus posts!!! Sou mae de uma menina de 2 anos e sempre encontro a resposta/ a dica que preciso lendo seus relatos... As vezes e exatamente o que eu estou pensando!!! Moro no Rio, sou advogada de um grande banco e tento ser uma mae presente p/ minha filha...mas esse e o meu maior desafio!!! Desejo toda a sorte e felicidade nessa nova etapa da vida de vcs!!! Continuo acompanhando a aventura em terras distantes!! Bjs, Luciene

  1. Tatei e Nana disse...:

    Oi, Paloma!!!
    Se já é difícil escolher uma escola no Brasil, imagino no exterior.
    Como já disse antes, estou na expectativa de mudança de país com meus dois pequenos e seu blog está sendo precioso pra mim!!!
    Bjs

  1. Re disse...:

    Amei todas as suas razoes... e tem mais, tem lingua mais linda que o frances?? Charmoso ao extremo!

  1. lolo disse...:

    Escolher a escola é sempre uma decisao muito dificil, imagino em um outro país, com todas essas dificuldades que vc listou. Alimentacao tb foi um fator que influenciou muito a minha escolha para a Lara, ainda mais pela idade, ne (pq as escolas, com cardapios que dzem ser elaborados por nutricionista, oferecem bolo de chocolate e outras coisas do tipo para as crianças???). Essa questao do ir à escola buscar ou levar tb começo a ver qt é importante. Aqui eu levo e o marido busca, mas ja estou sofrendo pq vi que no buscar a chance de conversar com a professora é maior. Vou tentar busca-la pelo menos uma vez por semana. Bj e boa sorte.

  1. Juliana disse...:

    Paloma, pensamos muito parecido. Também optamos pela escola suíça aqui por motivos bem parecidos com os seus. Antes, quando estávamos na Noruega, eu também optaria por uma internacional, mas aqui, no çantão de Vaud isso não é necessário.
    Quanto às musiquinhas, também escuto as mesma TODOS os dias com os meninos. Eu particularmente, Adoro!!!
    Um beijão, Juliana
    www.contosdeumamaepandora.blogspot.com

  1. Celi disse...:

    Paloma,
    Acho que está certíssima quanto aos idiomas. Além da proximidade que vocês já apresentam, acho interessante ampliar o universo das crianças. Assim como falou, o inglês elas terão contato, aprenderão com mais facilidade. Acho lindo quem fala francês (bem pessoal).
    Agora, essas músicas... Você precisa filmar futuramente a Ciça e a Clarice cantando em francês.
    Beijos

  1. Mari disse...:

    E gente, tem coisa mais delícia do que ouvir um pequetito falando "mámãn"? é de derreter de amor!
    Boa escolha, Palomets! ;)
    Tem um desenho muito adorável em francês chamado Trotro, no youtube vc encontra. Eu devo a ele uns 50% do meu francês, te juro! Bom pra criançada ir se familiarizando...
    Bonne chance!
    Beijos!

  1. Carolina disse...:

    ainda bem que criança aprende rápido! e gosta de aprender tbm, são muito mais abertos, sem precoceitos!
    Apesar de que eu lembro de chorar na escola pensando que eu nunca ia conseguir aprender a ler e escrever!
    Dramática desde sempre!

    eu no lugar dela já tava chorando deprimida!
    se espanhol eu não consegui, quem dirá frances! rs ou esloveno!

  1. Anônimo disse...:

    Paloma,

    nós também escolhemos a escola francesa para nosso filho por razões muito, mas muito semelhantes às de vocês. Mas o que gostei mesmo foi do início do seu discurso: a escolha por um método ou outro é muito pessoal e ao escolher este sistema, não significa que estamos desmerecendo os outros.

    Decidir a escola em que o filho irá trilhar seu caminho de vida é um momento tão intenso, cheio de dúvidas e incertezas, que chega a ser quase um drama pessoal.

    E, para complicar, às vezes ainda temos de tolerar indelicadezas de outras mães que defendem fervorosamente sistemas diversos do escolhido por nós, numa quase “canonização”, colocando a questão como se fosse um momento de “vida ou morte intelectual” das crianças ou, pior, desmerecendo nossas escolhas.

    A vida escolar das crianças é muito importante sim, mas ainda acredito que a condução da formação do caráter desses futuros adultos ainda é feita pelos pais, e pelos modelos que apresentamos aos nossos filhos desde cedo, começando por nós mesmos.

    Obrigada por escrever sobre um assunto tão íntimo de maneira tão delicada.

    Beijos, Flavia Fonseca (Lorenzo)

  1. Cibelle disse...:

    Seu texto não foi nada proselitista e cheio de sansatez. Estou acompanhando vocês de longe e torcendo para que a experiência eslovena seja muito feliz para a família. Beijos brasilienses

  1. Camila disse...:

    Paloma,

    Achei os argumentos de vocês beeem sólidos! Que bom poder tomar uma decisão tão importante com segurança, né? Fico feliz por vocês! O que me deixou espantada foi saber que nas escolas americana e inglesa daí eles servem pizza, hambúrguer como refeição pros pequenos...

    Eu, apesar de morar na província francófona do Canadá, tenho minhas dúvidas se colocarei Nina numa escola em que ela será educada em francês.

    Como estrangeira não educada em língua inglesa (assim como o pai), não tenho o direito de matriculá-la numa escola anglófona pública. Teria de pagar, portanto. Não sei quanto, mas acredito que não seja caro, tirando pelos preços das universidades. Bom, mas tenho algum tempo ainda pra pesquisar e me decidir =)

    Uma coisa que me preocupa é o português. Por sermos dois brasileiros, obviamente que em casa falamos só português. Minha questão é com a alfabetização de Nina. Faço questão de que ela leia e escreva em português. Muito menos por uma questão de "orgulho lusófono" e mais por uma questào prática mesmo. Nunca descartamos a possibilidade de voltarmos ao Brasil, então como ela se sairia numa escola por lá? Enfim... Felizmente soube de uma escola aqui em Montreal que alfabetiza as crianças em português do Brasil. São aulas aos sábados (tadinha ehehe), mas, como disse, ainda tenho muito tempo pra pensar nessas coisas.

    Ah! Não sei se você conhece, mas há um blogmuito interessante que toca justamente em questões relacionandas ao bilinguismo (devolvam meu trema!!): http://filhos-bilingues.blogspot.com/

    Acho-o bem interessante, de repente pode ajudar vocês a relfetirem sobre a questão.

    Beijo e à la prochaine ;o)

  1. Lia disse...:

    Engraçado, quando corversamos sobre isso, antes de você viajar, eu achei a francesa uma opção muito melhor que as escolas anglófonas. Mas não tinha pensado numa escola eslovena.Se fosse eu, acho que consideraria essa opção.
    Quanto à alfetização, também acho muito melhor que elas aprendam a ler e escrever em francês que em inglês. Acho que ajuda mais no português. Beijos!

  1. Sarah disse...:

    Escolha perfeita e condizente com os valores de vcs! Do idioma à alimentação, dos valores ao preço, tudo fez sentido para quem te lê (ou conhece).
    Que graça a musiquinha... Não sei nada de francês, mas essa foi a primeira musiquinha que colocaram na escola nova do Bento para interação das crianças novas. Sucesso, claro.
    Por fim, Bento tb tem um professor homem. É o de Ed. Física, que leva bolas, bambolês e cordas para a aula. Achei o máximo tb, principalmente por ele ser menino e poder ter mais uma figura de identificação dentro da escola.
    bjos!

  1. Raquel (NY) disse...:

    A escolha parece bem coerente com as ideias de voces. Gostariamos tambem de colocar a pequena em uma escola francesa, mas infelizmente aqui e o contrario, a escola francesa e a mais distante e cara.
    Nao sei se voce viu esse artigo sobre um livro escrito por uma jornalista americana que mora em Paris sobre as diferencas entre a criacao francesa e americana/inglesa:

    http://online.wsj.com/article/SB10001424052970204740904577196931457473816.html

    Se voce precisar de ainda mais argumentos para fundamentar sua escolha pela escola francesa, voila!
    Como mae expatriada eu acho muito interessante aprender sobre as experiencias de outros expatriados. Obrigada por dividir a experiencia de voces conosco!

  1. Lu disse...:

    Paloma
    tambem gostei das suas poderacoes. Nos optamos colocar o Serginho num escola international porque quando viemos ele ja tinha quase 13 anos e praticamente estava terminando o ensino fundamental. Entao entendemos que seria complicado para ele iniciar nessa altura o ensino em alemao, sem sequer falar Guten Morgen. Ja com a Mariana a minha opcao sempre foi a escola austriaca. Jamais cogitei coloca-la num bercario internacional, apesar de que a escolinha dela eh bilingue (por acaso, nao porque eu procurei). Concordo plenamente que o ingles elas aprenderao com a vida e tenho absoluta certeza de que dominando 2 idiomas Mais dificeis, o ingles Sera baba.
    Bjs

  1. Adorei o post!! Ótima suas razões.

    Ingrid sempre quis aprender frances e esse post me encorajou a procurar um curso para ela.

    Qualquer coisa desculpa se perguntei.

    Beijos

  1. Daise disse...:

    Sinceramente? Achei ótimos os critérios de vocês.
    E estou adorando os videozinhos em francês (vou começar a estudar a língua agora, conheço muito pouco, é bem legal ficar acompanhando e treinando a pronúncia).
    :)
    Beijos,

  1. Maria Tereza disse...:

    A escola francesa é ótima! Minha filha estudou num jardim internacional inglês em Budapeste. Ótimo. Na Europa não tem junk food. Os europeus são super neuras com isto. Nem na escola americana. E na British school o cardápio era do Jamie Olivier. Pelo menos em Budapeste!!!
    Aproveite!! Beijos

  1. (Mamãe) ~Pinel disse...:

    Se eu tivesse que escolher, sem sombra de dúvidas escolheria a francesa também! Não por essas razões ditas por você, mas porque eu AMO a língua, porque eu tenho decendência e pretendo conseguir cidadania, e porque, algum momento da minha vida, eu definitivamente morarei na França com a Lara.
    Estou louca para conseguir uma graduação sanduíche e poder levá-la, já pensou? Muito bacana!

    Mas, enfim, adorei as informações passadas por aqui, porque todos esses motivos que levaram à escolha de vocês, só reforçam a minha ideia de ir para a França, com a Lara ainda criança!
    Adorei! E mais uma vez, me apaixonei, pelos costumes e pela língua!

    ps: Já salvei o vídeo! Vou passar a mostrar pra Lara, quem sabe já vai se familiarizando com a língua né!

  1. concordo muito com você, querida. fui lendo e pensando que se tivesse na mesma situação, faria igual.
    sem contar na vivência das meninas. será incrível para elas, tenho certeza.

    beijos

  1. Dany disse...:

    Acredita que não conhece muito sobre a educação francesa? Agora vc me despertou isso. Vou ler mais sobre o assunto.
    Acho que eu teria escolhido uma escola anglófona. Sei lá, acho que por ser professora de Inglês, por achar a língua mais fácil, por Caio ter intimidade com o idioma...
    Achei suas razões muito plausíveis. Espero mesmo que tudo dê certo.
    Depois faz um vídeo da Ciça falando alguma coisinha em francês! Coisa mais fofa... ;-)

  1. Mamãe do Enzo disse...:

    adorei a opção de vcs !!! Como acho lindo francês bjis

    http://maeefeliz.blogspot.com/

  1. Bia disse...:

    que boas opções né Paloma! considerando as suas observações eu acredito que também optaria por uma escola francesa, e é como você disse: elas aprenderão inglês no cotidiano!
    tenho te acompanhado daqui, desculpe a au^sência de cometários!
    beijos
    Bia

  1. Eu sou apaixonada pelo idioma francês e a cultura. Suas razões são excelentes e no seu lugar eu também não pensaria duas vezes.
    Na minha opinião, inglês se aprende fácil, existe escolas de inglês em todo canto, são fáceis, acessíveis, e francês não, francês é um idioma bem mais complicado e na minha opinião hoje em dia e futuramente pesaria bem mais em um curriculo falar francês do que inglês, é um diferencial!

    Beijos

    www.parabeatriz.com

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