Babel é aqui, com muitas ideias na cabeça e falta de teclados nas mãos

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Estou me tornando repetitiva, seu sei, mas sempre tenho mil posts na cabeça e não tenho uma câmera, quer dizer, um blog na mão.

Não sei, não consigo postar do celular, passo pouco tempo na frente do laptop e, quando o faço, é para me comunicar em tempo real pelo Gtalk ou Skype, enquanto tento ir respondendo os mil emails e mensagens que se acumulam, tento ler os blogs do meu blogroll (e comentar, mas disso estou quase desistindo, porque os blogs que têm verificação de letras e pedem para provarmos que não somos um robô estão cada vez mais difíceis, é impossível visualizar, entender e digitar aquelas letras; quem tem isso, por favor, pense em retirar), ver o que está rolando na minha timeline do FB e, quando percebo, fiquei um tempão sentada e não fiz nada ou quase nada.

Isso tudo para justificar por que mais um post em tópicos, quando tenho assunto para pelo menos sete posts diferentes (e nem todos os assuntos entrarão aqui).

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Hoje fui buscar a Ciça na escola - ainda no curso de férias, pode? - e a cuidadora (a eslovena, a mesma que cantou "Ai, se eu te pego") disse que é um prazer ter a Ciça na sala de aula e começou a elogiá-la. Ciça também a adora e é claro que eu nunca toquei no assunto da música, ela obviamente não sabe o que está cantando. E, na versão eslovena, que eu já escutei no rádio, a música não faz sentido algum, só fala em banana e marmelada (=geleia). Delícia é substituído por banana. E "assim você me mata" por xxx (algo que não entendo) marmelada. Enfim, assunto encerrado, até porque a Ciça não voltou a cantar o hit.

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Ciça, aos 5 anos, diz frases lindas, algumas complexas e eu não anoto e depois esqueço. Me sinto culpada, porque eu tenho postado muito mais palavrinhas da Clarice do que frases da Ciça. Convenhamos que é mais fácil se lembrar de palavras que de frases inteiras e seus contextos, mas sinto que eu estou perdendo um assunto riquíssimo, deixando de registrar uma parte importantíssima de seu desenvolvimento. Culpa materna mode on.

Ciça no dia em que fez 5 anos, sempre se esquivando das câmeras (depois tem post sobre sua festinha aqui)

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Ciça andou com a barriga inchada, o que me deixou bem preocupada. A levei ao médico pensando se tratar de verme ou gases e saí de lá com solicitação de vários exames e suspeita de pneumonia. Foi um susto! No final, não era pneumonia, mas disseram que o pulmão estava inflamado - o que achei estranho, mas enfim. Pelo menos não medicaram.

Voltamos para ausculta na semana seguinte e a médica disse que ela estava bem melhor, mas desta vez passou um antibiótico "just in case" (que eu não dei, porque não senti segurança alguma na médica, depois conto mais sobre isso, porque, fora de contexto, parece que sou uma transgressora irresponsável) e um probiótico, para a barriga. O probiótico eu dei, mesmo ela não tendo problema nenhum de prisão de ventre, mas eu sabia que havia algum problema intestinal.

Passados alguns dias, o inchaço realmente diminuiu (ufa!). Eu comentei isso com a Ciça e ela me respondeu:

- Minha barriga dimunuiu porque eu pedi isso para a estrela cadente aquele dia, mamãe.

Achei tão linda a lógica dela que não disse nada. Gosto da presença de certa magia nas nossas vidas, ainda mais na vida dela, que é criança. Fantasiar e acreditar nisso é bom demais.

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Clarice, que antes, dizia "bada" (obrigada), quando lhe dávamos algo, agora trocou o "bada" por "hvala", obrigada em esloveno. Ninguém lhe ensinou isso, ela aprendeu por simples observação e passou a usar por conta própria, o que me deixou assombrada.

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Além disso, ela agora se despede das pessoas na rua com um "hvala, tau". Os eslovenos se despedem com adijo (adeus), mas, pela proximidade da Itália, incorporaram o ciao (tchau). E, quando compramos algo numa loja, supermercado etc. nos despedimos desta forma "hvala, ciao". Ela passou a usar antes de todo e qualquer tchau, inclusive quando fala com a avó pelo Skype.

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Por falar em Itália, minha prima que mora lá (mas nasceu na Colômbia) veio passar um tempinho com a gente e está me ajudando com a casa e as meninas. Com isso, a Babel é aqui. Em casa, falamos português e espanhol. Ela fala espanhol e italiano. Ciça já começou a introduzir várias palavrinhas (além de todas as músicas e do nosso querido Trotro) em francês - e Clarice aprende todas, rapidinho. E tem o esloveno, que vai entrando sorrateiramente na nossa vida.

Com elas, só falamos português - e continuaremos assim para que não esqueçam da nossa língua, mas toda hora as vejo falando "gracias" (obrigada, em espanhol) e outras coisinhas também. Clarice, para variar, repete todas as expressões que a minha prima fala, assim como repete as coisas que a Ciça fala em francês e o pouco esloveno com que tem contato.

Ainda assim, continua falando português muito bem, cada vez melhor, com um amplo vocabulário e conjugações verbais.

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Quando eu saio de casa e deixo Clarice com a minha prima, às vezes, na volta, ela (Cali) vem me receber na porta e diz:

- Mamãe, cholei (chorei).

E fala isso com carinha de cachorrinho abandonado, para me dizer que minha ausência a fez chorar.

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Por hoje é só, gente. Espero voltar logo para contar umas coisas engraçadas e outras nem tanto.

Hvala, tau!

Pergunte ao pediatra: 20ª rodada

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
E hoje chegamos à 20a. rodada da seção Pergunte ao Pediatra. Viva!! Adoro um número redondinho, embora seja fã mesmo é dos palíndomos, mas isso é outra história.

Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?".

Para ter sua pergunta respondida por ele, basta enviar para o email pergunteaoped@gmail.com ou mesmo deixá-la registrada num comentário aqui que ela entrará numa lista de espera e logo será publicada nesta seção. Para ver as perguntas e respostas anteriores, clique na seção Pergunte ao Pediatra, no menu superior deste blog.

Vamos às perguntas da semana.

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AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA

1 - Doutor, minha filha tem 4 meses e só mama leite materno, de 3 em 3 horas aproximadamente. Está com quase sete quilos e se desenvolvendo muito bem. Mas sempre mamou muito rápido (no máximo por dez minutos) e já fica saciada. Isso é um problema? Por que é importante que a amamentação seja exclusiva até os seis meses? Algumas mães já começam a introduzir frutinhas e sucos com 5 meses, então queria entender quais as vantagens e desvantagens de manter a alimentação apenas com leite materno até os seis meses, como defendem alguns pediatras.

JMF - Não há problema nenhum no tempo da mamada. A amamentação exclusiva até o sexto mês é fundamental não só para prevenção das doenças infecciosas, para desenvolver todo o sistema neurológico e psíquico, mas também, porque a introdução de alimentos a partir dos 6 meses favorece o retardamento da introdução de alimentos heterólogos, ou seja, de outras espécies animais e vegetais, o que diminui a chance de sensibilização e mesmo de alergias..

ÁGUA DE COCO

2 -Meu bebê de 10 meses não aceita água de jeito nenhum, só água de coco. Me disseram que água de coco em excesso sobrecarrega os rins, pelo excesso de sais minerais, é verdade? Como fazer para ele beber água?

JMF - O ideal é mesmo oferecer água pura sempre (depois dos 6 meses) e não liquidos adocicados como água de coco. É verdade que existe uma quantidade de sais aumentada, principalmente potássio, na água de coco, por isso a água é muito melhor. E, para se beber água, é preciso ter sede. Se a criança não quer ou não aceita é porque a quantidade de água que recebe dos alimentos é suficiente para hidratá-la.

Se for diminuido o aporte de liquidos (sucos, água de coco) e de alimentos ricos em água e ela começar a receber alimentos salgados e proteicos, naturalmente terá sede e receberá água. Mas unca se deve forçar ninguém a tomar água contra a vontade exatamente porque se a quantidade de água dos alimentos e dos liquidos for suficiente não há sede.

SONO

3 - Doutor, tenho visto que o sr. sempre comenta que mamadas na madrugada para bebês acima de 6 meses não são necessárias. A minha filha, com quase 1 ano, ainda acorda uma vez por noite, e eu já tentei fazer com que ela voltasse a dormir sem mamar, mas não consegui. O que o sr. sugere que seja feito, já que pelo que ele diz, esse despertar não tem a ver com fome?

JMF - Não necessariamente é fome. A maioria dos bebês nessa idade começa a ter os ciclos normais de sono e despertar, depois de 3 ou 4 horas, tendem a ter uma superficialização do sono. Se estão no lugar em que adormeceram, tendem a dormir novamente, principalemente se houver conforto térmico, com pouca luz, e calma. Geralmente o problema está associado ao fato de que os bebês estão acostumados a adormecer mamando e quando superficializam o sono (chamamos de microdespertares) à noite, tendem a querer novamente a mamada para dormir.

É preciso que a mamada da noite seja bem calma e prolongada o suficiente para se ter a certeza de que ele está satisfeito, mas o ideal é que não durma no peito, que brinque um pouco com os pais e depois deve ser levado ao berço, para adormecer tranquilamente ao lado da mae, num quarto sem luz branca acesa (mantenha apenas uma luz pequena no corredor, azul ou verde). Tente e me conte depois.

O que fazer quando...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Estas perguntas NÃO são retóricas, eu quero mesmo saber o que vocês fariam se fosse com vocês ou o que me aconselham. Organizei em tópicos para ajudar nas respostas:

1 -O que fazer quando sua filha mais velha compra um presente de aniversário com o seu próprio dinheirinho (que ganhou da bisa no Natal) e tem o seu objeto-de-desejo-realizado constantemente furtado pela irmã pentelha caçula, que ainda por cima prefere usá-lo sozinha? Até quando devo interferir ou seria melhor colocar um fone de ouvido e deixar elas se estapearem resolverem sozinhas?

1.2 - Interferir quando as duas criaturas em questão são seus filhos é patrulha ou instinto de preservação da (minha) espécie?


2 - O que fazer quando você leva a sua filha para um curso de férias na escola, para que ela não perca o contato com o ambiente escolar nem com a nova língua (francesa) durante o interminável recesso de Carnaval e a menina volta cantando "Ai, se eu te pego", em português mesmo, música ensinada por uma das cuidadoras (eslovena), aquela com a qual sua filha tem mais afinidade?

- Ai, se eu te pego, Clarice...

Blogagem coletiva Mães Internacionais: Inverno na Eslovênia, um aprendizado constante

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Fiquei deveras honrada de ter sido convidada a participar do coletivo Mães Internacionais, o qual acompanho com grande interesse mesmo antes de ser expatriada, já que as diferenças culturais e de vida em diversos países sempre me atraíram.

E logo que mudei para a Eslovênia, fui convidada a participar do grupo, aceitei de pronto, já tivemos várias trocas legais e hoje estreio na Blogagem coletiva com o tema Clima ou Inverno (para as que estão no Hemisfério Norte, subgrupo ao qual me incluo).

Chegamos a Ljubljana há pouco mais de um mês, no meio do inverno e o que encontramos foi um clima considerado outonal. Temeraturas positivas, dias de chuva (pouca, mas tinha) e até lindos dias de sol. O dia amanhecia por volta das 7:30h da manhã e anoitecia por volta de 16:30h. Para a gente, estava bem frio, mas as temperaturas eram positivas mesmo de madrugada e estava todo mundo estranhando aquele inverno chôcho.

Chegamos a pegar 9 e 12 graus, em dias diferentes, e, com tanto casaco, deu até para sentir calor ao andar e empurrar carrinho com duas meninas pelas ruas (aqui a gente anda muito a pé, o que é ótimo).

O frio foi chegando aos poucos, nas madrugadas, com temperaturas negativas e muita geada. Acordávamos para levar a Ciça na escola a -5C, depoois -8C, um frio enorme para a gente e nada de neve.

Passadas pouco mais de duas semanas, veio a primeira neve, com floquinhos minúsculos - que eu chamo de cristais, mas que parecem estrelinhas, como no vídeo abaixo, do Trotro (nosso ídolo aqui em casa, como já contei no post de ontem) - que deixou telhados, jardins, ruas e calçadas branquíssimos. Foi lindo, não fosse este o dia da nossa mudança, se eu não estivesse com uma gripe dos infernos, com a cabeça pesada e rodando.

No dia anterior, para vocês terem uma ideia, eu tive de sair de casa, mesmo gripada e com temperaturas negativas (acho que fazia -7C) para resolver coisas da mudança. Eu não me cobri direito e chorei de frio no meio da rua, pois meu ouvido ficou exposto e doeu muito! Depois desse dia e com a ajuda virtual das amigas que moram em lugares frios, ajeitei meu casaco, gorro com proteção de orelha, "fone" de ouvido e tudo o que tenho direito para nunca mais chorar de frio.

Daí eu vi o que a inexperiência. Não importa o quanto você tenha lido, pesquisado e se informado sobre o inverno: as pessoas têm limites diferentes para o frio e você só vai descobrir o seu sentindo, passando por algusn perrengues assim. Hoje eu sei o quanto aguento de frio, não gosto de cachecol (mas uso), fecho bem o casaco, tenho de prender o cabelo antes de colocar o gorro para evitar que vire um ninho de mafagafos, sei a hora de usar cada tipo de gorro, cada tipo de luva... E olha que ainda não me considero experiente, mas foi preciso chorar de frio para aposentar a luva de couro sem forro adequado por dentro e tomar outras providências inadiáveis.

Quando tomei as providências e melhorei um pouco da gripe (antes, o nariz escorria mais que bica de cidade do interior), pude curtir a neve, o inverno. Descemos morrinho de trenó, fizemos anjinho, boneco e bolas de neve. Espalhamos pegadas e rastros pela neve branquinha, vimos os diferentes jeitos e intensidade que a neve tem de cair, contemplamos embasbacados o silêncio de uma nevasca.

Mas vimos de cara as coisas chatas e ruins que o inverno com neve traz, além da gripe que abateu toda a família. A lama em que a neve se transforma, depois de ser pisada, é um horror. Como fizemos a mudança em dia de nevasca, a casa nova ficou um lixo já no primeiro dia, pois, com tanta coisa para carregar, não era possível pedir que tirassem as botas toda vez que entrassem e saíssem.

Depois disso, começamos o ritual de tirar as botas logo na entrada, mas, mesmo assim, suja demais. E este ritual de vestir e desvestir todo mundo a cada saída é bem desgastante, numa família de quatro, com duas crianças. E olha que elas nem reclamam, mas se mexem, querem calçar uma bota inadequada, uma luva inadequada e por aí vai.

Outro perrengue que tenho passado com a neve é que às vezes o carrinho fica atolado. No caminho para a escola da Ciça, passamos por uma rua sem calçadas, meio rural (com grama, mas sem calçada de concreto, sabe?) e ali o carrinho sempre atola. É uma droga, eu me descabelo, suo em bicas, peço para a Ciça descer do skate acoplado ao carrinho, desvio dos carros que passam na rua (a rua e as calçadas de verdade são sempre limpas, senão o que haveria de acidentes...) e sigo adiante.

Quando a neve derrete, as calçadas ficam cheias de pedrinha de sal, que jogam para derreter a neve. E, quando chove, este sal se junta ao gelo que virou água e se acumula em poças, que, quando esparramadas, deixam os vidros dos carros manchados.

Ou seja, a paisagem branca é realmente lindíssima, eu acho estonteante, mas, como tudo na vida, tem seu lado B também. Descobrimos os lados A e B juntos. Tivemos a sorte de este ano o inverno ter demorado a chegar e não termos nos deparado com temperatura negativa já nos primeiros dias. Foi rapido, mas tivemos um respiro, um tempinho de adaptação.

Outra sorte foi ter chegado em janeiro (tá, mais sorte teria sido chegar em março, no início da primavera), quando os dias começam a ficar mais longos. A cada dia, ganhávamos e ganhamos mais e mais minutos de luz. Se antes anoitecia às 16:30, agora é só umas 17:45 e vai aumentando! Da mesma forma, tem amanhecido mais cedo e os dias vão ficando mais longos.

Eu acho que, não importa a temperatura, a luz do sol é importante para nos sentirmos bem. Ainda não sei como fazer para não ficar mal ao ver os dias cinzas e curtos, isso só quem mora no HN há mais tempom pode contar, mas ver os dias aumentando é muito bom, sentir o sol na pele, mesmo que não esquente nada, é ótimo. Aliás, os dias mais frios têm sido os ensolarados. Normalmente quando neva não está tão frio.

Outra coisa que fizemos - e é o tipo de coisa que se faz sem pensar muito, senão você desiste - e que foi uma das experiências mais loucas e intensas que já tive na vida foi caminhar por um lago congelado, em Bled, uma cidade lindíssima a 40 minutos de Ljubljana. Estava todo mundo caminhando ou patinando no lago e havia placas permitindo, mas mesmo assim bateu um medão de o gelo derreter e a gente cair, ainda mais quando vimos peixes nadando por debaixo da camada menos espessa de gelo.

Fora que não estávamos com patins nem nada, fomos com botas que nem de neve eram (saímos de Ljubljana sem neve e só ao chegar lá descobrimos que o lago estava congelado), então foi meio escorregadio (principalmente para mim, que estava com a pior bota). Ciça estava com uma bota de chuva e não escorregou em hora nenhuma. Cali estava com bota de neve e Bernardo de tênis. Foi uma experiência fantástica, mas não sei quando nem se repetiremos, embora a Ciça tenha amado e seja a maior entusiasta de esportes e aventuras na neve!

Ela e Clarice saem sempre muito bem agasalhadas e fora uma mão gelada (porque elas tiram a luva) aqui ou um dia em que a Ciça foi para a escola com uma calça mais fina, não reclamam de nada relativo à temperatura nunca, é impressionante. Chorar de frio no meio da rua é para os fracos.

E, com elas, assim como com os eslovenos, vamos aprendendo que neve ou temperaturas abaixo de zero (acho que a mínima que pegamos foi de -12C, nem lembro mais) não são impeditivo de nada. Todo mundo sai de casa, faz o que tem de fazer e (até) se diverte. A vida continua abaixo de zero, minha gente!

Ah, e ontem, quando contei ao meu marido que estava escrevendo sobre o clima na Eslovênia, ele disse: "Demos sorte que não pegamos um dia sequer de fog, neste inverno". O fog (neblina) é a marca do inverno de Ljubljana, cidade que fica num vale, cercada de montanhas por todos os lados. Bom, foi só ele dizer isso para hoje acordarmos com a cidade coberta de fog. Não estava tão intenso como já vi em fotos e como me contaram. Mas que boca, hein? Por sorte agora já se dispersou e o sol apareceu.

Acho que é isso o que posso dizer, até agora, sobre nosso primeiro inverno como expatriados na Eslovênia. Que a gente sofra menos e curta mais nos próximos.

Para quem nunca viu a neve caindo e quer saber como é, recomendo fortemente este vídeo do Trotro. Para quem já viu também, porque é fofo, ora!



Este post faz parte da Blogagem Coletiva Mães Internacionais sobre o Clima. Para ler outros, clique aqui.

Finalmente, 5!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
E eis que, finalmente, a Ciça faz 5 anos. É hoje, dia 21 de fevereiro!

Cecília, aos 5 anos, está em plena fase de adaptação ao novo país. Está muito bem adaptada, eu diria. Diz que não entende nada do que falam na escola (francesa), mas nos conta tantas histórias - algumas bem verossímeis, como a de que os colegas lhe disseram que não tomam banho todos os dias -, que é impossível que não entenda pelo menos uma parte do que falam com ela.

Já canta umas sete canções em francês, conta até dez, fala várias palavras e frases soltas e outro dia perguntou se, quando a professora diz "Ça va?" (Tudo bem?), está querendo saber se ela (Ciça) está feliz ou triste. Ou seja, está aprendendo sem se dar conta!

Detesta sair em fotos (mas adora fotografar), temos que negociar a toda hora. Ao mesmo tempo em que é grande e quer ser grande, tem seus momentos de regressão, de querer ser bebê. De vez em quando fala como a Clarice, claramente para chamar a nossa atenção.

Adora nos ajudar com os cuidados da casa, é super organizada e ordeira, mas, quando quer, é o contrário disso tudo também. Adora ler e isso me enche de orgulho. Ela não lê de verdade ainda, mas isso é só um detalhe. Vive com um livro na mão, contando histórias para nós, para Cali, para os bonecos ou quem quer que seja.

Adora desenhar e pintar. Pede que nós desenhemos coisas para ela pintar. Tem orgulho de seus desenhos e trabalhos manuais. Gosta de ensinar as coisas para a irmã, sejam coisas práticas, sejam idiomas (sim, ela ensina várias palavras para Clarice em francês ou mesmo em português e Clarice repete todas). É a maior influência na vida da irmã e se aproveita disso às vezes.

Além de ler e desenhar, suas brincadeiras favoritas são: escola, viagem, cabeleireiro, casinha, mamãe e filhinhos, esconde-esconde, pega-pega, pular elástico (ganhou da tia Helô e adorou), pular corda (ainda não consegue direito, mas tenta), descer a montanha de trenó (novidade que ela amou) e muitas outras.

Seus DVDs preferidos, atualmente, são "Alice no País das Maravilhas", "Aristogatas", "Kirikou" "Príncipes e Princesas", "Ponyo", "Disney Treasures", "Pinóquio" e "Bernardo e Bianca", não necessariamente nesta ordem.

Suas músicas preferidas são as que tem ouvido na escola, em francês, anda fascinada por todas. Tem uma, o Rock'n'roll des gallinacés, que a gente diz que é a versão francesa do Cocoricó (e o seu rock rural). Amou o Trotro, um burrinho francês que foi a indicação do ano, dada pela Mari. Trotro é fofo, Trotro é lindo, Trotro é rigolo (divertido). Ciça se apaixonou, Cali se apaixonou, nós também e agora a casa inteira cantarola a musiquinha de abertura do Trotro, rá. Link
Adora os brinquedos da irmã e Cali adora os dela, às vezes brincam superbem juntas e às vezes disputam.

Adorou o desfile de Carnaval de Ljubljana e de Ptuj, a cidade mais antiga da Eslovênia, que tem um Carnaval tradicional. Agora fica imitando a dancinha dos kurenti (e isso merece um post à parte), homens que se vestem com peles de animais e colocam sinos pelo corpo, são uma entidade tradicional do Carnaval daqui.

É super determinada quando quer alguma coisa. No sábado, por exemplo, depois de vermos o desfile de Carnaval de Ljublajana, fomos para Bled, que fica a 40 minutos da capital. Ela inventou que queria ir andando pelo lago congelado até uma ilha que ficava superlonge (ver a penúltima foto; a ilha está à direita, com uma igreja branca ao meio), mas ela ia caminhando mesmo assim. À medida em que andávamos, a tarde e a temperatura foram caindo, começou a escurecer e precisamos demovê-la desta ideia, mas ela quer voltar lá para caminhar até a ilha. Isto é, se o lago ainda estiver congelado quando voltarmos. Senão, vamos de barco mesmo.

Foi ao Museu de História Natural de Ljubljana e adorou. Ele é pequeno e bem simples, se comparado ao de Nova York - que ela já esqueceu -, mas ela nem liga, curtiu muito mesmo. Todos os dias me pede para voltarmos lá, acho que vou virar sócia.

Quando chegou aqui, quase não falava de Brasília. Até que um dia disse que as ruas daqui são limpas e as calçadas não são quebradas, como em Brasília. Dias depois, falou da escola de Brasília com saudades. Tem saudades também da Divina, nossa empregada, e da comida do Brasil. Claro que tem saudades da família, mas já estava acostumada a morar longe de todos, então o que está mais fresco na memória são as coisas que vivia em Brasília mesmo.

Já gosta da escola atual e adora os dias em que fica para almoçar (quem diria?), depois descobri que é porque fez amizade com a moça da cantina, uma eslovena chamada Maja (o j se lê como i, em esloveno). Mas um dia pediu ao pai para transformar os colegas da escola em falantes de português.

Uma de suas características mais marcantes é uma timidez temporária. Quando conhece ou reencontra alguém que não vê com frequência, ela se retrai, fica tímida, se esconde, gruda na gente. Passa o tempo (depende do dia, do lugar, do contexto, mas são em média duas horas) e ela se solta, torna-se a melhor amiga da pessoa em questão.

Nosso aprendizado constante é respeitar o tempo dela, suas características, suas peculiaridades. Todo dia aprendemos um pouquinho mais sobre como ser mãe e pai desta menina encantadora e muito, muito amada. E hoje, dia em que começa o seu sexto ano de vida, vamos celebrar bastante os 5 anos de maternidade/ paternidade e, é claro, o aniversário da nossa petite.








1 mês e a vida (real) que segue

domingo, 19 de fevereiro de 2012
E hoje faz um mês que mudamos de malas e cuia para a Eslovênia. Ui, tanta coisa já aconteceu que até parece que faz mais.

Hoje estou cansada e sem ânimo para retrospectivas, mas queria salientar para quem me lê do Brasil que vida de expatriado não é nada fácil. Sei lá, fiquei pensando nisso estes dias, pois tenho percebido que há quem idealize a vida no exterior, a nossa vida (mesmo em Brasília já sentia isso, faz parte da exposição de se ter um blog, mas agora piorou). Mas a nossa vida não tem glamour nenhum!

Tá, eu fico postando fotos de crianças felizes e sorrindentes, lagos, castelos, neves, trenó, parques, passeios e com isso posso dar a falsa impressão de que a vida aqui é fácil, que o céu é sempre azul, que a neve é sempre branquinha, que a vida é sempre lindinha... NOT!

A vida, gente, a vida real, é como em qualquer outro lugar. Feita de dias melhores e outros piores. Temos nossos dias de gripe, dor de cabeça e mau humor. De amor, de carinho, de união, mas também de cansaço, de desentendimentos, de birras, de brigas e de fazer as pazes. Então, vamos combinar uma coisa: nada de idealizações, tá certo?

***
O melhor da mudança, para mim, são as novidades diárias, as belas paisagens (isso é inegável), a possibilidade de ver as estações do ano bem definidas, as diferenças culturais, o aprendizado de um novo estilo de vida (que, apesar das dificuldades, me encanta), um novo mundo que se abre e está aí, para quem quiser/ souber/ puder aproveitar.

O pior é a incomunicabilidade, o nosso analfabetismo em esloveno, a burocracia para se conseguir coisas simples, como um celular de conta (só conseguimos há poucos dias) - que para mim era fundamental, para eu poder usar mapas e acessar a internet, principalmente para usar o Google Translate na rua -, a dificuldade em abrir e depois movimentar uma conta em banco (imagine todos os caixas eletrônicos com instruções em esloveno e se sinta pior que um aposentado de 95 anos tentando manejar aquilo), a falácia de que todos aqui falam inglês (quem inventou isso, gente?), a minha impossibilidade de trabalhar neste país, a solidão, o não ter com quem falar português além do seu núcleo familiar, a saudade das pessoas de que gostamos e que estão a um oceano de distância.

Na lista do pior, poderia colocar ainda a falta de empregada, de faxineira, o alto preço de uma baby-sitter (que, para mim, de nada adiantaria, pois como achar uma que falasse português?), a falta de ajuda para as coisas do dia-a-dia, mas isso faz parte do estilo de vida europeu e eu, mesmo não gostando de cozinhar nem sendo uma dona-de-casa exemplar, acho que faz parte da experiência, faz parte do pacote que nós escolhemos, então disso não reclamo, embora tenha meus dias de cansaço extremo, de raiva de acabar de arrumar ou limpar parte da casa e ver as meninas bagunçando e sujando tudo em segundos... coisas que qualquer uma que é mãe e neurótica como eu já sentiu pelo menos uma vez na vida.

Enfim, a experiência completa, como a vida, inclui o bom e o ruim, e cabe a nós lidarmos com tudo isso. Este blog não é para falar de mim, portanto vocês não verão aqui muitas coisas do meu dia-a-dia, apenas um recorte da vida das meninas, que agora inclui um novo país. Mas, ao lerem, lembrem-se de que é isso: um recorte, um registro, uma parte da experiência que eu resolvi selecionar para elas, para os parentes e amigos, para vocês. A vida é muito mais que isso.

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Tenho tanto assunto para posts que talvez eles nunca saiam - o que me deixa triste, pois é um registro importante que se perde. Porque cada dia tem tantas novidades... Sou expatriada recente, é a minha primeira vez morando fora do país, logo, estou parecendo um bebê descobrindo o mundo.

Morro de vontade de dividir este tantão de novidades com vocês, mas aí eu lembro que este é um blog das meninas, para falar das meninas, que isso fugiria ao propósito deste blog. Fora a minha falta de tempo para escrever tudo e o eterno receio da superexposição. Daí, quando eu vejo, o assunto já ficou velho e já passei para outros. Eu sou do tipo que, se não registro no dia, dificilmente consigo fazer bem depois.

Ontem e hoje, por exemplo, curtimos o Carnaval esloveno e, apesar das diferenças (são poucos os que dançam, a maioria só assiste ao desfile), achamos bem legal. As meninas adoraram! Talvez role um post, talvez não.

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Sou só eu ou vocês também sentem que o Facebook meio que acaba com os blogs? O FB é "ótimo" para quem não tem muito tempo. Você joga frases soltas lá, não contextualiza se não qusier, não precisa explicar quase nada, mas, com isso, acaba falando muito de si.

Alo, além? Tem alguém aí ou está todo mundo pulando Carnaval?

Quem não está no Carnaval está a fim de discutir se o FB representa o início do fim dos blogs ou eu é que sou/ estou apocalíptica?

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Falar em FB, muita gente que lê o blog pede para ser minha amiga e sequer deixa uma mensagem. Assim eu não aceito, gente, desculpa. Já me pediram para criar uma página do blog, mas ele não é comercial e não me interessa fazer isso. Fiz ótimas amizades por aqui, adoro a blogosfera materna, mas as pessoas precisam falar, se apresentar, acho que é educado, para dizer o mínimo. E eu sou desmemoriada, lembram? Posso não ligar o nome à pessoa.

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Amanhã não haverá a seção Pergunte ao Pediatra, porque é no meio do Carnaval, porque é véspera do aniversário da Ciça (sim, em dois dias eu terei uma filha de 5 anos, mal posso acreditar!), porque estou realmente sem tenpo estes dias. Mas vocês podem - e devem - mandar perguntas.

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Se vocês quiserem saber mais das diferenças culturais e das nossas (minhas e das meninas) impressões sobre o que temos visto e vivido aqui fiquem à vontade para perguntar. É um bom estímulo para eu escrever posts decentes sobre a vida aqui.

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Agora vou dormir, que pegamos estrada ontem e hoje, estivemos com crianças no meio da multidão, brincamos no Carnaval de rua, tem muitas coisas acontecendo e eu estou cansada. Fiquem com umas fotos bonitinhas (que mãe que vai postar foto borrada ou com cara feia dos filhos, me diz? A gente sempre seleciona as mais bonitinhas e/ou engraçadas) e até a volta!

As fotos são do Carnaval de Ljubljana, numa praça no Centro da cidade. É, acho que vou fazer, sim, um post sobre isso, pois foi uma experiência antropológica interessante - para mim e para elas - participar do Carnaval daqui.







18 meses e muita história para contar

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Cali fez 18 meses faz um tempão, já está caminhando para os 19, mas eu registro quando eu quiser, logo... senta que lá vem a história:

- A menina começou a conjugar verbos na primeira pessoa. Ela agora fala: peguei, tirei, arrotei (aprendeu com a Ciça, óbvio), caiu (tá, este ela conjuga certo para os objetos e errado para ela, mas tenta), queio (quero) e muitos outros. Muito lindo ver esta nova habilidade, esta apropriação que ela tem feito da linguagem.

- Fala as palavras bumbum e pum frisando bem o M final, é muito bonitinho. Faz o mesmo com palavras terminadas em ão: feijaummm (tipo internetês, sabe?).

- Sabe todas as partes do corpo e adora denominá-las nela e na gente. Se eu me abaixo e ela está atrás de mim, ela logo fala: "bumbum mamãe".

- Conta até dois sozinha e sabe reconhecer quando há duas coisas em um lugar. Quando há três, ela também diz que tem dois. Quando há mais, ela separa de dois em dois.

- Fala "cocar" para colocar. E quer colocar tudo o que vê pela frente: bota, óculos, roupas...

- Quando acaba de fazer alguma coisa, diz para si mesma: "ponto" (pronto).

- Diz que as coisas estão "tentes" (quentes), mesmo quando não estão, só para não pegar nelas. Usa tente como indicador de perigo: olha para a tomada ou outra coisa que sabe que não pode mexere diz "tente" ou "dodói". Tá aprendendo direitinho.

- Inventou que tem de brindar antes de beber qualquer coisa (porque nos vê brindando, é claro). Fica pedindo "tim-tim" e só para quando a gente brinda com ela. Está tão obcecada com isso que pede para brindar até com a colher, quando está comendo.

- Ela está desenvolvendo cada vez mais e melhor outra habilidade que considero fundamental: a de brincar sozinha. Fica cada vez mais tempo brincando sozinha, conversando com os brinquedos e inventando histórias. Assim, não ligo a TV nem preciso ficar o tempo todo atendendo às suas demandas. Ela fica na dela e eu na minha, fazendo o que tem de ser feito. Quando ela me requisita, eu vou ou peço para esperar, a depender do que eu esteja fazendo. Sem dramas.

- Ela está encarando bem a vida à europeia. Me ajuda com as tarefas domésticas - Ciça também super ajuda, adora arrumar e limpar tudo, mas passa boa parte do tempo na escola - e adora os momentos de cuidar e limpar a casa. Quando ela não quer mais, vai brincar e me deixa terminar o serviço.

- Aliás, uma das palavras que ela mais fala ultimamente é "susseia" (sujeira) e aponta para as sujeiras que acha no chão ou em qualquer lugar (incluindo as caquinhas do nariz).

- Come sozinha e raramente aceita ajuda. Faz uma sujeira danada e eu tenho que contar até mil para não enlouquecer. Limpo a casa quando dá, mas a sujeira debaixo da mesa não escapa, tenho de estar sempre atenta, senão não consigo relaxar.

- Com a gripe, começou a dormir muito mal. No apartamento novo, dorme no mesmo quarto da Ciça, cada uma em seu colchão no chão (ainda não compramos camas). Eu partia da premissa de que bebê não se cobre e a enchia de roupas quentinhas e meias, mas não lhe cobria. Ela estava acordando muito à noite. Passei a cobri-la com um edredom e, por "coincidência", ela tem dormido melhor. Esta noite, pela primeira vez desde que chegamos à Eslovênia, dormiu a noite toda.

- As brincadeiras preferidas dela são se arrumar para passear ou viajar (arruma malas, sacolas e coloca uma mochila em si mesma) ou brincar de mãe e bebê com bonecas e outros bichos: ela é mãe de rato, porco, dragão, urso, palhaço e outros.

- Ama brincar com Playmobil, tem alguns dela, crianças e bebês, inclusive, e os chama carinhosamente de "Biu".

- Se adaptou muito bem ao frio, à neve, a tudo. Está com uma alergia no pescoço e nas dobras dos joelhos, que acho que se deve à secura em casa (aquecedor resseca demais o ambiente) e ao atrito com as roupas, mas sai na rua na maior, nunca reclama de ter de vestir casaco, gorro, luvas. Ciça idem, adora se paramentar para o frio e nunca reclama de ter que sair na rua com temperaturas negativas. Reclamar de frio é coisa de adulto.

- Está muito fofa e amorosa, uma fase deliciosa. Pede e dá beijos e abraços. Vai atrás do pai pedindo "besu" quando ele está para sair, é uma graça.

- Ainda é uma bagunceira de marca maior, mas anda bem mais cooperativa. Quando eu peço para ela fazer alguma coisa ou parar de fazer algo, ela responde "Tá bom" e para (ou faz), simples assim.

- Pede colo (fala "cóio" e estica os bracinhos) para as pessoas no Skype. E agora pede também para personagens de desenho animado, para os vídeos que vê no Youtube, para tudo o que vê nas telas (e não pede tanto para a gente), vai saber por que...

- Não gostou tanto da neve. Gosta de caminhar por ela e só. Ainda não tem vontade de brincar na neve, mas a verdade é que não temos tido muito tempo e Bernardo piorou da gripe, então só temos saído para lugares fechados.

- Ela adora passear e fica muito feliz quando eu falo esta palavra. Ela fica repetindo até sairmos: fassiar, fassiar... (passear, passear).

- Lembra do moço do gás, de Brasília, e diz "gááás", "vê gás", pedindo para olhar pela janela. Não aceita quando dizemos que aqui não tem gás.

- Usa o F para substituir várias letras: Fasil (Brasil), fofó (vovó), fassiar (passear), fassar (passar), façã (maçã) e outras que esqueci agora.

- Adora a bandeira do Brasil. Temos quatro pequenas, que ganhamos de amigos faz mais de um ano. Ela adora fassiar com o Fasil, que é como ela chama a bandeira, por aí. Uma figura! Ciça também gosta da bandeira e sempre a desenha.

- Tem comido super bem e quer comer tudo o que vê pela frente. Fala "mê" (comer) e abre um bocão para tudo, até o que não é comida.







Sei que todas as idades têm seus encantos, mas os 18 meses são fofos demais, gente. Não quero que acabem tão cedo! Até Ciça se rende aos encantos da irmã, fica dizendo que ela é fofa, linda, que é engraçada, que é maluquinha. A verdade é que a família toda se diverte com as artes, travessuras e fofurices desta caçula. Mesmo quando ela faz coisas erradas - e faz por querer, para provocar -, a cara dela de safada é tão fofa que a gente se rende e, mesmo brigando com ela, morre de rir por dentro.

P.S. Este post vai ser atualizado à medida em que eu for lembrando de outras gracinhas (e encontrar tempo para registrá-las). A mãe desmemoriada agradece a compreensão.

Pergunte ao pediatra: 19ª rodada

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Hoje é segunda-feira, dia de perguntar ao pediatra! E dia de ler as respostas do Dr. José Martins Filho às perguntas das leitoras.

Atentem para a segunda resposta, é uma aula sobre problemas de peso (problemas que nós, mães, criamos na nossa cabeça, diga-se de passagem) e serve para orientar avós e demais pitaqueiros que gostam de bebês gordos a qualquer custo. Achei demais!

Você ainda não conhece o nosso pediatra de plantão? Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?".

Para ter sua pergunta respondida por ele, basta enviar para o email pergunteaoped@gmail.com ou mesmo deixá-la registrada num comentário aqui que ela entrará numa lista de espera e logo será publicada nesta seção. Para ver as perguntas e respostas anteriores, clique na seção Pergunte ao Pediatra, no menu superior deste blog.

Vamos às perguntas da semana.

***

TEMA: SONO


1 ) Doutor, minha filha tem 2 meses e meio e ainda acorda de hora em hora para mamar. Ela acorda, mama e logo dorme, mas 1h depois acorda novamente, vejo que tem bebês da idade dela que dormem a noite toda ou acordam bem menos. Ela é alimentada exclusivamente por leite materno. É normal na idade dela um bebê ainda acordar tanto? Ela já teve períodos melhores, mas parece que regrediu.


JMF - Sim, até o final do terceiro, quarto mês, os bebês exigem livre demanda e mamam sem muito horário, mas a melhor maneira de aumentar o tempo do intervalo das mamadas é insistir para que o bebê fique mais tempo no seio, quando está mamando. No mínimo, se possível, uma meia hora. Por quê? Por conta do leite posterior, do qual já falamos aqui. À medida que a criança esvazia bem o seio, ao final da mamada, recebe um leite mais consistente, que ajuda a aumentar a saciedade e tende a aumentar o intervalo. Tente e depois nos conte.

TEMA: PESO

2) Doutor, bom dia. Minha menina está com 10 meses e 7 kg. Sempre foi miúda, nasceu com 2,895 kg, e somos uma família de magros. Nossa pediatra sempre incentivou a amamentação e a Julia nunca precisou tomar outro leite, somente o meu. Ela come bem frutas e papas salgadas, e ainda mama no peito. É muito ativa e saudável, nunca teve nada, nem gripe. Agora que os dentinhos estão saindo é que ela está com menos apetite.


Recentemente, minha mãe tem expressado muita preocupação e está fazendo uma certa pressão pra fazer uma dieta de engorda com a Julia, dando "engrossados" pra ela. O máximo que eu faço é adicionar uma colherzinha de Mucilon arroz e aveia na fruta dela. Conversei com nossa pediatra e ela mencionou que encaminha as crianças que estejam abaixo da curva esperada de peso ao gastro e endócrino quando o bebê completa 1 ano, mas que, ainda assim, ela não está preocupada com a Julia, pois ela é um bebê muito saudável.


Qual é a sua opinião com relação a essa questão toda de ganho de peso que nos assombra tanto (mães de bebês magrinhos)? De que maneira um gastro e um endócrino poderiam ajudar nesse caso? Agradeço desde já sua orientação.


JMF -
Como sua filha nasceu de baixo peso, tenho que saber: parto normal ou cesárea? Entrou em trabalho de parto ou foi cesárea eletiva, com data marcada antecipadamente? Porque isso pode significar um pouco de antecipação do parto ou um pouco de baixo peso ao nascer.

Mas, de toda forma, vai longe o tempo em que achávamos que tínhamos que engordar uma criança de qualquer maneira. Pelo contrário: quando se insiste muito com hiper-alimentação numa criança que nasceu com peso um pouco mais baixo e que geneticamente tem tendência à magreza, o que frequentemente vemos é uma dificuldade para o rim, por excesso de proteína, e isso, infelizmente, pode estar associado na vida adulta à hipertensão arterial.

Ou seja, é preciso deixar a criança seguir seu ritmo e sua curva. Se está bem, feliz, com bom desenvolvimento psicomotor, neurológico, sentando aos 6, 7 meses, engatinhando em seguida e seguindo as pessoas com o olhar, sorrindo e já balbuciando, não vejo problemas. Se a perda de peso é muito grande e se a curva começa a se modificar para baixo (não é ascendente), aí sim o pediatra deve ser visto. Não acho que com o gastro ou endócrino, isso é função do pediatra. Exames de urina, glicemia e hemograma costumam ajudar.

TEMA: AMAMENTAÇÃO APÓS OS 6 MESES

3) Queria deixar uma pergunta, sobre amamentação prolongada: como fazer para manter a produção mesmo trabalhando? Quero muito seguir amamentando meu filho (9 meses), mas como passamos grande parte do dia longe (de 9h as 17h) e ele já come comidinhas (almoço e jantar), a produção caiu muito e muitas vezes tenho a impressão de que ele não fica satisfeito com as mamadas em casa. Na creche, ele toma mamadeira de leite que eu ordenho ao longo do dia.

Existe algum remédio, alimento (simpatia, reza, hihihi) que eu possa usar para ajudar? Ordenho durante o dia e, em casa, o bebê mama sempre que solicita (normalmente: quado acorda de manhã, logo que chega da creche, antes de dormir e uma ou duas vezes na madrugada).


JMF - Parabéns! Você está fazendo exatamente o que é preciso para cuidar bem de seu bebê e mostra. de forma bem evidente. que , apesar de ter de trabalhar fora de casa, consegue manter a lactação. Não tome qualquer medicação, evite ao máximo dar qualquer leite que não seja o seu e siga exatamente como está. É evidente que, quando a criança começa a comer outros alimentos, diminui um pouco a sucção, mama menos e a produção do leite vai se adequando e adaptando ao bebê. Fique tranquila e mais uma vez parabéns, escreva sempre que puder ou quiser.

Pourquoi? Parce que...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Perdi a conta de quantas pessoas perguntaram aqui o porquê da escolha de uma escola francesa para a Ciça - e, dentro de alguns meses, para a Clarice.

Olha, gente, é uma escolha muito pessoal, então até fiquei na dúvida se deveria colocar aqui as minhas razões, pois não tenho objetivo nenhum de influenciar ninguém nem muito menos de desqualificar outras escolas, outros idiomas, outras formas de ver a educação.

Então, mais do que nunca, leiam este texto como um depoimento absolutamente pessoal e instransferível do que julgamos melhor para nós e nossas filhas, combinado?

Como qualquer pai e mãe que vão colocar um filho na escola, levamos em conta vários fatores: localização, preço, pedagogia etc. No nosso caso, também era importante escolher um idioma, já que estamos em um país estrangeiro, em que se fala esloveno, e não queríamos que elas só aprendessem o esloveno na escola, precisávamos de outra língua estrangeira.

Optamos de cara por uma escola internacional. Em todas as capitais do mundo há escolas internacionais, e as principais são: americana, inglesa e francesa. Nossa escolha aqui se resumia a estas.

Sim, o inglês é um idioma mais "útil" na vida de um expatriado e de um cidadão do mundo, em geral, mas a gente levou em conta o idioma em que queríamos que elas fossem alfabetizadas. Achávamos que o francês, por ser uma língua de raiz latina, como o português, seria melhor para a alfabetização na escola e para a posterior alfabetização em português, em casa, feita por nós, num processo lento e gradativo, que, obviamente, ainda não sabemos ao certo como se dará, mas já nos preparamos com livros, revistinhas em quadrinhos e DVDs em português.

Marido já morou na França e fala francês fluentemente. Eu falo um francês meio fuleiro (por falta de treino, porque já falei bem melhor), que aprendi na Alliance Française. Fiz o curso quase completo em São Paulo, parei no último semestre, quando estava grávida da Ciça, então faz tempo que não pratico e para mim está sendo bom retomar o contato com uma língua que tanto me encanta.

Bom, a língua foi um fator que pesou. Achamos que o inglês ela aprenderá na vida (além das aulinhas na escola), já que ele está em todo canto. Sim, o que não faltam são canais de TV em inglês, músicas e outros produtos da indústria cultural, assim como, aqui no exterior, pessoas que se comunicam neste idioma, inclusive a gente, que tenta se comunicar assim com as pessoas na rua (taxistas, garçons, vendedores etc.). O francês, por ser mais "difícil", é melhor que seja aprendido na escola, desde cedo.

Outro fator que, para nós, é importantíssimo é a alimentação. Infelizmente, tanto as escolas inglesas quanto as americanas que pesquisamos mantêm, mesmo em outros países, aquele conceito de que pizza é almoço, nuggets são saudáveis e hambúrguer é uma opção. Para nós, não é.

Outro fator, este bem polêmico, visto que não conheço a fundo a educação americana nem a inglesa, são os valores. Acredito que a escola francesa seja mais humanista. Sei que é absolutamente laica, o que me agrada, mas tenho a impressão, pelo que pesquisei, pelas pessoas que conheço que estudaram neste sistema de ensino, que a formação humanística e integral do cidadão é forte, e isso me agrada.

Outros fatores que pesaram foram a continuidade de idioma, de currículo e de calendário. Se formos morar em outro(s) país(es) ou mesmo se voltarmos para o Brasil - todas são possibilidades para médio e longo prazos -, elas terão continuidade nos estudos. As escolas francesas pertencem a uma rede mundial e todas se comunicam entre si.

Sobre preço e localização: nisso a escola francesa também ganhou aqui em Ljubljana. O valor é bem abaixo das outras escolas internacionais. E não aumenta tanto à medida que os alunos crescem. Na escola inglesa, por exemplo, há uma diferença de mais de 70% na anuidade da pré-escola para as séries mais avançadas. Como temos duas filhas e não somos ricos, temos que pensar sempre nisso.

A localização, perto do Centro da cidade, também pesou. Aqui há uma escola internacional subsidiada pelo governo, mas fica numa estrada, a alguns quilômetros do Centro da cidade. Pegar uma rodovia todos os dias para levar e buscar as meninas na escola não estava nos meus planos. E ônibus escolar, além de caro, não me parece adequado para a Clarice, que vai entrar na escola aos 2 anos.

Fora que, colocando-as em transporte escolar, eu perderia voluntariamente o contato com o ambiente escolar, professores (na escola francesa, a Ciça tem um professor homem, o que me agrada muitíssimo), coordenação e diretoria. E quem me conhece sabe que eu sou rata de escola, adoooro participar de tudo, conhecer, ouvir, interagir, opinar.

É isso, gente, estas são as NOSSAS razões. E, para quem gosta de francês como a gente e gostou da musiquinha que postei ontem, hoje eu posto outra, que a Ciça também canta na escola, numa roda animada com os colegas e professores:



Observem que ela é a versão francesa da nossa: "Vamos passear na floresta/ Enquanto seu Lobo não vem/ Tá pronto, seu Lobo?/ Não, tô vestindo a camisa.... (e repete ad infinitum, até que o Lobo acaba de se vestir e vai tentar comer a criançada)". Como já falei aqui, a Ciça e todas as crianças do mundo (imagino eu) ama histórias de Lobo e adora o sustinho de saber que o Lobo (aqui em casa vivenciados por mim ou pelo pai) está indo devorá-la...

Pirouette, cacahuète

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Como já contei aqui, a Ciça andou brincando de aeroporto e viagem (brincadeira preferida da Cali atualmente, aliás, que também entrou de cabeça na história) e, de uns tempos para cá, vem preferindo brincar de escola.

E não é que ela me surpreendeu, na terça, ao bancar a professora - ela é sempre a professora e nós, os alunos - e cantar uma música inteira em francês? E não foi a mais facinha, a dos dias da semana, foi "Pirouette, cacahuète", que tem até uma coreografia, que a professora dela faz com um livro na mão.

Ela fez igualzinho à professora, imitou os movimentos com o livro, pegava no nariz na hora do "le bout du nez" e me deixou completamente encantada. Como criança aprende rápido, né? Ainda mais quando se tratam de músicas. Ela ainda não sabe direito o que está cantando, mas canta com o sotaque perfeito, uma coisa!

Achei este vídeo com a letra da música aqui. Relevem os desenhos e o arranjo marromenos, é só para mostrar a primeira música que a Ciça aprendeu em francês:



Eu já falei mais de uma vez que as brincadeiras das crianças revelam muito de quem elas são e do que estão sentindo. É algo como: "Diz-me do que brincas e eu te direi quem és". Aqui funciona perfeitamente, eu compreendo muito mais o mundo delas (e a forma como elas vêm o meu) pelas brincadeiras. E com vocês, é assim também?

Como nasceu o Fotocecilia

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A história da criação deste blog é bem prosaica. Um pouco antes de a Ciça nascer, em 2007, criei um fotolog para postar as últimas fotos da barriga e as suas primeiras fotos e assim evitar mandar emails pesados com fotos da nossa bebezinha. Ele era voltado para a família (espalhada por Salvador, interior de São Paulo, Colômbia e Itália, principalmente) e amigos distantes.

O fotolog cumpriu bem sua função até novembro de 2007, quando, inesperadamente e sem aviso, saiu do ar. Fiquei desesperada, pois além da seleção de fotos (eu o usava com um álbum virtual), eu perdi todos os comentários lindos que havíamos recebido desde que ela nasceu. Ficamos alguns dias correndo atrás do provedor (fuleiro demais, um tal de Viplog) e não conseguimos contato algum. Quando eu já ia sentar e chorar, depois de dar mil F5 no fotolog, vi que ele tinha voltado ao ar. No mesmo instante, salvamos todas as páginas, com os comentários e, em menos de uma hora, ele voltou a sair do ar para nunca mais voltar.

Ficamos alguns meses sem fotolog e muita gente sentiu falta. Das fotos, das legendas engraçadinhas, de acompanhar a Ciça crescendo. E eu não via saída: não queria abrir outro fotolog (tinha perdido a vontade) nem queria ter um blog, achava blogs um saco (a pessoa cospe para cima faz tempo), coisa de gente narcisista e que gosta de exposição, coisa que eu não queria para a Ciça.

Mas o tempo foi passando e eu não via um formato melhor para postar as fotos da Ciça para a parentada, os amigos distantes e mesmo os amigos próximos (quem é mãe sabe o quanto a gente se afasta dos amigos depois que o bebê nasce). Todo mundo queria ver as fotos. E aí, voltando das férias em Salvador, criei o blog, em janeiro de 2008, com o mesmo objetivo do fotolog: por isso o "fotocecilia". Mas não postei as fotos do fotolog, comecei com as fotos recentes da Ciça, que tinha então 10 meses.

No início, o blog para mim era só isso mesmo: uma continuação do fotolog. Um lugar onde eu postava as fotos dela, postava diariamente e fazia legendinhas, não tinha isso de escrever textos e contar muita coisa da nossa vida. Daí eu fui sentindo necessidade de escrever mais e resolvi escrever em primeira pessoa, dando voz à Ciça. Era para mostrar como a pequena Ciça, então com 11 meses, começava a descobrir o mundo. E ia falando de suas primeiras vezes, sempre em primeira pessoa, até que, passado mais um tempo, senti falta de acrescentar a visão da mãe sobre tudo isso.

Eis que o blog, mais uma vez, mudou de função e virou um blog de maternidade. Criei um perfil para mim (antes só havia o perfil dela) e comecei a escrever com o meu nome. Ainda não conhecia outros blogs de mães e não lembro bem como comecei, mas os primeiros que visitei foram o Mothern (que eu conhecia por causa do livro, e não o contrário), o da Paloma Cotes, minha xará, ex-vizinha e ex-colega de trabalho, e o da Carol Avansini, que não escreve mais.

Lembro que achei o blog da Carol no Mothern (que não tinha textos atualizados havia anos) e fiquei apaixonada pelos nomes das filhas dela: Cecília e Clarice (que ela chama de Ceci e Clari). No primeiro comentário (foi meu primeiro comentário em blogs ever), eu escrevi que também tinha uma Cecília e que, se tivesse outra filha, ela se chamaria Clarice. Isso foi em 2008.

Minha Clarice veio em julho de 2010 e o nome deste blog, que era "Novas Peripécias de Cecília" (o fotolog era só Peripécias de Cecília), virou "Peripécias de Cecília & Fofices de Clarice".

A chegada da caçula me deu um gás extra para escrever. Confesso que, durante a gravidez dela, tinha perdido um pouco o gás e a vontade, mas hoje acho que teve a ver com o momento crítico pelo qual passei (marido longe, assédio moral no trabalho, que chegou a aparecer nos comentários do blog, fora que me sentia muito sozinha em Brasília), mas que felizmente foi superado e culminou com o emocionante nascimento da Clarice e da nova fase do blog, que é esta que vocês acompanham agora.

Meses depois, a Flávia me propôs mudarmos o layout e mudamos, juntas (ela fez o design, eu adorei e aprovei). Passou mais um tempo, eu comecei a parceria com o Dr. José Martins Filho e criei uma seção fixa no blog. Continuo registrando aqui os fatos mais importantes da vida das meninas, agora sabendo que tenho leitores que nem conheço, mas, mais do que exposição, acredito que a blogosfera materna traz uma interação muito gostosa e, no meu caso, muito importante para se pensar esta tarefa por vezes tão árdua e solitária que temos que cumprir diariamente: educar pessoas melhores para este mundo.

Ah, e sempre, desde os primórdios, pensei no fotolog e no blog como um registro que a Ciça pudesse acessar quando tivesse idade (e agora, para a Clarice também). E ela já acessa (junto comigo, claro), pelo menos para ver as fotos, enquanto ainda não lê. E a Cali já conhece o blog, sempre que eu o abro, na frente dela, ela para o que está fazendo (geralmente mamando) para falar: Ciçaaaa!

Notícias da neve!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quem me acompanha pelo Facebook já viu ou leu algo, mas me toquei agora que ainda não escrevi aqui sobre as últimas novidades.

Todos melhoramos da gripe. Quer dizer, todos ainda tossimos uma tosse produtiva e eu e Cali ainda temos o nariz escorrendo em bicas, mas os sintomas corporais (dores no corpo e na cabeça, cansaço físico e outros) desapareceram, o que já é lucro.

No último sábado, acordamos com as calçadas e telhados branquinhos e ainda estava nevando. Já tinha nevado de leve na segunda e na sexta da semana passada, mas na madrugada de sábado foi mais forte e a neve finalmente se acumulou nas calçadas. Tudo lindo, se não fosse este o dia da nossa mudança (habemus casa!) e a rua da casa provisória, onde morávamos até então, não fosse fechada para carros.

Um amigo do Bernardo, que tem um carro grande, nos ajudou com as mil malas e sacolas e, em três viagens, havíamos concluído a mudança. Daí fomos almoçar num delicioso restaurante perto da casa nova, de comida típica eslovena. A comida típica daqui é bem parecida com a húngara, a alemã... Eles comem goulash, sopas, ensopados, guizados, mas também comem linguiças e salsichas e carnes ao estilo alemão. E dizem que têm influência também da culinária croata, que é mais mediterrânea, com peixes e frutos do mar.

Mas a gente tem comido pouco fora e feito mais comida em casa, porque é mais barato, para criarmos uma rotina de vida aqui e, principalmente, porque as meninas comem melhor em casa, onde sempre tem arroz (adoram) e os temperos mais conhecidos.

Com a gripe, Ciça faltou à escola alguns dias e, quando voltou, fizemos uma readaptação. Esta, bem mais difícil que a primeira. Ela chorou, se jogou no chão, pedia para sair de lá, fez escândalos por dois dias, um com o pai e outro comigo. No terceiro dia, a professora pediu para que não entrássemos mais na sala, pois ela chorava por um minuto e depois ficava bem. Era dia do Bernardo. Ele a deixou chorando e gritando, mas, quando eu a busquei, ela disse que o dia tinha sido legal.

Acho que esta primeira fase da adaptação já está vencida, ela tem ficado bem lá, dá tchau e fica. Come bem e tudo. E já entende bem mais do que acontece por lá (viva a rotina, viva a repetição). Mas amanhã é feriado por aqui e logo eles pararão por duas semanas de recesso de Carnaval. Nestas duas semanas, ela vai frequentar a escola em alguns dias, achamos melhor matriculá-la no curso de férias para ela não perder o contato com a língua de novo, já que estas pausas infelizmente atrapalham.

Sobre a casa nova: ela fica exatamente entre a escola e o trabalho do Bernardo. Não é no Centro, mas é pertinho. Acho que estamos super bem localizados. Aliás, queria me retratar aqui, pois disse num post anterior que a arquitetura dos apartamentos era bizarra e não expliquei. É que, como alguns apartamentos que visitamos estavam em prédios centenários, históricos, eles tinham que seguir o formato inclinado do telhado e, para aproveitar melhor os espaços, criaram alguns cômodos com tetos baixos demais. Como somos relativamente altos, ficávamos batendo a cabeça, se não prestássemos a atenção.

Mas mudamos para um apartamento mais moderno, fora do Centro, então não tivemos este problema. Vimos muitas casas para alugar também, super espaçosas e tal, mas não eram perto do Centro e eu gosto de saber que posso ir a pé para o Centro, se quiser. Eu e o meu sonho de morar numa cidade caminhável (agora é realidade)!

Atrás do nosso prédio tem um morrinho que desde o primeiro dia que eu vi eu pensei que seria legal para escorregar, de preferência na neve. Dito e feito: no nosso segundo dia de neve mais forte (domingo), descemos equipados de roupas próprias para a neve e um trenozinho que havíamos comprado no supermercado no dia anterior por 10 euros.

Foi uma manhã deliciosa de subidas e descidas no morrinho. O trenó serve para adultos e eu e Bernardo também descemos, curtimos muito brincar na neve.

Cali ganhou uma pá para cavar, mas não curtiu muito a coisa toda. Ela só gostava de andar arrastando os pés, para ver o seu rastro na neve, ou de sentar e mexer um pouco na neve com a mão. Mas logo pediu para ir embora e eu subi com ela. Bernardo e Ciça ficaram mais um tempão: fizeram um boneco de neve (sem fotos) e umas bolinhas. Ciça trouxe a bolinha dela pra casa e a deixou na nossa varanda. Como as temperaturas se mantêm abaixo de zero (-8, -9...), a bolinha continua aqui, firme e forte.

Pergunte ao pediatra: 18ª rodada (o retorno!)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Eis que é fevereiro de 2012 e, conforme prometido, voltamos! Foi um recesso importante e necessário, principalmente para mim, que tantas mudanças vivi neste período. O Dr. José Martins segue firme e forte respondendo a todas as perguntas que vocês mandam, jamais deixamos ninguém sem resposta (e se você acha que ficou sem resposta, me escreva agora mesmo que a gente corrige isso!).

Para quem não sabe, esta seção é semanal, acontece às segundas-feiras, e traz um pediatra top para responder às perguntas das mães, avós, tias, madrinhas e simpatizantes sobre crianças e todos os aspectos do seu desenvolvimento. Este pediatra top, também conhecido como Dr. José Martins, é professor emérito e ex-reitor da Unicamp, autor de diversos livros sobre infância e puericultura e nosso colaborador semanal.

Para ter sua pergunta respondida por ele, basta enviar para o email pergunteaoped@gmail.com ou mesmo deixá-la registrada num comentário aqui que ela entrará numa lista de espera e logo será publicada nesta seção. Para ver as perguntas e respostas anteriores, clique na seção Pergunte ao Pediatra, no menu superior deste blog.

Vamos às perguntas da semana:

***

1) Minha filha nasceu faz 19 dias. O bico do meu seio é invertido e ela só começou a mamar bem quando estava com 7 dias, antes não pegava o seio direito, mas já foi a pediatra 2 vezes e está ganhando em média 30 gramas por dia. Agora ela está com 19 dias e o problema é que ela não quer largar mais o peito, só dorme no peito, quando tiro passa 1 hora dormindo e já acorda, nada a consola, só o peito. Raramente ela dorme por 2 horas e meia ou 3 horas, dorme menos tempo e já vai para o peito, só tiro quando ela tem largado o bico e ainda fico um tempo com ela no colo para só depois colocá-la no berço, mas normalmente não demora muito e ela já pede o peito de novo.

Não queria dar a chupeta a ela, mas tentei em uma das madrugadas, ela não pegou de jeito nenhum, cuspiu e eu também não insisti, dei o peito e ela se acalma na hora, como se nada tivesse acontecido. Li sobre pico de crescimento e amamentação, mas não sei se isso realmente procede, a pediatra dela disse que é assim mesmo, que ela ainda está regulando o sono e quer aconchego, o senhor concorda? Um bebê não querer largar o peito é normal? Ela pode está com alguma dor?

JMF - Calma, amamentar exige um pouco de paciência e dedicação. No começo o melhor é mesmo a livre demanda e manter a criança por perto da mãe, sempre que possível, no berço, ao lado da cama do casal, e ir permitindo que aos poucos ela vá acertando os horário. E também é preciso prestar um pouco de atenção, porque se a criança mama cinco minutos e dorme e se a mãe não insiste, estimula e faz a criança mamar mais um pouco, ela não aproveita bem o leite posterior e aí a tendência é mamar com intervalos muito curtos. Se a criança fica ao peito um pouco mais, a tendência é ir espaçando os horários. Durante a gestação, você leu, se informou sobre amamentação? O seu obstetra a orientou e explicou? E o seu pediatra, tem conversado com ele? Sempre é muito importante escolher um pediatra que a auxilie, apoie e ajude a vencer as dificuldades com a amamentação, não basta apenas dizer: "amamente", é preciso ajudar, participar e auxiliar a mãe a resolver os problemas que vão aparecendo.

2 - Quais são os sintomas para mostrar que a criança pode ter diabetes?

JMF - Existem dois tipos de diabetes: o tipo adulto e comum em pessoas mais obesas, que é a chamada diabete tipo dois, e a diabetes infantil ou tipo 1, em que o desencadeamento costuma vir após alguma infecção de garganta, ou virose e que é mais grave e mais séria. Precisa de muito cuidado e atenção e seguimento cuidadoso com pediatra ou com especialista em diabetes. Os sintomas são sempre aumento da diurese (muita urina) e fome exagerada, às vezes com dificuldade de ganho de peso. No caso de dúvida, não há que esperar, deve-se ir ao médico e fazer um exame de urina. para pesquisar corpos cetónicos, e glicosuria, e de sangue. para medir glicemia. Já conversou com seu médico sobre isso?


3 - Minha filha está com 24 dias hoje, estou amamentando em livre demanda e estou querendo saber se devo ou não tomar anticoncepcional a partir de agora quando retomar a minha vida sexual, ainda não voltei a minha médica, mas queria logo saber se a ingestão desses medicamentos (mesmo os permitidos) influenciam na produção de leite, caso exista algum risco vou preferir não tomar, sempre desejei muito amamentar, tive problemas na primeira semana por causa do bico do meu peito que é invertido, mas chamei uma técnica e com muita paciência e insistência ela pegou os dois seios e está mamando muito bem e eu estou completamente realizada, tenho medo que qualquer coisa possa atrapalhar a nossa história com a amamentação.

JMF - Essa decisão deve ser tomada com seu obstetra, que lhe indicará um anticoncepcional com baixa quantidade de estrógeno, o que permite, sim, a amamentação. É preciso também lembrar que uma amamentação exitosa geralmente diminui em muito a chance de gravidez, mas não exclui completamente a possibilidade, por isso a mãe não deve deixar de se precaver para evitar uma inesperada gestação. Consulte logo seu obstetra e fale com seu pediatra.

Resulatdo do sorteio da Luluzinha

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Foram 98 comentários, dos quais saíram 84 inscrições válidas. A cada comentário válido foi atribuído um número, na ordem em que comentaram, e o Random.org se encarregou de sortear. Os números sorteados foram: 35, 40, 56, 70 e 83, que correspondem, nesta ordem, a:

- Vânia Becker
- Fabiana Alvim
- Isabel Bagatin
- Tatiana Tessler
- Thaísy Cunha Pessoa

Parabéns, meninas!!!

Vocês receberão um e-mail meu com o pedido do endereço de vocês, para a entrega dos kits. Quem quiser voltar aqui depois e contar como a criançada recebeu o kit eu vou adorar!

Último dia do sorteio e 'alô, Rio de Janeiro!'

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Hoje é o último dia do sorteio do kit da Luluzinha. Para ler as regras e participar, clique aqui.

As inscrições (repito: verifiquem as regras no link acima) serão permitidas até hoje às 20h (horário de Brasília) e o resultado será publicado amanhã, combinado?

Serão cinco sorteados, cada um vai levar um kit como este abaixo:

Bolsa com revistas da Luluzinha, do Bolinha e muito mais!

E, para os leitores do Rio de janeiro, fica a dica: neste domingo, dia 5 de fevereiro, haverá uma manhã de brincadeiras com os personagens Luluzinha e Bolinha na Banca da Paz, em Ipanema. A gente, que ama a Lulu, está morrendo de vontade de ir lá, mas, como não vai dar, pois estamos do outro lado do Atlântico, recomendo que vocês apareçam e depois me contem, certo? Vai ser demais!

Clique neste cartaz para ver o endereço
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